Vasectomia: por que cada vez mais homens optam pelo procedimento após a paternidade?

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A decisão de não ter mais filhos pode representar uma nova etapa na vida de um casal. Depois da chegada dos filhos e da definição sobre o tamanho da família, alguns homens passam a considerar a vasectomia como uma alternativa definitiva de contracepção.

Nesse contexto, o planejamento familiar deixa de ser visto como uma responsabilidade predominantemente feminina e passa a ser uma decisão compartilhada.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a procura por vasectomia em homens dentro da faixa etária para realizar o procedimento subiu em 40% desde 2022.

A legislação brasileira reconhece o planejamento familiar como um direito de homens, mulheres e casais, e a vasectomia está entre os métodos contraceptivos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o urologista Dr. Romulo Nunes, a decisão pela vasectomia deve ser individualizada e tomada depois que o homem estiver seguro de que não deseja ter mais filhos.

“A vasectomia é um método definitivo de contracepção e, por isso, não deve ser encarada como uma decisão impulsiva. Quando o homem já constituiu a família que deseja e tem convicção de que não pretende ter mais filhos, o procedimento pode ser uma alternativa segura e eficaz dentro do planejamento familiar.”

A mudança também representa uma maior participação masculina nas decisões relacionadas à contracepção. Durante muitos anos, métodos contraceptivos e procedimentos definitivos foram associados principalmente às mulheres, que acabavam assumindo grande parte da responsabilidade pela prevenção de uma gravidez.

“O planejamento familiar não precisa ser uma responsabilidade exclusiva da mulher. Quando o casal decide em conjunto que não deseja mais ter filhos, o homem também pode assumir uma participação ativa nessa escolha. A vasectomia é uma das formas de compartilhar essa responsabilidade.”

Vasectomia interfere na vida sexual?

Um dos principais motivos que fazem alguns homens hesitam diante do procedimento são os mitos relacionados à sexualidade. A vasectomia interrompe a passagem dos espermatozoides, mas não interfere na produção dos hormônios masculinos nem na capacidade de ereção. O Ministério da Saúde também esclarece que o procedimento não altera a potência sexual.

“A vasectomia não reduz a masculinidade e não provoca impotência. O homem continua produzindo testosterona, tendo ereção, orgasmo e ejaculação. A principal mudança é que os espermatozóides deixam de fazer parte do sêmen.”

O procedimento também não produz efeito contraceptivo imediatamente. Após a cirurgia, ainda podem existir espermatozoides no sistema reprodutor, sendo necessário utilizar outro método contraceptivo até que a ausência de espermatozóides seja confirmada pelo exame indicado pelo médico.

A decisão precisa ser definitiva

Apesar de existirem técnicas de reversão, a vasectomia deve ser considerada um método permanente. Por isso, a avaliação médica e o aconselhamento antes do procedimento são fundamentais.

No Brasil, homens com capacidade civil plena podem optar pela esterilização a partir dos 21 anos ou caso tenham pelo menos dois filhos vivos, desde que sejam observadas as demais condições previstas em lei. Também não é necessária autorização do cônjuge ou parceiro. A legislação estabelece ainda um prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e a realização do procedimento.

“A mudança na legislação trouxe mais autonomia para o homem tomar essa decisão. Mas autonomia também significa informação. Antes de realizar a vasectomia, é importante entender que se trata de um método definitivo, conhecer as alternativas e conversar com o urologista sobre as expectativas e possíveis dúvidas”, conclui.

Rômulo Nuness é médico formado pela USP, especialista em Urologia pelo Hospital das Clínicas da USP, com formação complementar em cirurgia robótica na Bélgica e estágios internacionais na Itália e Inglaterra.

 

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