CAMINHAMOS PARA O HORIZONTE E ENCONTRAMOS A NÓS MESMOS

Diocese de Assis

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Há coisas que a gente enxerga de longe e passa a vida tentando alcançar. Um sonho, uma vocação, um projeto, uma mudança, um desejo. Chamamos isso de horizonte. Ele parece estar sempre à nossa frente, distante, convidando-nos a caminhar.

Mas talvez o horizonte não seja apenas aquilo que está longe.

À medida que caminhamos, damos passos, imaginamos, sonhamos e desejamos, alguma coisa também acontece dentro de nós. O que parecia estar apenas diante dos olhos começa a ganhar morada no coração.

Então percebemos que o caminho não nos aproximou somente de um lugar. Aproximou-nos de nós mesmos.

Há sonhos que não inventamos; descobrimos. Há desejos que não chegam prontos; amadurecem. Há caminhos que não apenas nos levam a algum lugar, mas revelam possibilidades que ainda não conhecíamos em nós.

Talvez seja por isso que algumas escolhas nos transformem antes mesmo de alcançarmos aquilo que desejamos. O passo dado já começa a modificar quem caminha.

E o horizonte vai se tornando mais próximo não necessariamente porque ele mudou de lugar, mas porque nós mudamos durante o percurso.

Quantas vezes pensamos estar procurando uma resposta fora de nós e, depois de algum tempo, percebemos que a pergunta já estava trabalhando silenciosamente em nosso interior?

Um encontro pode despertar uma coragem que desconhecíamos. Uma dificuldade pode revelar uma força que não sabíamos possuir. Uma perda pode fazer nascer uma nova maneira de olhar a vida. Um sonho pode mostrar que ainda existe dentro de nós algo que deseja nascer.

Caminhar, então, não é apenas deslocar-se. É tornar-se.

Por isso, não precisamos ter medo dos horizontes que ainda não conseguimos enxergar com clareza. Nem todo sonho precisa chegar acompanhado de um mapa. Algumas direções começam apenas como uma inquietação, uma vontade, uma pequena esperança.

O importante é não confundir ausência de certeza com ausência de caminho.

Podemos caminhar sem saber exatamente onde chegaremos. Podemos sonhar sem ter garantias. Podemos desejar sem possuir o resultado. A vida não nos entrega todos os contornos do futuro antes de darmos o primeiro passo.

Às vezes, é o próprio caminho que nos ensina o que estávamos procurando.

E talvez essa seja uma das belezas mais profundas de viver: aquilo que parecia estar distante pode, pouco a pouco, revelar-se como algo que já estava germinando dentro de nós.

No fim, talvez não caminhemos apenas em direção ao horizonte. Caminhamos também em direção à pessoa que estamos nos tornando.

E um dia podemos olhar para trás e compreender: pensávamos estar procurando um horizonte. Na verdade, estávamos descobrindo a nós mesmos.

 

PE. EDIVALDO PEREIRA SANTOS

 

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