A DIGNIDADE DE CAMINHAR COM AS PRÓPRIAS PERNAS
Diocese de Assis
Existe uma máxima que o tempo, com sua sabedoria silenciosa, acaba por nos impor: ninguém é nada à sombra dos outros. Por mais que busquemos abrigo sob a proteção de figuras que admiramos ou nas quais depositamos nossas inseguranças, a vida, em algum momento, exigirá de nós o brilho próprio. Viver sob o reflexo alheio pode parecer seguro, um esconderijo contra as intempéries do mundo, mas é, em essência, uma forma de anular a própria existência.
É indiscutível que a vida humana é um exercício de cooperação. Todos nós precisamos uns dos outros para navegar em um cotidiano repleto de desafios, incertezas e demandas. A interdependência é a base de qualquer comunidade funcional; é o que nos permite ir mais longe e suportar fardos que seriam pesados demais para um único par de ombros. No entanto, é fundamental não confundir apoio com dependência. Existe um abismo perigoso entre o ato de dar as mãos e o ato de se deixar carregar.
Não podemos, sob pretexto algum, criar relações de dependência absoluta. Quando delegamos ao outro a responsabilidade por nossa felicidade ou por nossas decisões, silenciamos as potências que nos definem como seres humanos: somos inerentemente criativos, resilientes e capazes.
A criatividade nos dá o poder de inventar novas rotas; a resiliência nos permite absorver o impacto das quedas sem nos despedaçar; e a capacidade é a ferramenta que temos para intervir na realidade e transformá-la. Abrir mão dessas faculdades é abrir mão da nossa própria dignidade.
É evidente que o caminho não é pavimentado apenas com flores. Pelo contrário, as situações difíceis e as frustrações pesam — e muitas vezes pesam muito. Mas é preciso fazer um exercício de realidade: quem, neste mundo, não as tem? A frustração não é um defeito de fabricação da nossa trajetória, mas um componente pedagógico da experiência de viver. O problema nunca é a frustração em si, mas o cárcere que construímos ao redor dela.
Não devemos viver aprisionados pelo que não aconteceu, pelo plano que fracassou ou pela expectativa que foi frustrada. Aprender com o erro é o que diferencia o sábio do teimoso. Cada revés traz consigo uma lição que, se bem interpretada, fortalece a musculatura da nossa autoconfiança. A confiança em si mesmo não nasce da ausência de falhas, mas da certeza de que somos maiores do que qualquer obstáculo que a vida nos apresente.
Seguir adiante exige coragem para abandonar as sombras e caminhar sob a luz do sol, arcando com o custo e a beleza da autonomia. O mundo não precisa de cópias ou de seres dependentes, mas de indivíduos autênticos que reconheçam seu valor. Ser protagonista da própria história é aceitar que, embora o apoio do outro seja bem-vindo, a bússola e o passo devem ser sempre nossos.
PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS








