A FORÇA DA MISSÃO NA FADIGA DO DIA A DIA
Diocese de Assis
Em qualquer caminhada de entrega, seja ela social, pastoral ou comunitária, existe um fenômeno silencioso que espreita até os corações mais fervorosos: o risco do arrefecimento das forças. É aquele cansaço que tenta apagar o entusiasmo e transformar o ideal que, um dia, nos fez colocar o pé na estrada, em mera obrigação. No entanto, o grande desafio da maturidade humana e espiritual não é evitar a fadiga, mas impedir que ela se transforme em perda de sentido ou na morte dos nossos sonhos.
É natural que o peso do trabalho cause desgaste. A missão não é um conceito abstrato; é uma tarefa diária que exige doação de tempo, energia e, muitas vezes, de nossa própria paz pessoal. Somam-se a isso as pressões alheias — as expectativas que os outros lançam sobre nós, as cobranças institucionais e a urgência de respostas que nem sempre dependem apenas de nosso esforço. Se olharmos apenas para esses fatores, o desânimo parece um destino inevitável. Mas é precisamente aqui que ocorre a grande virada de chave do compromisso verdadeiro.
Que não aconteça conosco a perda dos ideais nem o esfriamento da força do amor por causa das exigências permanentes. Pelo contrário: que o próprio “peso” da missão seja ressignificado. Em vez de ser o fardo que nos abate, ele deve constituir a própria razão de ser, agir e seguir. As exigências do caminho não são obstáculos à missão; elas são a própria missão em sua forma mais concreta. É no esforço de acolher, de organizar e de permanecer firme quando a vontade é recuar, que o amor deixa de ser um sentimento e se torna uma força transformadora.
Permanecer firme não significa ser indiferente à pressão, mas ser resiliente por causa de um propósito maior. Quando o cansaço bater à porta, precisamos recordar o que nos moveu no primeiro instante. Os sonhos não podem ser reféns da rotina, nem a força do amor pode ser sufocada pela burocracia do fazer. Um projeto que nasce do amor precisa ser alimentado pela fonte desse mesmo amor, sob o risco de se tornar um peso insuportável.
A tarefa diária da missão exige uma mística da persistência. É a compreensão de que cada exigência permanente é uma oportunidade de renovar o “sim”. Se a missão é exigente, é porque ela lida com vidas e com a construção de algo que ultrapassa a nossa própria existência. Por isso, as dificuldades não devem ser motivo para recuar, mas o combustível que nos faz permanecer firmes e convictos.
Que a pressão do mundo não tenha o poder de desqualificar a nossa alegria. Que o trabalho acumulado não nos roube a capacidade de sonhar com o novo. No final das contas, o que nos mantém no caminho é a clareza de que nossa vida em missão é o que nos dá identidade. Seguimos não porque é fácil, mas porque é vital. Permanecemos não porque somos autossuficientes, mas porque o amor que nos sustenta é fiel e se renova na fadiga de cada manhã.
PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS








