A TRISTEZA FAZ PARTE, MAS NÃO PODE OCUPAR A SUA VIDA INTEIRA

Diocese de Assis

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Sentir tristeza não é um erro, não é um defeito e, muito menos, um problema em si. No mundo de hoje, onde as redes sociais parecem exigir que estejamos sorrindo o tempo todo, fomos ensinados a ter medo de ficar tristes. Mas a verdade é que a tristeza é uma resposta natural da nossa alma. Ela chega sem pedir licença diante de uma perda irreparável, de um luto difícil, de um fracasso profissional ou daquela decepção profunda com alguém que amamos. Sentir o peso do mundo nessas horas não é doença; é humanidade.

O grande perigo, porém, não está em sentir tristeza, mas no que fazemos com ela. Existe um limite perigoso entre o “estar triste” por algo que aconteceu e o “tornar-se a própria tristeza”. Quando não tratamos esse sentimento a partir das situações concretas que o geraram, ele começa a vazar para todas as outras áreas da nossa existência. É como uma mancha de óleo que cai em um ponto do mar e, se não for contida, acaba poluindo todo o oceano, arrastando a vida para um abismo de desânimo que pode ser fatal.

O Risco da Generalização

Espalhar a tristeza para todos os cantos da vida é uma falta grave contra o dom de estar vivo. Precisamos aprender a dar nome aos nossos bois: se você está triste porque perdeu o emprego, isso é um fato. Mas isso não significa que seu casamento seja ruim, que seus amigos não prestem ou que o pôr do sol tenha perdido a cor. O erro acontece quando permitimos que o luto por uma coisa específica mate a nossa capacidade de enxergar as conquistas que ainda temos, as convivências que nos sustentam e a esperança que mora no amanhã.

A vida não é feita de uma nota só. Ela é uma melodia complexa que inclui alegria e tristeza, saúde e doença, fartura e escassez. Quando abraçamos apenas a dor e ignoramos o resto, estamos vivendo uma mentira, pois a vida continua oferecendo pequenos milagres diários, mesmo enquanto choramos uma perda.

A Cura pela Humanidade

A cura da tristeza não significa o fim do sofrimento, mas a capacidade de integrá-lo à nossa história sem deixar que ele escreva o livro inteiro. Viver uma vida verdadeiramente humana é ter a coragem de sofrer o que precisa ser sofrido, mas manter os olhos abertos para o que ainda há de bom. É entender que podemos estar com o coração partido por um motivo e, ainda assim, dar um sorriso sincero ao abraçar um filho ou ao sentir o gosto de uma comida feita com carinho.

Precisamos aprender a “viver o muito” quando ele chega, mas também a encontrar dignidade e sentido no “pouco”. A vida é maior do que qualquer problema. Não permita que uma nuvem passageira, por mais escura que seja, convença você de que o sol deixou de existir. Trate a sua dor com respeito, procure ajuda se o fardo estiver pesado demais, mas não entregue os seus dias ao abismo. Afinal, a nossa missão é atravessar todas as estações — as de flores e as de gelo — com a certeza de que viver plenamente exige aceitar os dois lados da moeda.

Estar triste é humano; deixar que a tristeza apague todas as suas outras alegrias é uma injustiça com a sua própria história.

 

PE. Edvaldo Pereira dos Santos

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