Alergia: um problema de saúde muito comum na infância
As doenças alérgicas surgem quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias normalmente inofensivas, como poeira, ácaros, pólen, pelos de animais, alimentos ou medicamentos. Quando não identificadas ou tratadas corretamente, podem afetar o sono, a alimentação, o desempenho escolar e até o desenvolvimento das crianças, impactando diretamente na saúde e no seu bem-estar.
Segundo Vera Esteves Rullo, vice-presidente do Departamento de Alergia e Imunologia da SPSP, entre as condições mais frequentes na infância estão a rinite alérgica, que provoca espirros, nariz entupido e coriza constante; a asma, que causa chiado no peito e dificuldade para respirar; e a dermatite atópica e urticária, caracterizadas por coceira intensa e lesões na pele. “Também podem ocorrer alergias alimentares, que exigem atenção redobrada”, alerta a médica.
Ela diz que, para os pais, o primeiro passo é observar os sinais e sintomas frequentes, como por exemplo coceira e vermelhidão na pele que melhora e piora; tosse persistente, espirros em sequência ou até dificuldade respiratória. “Muitas vezes, esses últimos sinais são confundidos com resfriados ou problemas passageiros, o que pode atrasar o diagnóstico correto”, afirma, salientando que a automedicação também deve ser evitada, pois pode mascarar sintomas e dificultar o tratamento adequado.
De acordo com a especialista, sempre que houver suspeita de alergia alimentar, os pais devem buscar orientação médica antes de retirar ou substituir alimentos da dieta da criança. “A alimentação é um ponto essencial. A exclusão inadequada pode prejudicar o crescimento e causar deficiências nutricionais”, destaca Vera, enfatizando que o acompanhamento com profissional de saúde é indispensável para garantir uma dieta equilibrada e segura.
Outro ponto muitas vezes esquecido, segundo ela, é a comunicação com a escola. “Professores e cuidadores precisam saber se a criança tem alguma alergia, especialmente alimentar ou respiratória, e como agir em caso de reação. Essa comunicação pode prevenir situações de risco e garantir um ambiente mais seguro”, aponta. Também vale destacar que o cuidado emocional faz muita diferença. “Crianças com alergias podem se sentir frustradas por limitações, como não poder consumir certos alimentos ou participar de algumas atividades. O apoio dos pais, com diálogo e orientação, ajuda a criança a entender sua condição e a lidar melhor com ela no dia a dia”, acrescenta.
Para a médica, o diagnóstico precoce e a informação de qualidade para as famílias fazem toda a diferença. Dessa forma, é fundamental o acompanhamento com um alergista, profissional capacitado que pode indicar exames, orientar mudanças no ambiente e prescrever tratamentos eficazes, como medicamentos específicos ou, em alguns casos, imunoterapia. “Cuidar de uma criança com alergia exige atenção, mas não precisa ser motivo de medo. Com informação, prevenção e acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e garantir que a criança tenha uma vida saudável, ativa e feliz”, conclui Vera.