Boletos e sites falsos, e-mails promocionais, quais os cuidados com golpes na Black Friday
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São Paulo, novembro de 2025 – Com a aproximação da Black Friday, uma das datas mais esperadas pelo comércio e pelos consumidores, também cresce o número de tentativas de golpes online. Boletos falsos, e-mails promocionais fraudulentos e sites que imitam grandes marcas estão entre as principais armadilhas utilizadas pelos criminosos para enganar consumidores e empresas. De acordo com dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, cerca de 4 em cada 10 consumidores já receberam algum tipo de tentativa de golpe durante promoções online. A engenharia social, quando o golpista manipula a vítima para que forneça dados pessoais ou bancários, é uma das principais estratégias utilizadas. E assim, como consumidores e lojistas se preparam para o período, golpistas também se organizam para aplicar fraudes e ataques cibernéticos. De acordo com o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian, o Brasil registrou 6.937.832 tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025 — um aumento de 29,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O levantamento ainda ressalta que esses golpes tendem a se intensificar justamente em momentos de alto volume de compras, como a Black Friday. “Apesar de ser uma ótima oportunidade para compras com descontos, também é uma data que esconde um lado negativo que são as incríveis promoções imperdíveis que sempre vem acompanhadas de links maliciosos com intuito de capturar dados sensíveis e fazer com que realize compras em sites falsos”, destaca Marcelo Souza, responsável pelas áreas de Prevenção à Fraude e PLDFT (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo) do Grupo Bari. Pensando em garantir uma experiência de compra mais segura, especialistas de grandes empresas destacam sete golpes e como se proteger durante o período de compras. Desconfie de e-mails promocionais Na Black Friday, o e-mail, assim como os demais aplicativos de mensagens podem ser inundados com ofertas e promoções relâmpago e irresistíveis. Golpistas aproveitam a data para enviar mensagens falsas se passando por lojas ou bancos para roubar dados. Esse é o famoso golpe chamado phishing. Para Marcelo, se a promoção parece boa demais para ser verdade, provavelmente não é! “Não abra e-mails com anexos desconhecidos e não clique em links suspeitos. Se estiver em dúvida sobre alguma promoção, entre em contato com a loja por meio dos canais oficiais para confirmar as informações. Além disso, é importante evitar o cadastro em sites de procedência duvidosa e manter o antivírus atualizado para reforçar a segurança de dados”, ressalta. Outro ponto crucial para evitar cair em um golpe é verificar a veracidade do portal em que efetuará a compra. Para isso, o usuário pode adotar algumas medidas de segurança que irão garantir mais segurança durante a jornada de compra, como: Observar se o site tem o cadeado na barra de endereço: verifique se há um ícone de cadeado na barra de endereço do navegador. Clique no cadeado para obter mais informações sobre o certificado de segurança do site; Use navegadores seguros: navegadores como Google Chrome, Mozilla Firefox ou Microsoft Edge são conhecidos por suas medidas de segurança avançadas; Utilizar extensões e add-ons de segurança: utilize ferramentas como HTTPS Everywhere, NoScript e uBlock Origin para proteger sua navegação e bloquear sites suspeitos; Analisar a qualidade do site: verifique se o site é bem construído e não possui erros de português, páginas sem conteúdo, logos mal formatados, entre outros. Esses podem ser indícios de um site clonado e suspeito; Utilizar cartões virtuais temporários para cada compra: evite salvar informações de pagamento; Configurar alertas de transação: ative alertas de transação com seu banco ou emissor de cartão de crédito para ser notificado imediatamente sobre atividades incomuns; Ter cuidado com a quantidade de dados pessoais solicitados: desconfie de sites que pedem muitos dados pessoais sem necessidade; “Na hora de efetuar o pagamento, prefira sites que oferecem métodos de pagamento confiáveis, como cartões de crédito e PayPal, e evite os que aceitam apenas transferências bancárias ou criptomoedas. Se for utilizar Pix ou boleto bancário, confira o nome e a conta de destino para ter certeza de que é o estabelecimento correto”, afirma Fernando Malta, Diretor de Segurança da Informação da Evertec. Prepare seu checkout para garantir segurança e confiança Durante a Black Friday, criminosos aproveitam o alto volume de compras para criar páginas falsas que imitam sites de marcas conhecidas. A iugu, empresa brasileira de tecnologia especializada em infraestrutura financeira, reforça a importância de comerciantes investirem em um checkout personalizado e seguro, com domínio próprio e identidade visual da marca. Essa prática aumenta a confiança do consumidor e reduz o risco de fraudes. “Um checkout personalizado transmite credibilidade e ajuda o cliente a reconhecer o ambiente da marca, o que é essencial para evitar golpes e garantir a conversão”, orienta Fabricio Divitiis, superintendente comercial da iugu. Revise a segurança e garanta suporte ágil A segurança operacional também merece atenção. É fundamental revisar quem tem acesso às contas e sistemas financeiros, redefinir senhas e ativar autenticação em dois fatores. Além disso, garantir que o Pix e todos os métodos de pagamento estejam habilitados e testados ajuda a reduzir falhas e desistências durante o processo de compra. “Planejamento, testes e segurança são as palavras-chave da Black Friday”, complementa Divitiis. Analise com atenção as regras de cancelamento e devolução de produto “O Código de Defesa do Consumidor garante, por exemplo, o direito de arrependimento em até sete dias para compras feitas fora do estabelecimento físico, permitindo a devolução sem custo adicional. É essencial observar também como funcionam as regras de cancelamento, mudanças de planos, troca em casos de defeito ou insatisfação, já que a falta de clareza nesses pontos costuma gerar problemas e frustrações ao consumidor”, comenta Rafael Figueiredo, CEO da D4Sign by Zucchetti, plataforma de assinatura eletrônica e digital. Golpe do falso advogado e crédito facilitado com desconto especial Para Antonio de Pádua Parente Filho, Chief Legal, Compliance e Risk Officer do Grupo Braza, durante o período da Black Friday, há um aumento significativo na incidência de fraudes, especialmente por conta do apelo emocional e financeiro que essa época do ano traz, como é o caso do falso advogado, onde criminosos se passam por profissionais e informam que a vítima ganhou um processo judicial. Porém para liberar o suposto valor, exigem o pagamento de taxas de emolumentos e cópias, e do golpe do crédito facilitado com desconto especial. Pessoas com restrições são abordadas com promessas de crédito ou financiamento fácil, com descontos “exclusivos” por conta da Black Friday. Após a oferta, é solicitado um pagamento antecipado via Pix, que nunca retorna. “Esses golpes são comuns entre idosos e se intensifica próximo a feriados e fim de ano, quando há maior expectativa por dinheiro extra, como o 13º salário. Por isso, é preciso ficar atento e nunca realizar pagamentos antecipados sem verificar a origem, desconfiar de ofertas muito vantajosas, confirmar qualquer contato com instituições por canais oficiais, usando outro aparelho, e evitar clicar em links recebidos por WhatsApp ou e-mail sem verificação”, afirma Pádua. Adoção da biometria como reforço contra fraudes Para Antonio Carlos Censi, Diretor de Tecnologia da Montreal, empresa referência em biometria, a adoção dessas tecnologias representa um avanço importante na segurança digital e na proteção dos consumidores. “Essas tecnologias garantem que quem realiza a compra é realmente o titular da conta, e não alguém com dados roubados ou clonados. Como cada método captura características únicas e praticamente impossíveis de reproduzir, a biometria reduz drasticamente as fraudes e ainda diminui a dependência de senhas, que continua sendo um dos principais pontos de vulnerabilidade”, afirma. Tokenização como forma de proteção |