Nem Todo Emagrecimento Melhora o Corpo do Mesmo Jeito

 

 

A cultura do emagrecimento ensinou uma regra simples demais para um problema complexo: perder peso é sempre bom, e quanto mais rápido, melhor. Mas essa lógica começou a envelhecer mal. Hoje, a medicina metabólica já sabe que o número na balança pode esconder realidades muito diferentes, algumas positivas, outras nem tanto. Uma pessoa pode emagrecer e melhorar profundamente seu risco cardiometabólico. Outra pode perder a mesma quantidade de peso e, ainda assim, sair desse processo com mais fragilidade muscular, pior capacidade funcional e um corpo metabolicamente menos protegido do que deveria.

Em outras palavras: nem todo emagrecimento entrega o mesmo tipo de benefício.

Segundo o médico nutrólogo Dr. Gustavo de Oliveira Lima, esse é um dos erros mais comuns na forma como o emagrecimento ainda é discutido. “O foco excessivo no peso total faz muita gente ignorar o que realmente importa: quanto daquela perda veio de gordura, quanto veio de músculo, quanto da gordura visceral foi reduzida e se houve melhora real do metabolismo”, explica.

O problema de medir o sucesso só pela balança

A balança registra massa total, mas não informa composição. Ela não diferencia se o corpo perdeu gordura abdominal profunda, líquido, glicogênio ou tecido magro. E isso não é um detalhe técnico: é justamente essa distinção que ajuda a definir se a perda de peso foi protetora ou empobrecedora do ponto de vista metabólico. Revisões recentes vêm reforçando que a chamada “qualidade do emagrecimento” é determinante para os desfechos clínicos de longo prazo, porque a melhora metabólica não depende apenas de pesar menos, mas de preservar ou melhorar a relação entre músculo e gordura.

Esse debate ganhou ainda mais força porque as terapias modernas para obesidade passaram a produzir perdas ponderais maiores, o que é uma ótima notícia. Ao mesmo tempo, aumentou o interesse sobre quanto de massa livre de gordura acompanha esse processo e quais estratégias são necessárias para protegê-la. Uma revisão recente destacou que reduções de massa magra são interpretadas de forma simplista demais e precisam ser avaliadas junto de função muscular, composição corporal e resultados metabólicos, e não apenas como um número solto em um exame.

O que realmente melhora o corpo quando alguém emagrece

Em termos de saúde, a perda de peso mais valiosa costuma estar associada a alguns elementos específicos:

  • redução de gordura visceral, que é a gordura inflamatória ao redor dos órgãos;
  • melhora da sensibilidade à insulina;
  • redução de triglicerídeos e melhora de parâmetros cardiovasculares;
  • preservação de massa magra e funcionalidade;
  • redução da circunferência abdominal e da carga inflamatória do organismo.

Um estudo publicado em 2025 no JAMA Network Open mostrou que melhora de qualidade da dieta e aumento da atividade física se associaram não só a menor aumento de gordura total, mas especificamente a menor aumento de gordura visceral, um dos marcadores mais relevantes de risco metabólico. Esse efeito se manteve mesmo após ajustes para adiposidade total, o que reforça que a distribuição e a qualidade da gordura importam tanto quanto, ou mais do que, o peso isolado.

Dois pacientes, a mesma perda de peso, resultados diferentes

Esse é o tipo de cenário que começa a aparecer com mais frequência na prática clínica. Imagine duas pessoas que perdem 12 quilos. Na superfície, parecem histórias equivalentes. Mas, por dentro, podem ser trajetórias muito diferentes.

Uma delas reduz sobretudo gordura visceral, melhora glicemia, mantém força muscular e ganha saúde cardiovascular. A outra perde parte importante de massa magra, sente queda de desempenho, não corrige a inflamação de base e acaba com um corpo mais leve, porém metabolicamente menos robusto. É justamente por isso que o emagrecimento moderno está deixando de ser avaliado só em quilos e começando a ser medido também em composição corporal e função.

Um estudo publicado em 2026 no JAMA Network Open comparou mudanças de composição corporal após cirurgia bariátrica e terapia medicamentosa com agonistas de GLP-1 e observou, nos dois contextos, uma mudança global favorável de composição corporal, mas com perfis diferentes na distribuição entre massa gorda e massa livre de gordura. A mensagem não é que um tratamento “estraga” o corpo e outro “salva”, mas que os caminhos do emagrecimento não são metabolicamente idênticos e exigem monitoramento mais cuidadoso..

 

O que define um emagrecimento de qualidade

Na prática clínica, um emagrecimento de qualidade costuma reunir quatro características:

1. Reduz gordura visceral, e não apenas peso total.

É essa gordura profunda que mais conversa com resistência à insulina, esteatose hepática, inflamação e risco cardiovascular. Há inclusive novas terapias em desenvolvimento mirando exatamente esse diferencial de “perder mais gordura do que músculo”, como mostram resultados preliminares recentes de fármacos experimentais voltados para obesidade.

2. Preserva massa magra e, idealmente, melhora função muscular.

Músculo não é só estética. Ele participa do controle glicêmico, do gasto energético, da proteção metabólica e da autonomia funcional.

3. Melhora indicadores metabólicos objetivos.

Glicemia, insulina, triglicerídeos, circunferência abdominal e marcadores inflamatórios precisam acompanhar a história contada pela balança.

4. É sustentável.

Perder peso e recuperar rapidamente, especialmente com retorno desproporcional de gordura, não representa a mesma vitória clínica do que uma redução mais estável e bem estruturada.

O papel do exercício e da dieta nessa conversa

Se a qualidade do emagrecimento importa, dieta e exercício deixam de ser ferramentas apenas para “gastar mais e comer menos” e passam a ter uma função mais estratégica. O estudo do JAMA Network Open já citado mostrou que a combinação de melhora da dieta e da atividade física foi associada aos melhores perfis de adiposidade ao longo do tempo.

Além disso, uma meta-análise publicada em 2024 no JAMA Network Open concluiu que treino aeróbico em níveis de pelo menos 150 minutos por semana se associou a reduções clinicamente importantes de circunferência abdominal e gordura corporal. Isso reforça que o emagrecimento mais saudável não depende só de restrição, mas de reorganização metabólica e estímulo corporal adequado.

O que essa pauta muda na prática

Ela muda tudo. Porque obriga o paciente e o médico a saírem de uma pergunta pobre “quantos quilos perdeu?”, e entrarem numa pergunta muito melhor: “o seu corpo ficou melhor depois de emagrecer?”

Segundo Dr. Gustavo de Oliveira Lima, esse deveria ser o eixo central de qualquer tratamento sério. “Emagrecer não é o fim. É um meio para melhorar saúde, vitalidade e longevidade. Se a pessoa perde peso, mas sai mais fraca, metabolicamente instável ou com baixa chance de manter o resultado, o processo precisa ser revisto.”

No futuro próximo, a pergunta mais relevante talvez deixe de ser “quanto você emagreceu?” e passe a ser “o que seu emagrecimento fez com o seu metabolismo, seu músculo e sua chance de viver melhor?”.

 

Dr. Gustavo de Oliveira Lima

Médico CRM/SP 207.928

 

Com uma formação sólida em nutrologia e endocrinologia, Dr. Gustavo de Oliveira Lima é reconhecido por sua atuação em emagrecimento saudável e longevidade. Focado em oferecer tratamentos modernos e personalizados, ele utiliza abordagens científicas de ponta para promover saúde integral e bem-estar a longo prazo.




Por que sua pele perde firmeza na menopausa e o que fazer agora?

 

São Paulo, maio de 2026 – Se tem uma fase da vida que traz mudanças silenciosas, e muitas vezes inesperadas para a pele, é a perimenopausa e a menopausa. O que antes funcionava na rotina de cuidados já não entrega os mesmos resultados, e sinais como ressecamento, perda de firmeza e manchas começam a aparecer com mais frequência.

A explicação está nos hormônios. Com a queda do estrogênio, a pele perde colágeno, fica mais fina e tem mais dificuldade de reter água. O resultado é uma pele mais sensível, menos viçosa e que exige novos cuidados. Não apenas no rosto, mas também no corpo, onde a flacidez, o ressecamento e a perda de elasticidade se tornam mais evidentes.

Ao mesmo tempo, cresce o interesse por soluções que ajudem a manter a qualidade da pele e o bem-estar nessa fase da vida. Esse movimento acompanha uma mudança maior no comportamento feminino. Segundo o IBGE, o Brasil já soma cerca de 59 milhões de pessoas com mais de 50 anos, um público cada vez mais ativo, informado e disposto a investir em saúde, autoestima e qualidade de vida. Não por acaso, avança a chamada “economia da longevidade”, que inclui cuidados estéticos e corporais.

Na prática, isso significa que a rotina precisa mudar e começar pelo básico. “Limpeza suave, hidratação intensa e proteção solar diária são fundamentais. Nessa fase, a pele perde capacidade de retenção de água e fica mais suscetível a danos externos, então reforçar a barreira cutânea é prioridade”, explica o responsável técnico da Royal Face, Dr. Killian Cristof.

Esse cuidado deve se estender também ao corpo, com o uso de hidratantes mais potentes, estímulo à circulação e tratamentos que ajudem a manter a firmeza e a textura da pele em regiões como braços, abdômen e colo, áreas que também sofrem com as alterações hormonais.

Outro ponto importante é rever os produtos usados. Fórmulas muito agressivas tendem a sensibilizar ainda mais a pele, enquanto ativos hidratantes e regeneradores passam a fazer mais sentido. “A rotina passa a ser mais voltada à reparação e à manutenção da estrutura da pele, com antioxidantes, estimuladores de colágeno, hidratantes e fotoproteção”, orienta o especialista.

Esse novo olhar sobre o cuidado acompanha o crescimento do setor de estética, um dos mais fortes no Brasil. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o país está entre os líderes globais em procedimentos estéticos, com destaque para técnicas não cirúrgicas, como toxina botulínica e preenchimentos.Mas, diferente de anos atrás, o objetivo mudou. “Hoje, as pacientes buscam melhora da qualidade da pele e não transformação facial. Naturalidade é um dos principais critérios de sucesso”, destaca.

Entre os tratamentos mais procurados nessa fase, tanto para o corpo quanto para o rosto, estão os bioestimuladores de colágeno (que ajudam a recuperar a firmeza da pele ao estimular a produção natural dessa proteína); os skinboosters (indicados para hidratação profunda e melhora da qualidade da pele); além de tecnologias como ultrassom microfocado, que atua na flacidez e ajudam a dar mais sustentação aos tecidos.

“Para melhores resultados, o mais indicado é combinar técnicas diferentes, que atuam em camadas e funções distintas da pele, proporcionando resultados progressivos e mais duradouros”, explica.

Com mais informação, as mulheres também chegam mais conscientes aos consultórios e com expectativas diferentes. A busca agora é por resultados sutis, progressivos e que respeitem a individualidade de cada rosto e corpo. Além disso, o autocuidado deixou de ser visto apenas como estética e passou a ocupar um lugar importante na saúde emocional e na qualidade de vida. Nesse cenário, a prevenção ganha força. Cada vez mais mulheres começam a cuidar da pele antes mesmo da menopausa, apostando em protocolos que ajudam a preservar a firmeza e a hidratação ao longo do tempo.

E, mais do que um cuidado pontual, a lógica agora é de continuidade. “O envelhecimento é um processo contínuo, então o tratamento também deve ser. O acompanhamento permite ajustar protocolos e manter resultados naturais ao longo do tempo”, conclui o Dr. Killian.

 




Arroz branco todo dia aumenta o risco de diabetes? A resposta não é tão simples

 

O arroz branco talvez seja um dos alimentos mais injustamente simplificados da nutrição. Para uns, ele continua sendo apenas a base tradicional da alimentação brasileira. Para outros, virou sinônimo de pico glicêmico, barriga e diabetes. No meio desse duelo entre nostalgia e medo alimentar, o que se perde é justamente o que mais importa: a fisiologia real.

Sim, há evidências associando o consumo regular de arroz branco a um maior risco de diabetes tipo 2, especialmente quando ele aparece em grandes quantidades, com alta frequência, e substitui fontes de carboidrato mais ricas em fibras, como grãos integrais. Mas isso não significa que uma colher de arroz no almoço seja, por si só, um atalho para a doença.

Segundo o médico nutrólogo Dr. Gustavo de Oliveira Lima, o maior erro é discutir o arroz fora do prato real. “O problema raramente está em um alimento isolado. O que pesa de verdade é o padrão alimentar repetido, o estado metabólico da pessoa e o que acompanha esse arroz todos os dias.”

O que a ciência realmente diz

A associação entre arroz branco e diabetes não surgiu do nada. Estudos observacionais de grande porte, incluindo análises de Harvard e meta-análises publicadas em revistas médicas, mostraram que o consumo mais frequente de arroz branco está ligado a maior risco de diabetes tipo 2, enquanto a substituição por arroz integral e outros grãos integrais se associa a risco menor.

A explicação mais aceita passa por três pontos:

  • o arroz branco é um grão refinado, com menos fibras e micronutrientes do que a versão integral;
  • ele costuma ter índice glicêmico mais alto, o que significa que pode elevar a glicose sanguínea mais rapidamente, dependendo da variedade e do preparo;
  • quando entra em uma dieta pobre em vegetais, fibras e proteínas, tende a favorecer picos glicêmicos mais intensos e menor saciedade.

Mas aqui entra o detalhe que muda tudo: associação não é condenação universal.

O arroz branco não age sozinho

Pouca gente come arroz branco puro. E isso importa mais do que parece.

Um prato com arroz branco, feijão, salada, azeite e uma proteína magra se comporta metabolicamente de forma muito diferente de um prato com arroz branco em grande volume, pouca fibra, pouca proteína e excesso calórico total. A presença de fibras, leguminosas e proteínas pode retardar o esvaziamento gástrico, modular a resposta glicêmica e reduzir a velocidade com que a glicose sobe no sangue. A própria American Diabetes Association recomenda reduzir carboidratos refinados e dar preferência a padrões alimentares mais ricos em fibras e grãos integrais.

 

Quem precisa prestar mais atenção

Embora o arroz branco não precise ser excluído da alimentação da maioria das pessoas, alguns grupos merecem mais cautela:

  • pessoas com resistência à insulina
  • indivíduos com pré-diabetes
  • quem já tem diabetes tipo 2
  • pessoas com obesidade visceral
  • pacientes com esteatose hepática
  • indivíduos sedentários com dieta de alta carga glicêmica

Nesses casos, a frequência, a quantidade e a combinação do arroz branco no prato deixam de ser um detalhe e passam a fazer parte da estratégia terapêutica.

“O arroz branco pode continuar existindo, mas ele precisa ser reposicionado. Em quem já tem vulnerabilidade metabólica, a margem de tolerância é menor”, explica Dr. Gustavo de Oliveira Lima.

Arroz branco todo dia é igual para todo mundo?

Essa é uma das partes mais importantes da conversa. O risco não é igual para todos, porque o metabolismo humano não é igual para todos.

Uma pessoa fisicamente ativa, com boa massa muscular, sono adequado, alimentação equilibrada e sem resistência à insulina responde de um jeito. Outra, sedentária, inflamada, com excesso de gordura abdominal e picos glicêmicos frequentes, responde de outro. O mesmo alimento entra em corpos diferentes e produz efeitos diferentes.

Por isso, a pergunta “arroz branco causa diabetes?” é simples demais para um tema que exige nuance.

O que pode ser feito na prática

Em vez de transformar o arroz branco em inimigo, a estratégia mais útil costuma ser:

  • reduzir a quantidade, quando necessário
  • evitar que ele seja a maior parte do prato
  • associá-lo a feijão, vegetais e proteína
  • alternar com arroz integral e outros grãos
  • melhorar o padrão alimentar como um todo
  • olhar para o contexto metabólico individual

Harvard destaca que substituir ao menos parte dos grãos refinados por grãos integrais pode ajudar a reduzir o risco de diabetes tipo 2. Isso não significa abolir tradições alimentares, mas sim reposicioná-las com mais inteligência.

Existe um equívoco comum na nutrição moderna: culpar um alimento específico por um estilo de vida inteiro.

O arroz branco ganhou esse papel em muitos debates, mas ele raramente é o centro do problema. O que mais pesa é a repetição de um padrão: muito refinado, pouca fibra, pouco movimento, muito ultraprocessado, sono ruim, excesso de peso e metabolismo desorganizado. Nesse cenário, o arroz branco pode se tornar um agravante. Mas não costuma ser o autor principal da história.

Arroz branco todo dia pode, sim, aumentar o risco de diabetes em alguns contextos especialmente quando consumido em excesso, em dietas pobres em fibras e em pessoas com maior vulnerabilidade metabólica. Mas tratar o alimento como vilão isolado é simplificar demais uma questão que depende de frequência, quantidade, composição do prato e saúde metabólica de quem o consome.

“O arroz branco não precisa ser demonizado. O que precisa ser revisto é o padrão alimentar em que ele está inserido. A pergunta certa não é se ele pode aparecer no prato, mas como, quanto e para quem”, resume o Dr. Gustavo de Oliveira Lima.

 

Dr. Gustavo de Oliveira Lima

Médico CRM/SP 207.928

 

Com uma formação sólida em nutrologia e endocrinologia, Dr. Gustavo de Oliveira Lima é reconhecido por sua atuação em emagrecimento saudável e longevidade. Focado em oferecer tratamentos modernos e personalizados, ele utiliza abordagens científicas de ponta para promover saúde integral e bem-estar a longo prazo.




Carne em geral faz mal ao coração? Estudos recentes com idosos desafiam crença e apontam efeito positivo no envelhecimento

 

 

Por décadas, a carne foi tratada como uma das vilãs da saúde, especialmente quando o assunto é colesterol e risco cardiovascular. No entanto, novas evidências científicas começam a desafiar essa visão.

Um estudo recente, Heath and Retirement Study, com mais de 42 mil idosos, reforça um contraponto importante: o consumo adequado de proteína animal pode ser um dos principais aliados do envelhecimento saudável.

De acordo com o médico nutrólogo Dr. Marcio Passos, na prática, os dados mostram que dietas com maior ingestão proteica estão diretamente associadas a ganhos relevantes em três frentes essenciais para a longevidade:

Massa muscular e autonomia

Para o médico, a proteína é fundamental no sentido de prevenir a sarcopenia, condição que pode atingir até 1 em cada 3 idosos acima dos 60 anos, impactando diretamente mobilidade e independência;

Saúde mental e cognitiva

Na opinião dele, o consumo adequado está relacionado à redução do risco de demência, condição que já atinge mais de 55 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS);

Metabolismo mais ativo

Dr. Passos afirma que dietas ricas em proteína contribuem para uma maior taxa metabólica, auxiliando no controle de peso e na composição corporal.

“A associação negativa entre carne e saúde precisa ser contextualizada. Durante muito tempo, a carne foi vista como vilã, principalmente pelo impacto no colesterol. Mas, o que a ciência vem mostrando é que, dentro de uma alimentação equilibrada, a proteína animal é essencial, especialmente para preservar massa muscular, função cognitiva e qualidade de vida com o avanço da idade”, explica ele.

O especialista reforça que o foco do risco cardiovascular está, muitas vezes, em outro ponto da dieta.

“O problema não é a proteína animal em si, mas o excesso de alimentos ultraprocessados e carboidratos refinados, que favorecem processos inflamatórios e desregulação metabólica. Quando ajustamos essa base, a proteína passa a atuar como um combustível de alta eficiência para o organismo”, afirma.

Diante do envelhecimento populacional e do aumento de doenças crônicas, a discussão sobre alimentação ganha ainda mais relevância. Para especialistas, o desafio agora é rever conceitos e alinhar recomendações com base em evidências mais recentes.

“A proteína animal não é inimiga, pelo contrário, pode ser uma grande aliada para envelhecer com saúde, autonomia e melhor desempenho físico e mental”, conclui o médico.

Dr. Marcio Passos

Médico nutrólogo com atuação focada em saúde metabólica, longevidade e performance. Ao longo da carreira, tem se dedicado ao estudo da relação entre alimentação, composição corporal e prevenção de doenças crônicas, com abordagem baseada em evidências científicas e prática clínica. Atua no acompanhamento de pacientes com foco em qualidade de vida, emagrecimento saudável e envelhecimento ativo.




Cirurgias estéticas em tendência: o que você precisa saber antes de aderir

 

 

Alguns procedimentos que prometem resultados rápidos e impactantes frequentemente viralizam, impulsionados por influenciadores e celebridades.

Apesar da popularidade, aderir a essas tendências pode representar um risco considerável, especialmente quando as decisões são tomadas sem critérios ou orientação médica adequada.

Ao optar por um procedimento estético, é fundamental entender que ele não é apenas uma solução rápida para uma mudança de aparência.

As tendências estéticas, como lipoaspiração de alta definição, bichectomias e preenchimentos marcantes, podem ser visualmente atraentes, mas nem sempre são a melhor escolha para todos os pacientes: é importante lembrar que cada caso é um caso.

Cada corpo é único e exige uma abordagem personalizada, respeitando proporções naturais e limitações físicas.

Por que os modismos são perigosos?

Modismos podem ser arriscados, porque, muitas vezes, desconsideram a individualidade dos pacientes e os impactos de longo prazo.

Um exemplo é a busca por características faciais extremamente delineadas, que podem não ser adequadas para determinados formatos de rosto, resultando em desarmonia.

Além disso, procedimentos mal realizados, especialmente em locais que não seguem normas de segurança, podem levar a sequelas graves, como infecções ou cicatrizes permanentes.

A importância de uma avaliação detalhada

Antes de qualquer cirurgia é indispensável passar por uma avaliação clínica minuciosa. Um cirurgião qualificado analisará fatores como saúde geral, expectativas e condições específicas do paciente.

Muitas vezes, o procedimento em alta pode não ser o mais indicado para que seja alcançado o resultado desejado, e o médico pode sugerir alternativas mais seguras e eficazes e que irão fazer sentido.

Os impactos psicológicos de seguir tendências

Seguir tendências estéticas pode afetar o psicológico. Resultados que não atendem às expectativas geram frustração e insatisfação, prejudicando a autoestima e resultando em uma experiência negativa (da qual a solução pode levar um bom tempo para ser encontrada).

Por isso, é importante que os pacientes tenham clareza sobre suas motivações e que busquem mudanças por razões próprias, e não para se encaixar em padrões impostos pelas redes sociais.

Como escolher um profissional capacitado?

Um dos maiores riscos está na escolha do profissional. O fato de os procedimentos serem realizados por pessoas não qualificadas ou em locais que não atendem às normas de segurança aumenta significativamente as chances de complicações.

Pensando nisso, é muito importante verificar se o médico é devidamente registrado em órgãos como Conselho Regional de Medicina (CRM) e se possui experiência comprovada no procedimento desejado.

Decisões fundamentadas em informações são essenciais

Cirurgias estéticas podem oferecer resultados incríveis, mas é essencial que a decisão seja baseada em critérios sólidos, não em tendências passageiras.

Fazer uma avaliação cuidadosa com base nas suas necessidades, consultar profissionais qualificados e entender os impactos do procedimento são passos indispensáveis para garantir segurança e satisfação.

Fonte: Dr. Alexandre Kataoka, Cirurgião Plástico. Perito concursado da Secretaria da Justiça de São Paulo – Instituto de Medicina Social e Criminologia do Estado de São Paulo. Membro Efetivo da Câmara Técnica em cirurgia plástica – CFM. Conselheiro Responsável da Câmara Técnica do Cremesp. Coordenador da Comunicação do Cremesp.




Outono: Ipem-SP orienta sobre o uso de aquecedores e ar-condicionado para economizar na conta de luz

 

A estação do outono, marcada por temperaturas mais amenas, traz consigo um aumento no uso de aquecedores e ar-condicionado. Para isso, o Ipem-SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo), autarquia do Governo do Estado, vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania, e órgão delegado do Inmetro, que tem como objetivo promover a confiança nas relações de consumo, orienta os consumidores sobre a utilização correta destes equipamentos, fornecendo dicas e orientações para o uso consciente e uma compra segura, afinal, o equilíbrio entre conforto, qualidade de vida e consumo de energia elétrica é fundamental para evitar surpresas na hora de pagar a conta.

Eficiência energética ajuda na economia

Para ajudar no consumo racional de energia no país, o Inmetro criou o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence), ferramentas que classificam os eletrodomésticos de acordo com o seu desempenho e a sua eficiência energética, permitindo que o consumidor conheça com precisão o verdadeiro consumo de energia dos produtos e auxilie a decisão na hora da compra. Os plugues dos eletrodomésticos também devem ser certificados e exibir o selo do Inmetro. Equipamentos mais eficientes são mais econômicos para o bolso do consumidor e causam menor impacto ao meio ambiente.

A principal informação presente na etiqueta dos eletrodomésticos é a classificação de eficiência energética, geralmente em escalas que vão de A (mais eficiente) a G (menos eficiente). O consumo de energia apresenta uma estimativa de gasto de energia em kWh (quilowatt-hora), geralmente por mês ou ano, ajudando os consumidores a preverem os custos operacionais.

Considerar as informações das etiquetas do Inmetro é fundamental, mas mudanças de hábito no dia a dia também contribuem para evitar desperdícios e reduzir os gastos com energia elétrica.

Confira dicas e orientações sobre equipamentos de aquecimento e refrigeração

– Antes de comprar, calcule o efeito na economia de energia elétrica. Multiplique a energia consumida pelo aparelho em kWh pela tarifa de energia praticada em cada localidade. Por exemplo, na capital paulista, a média da tarifa residencial está em torno de R$ 0,72 por kWh. Assim, se o aquecedor ou ar-condicionado consome, por exemplo, 600 kWh por ano, o gasto anual será 600 x 0,72, resultando em R$ 432 por ano;

– Na dúvida entre dois modelos, compare o consumo de ambos e dê preferência ao que consome menos energia. Eventualmente, se esse produto for um pouco mais caro, pode ser que a diferença de preço se pague ao longo dos meses pela economia na conta de luz;

– Evite o abre e fecha de portas dos ambientes refrigerados;

– Feche as janelas e isole bem o ambiente para que o ar quente não escape;

– Cortinas e toldos diminuem a incidência de correntes de ar no ambiente, o que também contribui para o isolamento térmico.

– A manutenção preventiva e a utilização adequada do aparelho são fatores cruciais para garantir o desempenho ideal e prolongar a vida útil do seu equipamento. Fazer a limpeza dos filtros regularmente e seguir as instruções do fabricante corretamente evita sobrecarga e desgaste prematuro. Ao adotar essas medidas preventivas, você garante o funcionamento eficiente do seu equipamento por muito mais tempo.

– Nunca deixe o aquecedor ligado sem supervisão, principalmente perto de crianças e animais de estimação. Manter a distância de materiais inflamáveis, como cortinas e móveis, também é fundamental para prevenir acidentes.

– O Inmetro recomenda manter a temperatura dos aparelhos em 23ºC, resultando em uma rápida estabilização e economizando energia.




Mandíbula travada, estalos e dor ao mastigar: o que esses sinais dizem sobre estresse e excesso de telas

 

Foto Profissional. (Crédito: pexels.com)

Dor ao mastigar, estalos ao abrir a boca, sensação de cansaço na face, travamentos repentinos e desconforto que se espalha para ouvido, cabeça e pescoço costumam ser vistos como incômodos passageiros. Mas esse conjunto de sinais pode indicar algo maior: uma sobrecarga na articulação temporomandibular, a ATM, estrutura responsável por movimentos essenciais como falar, mastigar, bocejar e engolir.

Especialistas observam que esse tipo de queixa tem aparecido cada vez mais associado a uma combinação típica da vida atual: estresse persistente, bruxismo, má postura, excesso de telas e dificuldade real de desacelerar. Quando esses fatores se acumulam, a mandíbula passa a funcionar sob tensão constante e começa a dar sinais que nem sempre recebem a devida atenção.

Para a fisioterapeuta e mestre em Ciências Médicas Dra. Mariana Milazzotto, a ATM está entre as regiões do corpo que mais sentem os efeitos da rotina acelerada. “A mandíbula é muito sensível à forma como a pessoa vive. Estresse, cabeça projetada para frente, noites ruins, apertamento dentário e repetição de hábitos da boca criam um quadro de sobrecarga que o corpo nem sempre consegue compensar sem sintomas”, afirma.

Segundo ela, o processo costuma começar de forma discreta. O primeiro sinal pode ser um clique ao abrir a boca, uma rigidez ao acordar ou um desconforto leve ao mastigar. Com o tempo, porém, esse incômodo pode evoluir para dor persistente, limitação de movimento, alteração na mordida e episódios de travamento.

“Nem todo estalo significa gravidade, mas quando ele se repete e vem acompanhado de dor, cansaço ao mastigar ou sensação de rigidez, a articulação já está mostrando que algo não vai bem”, diz Mariana.

A especialista explica que a ATM não funciona sozinha. Seu desempenho depende do equilíbrio entre face, pescoço, ombros e respiração. Isso ajuda a entender por que hábitos posturais ligados ao uso prolongado de celular e computador podem influenciar tanto no problema. “Quando a cabeça fica muito para frente, a cervical entra em sobrecarga e a musculatura da face também muda de comportamento. Isso favorece tensão, menos estabilidade e mais desgaste na articulação”, afirma.

Outro fator importante é o bruxismo, condição em que a pessoa aperta ou range os dentes, muitas vezes sem perceber. Esse esforço repetitivo pode acontecer durante o sono ou ao longo do dia e costuma estar ligado a ansiedade, estresse acumulado e dificuldade de relaxar. Não por acaso, dor na mandíbula, dor de cabeça, fadiga facial e sensação de cansaço ao despertar costumam aparecer juntas.

Além disso, alguns hábitos do cotidiano contribuem para manter a ATM sob esforço constante, como morder caneta, roer unha, mascar chiclete com frequência, apoiar o queixo com a mão e forçar a abertura da boca em bocejos ou mordidas grandes.

Para a psicóloga clínica Dra. Mirela Borges, especialista em burnout e esgotamento profissional, o pano de fundo desse quadro vai além de episódios isolados de estresse. “O que aparece em muitos casos é um estilo de vida que mantém o corpo em estado de alerta constante. A pessoa passa o dia sendo estimulada por notificações, informação em excesso, cobrança, comparação e velocidade. O cérebro não encontra tempo para processar, desacelerar e realmente descansar”, afirma.

Segundo Mirela, o problema não está só no tempo de tela, mas no padrão de ativação que ele ajuda a sustentar. “O corpo deixa de alternar de forma saudável entre ativação e repouso. Ele continua ligado mesmo quando a pessoa tenta relaxar. E, quando esse padrão se torna crônico, a tensão começa a aparecer fisicamente: ombros contraídos, respiração curta, mandíbula pressionada”, diz.

Na avaliação da psicóloga, esse ciclo é cada vez mais comum e muitas vezes passa despercebido. “A pessoa acorda e já pega o celular, atravessa o dia em atenção fragmentada, emenda tarefas sem pausa real e, quando tenta descansar, continua se estimulando com mensagens, vídeos e redes sociais. Ela até para, mas não desacelera. O organismo permanece em vigilância”, afirma.

Com o tempo, esse padrão pode transformar a dor em um sinal de esgotamento mais amplo. “Dor, tensão e pequenos travamentos não são exagero nem fraqueza. São respostas coerentes de um organismo submetido a ativação constante, sem espaço suficiente de recuperação. Em muitos casos, mais do que tratar o sintoma, é preciso olhar para o ritmo em que a pessoa está vivendo”, diz Mirela.

Para Mariana Milazzotto, um dos principais problemas é a banalização desses sinais. “Há muita gente convivendo com dor ao mastigar, estalos, dor de cabeça e travamentos pequenos como se isso fosse normal. Não é. O corpo pode compensar por algum tempo, mas quando a articulação começa a emitir sinais repetidos, o ideal é investigar antes que o quadro se torne crônico”, afirma.

Os sinais de alerta mais importantes incluem travamento da boca aberta ou fechada, dor aguda que impede mastigar ou falar, mudança súbita na mordida e sensação de desalinhamento. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento especializado e evitar qualquer tentativa caseira de forçar a mandíbula.

“Pedir para alguém ‘colocar no lugar’ ou insistir na abertura da boca pode agravar o problema. A ATM é uma articulação delicada, próxima de músculos, ligamentos e nervos importantes”, diz Mariana.

Até a avaliação profissional, algumas medidas simples podem ajudar a conter a piora do quadro, como evitar mastigação forçada, não insistir na abertura ou no fechamento da boca, relaxar ombros e pescoço, usar compressa morna na lateral do rosto e tentar desacelerar a respiração. O tratamento depende da causa, da intensidade dos sintomas e do tempo de evolução, podendo envolver reorganização de hábitos, fisioterapia e, quando necessário, atuação conjunta com o dentista.

Na fisioterapia, explica Mariana, o objetivo é identificar o que levou a articulação à sobrecarga e o que está mantendo esse padrão. “Nem sempre a origem da dor está na mandíbula. Às vezes, ela está em uma cervical rígida, em um padrão postural repetido, em tensão sustentada ao longo do dia ou em hábitos que o paciente já nem percebe. O tratamento não é apenas aliviar a dor, mas ensinar o corpo a funcionar com mais eficiência e menos compensação”, afirma.

Prevenir novos episódios, segundo a especialista, depende menos da busca por uma postura perfeita e mais da redução de excessos. Dormir melhor, regular o estresse, rever hábitos repetitivos da boca, respeitar os limites da articulação e procurar avaliação ao primeiro sinal de piora são medidas que ajudam a interromper a progressão do quadro.

 

 

Sobre a Dra. Mariana Milazzotto

Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, mestre em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. É referência no Brasil por sua abordagem humanizada e baseada em evidências científicas.

 

Sobre a Dra. Mirela Borges

Psicóloga clínica, especialista em burnout e esgotamento profissional (CRP 01/21968). Atua no acompanhamento de pacientes em processos de sobrecarga emocional, auxiliando na reconstrução de sentido, identidade e qualidade de vida.




Dietas da moda funcionam mesmo? Médica explica o que é mito e o que pode fazer mal

 

Jejum intermitente, low carb e detox continuam entre as dietas mais procuradas por quem quer emagrecer. Populares nas redes sociais, essas estratégias costumam ganhar força pelas promessas de resultado rápido, mas nem sempre são sinônimo de saúde.

Para a Dra. Mariana Wogel, especialista em nutrologia e medicina integrativa, o principal erro é adotar métodos restritivos sem considerar as necessidades do corpo e a possibilidade de manter a estratégia no longo prazo.

“Nem toda dieta que gera perda de peso inicial representa um processo saudável. Muitas vezes, a pessoa até emagrece, mas perde energia, massa muscular e entra em um ciclo de restrição e efeito rebote”, afirma.

Veja abaixo o que é mito e o que é verdade sobre algumas das dietas mais conhecidas do momento.

Jejum intermitente acelera o metabolismo?

Depende.

O jejum intermitente pode ajudar algumas pessoas no controle do apetite e na organização alimentar. Em alguns casos, também pode favorecer a sensibilidade à insulina.

Mas a estratégia não serve para todo mundo. Longos períodos sem comer podem provocar irritabilidade, cansaço, compulsão e queda de rendimento.

Low carb emagrece mais rápido?

Depende.

A redução de carboidratos pode levar a uma perda de peso inicial. No entanto, isso não significa que o resultado será duradouro.

Além disso, cortes exagerados podem causar fadiga, ansiedade, irritabilidade, insônia e piora no desempenho físico. Segundo a especialista, o erro está em transformar o carboidrato em vilão.

Detox elimina toxinas do corpo?

Mito.

O corpo já tem mecanismos naturais para eliminar substâncias, com atuação de órgãos como fígado, rins e intestino.

Segundo a Dra. Mariana, um suco ou uma dieta detox não eliminam toxinas de forma isolada nem produzem esse efeito quase imediato que costuma ser prometido nas redes. “O que uma alimentação equilibrada faz é dar mais suporte nutricional para que o fígado funcione melhor e tenha condições adequadas de exercer seu papel na eliminação de substâncias. Não existe solução mágica em forma de suco ou protocolo rápido”, diz.

Para a médica, o que realmente ajuda é um padrão alimentar mais equilibrado, com menos ultraprocessados e maior presença de alimentos naturais, fibras, hidratação e regularidade na rotina.

Comer de 3 em 3 horas ajuda a emagrecer?

Mito.

Não há uma regra única para todos os casos. O intervalo ideal entre refeições varia de acordo com a rotina, a fome e a adaptação de cada pessoa.

O mais importante, segundo a especialista, é evitar extremos e manter um padrão alimentar possível de sustentar.

Dietas restritivas fazem mal?

Podem fazer, sim.

Planos muito restritivos podem causar cansaço, queda de cabelo, perda de massa muscular, compulsão alimentar, irritabilidade e efeito sanfona.

“O emagrecimento saudável precisa preservar a saúde metabólica, a disposição e a qualidade de vida. Não basta perder peso; é preciso sustentar o resultado com equilíbrio”, afirma a médica.

Como reconhecer um plano alimentar saudável?

Segundo a Dra. Mariana Wogel, alguns sinais ajudam a identificar uma estratégia mais segura:

  • equilíbrio entre proteínas, carboidratos e gorduras saudáveis;
  • maior presença de alimentos naturais;
  • menos radicalismo;
  • possibilidade de manter a rotina no longo prazo;
  • acompanhamento profissional.

“Constância e equilíbrio continuam sendo mais eficientes do que promessas rápidas e restrições extremas”, conclui.

 

Sobre a Dra. Mariana Wogel

Médica nutróloga, especialista em Nutrologia pela ABRAN/AMB, com atuação em saúde feminina, emagrecimento, fertilidade e medicina integrativa. Autora de dois livros e criadora do Programa Ser Livre, atende em Três Rios e Itaipava com foco em cuidado integral, acompanhamento contínuo e saúde da mulher em diferentes fases da vida.

 




Botox a longo prazo causa flacidez? Especialista esclarece mitos sobre o uso contínuo da toxina botulínica

A percepção de flacidez após o uso do botox costuma estar relacionada a outros fatores do envelhecimento. (Imagem: Divulgação)

O uso da toxina botulínica, popularmente conhecida como botox, se consolidou como um dos procedimentos estéticos mais realizados no mundo. Apesar da ampla utilização e dos resultados comprovados na suavização de rugas de expressão, ainda circulam dúvidas sobre seus efeitos a longo prazo, especialmente a ideia de que aplicações frequentes poderiam deixar a pele flácida com o passar do tempo.

Segundo a cirurgiã-dentista pós-graduada em Harmonização Orofacial, Dra. Adriana Fabres, essa associação não tem fundamento científico. “O botox age no músculo, não na pele. Ele bloqueia temporariamente a contração muscular responsável pelas rugas de expressão, como as da testa e ao redor dos olhos. Portanto, não há mecanismo que leve à flacidez cutânea”, explica.

A especialista destaca que a toxina botulínica tem efeito temporário, com duração média de três a seis meses, a depender da pessoa e que, após esse período, a musculatura retoma gradualmente sua atividade normal. “Quando o efeito passa, o rosto volta ao seu funcionamento habitual. Não existe ‘piora’ da pele por causa do botox. O que pode acontecer é o paciente perceber novamente as rugas que estavam suavizadas quando o efeito passar”, afirma.

De onde vem o mito da flacidez?

A percepção de flacidez após o uso do botox costuma estar relacionada a outros fatores do envelhecimento, como perda natural de colágeno, alterações hormonais e redução da sustentação da pele. “Esses processos acontecem independentemente do uso da toxina botulínica. Muitas vezes, o paciente associa a mudança ao procedimento, quando, na verdade, faz parte do envelhecimento natural”, esclarece a Dra. Adriana.

 

Outro ponto importante, segundo a especialista, é a técnica de aplicação. Doses excessivas ou mal indicadas podem gerar resultados artificiais ou sensação de “peso” em determinadas áreas, o que pode ser confundido com flacidez. “Por isso, a avaliação individual e o planejamento são fundamentais. O objetivo é sempre preservar a naturalidade e o equilíbrio facial”, reforça.

Como o botox age e quais são suas indicações

A toxina botulínica atua na comunicação entre o nervo e o músculo, impedindo que o músculo se contraia de forma intensa. Isso reduz a formação das chamadas rugas dinâmicas, que aparecem com movimentos repetitivos, como franzir a testa ou sorrir. “Ele não preenche, não estica a pele e não altera a estrutura do rosto. A ação é exclusivamente muscular”, pontua a Dra. Adriana.

Segundo a especialista, o procedimento é indicado principalmente para suavizar linhas de expressão e também pode ter aplicações terapêuticas, como no tratamento de bruxismo e hiperatividade muscular. Além disso, o uso preventivo tem sido cada vez mais discutido, com o objetivo de evitar que as rugas se tornem mais profundas ao longo do tempo.

Quando bem indicado e aplicado por profissional habilitado, o botox tende a preservar a qualidade da pele justamente por reduzir a repetição dos movimentos que marcam a face. “Ao diminuir a contração muscular ao longo dos anos, conseguimos evitar que a pele seja constantemente ‘dobrada’, o que contribui para um envelhecimento mais suave”, explica a especialista.

Dicas para resultados naturais e progressivos

A especialista reforça ainda que a aplicação da toxina botulínica deve ser sempre orientada por um profissional habilitado, com planejamento individualizado e foco em resultados naturais e progressivos. Para isso, a Dra. Adriana Fabres orienta:

  • Procurar profissional com formação específica e registro ativo no conselho;
  • Respeitar os intervalos entre as aplicações, evitando excessos;
  • Alinhar expectativas e objetivos antes do procedimento;
  • Seguir corretamente as orientações no pós-aplicação;
  • Evitar comparações com resultados de outras pessoas;
  • Associar o botox a cuidados com a pele, como proteção solar e skincare;
  • Realizar avaliações periódicas para ajuste do plano de tratamento.

 




Busca por rejuvenescimento facial cresce entre mulheres 50+ e revela nova relação com a própria imagem

 

Aos 50+, muitas mulheres vivem uma fase marcada por autonomia, estabilidade profissional e uma rotina ativa. Mas, para algumas, o incômodo começa quando o reflexo no espelho deixa de acompanhar essa percepção interna.

Foi o que aconteceu com a administradora Silvania Estela Radin, de 59 anos. Apesar de se sentir bem e produtiva, passou a notar um descompasso entre como se sentia e a imagem que via. “Eu estava em um momento ótimo da vida, cheia de energia, mas meu rosto parecia sempre cansado. Aquilo começou a me incomodar”, relata.

Esse tipo de percepção tem se tornado cada vez mais comum nos consultórios. Mulheres maduras, hoje mais ativas e conscientes, não buscam apenas rejuvenescer, mas alinhar a aparência ao momento de vida que vivem.

Segundo o cirurgião plástico Vinicius Julio Camargo, o incômodo vai além da estética superficial. “Essa paciente está em uma fase de realização. O desconforto surge quando o rosto passa uma imagem de cansaço ou envelhecimento que não corresponde ao que ela sente”, explica.

Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery colocam o Brasil entre os países que mais realizam procedimentos estéticos no mundo, com milhões de intervenções por ano. Dentro desse cenário, especialistas observam um aumento na procura por abordagens faciais mais completas, especialmente entre mulheres acima dos 50.

Mas, antes de optar por uma mudança mais estrutural, o caminho costuma ser outro.

“Eu fiz alguns procedimentos ao longo dos anos, mas eram coisas pontuais. Melhorava um detalhe, mas o conjunto continuava me incomodando”, conta Silvania.

De acordo com o especialista, esse padrão é recorrente. “Com o avanço da idade, não estamos lidando apenas com rugas ou perda de volume. Existe flacidez e queda das estruturas faciais. Quando tratamos só pontos isolados, o resultado tende a ser limitado”, afirma.

Do pontual ao global: a mudança de abordagem

A virada acontece quando a paciente passa a enxergar o rosto como um todo. Nesse contexto, procedimentos como o lifting facial ganham espaço por oferecerem um reposicionamento mais amplo das estruturas.

“É possível promover um rejuvenescimento de 10 a 15 anos com naturalidade, respeitando as características individuais. O objetivo não é transformar, mas recuperar o equilíbrio”, explica Dr. Vinicius.

Após optar por uma abordagem mais completa, a percepção também muda. “Hoje eu me reconheço no espelho. Não é sobre parecer mais jovem, é sobre parecer comigo mesma de novo”, relata a administradora.

Para especialistas, o movimento revela uma mudança mais profunda no comportamento das pacientes.

“Elas não querem mudar quem são. Querem que a imagem acompanhe a fase que estão vivendo”, conclui o cirurgião.

Sobre Vinicius Camargo:

Dr. Vinicius Julio Camargo é médico cirurgião plástico, empreendedor e escritor. Atua como diretor técnico do Alda Instituto de Saúde. É sócio-fundador da Oxyneo® (primeira clínica de medicina hiperbárica do sudoeste do Paraná) e idealizador da plataforma Átrio, voltada à gestão de rotinas de atendimento e administrativas para clínicas multidisciplinares. É autor de dois livros e defensor da integração entre ética, gestão e excelência médica.