Saúde não se constroi de uma vez: pequenos hábitos podem transformar a qualidade de vida

 

Em meio a uma rotina marcada por compromissos, telas, cobranças e pouco tempo disponível, cuidar da saúde pode parecer uma tarefa que exige grandes mudanças. Mas nem sempre é assim. Uma caminhada, uma noite de sono mais regular, alguns minutos longe do celular, uma alimentação mais equilibrada ou até uma pausa durante o expediente são atitudes aparentemente simples que, quando incorporadas à rotina, podem contribuir para a saúde física, mental e cerebral.

A importância de colocar o corpo em movimento é reforçada pelos números. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31% dos adultos no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade física. Pessoas insuficientemente ativas apresentam risco de morte entre 20% e 30% maior em comparação com aquelas que mantêm níveis adequados de atividade. Além da prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer, a prática regular de exercícios está associada a benefícios para a saúde mental, cognição, sono e bem-estar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31% dos adultos no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade física. Foto: freepik

Para adultos, a recomendação da OMS é acumular entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa. Mas isso não significa que quem está longe dessa meta não tenha motivos para começar. Caminhar mais, utilizar escadas, realizar pequenos deslocamentos a pé e diminuir o tempo sentado também são maneiras de incorporar movimento ao cotidiano. Afinal, quando o assunto é saúde, alguma atividade é melhor do que nenhuma.

O cérebro também sente a rotina

Os efeitos desses hábitos não ficam restritos ao corpo. O cérebro responde diretamente à maneira como dormimos, nos alimentamos, nos movimentamos e administramos períodos de estresse e descanso.

A médica neurologista e docente do curso de Medicina da Afya de Pato Branco, Dra. Thamilee Pizzatto Queiroz, explica que qualidade de vida deve ser entendida como resultado de diferentes comportamentos que se complementam ao longo do tempo.

“Nosso cérebro não funciona de maneira isolada do restante do organismo. Atividade física, sono de qualidade, alimentação adequada, interação social e momentos de descanso fazem parte do cuidado com a saúde cerebral. Muitas vezes, as pessoas procuram grandes mudanças, quando pequenos hábitos, repetidos de forma consistente, já podem representar um importante investimento na saúde e na qualidade de vida”, destaca a neurologista.

O sono merece atenção especial nessa relação. É durante o descanso que acontecem processos fundamentais para o funcionamento cerebral, relacionados à memória, aprendizagem, equilíbrio emocional e recuperação do organismo. Por isso, manter horários relativamente regulares para dormir e acordar e reduzir estímulos antes de ir para a cama são medidas que podem ajudar a melhorar a qualidade do descanso.

“Dormir não é simplesmente desligar o organismo. O cérebro permanece desempenhando funções essenciais durante o sono. Quando as noites mal dormidas se tornam frequentes, podemos perceber reflexos na atenção, memória, disposição, humor e produtividade. Por isso, cuidar do sono precisa fazer parte de uma rotina saudável tanto quanto alimentação e exercício físico”, acrescenta a Dra. Thamilee.

Alimentação também é prevenção

Outro ponto importante é o que vai para o prato. A OMS destaca que uma alimentação saudável contribui para a prevenção de doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e alguns tipos de câncer. Para pessoas acima dos 10 anos, a recomendação é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais diariamente, priorizando também alimentos in natura ou minimamente processados e fontes de fibras.

Mais do que perseguir uma rotina perfeita, entretanto, especialistas reforçam a importância da constância. Mudanças radicais podem ser difíceis de sustentar, enquanto pequenas escolhas têm maior possibilidade de se transformar em hábitos.

Pequenas atitudes para uma vida mais leve

Algumas mudanças podem começar dentro da própria rotina: estabelecer horários mais regulares para dormir; incluir caminhadas ou outras atividades prazerosas durante a semana; fazer pequenas pausas em longos períodos sentado; aumentar o consumo de alimentos in natura; reservar momentos sem telas; manter vínculos sociais; buscar atividades de lazer; e compreender que descanso também faz parte do cuidado com a saúde.

Para a neurologista e docente da Afya de Pato Branco, um dos principais desafios é abandonar a ideia de que saúde depende de uma rotina perfeita.

“Qualidade de vida não significa cumprir uma lista de obrigações todos os dias. É encontrar equilíbrio e construir hábitos possíveis dentro da realidade de cada pessoa. Quando essas escolhas passam a fazer parte do cotidiano, cuidar da saúde deixa de ser algo pontual e se transforma em uma forma de viver”, finaliza a Dra. Thamilee.

No fim das contas, uma vida mais saudável pode começar de maneira muito mais simples do que parece. Não necessariamente com uma grande transformação na segunda-feira, mas com uma caminhada hoje, uma refeição mais equilibrada, uma hora a menos diante das telas ou uma noite de sono melhor. Pequenas escolhas que, somadas ao longo dos meses e dos anos, podem fazer diferença para viver não apenas mais, mas melhor.

Sobre a Afya

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.768 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos.




Pele sofre com a mudança de temperatura? Veja 6 cuidados para evitar ressecamento e irritações

 

São Paulo, agosto de 2026- Com a oscilação das temperaturas, é comum enfrentar dias de calor e noites mais frias, o que também exige atenção com a saúde da pele. A mudança constante entre ambientes e temperaturas, somada ao vento e à baixa umidade do ar, pode comprometer a barreira natural de proteção da pele, favorecendo o ressecamento, a descamação, a coceira e até pequenas fissuras, principalmente no rosto, lábios, mãos e pés. Segundo a American Academy of Dermatology (AAD), esse cenário pode dificultar a retenção natural de água pela pele e aumentar a necessidade de hidratação.

Para o biomédico Killian Cristoff, diretor técnico da Royal Face, os cuidados com a pele precisam acompanhar as mudanças do clima. “A pele funciona como uma barreira de proteção do organismo. Quando ela perde água em excesso, essa defesa fica comprometida, favorecendo irritações, sensibilidade e desconforto. As mudanças de temperatura ao longo do dia podem contribuir para esse desequilíbrio, por isso pequenas mudanças na rotina fazem muita diferença para manter a pele saudável”, explica.

O especialista reuniu algumas orientações para proteger a pele diante da variação de temperatura e manter os cuidados ao longo do dia.

  1. Reforce a hidratação da pele – Com a variação de temperatura, não basta apenas usar um hidratante qualquer. É importante optar por produtos que ajudem a reconstruir a barreira de proteção da pele, como aqueles com ceramidas, pantenol, glicerina ou ácido hialurônico. Esses ativos reduzem a perda de água e deixam a pele mais resistente às agressões do clima. Para quem já apresenta ressecamento intenso ou percebe a pele sem luminosidade mesmo mantendo a hidratação em casa, procedimentos como skinbooster, que promove hidratação profunda com ácido hialurônico, podem ser indicados por um profissional para complementar os cuidados.
  2. O banho pode estar sabotando sua pele – Nada melhor do que um banho quente quando a temperatura cai, mas esse hábito remove parte da camada lipídica responsável por proteger a pele naturalmente. O ideal é manter o banho morno e breve. Uma técnica recomendável é a aplicação do hidratante nos primeiros três minutos após sair do chuveiro, com a pele ainda levemente úmida. Isso ajuda a manter sua hidratação.
  3. Os lábios merecem uma rotina própria – Os lábios não possuem glândulas sebáceas e, por isso, ficam muito mais vulneráveis às mudanças de temperatura, ao vento e ao ar mais seco. Além disso, fatores como baixa ingestão de água e o hábito de umedecer a boca com saliva podem agravar ainda mais o ressecamento. Quando a saliva evapora, ela leva junto parte da umidade dos lábios. É um alívio momentâneo que acaba piorando o problema poucas horas depois. A recomendação é manter um hidratante labial sempre por perto, reaplicando sempre que sentir necessidade e escolhendo fórmulas com manteiga de karité, vitamina E ou ácido hialurônico. Para pessoas que apresentam fissuras frequentes ou perda de volume associada ao envelhecimento, existem protocolos de revitalização labial focados na hidratação e melhora da qualidade da pele, sem alterar o formato natural dos lábios.
  4. Aproveite os períodos de menor exposição ao sol para tratar manchas e estimular colágeno – Em períodos com menor exposição ao sol, alguns tratamentos que promovem renovação da pele, como peelings químicos, microagulhamento e protocolos para melasma, podem ser indicados. Ele ressalta, no entanto, que qualquer procedimento deve ser precedido por avaliação individual e nunca dispensa os cuidados diários com limpeza, hidratação e proteção solar.
  5. Continue usando protetor solar – Existe um mito perigoso de que o protetor solar é um item de verão. A radiação ultravioleta, mesmo em dias nublados, continua sendo um dos principais fatores relacionados ao fotoenvelhecimento e ao câncer de pele. O uso do filtro solar deve ser mantido durante todo o ano, inclusive na região labial, para garantir a proteção contra manchas e a degradação das fibras de sustentação.
  6. O corpo também sofre – Braços, pernas, joelhos, cotovelos e pés costumam ser as regiões mais esquecidas durante os períodos de temperaturas mais baixas e, justamente por isso, acabam apresentando rachaduras e aspecto esbranquiçado. Além da hidratação diária, vale investir em esfoliação suave uma vez por semana para remover células mortas e facilitar a absorção dos hidratantes. Quando há flacidez ou perda de firmeza, o especialista explica que existem tecnologias capazes de estimular colágeno, como radiofrequência e ultrassom microfocado, mas reforça que esses tratamentos são complementares e indicados de acordo com cada caso.

Sobre Royal Face

Pioneira em harmonização facial, a Royal Face revolucionou o segmento de tratamentos estéticos corporais e faciais, com o diferencial de oferecer condições facilitadas de pagamento, democratizando o acesso a um atendimento de qualidade, eficiente e humanizado.




Parou a caneta. E agora? O reganho de peso pode se tornar o próximo grande problema

 

 
 

Para a médica Dra. Ana Luísa Vilela, especialista em cirurgia geral e bariátrica, endocrinologia e nutrologia, com mais de 20 anos de atuação clínica, o maior desafio das canetas de incretina pode não estar no início do tratamento, mas justamente no momento em que ele termina. “O paciente celebra o resultado, para a medicação, e alguns meses depois começa a ver o peso voltar. Isso não é falha de força de vontade — é a doença retomando seu curso natural”, afirma.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no BMJ* reuniu 37 estudos, 63 braços de intervenção e 9.341 participantes para analisar o que acontece após a suspensão de medicamentos para controle de peso. O resultado: reganho médio de cerca de 0,4 kg por mês. Com base nesse ritmo, os autores projetaram retorno do peso ao valor basal em aproximadamente 1,7 ano, e dos marcadores cardiometabólicos ao basal em cerca de 1,4 ano.

“Não podemos pensar primeiro em como tirar a caneta. Precisamos pensar em como o paciente vai sustentar o resultado. A manutenção deveria começar no primeiro dia do tratamento, não no último”, resume a Dra. Ana Luísa Vilela.

Obesidade crônica exige plano crônico

Para a médica, o dado publicado no BMJ (um dos títulos de medicina mais respeitados no mundo) confirma algo que a prática clínica já mostrava: obesidade é uma condição crônica, e tratá-la como um episódio pontual — que se resolve e se encerra — é um erro de abordagem, não apenas de resultado.

“Quando a medicação é suspensa sem um plano estruturado de manutenção, o corpo volta a fazer exatamente o que fazia antes: preservar peso, reduzir gasto energético, aumentar fome. Isso está descrito na fisiologia da obesidade há décadas. O que os novos medicamentos trouxeram foi potência, não uma nova regra biológica”, explica.

Ana Luísa Vilela defende que a construção de um plano de manutenção — que envolve composição corporal, hábitos alimentares, atividade física, sono e, quando necessário, doses de manutenção ou terapias combinadas — não deveria ser deixada para o fim do tratamento. “É preciso desenhar a saída antes de dar o primeiro passo. Do contrário, o paciente entra em um ciclo de perder e reganhar peso que desgasta o corpo e a relação dele com o próprio tratamento”, completa.

“O sucesso não deveria ser medido pelo quanto o paciente perdeu, mas pelo quanto ele consegue manter. E manter é um projeto — não um acaso”, conclui a médica.

Sobre a Dra. Ana Luísa Vilela

Médica com formação em cirurgia geral e bariátrica, endocrinologia e nutrologia, com mais de 20 anos de atuação clínica. Passou por instituições como o Hospital das Clínicas da USP (HC-USP), o Instituto Garrido e a Beneficência Portuguesa de São Paulo. Autora do livro Renascimento Metabólico, dedica-se ao estudo do metabolismo e à interpretação integrada do organismo, atendendo pacientes com sintomas persistentes mesmo diante de exames considerados normais.

Fonte científica West S, Scragg J, Aveyard P, et al. Weight regain after cessation of medication for weight management: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2026;392:e085304. DOI: 10.1136/bmj-2025-085304. Disponível em: https://www.bmj.com/content/392/bmj-2025-085304.long




Comer ovos 5 vezes por semana reduz em 27% o risco de Alzheimer, revela estudo

 

 
  

Crédito: Magnific

Minas Gerais – Agosto de 2026. Um alimento presente em diversas refeições do dia a dia pode estar associado a um menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Um estudo publicado em 2026 no The Journal of Nutrition, periódico da American Society for Nutrition, identificou que pessoas que consumiam ovos cinco ou mais vezes por semana apresentaram um risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer em comparação com aquelas que raramente ou nunca consumiam o alimento.

O estudo acompanhou 39.498 participantes por uma média de 15,3 anos e registrou 2.858 casos da doença durante o período. O efeito não apareceu apenas entre aqueles que comiam ovos com maior frequência. Segundo os dados publicados, o consumo de ovos de uma a três vezes por mês esteve associado a um risco 17% menor de Alzheimer; uma vez por semana, também a 17% menor; de duas a quatro vezes por semana, a uma redução de 20%; e cinco ou mais vezes por semana, a uma redução de 27%, sempre em comparação com o grupo que nunca ou raramente consumiam ovos.

O neurologista e professor da Afya Montes Claros, Dr Marcelo José da Silva de Magalhães, comenta que uma das hipóteses mais interessantes para explicar essa associação envolve a colina, um nutriente essencial encontrado em concentrações particularmente elevadas na gema do ovo.

“A colina desempenha diversas funções importantes no organismo. Ela é precursora da acetilcolina, um neurotransmissor fundamental para processos como memória, aprendizagem e atenção, além de participar da formação e manutenção das membranas celulares e do metabolismo lipídico”.

Em outra análise, os pesquisadores observaram que a ausência de consumo de ovos esteve associada a um risco 22% maior de Alzheimer quando comparada a uma ingestão de aproximadamente 10 gramas por dia. O neurologista explica que entre os fatores de risco não modificáveis, destacam-se aqueles relacionados à genética, como a presença do gene APOE ε4. A idade avançada, o antecedente de traumatismo cranioencefálico e o histórico familiar positivo para a doença também estão entre os fatores que não podemos modificar.

“Por outro lado, existem os fatores de risco modificáveis, ou seja, aqueles sobre os quais o indivíduo pode atuar por meio de mudanças no estilo de vida. Nesse grupo estão a perda auditiva, a baixa escolaridade, a hipertensão arterial sistêmica, a obesidade, o tabagismo, a inatividade física, o diabetes mellitus, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a depressão, o comprometimento visual, a exposição à poluição atmosférica e o isolamento social”, complementa o especialista.

Alimentação no combate do Alzheimer 

Segundo a Alzheimer’s Disease International, mais de 55 milhões de pessoas conviviam com demência no mundo em 2020, e uma nova pessoa desenvolve demência a cada três segundos. A estimativa é de que esse número alcance 78 milhões em 2030 e 139 milhões em 2050. Atualmente, cerca de 60% das pessoas com demência vivem em países de baixa e média renda, até 2050, essa proporção deve chegar a 71%.

A médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra. Érica Abjaudi, esclarece que a nutrição atua diretamente na redução da inflamação sistêmica de baixo grau e do estresse oxidativo, dois dos principais mecanismos envolvidos no envelhecimento celular. “A microbiota intestinal também desempenha um papel fundamental na modulação do sistema imunológico e na síntese de neurotransmissores. Nesse contexto, uma dieta rica em fibras prebióticas favorece uma microbiota saudável, com impactos positivos na cognição e no humor dos idosos”.

Os cuidados devem começar o mais cedo possível, idealmente ainda no início da vida adulta. De acordo com Dra Érica Abjaudi, alterações patológicas no cérebro, como o acúmulo de placas amiloides na doença de Alzheimer e as lesões microvasculares, podem começar a se desenvolver de 20 a 30 anos antes do surgimento dos primeiros sintomas clínicos de perda de memória. A docente da Afya destaca:

Jovens e adultos (20–40 anos): é a fase de consolidação das reservas cognitiva e física. Estabelecer bons hábitos vasculares e de estilo de vida nessa etapa reduz significativamente o risco metabólico futuro.

Meia-idade (40–65 anos): representa uma janela crítica para o monitoramento da saúde vascular, incluindo pressão arterial, glicemia e colesterol. Também ganham importância o cuidado com a audição, uma vez que a perda auditiva não tratada é um fator de risco relevante para demência, e a manutenção da massa muscular.

Terceira idade (65+ anos): nunca é tarde para começar. Mesmo em idades mais avançadas, intervenções podem proporcionar ganhos na neuroplasticidade, melhorar a marcha, prevenir quedas e contribuir para a preservação da autonomia.

“Como precauções para reduzir o risco de Alzheimer, é importante manter uma rotina de atividade física regular, investir em estímulos cognitivos constantes (como aprender um novo idioma ou tocar um instrumento), priorizar um sono reparador e cultivar atividades sociais e conexões com pessoas reais, para além do mundo virtual”, conclui a médica.




Homenagem ao Dia dos Pais reforça o cuidado e a qualidade de vida na Unimed Assis 

 

 

Em comemoração ao Dia dos Pais, a Medicina Preventiva da Unimed Assis realizou, no dia 6 de agosto de 2026, um encontro especial na Academia da Unimed Assis, reunindo participantes dos programas Vida Ativa e Doce Vida. 

A programação contou com a participação do educador físico Eduardo Lima, que conduziu atividades de mobilidade e exercícios voltados à promoção da saúde, incentivando a prática de hábitos saudáveis e destacando a importância da atividade física para a manutenção da qualidade de vida. 

Para tornar a celebração ainda mais especial, o encontro também contou com a presença dos Doutores do Bem, que participaram das atividades e proporcionaram momentos de descontração, interação e socialização entre os participantes, contribuindo para um ambiente acolhedor e repleto de alegria. 

Mais do que celebrar uma data comemorativa, a iniciativa reforçou o compromisso da Unimed Assis com a promoção da saúde de forma integral, valorizando ações que estimulam o bem-estar físico, emocional e social. O encontro proporcionou um momento de convivência e integração, fortalecendo vínculos e evidenciando a importância do cuidado contínuo para uma melhor qualidade de vida. 




Você ainda acha que cenoura só faz bem para os olhos? O que a ciência descobriu sobre câncer, coração e cérebro

 

Durante muito tempo, tudo o que se dizia sobre a cenoura cabia em uma frase repetida por pais e avós: “coma, porque faz bem para os olhos”.

A fama tem fundamento. Sua cor alaranjada denuncia a presença do betacaroteno, pigmento que pode ser convertido pelo organismo em vitamina A, nutriente indispensável para a visão, a imunidade e a manutenção dos tecidos.

O que pouca gente sabe é que, por trás desse benefício conhecido, existe uma composição química muito mais intrigante.

A cenoura produz substâncias naturais para se defender de fungos e doenças enquanto cresce debaixo da terra. Entre elas está o falcarinol, um composto que passou a despertar o interesse de pesquisadores por sua ação sobre inflamação, proliferação celular e mecanismos envolvidos no desenvolvimento do câncer colorretal.

A raiz que parecia nutricionalmente simples começou, então, a ser observada de outra maneira.

“A cenoura não chama atenção apenas pelas vitaminas. Ela contém fibras, carotenoides e compostos bioativos que atuam em diferentes processos do organismo. É essa combinação que torna o alimento tão interessante”, explica o médico nutrólogo Dr. Cláudio Mutti.

Falcarinol, a arma de defesa da cenoura

O falcarinol integra um grupo de compostos conhecidos como poliacetilenos. Na natureza, ajuda a proteger a cenoura contra fungos que poderiam danificar sua raiz. Quando os cientistas levaram essa substância para o laboratório, descobriram que ela também conseguia interferir no comportamento de determinadas células.

Em estudos com células humanas de câncer colorretal, o falcarinol e outros poliacetilenos presentes na cenoura reduziram a proliferação celular e estimularam mecanismos relacionados à apoptose, um processo natural de morte programada utilizado pelo organismo para eliminar células danificadas ou anormais.

É como se a célula recebesse uma ordem interna para interromper sua multiplicação e iniciar o próprio processo de descarte.

O achado não transforma a cenoura em tratamento contra o câncer, mas revela um mecanismo biológico importante, alguns alimentos carregam compostos capazes de interagir com processos celulares muito mais complexos do que se imaginava.

“O alimento não substitui o diagnóstico, o tratamento ou os exames preventivos. Mas conhecer esses compostos ajuda a entender por que uma alimentação rica em vegetais está associada à proteção da saúde no longo prazo”, afirma Dr. Mutti.

O que aconteceu quando pesquisadores acompanharam 57 mil pessoas

A relação entre cenoura e intestino também foi investigada fora dos laboratórios.

Um estudo prospectivo acompanhou 57.053 pessoas na Dinamarca durante mais de 18 anos. Entre aquelas que consumiam regularmente mais de 32 gramas de cenoura crua por dia, quantidade equivalente a aproximadamente duas a quatro cenouras por semana, o risco de câncer colorretal foi 17% menor em comparação com quem não consumia o alimento.

Outro grande estudo norte-americano também encontrou associação entre o consumo moderado de cenoura e menor incidência de câncer colorretal. Os pesquisadores observaram, porém, que o efeito não aumentava indefinidamente conforme a ingestão, reforçando que saúde não depende de exageros, mas de constância e equilíbrio.

A possível proteção não parece vir apenas do falcarinol.

A cenoura também fornece fibras, que ajudam a aumentar o volume das fezes, favorecem o trânsito intestinal e servem de alimento para bactérias benéficas da microbiota. Ao fermentar essas fibras, os microrganismos produzem substâncias que participam da manutenção da barreira intestinal e do controle da inflamação.

Ou seja: enquanto os poliacetilenos atuam em determinadas vias celulares, as fibras ajudam a construir um ambiente intestinal mais equilibrado. “A proteção não está em um único ingrediente isolado. Ela surge da interação entre o alimento, a microbiota, o metabolismo e o restante da rotina da pessoa”, ressalta o médico.

 

Uma raiz simples com efeitos sobre o coração

A cenoura também passou a ser estudada pela possível relação com a saúde cardiovascular.

Em uma pesquisa realizada nos Países Baixos, com acompanhamento de aproximadamente dez anos, cada aumento de 25 gramas diárias no consumo de cenoura esteve associado a um risco 32% menor de doença coronariana.

O resultado pode estar ligado à combinação de fibras, carotenoides e compostos antioxidantes presentes no alimento. As fibras participam do metabolismo das gorduras e dos ácidos biliares. Os carotenoides, por sua vez, ajudam a proteger as células contra danos provocados pelo estresse oxidativo, processo envolvido no envelhecimento dos vasos sanguíneos e na progressão de doenças cardiovasculares.

Um estudo clássico no qual os participantes consumiram 200 gramas de cenoura crua diariamente durante três semanas encontrou uma redução de 11% no colesterol total. Também houve aumento de 50% na eliminação de ácidos biliares e gorduras pelas fezes, indicando uma possível mudança na forma como o organismo absorvia e eliminava lipídios.

Pesquisas posteriores também observaram que o consumo de cenoura pode modificar a absorção do colesterol e favorecer a excreção de ácidos biliares, mecanismos que ajudam a explicar seu possível papel dentro de uma alimentação cardioprotetora.

Isso não significa que a cenoura funcione como medicamento para colesterol alto. Seu valor está em participar de um padrão alimentar que protege o coração: mais vegetais, fibras e alimentos naturais; menos ultraprocessados, gorduras de baixa qualidade e excesso de açúcar.

Crua ou cozida? A resposta surpreende

Quem acredita que todo vegetal é sempre mais nutritivo quando consumido cru pode se surpreender com a cenoura.

O falcarinol e outros poliacetilenos são sensíveis ao calor. Por isso, a cenoura crua tende a preservar melhor parte dessas substâncias. Uma revisão sobre consumo de cenoura e câncer observou que justamente a versão crua apareceu com maior frequência nas associações favoráveis identificadas em estudos populacionais.

Por outro lado, o cozimento pode melhorar significativamente o aproveitamento do betacaroteno. Esse pigmento fica preso dentro das paredes celulares rígidas do vegetal. O calor e a trituração rompem parte dessas estruturas, facilitando sua liberação durante a digestão.

Em um estudo com voluntários, refeições preparadas com cenoura cozida e transformada em purê permitiram uma absorção significativamente maior de betacaroteno do que as refeições com cenoura crua picada.

A presença de uma pequena quantidade de gordura na refeição também favorece o processo, porque o betacaroteno é lipossolúvel. Por isso, combinações como cenoura cozida com azeite, ovos, castanhas ou abacate podem melhorar seu aproveitamento.

A conclusão não é que a cenoura cozida seja superior à crua, mas que cada preparo revela uma vantagem diferente do mesmo alimento.

Na salada, ela preserva melhor determinados compostos e oferece crocância e fibras. Cozida, assada ou transformada em purê, torna parte dos carotenoides mais acessível ao organismo.

“A melhor estratégia é alternar. Não existe motivo para escolher apenas uma forma. Variar o preparo permite aproveitar melhor a complexidade nutricional da cenoura”, orienta Dr. Cláudio Mutti.

O que ela pode oferecer ao cérebro

A cor da cenoura também está ligada à presença de carotenoides, compostos antioxidantes que ajudam a proteger as células contra danos acumulados ao longo do tempo. Além deles, o alimento contém flavonoides, entre os quais a luteolina, substância investigada por sua ação anti-inflamatória e neuroprotetora.

Em pesquisas experimentais, a luteolina reduziu a ativação de processos inflamatórios no sistema nervoso e apresentou efeitos positivos em modelos relacionados à memória e ao envelhecimento cerebral. Esses achados abriram uma linha de investigação sobre a relação entre compostos vegetais, inflamação e proteção dos neurônios.

Na vida real, porém, a proteção do cérebro não depende de uma molécula isolada. Ela é construída pela soma de atividade física, sono adequado, controle da glicemia e da pressão, estímulo intelectual e uma alimentação rica em vegetais variados.

“Coração, intestino e cérebro não funcionam como sistemas separados. Inflamação, circulação, glicose, microbiota e qualidade da alimentação criam conexões entre todos eles”, explica o especialista.

Quanto é preciso consumir?

Não existe uma dose terapêutica de cenoura.

Os estudos populacionais encontraram resultados interessantes com quantidades perfeitamente compatíveis com uma alimentação comum: algumas porções distribuídas ao longo da semana, consumidas dentro de uma rotina variada.

Ela pode aparecer ralada na salada, cortada em palitos, refogada com outros vegetais, assada, incluída em sopas ou transformada em purê. O importante é evitar a ideia de que grandes quantidades produzirão benefícios proporcionais.

O médico Claudio Mutti conclui: “O que produz efeito é a repetição de bons hábitos, variedade de vegetais, proteínas adequadas, fibras, atividade física, sono e acompanhamento médico quando necessário”.




Além dos medicamentos: 5 estratégias para um emagrecimento saudável e sustentável

 

Os novos medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade marcaram um avanço significativo ao possibilitar uma perda de peso mais expressiva. Porém, para alcançar resultados duradouros, é essencial associar o tratamento a hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, além de estratégias que ajudem a prevenir o reganho de peso, afirma o médico nutrólogo e especialista em obesidade Nataniel Viuniski, mestre em Nutrição e membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife.

Ao reduzir a fome e, consequentemente, a quantidade de alimentos ingeridos, a ingestão de proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes é impactada. Além disso, dos efeitos adversos como náuseas, vômitos, diarreia e constipação dificultarem ainda mais a alimentação.

Por isso, cada vez mais especialistas defendem que o sucesso do tratamento depende de uma estratégia estruturada. “O objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas preservar a massa muscular, evitar deficiências nutricionais e criar hábitos que permitam manter os resultados ao longo da vida”, explica o nutrólogo.

Dentro dessa abordagem, o especialista propõe cinco pilares que merecem atenção durante o uso desses medicamentos.

1. Invista em proteínas, vitaminas e minerais

Perder peso não significa apenas reduzir gordura corporal. Quando a ingestão de proteínas é insuficiente, parte da perda pode acontecer às custas da massa muscular.

“Como a pessoa come menos, também tende a consumir menos proteínas e micronutrientes. Por isso, recomenda-se aumentar o consumo de proteínas durante o tratamento para ajudar a preservar a massa magra, principalmente associado à prática de exercícios de força”, orienta Viuniski.

Além das proteínas, vitaminas e minerais continuam sendo indispensáveis. Nutrientes como vitamina B12, vitamina D, ferro, cálcio, magnésio e zinco participam da produção de energia, da imunidade, da saúde óssea e da manutenção muscular.

“Cada refeição precisa entregar mais qualidade nutricional. Portanto, torna-se ainda mais importante priorizar alimentos com alta densidade nutricional, ou seja, que oferecem uma grande quantidade de nutrientes em relação à quantidade de calorias, como os shakes nutritivos”, explica o nutrólogo.

2. Aposte no colágeno certo

Perdas de peso rápidas costumam trazer mudanças importantes na composição corporal. Embora o excesso de pele dependa principalmente da idade, genética e quantidade de peso perdido, manter uma ingestão adequada de proteínas também contribui para a produção natural de colágeno.

“Mas os peptídeos de colágeno hidrolisado também podem ajudar melhorar a elasticidade, hidratação e firmeza da pele quando associados a vitamina C e a uma alimentação adequada”, comenta o nutrólogo. Embora não eliminem o excesso de pele decorrente de grandes perdas de peso, podem contribuir para a saúde cutânea.

3. Creatina para mais força

A creatina é frequentemente associada à hipertrofia, mas seu papel durante o emagrecimento pode ser ainda mais relevante.

Como existe risco de perda de massa muscular, preservar a força e a capacidade funcional torna-se uma prioridade. Nesse contexto, a creatina pode ajudar a manter o desempenho nos exercícios de resistência e favorecer a preservação da massa magra quando combinada ao treinamento de força. “Lembre-se que, quanto mais massa muscular for preservada durante o emagrecimento, melhores tendem a ser o metabolismo, a funcionalidade e a manutenção dos resultados no longo prazo”.

4. Dá-lhe fibras

A prisão de ventre é um dos efeitos adversos mais frequentes durante o uso dos agonistas do GLP-1. Isso acontece porque esses medicamentos retardam o esvaziamento gástrico e diminuem a motilidade intestinal.

As fibras ajudam justamente nesse cenário. Além de favorecerem o funcionamento intestinal, contribuem para a saúde da microbiota, auxiliam no controle glicêmico e aumentam ainda mais a sensação de saciedade.

Frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas devem fazer parte da alimentação diária. “Quando necessário, fibras solúveis e suplementos de fibras também podem ser utilizadas com orientação profissional”, acrescenta Viuniski.

5. Hidratação e energia para ter disposição

Náuseas, vômitos e redução da ingestão alimentar aumentam o risco de desidratação durante o tratamento com medicamentos injetáveis para emagrecer.

Manter um consumo adequado de água ajuda não apenas o funcionamento intestinal, mas também a circulação, o transporte de nutrientes e a prevenção de sintomas como fadiga, dor de cabeça e tontura.

Outro ponto importante é garantir energia suficiente para manter a prática de atividade física e o bem-estar, uma vez que comer pouco demais pode comprometer o desempenho nos treinos e favorecer maior perda de massa muscular.

“O desafio é encontrar um equilíbrio entre o controle do apetite promovido pelo medicamento e uma alimentação capaz de fornecer água, energia e nutrientes suficientes”, finaliza o médico.

Nesse caso, o especialista recomenda consumir um copo de água a cada hora, a partir do momento em que a pessoa acorda, e fazer pequenas refeições ao longo do dia, respeitando a tolerância individual e priorizando alimentos nutritivos.




Musculação pode retardar o envelhecimento do coração em mulheres idosas, aponta estudo

 

A musculação ganhou um novo respaldo científico na prevenção das doenças cardiovasculares. Um estudo recente publicado na revista Medicine & Science in Sports &Exercise identificou que o treinamento de força pode desacelerar o envelhecimento do coração em mulheres idosas, resultado que amplia as evidências sobre os benefícios da modalidade para além do fortalecimento muscular.

A pesquisa mostra que a prática regular de musculação está associada à preservação da função cardiovascular durante o envelhecimento, reduzindo alterações que normalmente ocorrem com o avanço da idade e aumentam o risco de doenças cardíacas.

Segundo a cardiologista Dra. Fernanda Douradinho, o envelhecimento do sistema cardiovascular provoca mudanças estruturais e funcionais que comprometem a eficiência do coração ao longo dos anos.

“O envelhecimento cardíaco está relacionado ao aumento da rigidez do músculo cardíaco e das artérias, à redução da capacidade de relaxamento do ventrículo esquerdo e à perda progressiva da aptidão física. A musculação ajuda a minimizar essas alterações porque melhora a função dos vasos sanguíneos, reduz a inflamação crônica, preserva a massa muscular e favorece um melhor controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, fatores diretamente relacionados à saúde cardiovascular.”

Os resultados reforçam uma mudança na abordagem da medicina esportiva e da cardiologia. Se antes os exercícios aeróbicos eram considerados a principal estratégia para proteger o coração, hoje as diretrizes das principais sociedades médicas recomendam que o treinamento de força também faça parte da rotina de atividade física.

“A musculação e os exercícios aeróbicos não competem. Eles exercem funções diferentes e complementares. Enquanto os exercícios aeróbicos melhoram a capacidade cardiorrespiratória e reduzem o risco de infarto e AVC, a musculação aumenta a força muscular, melhora a sensibilidade à insulina, auxilia no controle da pressão arterial e ajuda a preservar a massa óssea e muscular durante o envelhecimento”, afirma a especialista.

Para pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol elevado ou histórico de doenças cardiovasculares, a recomendação é que a prática seja iniciada somente após avaliação médica e com treinamento individualizado.

De acordo com a cardiologista, quando bem orientada, a musculação é considerada segura inclusive para a maior parte dos pacientes cardiológicos.

“Na maioria dos pacientes, a musculação pode ser incorporada ao tratamento e à prevenção das doenças cardiovasculares, desde que respeite as condições clínicas e seja acompanhada por profissionais habilitados.”

Na avaliação da especialista, o principal avanço trazido pelo estudo é reforçar que o treinamento de força deixou de ser visto apenas como uma estratégia voltada à estética ou ao ganho de massa muscular.

“As evidências mostram que o fortalecimento muscular também contribui para proteger o coração, preservar a capacidade funcional e promover um envelhecimento mais saudável. O treinamento de força passou a ocupar um papel importante dentro da prevenção cardiovascular.”

Segundo a médica, outro aspecto relevante é que os benefícios podem ser observados mesmo quando a prática é iniciada após os 60 anos, desde que haja regularidade e acompanhamento profissional.

Sobre Fernanda Douradinho

Fernanda Douradinho da Rocha Silva é médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos.

Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.




Perda de peso depende da qualidade da dieta

 

O avanço do uso das chamadas canetas emagrecedoras transformou a forma como muitas pessoas conduzem o processo de perda de peso. Ao reduzir o apetite e retardar o esvaziamento gástrico, esses medicamentos favorecem a diminuição da ingestão calórica e podem proporcionar resultados expressivos. Ao mesmo tempo, especialistas observam um desafio crescente: pacientes que comem menos, mas não necessariamente melhor.

A diminuição da fome costuma levar à redução do volume das refeições. Sem orientação adequada, muitos passam a pular horários de alimentação ou fazem escolhas pobres em nutrientes, acreditando que qualquer redução no consumo será suficiente para emagrecer. O resultado pode ser um organismo com menor peso, mas também mais vulnerável à perda de massa muscular, deficiências nutricionais e alterações metabólicas.

Sintomas como fadiga, fraqueza, queda de cabelo, dificuldade de concentração e redução do desempenho físico podem estar relacionados à ingestão insuficiente de nutrientes essenciais. A restrição alimentar prolongada também favorece a perda de massa magra, condição que reduz o gasto energético do organismo e dificulta a manutenção do peso no longo prazo.

Segundo o médico gastroenterologista e cirurgião geral Mauro Lúcio Jácome, o principal erro é associar o sucesso do tratamento apenas à redução das calorias consumidas. “As canetas emagrecedoras diminuem o apetite, mas não substituem uma alimentação equilibrada. Quando o paciente passa a ingerir pequenas quantidades de alimentos com baixo valor nutricional, o organismo deixa de receber proteínas, vitaminas, minerais e fibras fundamentais para preservar a saúde durante o emagrecimento”, indica.

De acordo com o especialista, a proteína merece atenção especial durante esse processo. “Além de contribuir para a preservação da massa muscular, ela participa da recuperação dos tecidos, da produção de hormônios e do funcionamento do sistema imunológico. Perder peso não significa apenas eliminar gordura. O objetivo deve ser reduzir o tecido adiposo preservando a massa muscular. Isso depende diretamente da qualidade da alimentação e, em muitos casos, da prática de exercícios de força orientados por profissionais”, completa Dr. Mauro.

As fibras também exercem papel importante na resposta ao tratamento. Presentes em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas, elas favorecem o funcionamento intestinal, prolongam a saciedade e contribuem para o controle da glicemia. A hidratação, por sua vez, merece atenção constante, já que muitos pacientes deixam de sentir sede com a mesma frequência durante o uso dos medicamentos, aumentando o risco de desidratação.

Outro aspecto frequentemente negligenciado é a necessidade de acompanhamento multidisciplinar. Embora as canetas tenham ampliado as possibilidades de tratamento da obesidade e do sobrepeso, especialistas ressaltam que os medicamentos representam apenas uma etapa de um processo mais amplo, que envolve mudanças permanentes nos hábitos de vida.

“O tratamento medicamentoso oferece uma oportunidade importante para reeducar o comportamento alimentar, mas ele precisa ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar. Médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo atuam de forma complementar para que o paciente alcance resultados consistentes e seguros, evitando tanto a desnutrição quanto o reganho de peso”, finaliza Dr. Mauro.




Alongar alivia, mas resolve?

 

Foto Profissional. (Crédito: FreePik)

Ao fim do expediente, é comum sentir o corpo mais pesado, rígido e dolorido. Para muitas pessoas, a resposta costuma ser quase automática: “alongue que passa”. Mas, segundo a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, os alongamentos podem até ajudar a aliviar a tensão no curto prazo, mas nem sempre resolvem o que está por trás da dor.

A Dra. Mariana explica que o desconforto que aparece no fim do dia costuma ser resultado do acúmulo de horas em uma mesma posição, de esforços repetidos ou de pouca variação de movimento ao longo da rotina. “O corpo vai se sustentar como consegue durante o dia. Quando a demanda diminui, a tensão fica mais evidente. É nesse momento que a dor costuma aparecer”, afirma.

A percepção de que alongar resolve tudo, ainda é muito comum, mas a dor musculoesquelética tem causas mais amplas. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que as condições musculoesqueléticas afetam cerca de 1,71 bilhões de pessoas no mundo e estão entre as principais causas de dor persistente e limitações funcionais. A dor lombar, sozinha, atingiu 619 milhões de pessoas em 2020, com projeção de chegar a 843 milhões até 2050.

Segundo a Dra. Milazzotto, os alongamentos podem trazer uma sensação de alívio, reduzindo temporariamente a tensão. No entanto, isso não significa que a causa da dor foi protegida. “Se uma pessoa passou o dia todo com sobrecarga postural, usando a musculatura de forma repetitiva ou permanecendo tempo demais sentada, o alongamento pode aliviar, mas não corrige sozinho o padrão que gerou o problema”, diz.

Ela destaca que, em muitos casos, a dor no fim do expediente não está ligada apenas ao “músculo curto”, como se costuma imaginar. Fraqueza muscular, compensações posturais, falta de mobilidade e controle de movimento também podem estar envolvidos. “Nem toda dor é falta de alongamentos. Às vezes, o corpo está exigindo força, pausa, ajuste e melhor distribuição de carga”, explica.

Quando o corpo começa a cobrar

O corpo costuma dar sinais antes de a dor se tornar um problema maior. Pescoço travado, ombros elevados, lombar incomodando, sensação de desconforto ao levantar da cadeira ou desconforto que piora ao longo da semana podem indicar sobrecarga acumulada.

Para quem trabalha no escritório, estudos mostram que dor e desconforto musculoesquelético são frequentes e tendem a se intensificar perto do fim da jornada. Nesses casos, a repetição diária do padrão pode tornar o incômodo cada vez mais previsível, e mais difícil de ignorar.

Para um fisioterapeuta, o risco é naturalizar esse sofrimento. “Muita gente acha que sentir dor no fim do dia é normal. Mas não é”, afirma.

O que fazer

O alongamento pode continuar fazendo parte da rotina, desde que não seja visto como única resposta para a dor. A especialista orienta que o cuidado com o corpo inclua também pequenas pausas durante o dia, variação de posição, fortalecimento muscular, melhoria da mobilidade e ajustes na ergonomia.

“Se a dor aparece todo dia no fim do expediente, se volta sempre no mesmo lugar ou se piora ao longo da semana, vale investigar o que está sobrecarregando o corpo. Às vezes, o que uma pessoa precisa não é de mais alongamentos, e sim de reorganizar a forma como se move e sustenta a rotina”, conclui Dra. Mariana.