Cantora Fabiana Cozza se apresenta dia 18 no campus da Unesp

 

“Olha como a flor se acende

quando o dia amanhece

minha mágoa, se esconde

a esperança aparece”

(trecho da canção “Alvorecer” de Dona Ivone Lara e Delcio Carvalho)

Esperançar e cantar o mundo como ação e potência de luta, janela da liberdade, sopro afetivo na construção de uma sociedade pluriversal. 

Assim já cantaram Leci Brandão, Dona Ivone Lara, Alcione, Clementina de Jesus, Elza Soares. Assim o fará Fabiana Cozza no dia 18  às 20 horas, no campus da Unesp em Assis. O show intimista, promovido pelo Comitê de Ação Cultural/CAC com apoio da PROEC/UNESP, trará a cantora ao lado do guitarrista Fabio Leal e celebra o repertório e o pensamento de intérpretes e compositoras negras brasileiras que marcam a carreira da artista. 

Os convites poderão ser retirados no CEDAP, na Biblioteca do campus ou na secretaria da vice-direção da Unesp/Assis, mediante a doação de 1 litro de leite ao retirar o convite. A colaboração é facultativa, e o que for arrecadado, será encaminhado para uma entidade beneficente da cidade

A apresentação é aberta a toda a comunidade, interna e externa à FCL/Assis.




Dia das Crianças: o cérebro infantil está mudando?

 

 

Você certamente já percebeu que as crianças não são mais como eram antes. Se por um lado muitas vezes são ultra estimuladas, em outros momentos se mostram desinteressadas por tarefas simples do dia a dia, sobretudo as que não envolvem tecnologia ou algum tipo de recompensa.

A infância é o período em que formamos uma espécie de “pacote de referências” que usaremos por toda vida, dentre eles, muitos aspectos de regulação do comportamento ao contexto ambiental.

A neurocientista do SUPERA, Livia Ciacci, explica que as habilidades comportamentais dependem das diversas situações de interação. “Quando o contexto ambiental varia entre relações presenciais e virtuais, precisamos incluir isso nos aprendizados de competências e atitudes da criança. Ela precisa começar a entender como regular seu comportamento em uma conversa pessoal ‘olho no olho’ e em um meio digital”, detalhou

Um mundo cada vez mais digital para as novas gerações

É bastante comum percebemos educadores desatualizados, sem tempo dedicado para estudar as vantagens de cada tecnologia e com receio de incluí-las nas suas práticas, além de pais que usam e disponibilizam o acesso às essas tecnologias em casa, mas eles mesmos têm dificuldades em autorregular o tempo que gastam ou como fazem uso.

Imagine agora: qual é a experiência da criança que alterna entre um ambiente onde acessa vários dispositivos com vídeos, cores, sons e interações instantâneas e outro ambiente onde tem que lidar pacientemente com papel, lápis e outras crianças?

“É muitíssimo provável que ela se interesse bem mais pelo universo digital. A escola não pode ficar à margem do avanço tecnológico, o uso crítico e construtivo das Tecnologias de Informação e Comunicação deve ocorrer a partir da Educação Infantil. E as famílias devem dedicar um tempo para refletirem sobre como lidam com mídias e tecnologias digitais e se tornarem exemplos de um uso responsável e controlado, auxiliando a criança a entender como adequar seu comportamento também”, detalhou.

A neurocientista do SUPERA – Ginástica para o Cérebro explica ainda que mídias passivas são ruins para as habilidades interpessoais, criatividade, resolução de problemas, imaginação e desenvolvimento da empatia, porque a criança não precisa “fazer algo”, está tudo pronto ali na tela. Com o uso excessivo, ela ficará ansiosa sempre que estiver longe dessas mídias e terá muito menos tolerância e paciência cognitiva para lidar com situações novas e “mais lentas”.

O uso constante de tecnologia está mudando o cérebro das crianças?

A exposição exagerada a esses meios pode também trazer alguns riscos à saúde das crianças, como por exemplo: problemas de visão (exposição próxima à luz das telas); distração das tarefas cotidianas, como ir tomar banho, dormir e se alimentar na hora certa, o que afeta a rotina e diminui o aprendizado do autocuidado. 

A maior mudança percebida e discutida até o momento por especialistas está no circuito de leitura no cérebro. Como os seres humanos não nascem leitores, mas capazes de identificar formatos e atribuir significados, esta habilidade precisa ser construída. Não temos um programa de base genética para reorganizar os circuitos neurais em prol da leitura.

Assim como não temos um padrão prévio de leitura no cérebro, também não temos um circuito de leitura ideal ou estático com o passar das gerações.

Os neurônios são originalmente dedicados à atividade de responder a estímulos visuais, na alfabetização e no hábito de leitura esses neurônios se engajam na nova tarefa de reconhecer letras e palavras.

Se nessa fase de alfabetização existe um uso aumentado de telas, esse circuito terá uma configuração diferente. Segundo Livia Ciacci, neurocientista do SUPERA – Ginástica para o Cérebro, cada mídia de leitura trabalha mais certos processos cognitivos em detrimento de outros. “Quando lemos nas telas digitais fazemos movimentos em zigue-zague com os olhos, como em um caça-palavras. Captamos o contexto, pulamos para as conclusões, e isso atrapalha a compreensão em profundidade e a noção de continuidade do texto”, alertou.

Preciso me preocupar?

A neurocientista Maryanne Wolf explora bastante as diferenças da tela para o papel em seu livro “O cérebro no mundo digital”, apontando que a atenção e foco são totalmente diferentes e incrementados pela leitura impressa.

“Como os avanços tecnológicos são um caminho sem volta e isso pode afetar diretamente a capacidade do ser humano de receber informações, é importante que os pais busquem um equilíbrio entre o mundo virtual e físico como um caminho mais seguro. Neste contexto, a ginástica para o cérebro oferece grande suporte para trabalhar a concentração, memória e raciocínio da criança, colaborando para o seu desenvolvimento integral e para além das telas”, concluiu.

 

 




Educar os filhos sem raiva: criadora de conteúdo rentabiliza e alcança mais de 8 mil pessoas no mundo por meio de ensinamentos para os pais

Entender que os traumas gerados na nossa educação familiar não devem impactar a forma que cuidamos dos filhos é chave fundamental para um relacionamento e uma educação mais respeitosa. Este é o ponto de partida da pedagoga Maya Eigenmann. A criadora de conteúdo já alcança mais de 8 mil pessoas pelo mundo com os seus cursos “Criando Relações Respeitosas” e “ Intensivão da Birra”, criados e distribuídos serviços da Hotmart, empresa global de tecnologia que oferece um ecossistema completo para criar e vender produtos digitais.
Maya explica que não considera seu ensino um “método”, mas sim uma jornada, onde convida as famílias a se relacionarem com as crianças e observarem a própria história de como foram educados. “Nossas lembranças podem ter sido violentas, a de nossos pais, de nossos avós, isso é o trauma transgeracional. Precisamos entender isso para reduzir os danos dessa educação violenta na vida das crianças”, explica a educadora parental.
A pedagoga entende o desafio de uma comunicação assertiva e acolhedora para conquistar a confiança das pessoas. Ainda, segundo Maya, autora do livro “A raiva não educa. A calma educa”, a pandemia de COVID-19 trouxe mais ansiedade e estresse tanto para os pais como para as crianças, o que gerou necessidade adquirir mais conhecimento sobre educação.
Ainda, “entender que a criança nada mais é do que o espelho do que já aconteceu na nossa história, que ela não é responsável pelas emoções que eu sinto diante do comportamento dela. Então, educar respeitosamente é lidar com essas duas frentes: a criança dentro de mim, a minha história; e essa criança que está na minha frente, e pensar em como reduzir os danos nessa relação”, revela Maya.

Educar respeitosamente
De acordo com a creator o primeiro passo para uma educação respeitosa é “olhar para as crianças como cidadãos de igual valor aos adultos. Da mesma forma que a gente respeita, olha e acolhe os adultos precisamos, urgentemente, começar a fazer isso com as nossas crianças também”.
Nesta questão entra um ponto importante: a pedagoga explica que os pequenos ainda não têm cérebro maduro e dependem dos adultos para questões biológicas, emocionais e psicológicas para conseguirem existir, funcionar e entender como o mundo é. “Isso significa que precisamos enxergar que não temos informação suficiente para educar respeitosamente, é preciso estudar para isso. Não adianta a gente confiar na nossa intuição porque ela está defasada, não dá para se basear nisso”, ressalta Maya.
Visto isto, é necessário conhecer a própria história, desta forma, a educadora enfatiza que não fala de um método passo-a-passo, mas sim de relacionamento. “Os adultos precisam enxergar quais são os próprios gatilhos e incômodos, entender porque um determinardo comportamento da criança incomoda tanto ao ponto de dar vontade de se vingar dela, de maltratá-la por causa disso”, finaliza a autora.
A profissional ainda revela que pretende criar mais um curso para o próximo ano, uma vez que vê o impacto da sua comunicação nas famílias por meio de seus produtos digitais na Hotmart, que é sua principal fonte de renda na família.

Sobre a Hotmart
Fundada em 2011, pelos empreendedores João Pedro Resende e Mateus Bicalho, a Hotmart é uma das líderes globais no mercado de produtos digitais. A empresa conta com mais de 1,7 mil funcionários e fornece todo o ecossistema para a criação e venda de conteúdos digitais como cursos online, ebooks, podcasts entre outros formatos. A empresa faz parte do grupo Hotmart Company e contabiliza mais de 35 milhões de usuários, mais de 580 mil produtos cadastrados e vendas em mais de 188 países. www.hotmart.com




Diocese de Assis

 

          O significado de um testemunho é algo um tanto quanto machista, discriminatório, quase pornográfico. Vem de testículo, já que exigia um gesto, quase um juramento, com a declaração pública de um fato acompanhada do ritual de “segurar” o testículo do juiz ou oponente e assim proclamar a verdade ou o fato posto em dúvidas. Só mais tarde é que se passou a usar a mão sobre a Bíblia e jurar dizer a verdade em questão. Ainda bem. Caso contrário, teríamos hoje muitas omissões e falsos testemunhos, apesar de sequer a barba ou bigode dos canastrões de outrora terem sido de alguma valia. A mentira continuou imperando, distorcendo a história e muitas de nossas campanhas eleitoreiras. Está em curso nos dias atuais.

          Mas a campanha que aqui pretendo abordar não tem nada dessas aberrações históricas. Surgiu há exatos 50 anos, quando o catolicismo universal renascia das catacumbas romanas, após um Concílio renovador a lançar novas luzes e ânimo sobre a tarefa evangelizadora da Igreja. Nesse ano jubilar, por sugestão do Papa Francisco, além da objetividade pura e simples de sua temática, a presente Campanha Missionária reafirma: “A Igreja é missão”, mas segue o lema: “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8). Simples e claro. A missão é tarefa única e exclusiva da Igreja que somos e, como tal, nosso testemunho é fundamento da fé que professamos. Sem este não existe aquela. Sem Igreja, nossa eclesialidade de nada valeria. Seria como o sino a badalar no vazio, sem retumbar seus sons e acordes maravilhosos. Uma guitarra sem energia, um clarim sem melodia, uma trombeta, uma tuba com gato dentro… A missão da Igreja é, sim, fazer barulho dentro e fora do homem adormecido, introspectivo em seu vazio, que olha para dentro de si mas só enxerga a si mesmo. Não encontra Deus em seu coração!

          Nesses 50 anos, tenho o orgulho de também celebrar um ano Jubilar, como membro de um grupo de leigos que um dia ousaram assumir essa identidade missionária dentro do catolicismo. O Meac, Missionários para Evangelização e Animação de Comunidades, nasceu com esse movimento renovador da Igreja e, desde então, vem construindo sua história aos trancos e barrancos, tentando mostrar aos cristãos leigos sua necessidade de testemunhar o Cristo sem “puxar” nada de ninguém, a não ser trazer para si a responsabilidade que nosso batismo e inserção cristã nos obriga a praticar. (Veja o site www.meac.com.br).  Nosso testemunho está em livro digital, onde o que se encontra é a simplicidade de vida de vários companheiros que viveram e vivem essa experiência missionária. Se você sentir esse chamado, entre em contacto, pois estamos necessitando, urgentemente, de sangue novo nessa tarefa evangelizadora, desafiadora, de ser Igreja realmente missionária.

          Não pense você que esta seja uma missão puramente clerical, religiosa. Já foi o tempo em que somente padres e freiras recebiam o mandato missionário como autoridade legitimamente constituída pelo múnus evangelizador da Igreja. Hoje, todos somos enviados. Mais do que nunca, o mundo necessita do testemunho e da presença eclesial como fonte de vida e esperança para todos. A omissão tem preço. Se o mundo se distancia das verdades de Cristo é porque nosso juramento batismal, nossa imersão nas águas da nossa fé, não provocou a purificação oferecida; ao contrário, contribuiu ainda mais para uma eventual condenação. Você, batizado, está em processo de cura das eventuais lepras que a vida sem Deus provoca no ser humano. Dez foram curados, um só voltou e agradeceu. E, detalhe, era um estrangeiro, alguém distante da comunidade que cercava a origem cristã. Será que aguardamos um missionário de outras terras para “dar glórias a Deus”?

          WAGNER PEDRO MENEZES [email protected]




Espaço Espírita

“Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.”

 JESUS (Mateus, 6:42)

“Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os

deveres do próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: Fora

da caridade não há salvação.”

O Evangelho segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Cap XV, item 5

            Enquanto podes agir no corpo terrestre, medita, de quando em quando, naqueles que largaram, sob regime de compulsória, os talentos que o mundo lhes confiou.

Para isso, não é necessário recorrer ao arquivo dos milênios e nem consultar a pompa dos museus.

             Alinha na memória os que viste partir nos últimos vinte anos!

Líderes do povo, que detinham o poder de influenciar a multidão, abandonaram o leme das ideias que governavam, impelidos de chofre a varar a névoa do túmulo…

Magnatas da fortuna, que retinham valiosas delegações de competência para resolver as necessidades do próximo, viram-se, de momento para outro, privados das propriedades que ajuntaram, coagidos a entregá-las ao arbítrio dos descendentes…

Missionários de diferentes climas religiosos, que mantinham a possibilidade de consolar e instruir, desceram, precipitadamente, das galerias de autoridade, em que traçavam princípios para as estradas alheias…

Criadores do pensamento, que sustinham a prerrogativa de impressionar pessoas, através do verbo falado ou escrito, tiveram, de súbito, a palavra cassada pela desencarnação ou pela afasia, muitas vezes, no exato momento em que mais desejavam comandar a oratória ou o cérebro lúcido…

Pensa neles, os beneficiários das concessões divinas que te precederam na morte e faze hoje algo melhor que ontem, nos domínios do bem para que o bem te favoreça.

Não apenas os dons da inteligência, mas também o corpo físico, as vantagens diversas, os patrimônios afetivos e até mesmo as dores que te povoam as horas são recursos de que te aproprias na Terra, com permissão do Senhor, para investi-los na construção da própria felicidade.

As leis que vigem no plano físico são fundamentalmente as mesmas que orientam as criaturas no plano espiritual.

Um empréstimo fala sempre da generosidade do credor que o concede, mas revela igualmente, na contabilidade da vida, o bem ou o mal que se faz com ele.

EMMANUEL

Extraído do “Livro da Esperança” – Psicografia: Francisco Cândido Xavier – Editora CEC                                                                                                                

USE INTERMUNICIPAL  DE  ASSIS

ÓRGÃO  DA  UNIÃO  DAS  SOCIEDADES  ESPÍRITAS  DO  ESTADO  DE  SÃO  PAULO

 




Viver o Círio de Nazaré é uma graça!

 

 

Chegamos ao mês mais esperado para os paraenses. Outubro é Círio de Nazaré outra vez, o Natal se antecipa em Belém do Pará.

 

Conheço as festividades do Círio há mais de 18 anos e posso afirmar com toda certeza: é a maior manifestação de fé e amor à Virgem Maria que já vi em toda a minha vida. Tive a graça de, por muitos anos seguidos, viver o Círio, esta é a palavra: VIVER o Círio de Nazaré. Pois não se participa apenas, vive-se.

 

É um tempo muito fecundo para cada pessoa que experimenta essa GRAÇA. A cidade muda, as famílias abrem as portas de suas casas, suas refeições passam a ter um tempero diferente, a solidariedade e o amor se fazem presentes na convivência fraterna.

 

Em cada missa, em cada oração, elevam-se preces de maneira especial à Rainha da Amazônia, carinhosamente chamada Nazarezinha. Durante toda a festividade, a basílica de Nazaré passa a ter uma luz diferente. Ao entrarmos na Igreja e fazermos nossas preces, parece que os nossos pedidos chegam mais rápido ao céu.

 

Confesso que a maior experiência que vivi foi a da “Transladação” (procissão realizada na noite anterior ao dia do Círio), pois por mais de oito horas de procissão, vê-se o povo de Belém segurando a corda que puxa a Berlinda com a Virgem de Nazaré. Tempo de observar a fé de uma multidão de pessoas e olhar para os promesseiros pagando suas promessas pelos milagres alcançados.

 

Grande emoção, pelas ruas de Belém, é poder cantar esta canção:

“Quando a vida faz nascer o mês de outubro eu descubro uma graça bem maior

Que me faz voltar no tempo e ser menino

E ao som do sino ver a vida amanhecer

Ver o povo em procissão tomando as ruas

Anunciando que é Círio outra vez

Que a Rainha da Amazônia vem chegando

Vem navegando pelas ruas de Belém

Corda que avança, o corpo cansa só pra alma descansar

E o meu olhar chorando ao ver o teu olhar em mim

Tão pequenina na Berlinda segues a recolher

Flores e amores que o teu povo quer te dar

Ó Virgem Santa, teu povo canta

Senhora de Nazaré

Tu és rainha e tens no manto

As cores do açaí.” 

Assim se vive o Círio: com fé, amor e, como irmãos e irmãs, todos juntos cantando uma linda canção. Posso dizer que em outubro o Natal se antecipa em Belém do Pará.

Feliz Natal, feliz Círio de Nazaré!

 

Padre Bruno Costa é missionário da Comunidade Canção Nova e autor dos livros: “Frases que nos levam a Deus” e “Lutar sempre, desistir jamais”.




Diocese de Assis

 

Todo ser humano é um ser social e precisa do outro. A necessidade de andarmos juntos se mostra no fato de que os homens se associam em empresas, clubes, movimentos, família etc. Dizemos, com razão: a união faz a força. Isto se aplica também à dimensão religiosa da nossa vida. Também aqui devemos viver juntos e unir as forças. Você participa de algum movimento ou associação? Quais os motivos disto?

Durante a vida de Jesus, muitos o seguiram, atraídos por sua Palavra e por seu modo de viver. Diante de sua morte muitos fugiram, mas, depois da experiência da ressurreição, aqueles que permaneceram aqueles viveram e permaneceram, nele, saíram para anuncia-lo. A pregação era tão incisiva que, muitos aderiram a Cristo e pediram o Batismo.  Queriam seguir os passos de Cristo, mas não o faziam individualmente. Formavam comunidades de cristãos que, impulsionados pelo Espírito Santo, procuravam viver em união e fraternidade, em fé e oração. Estas comunidades se chamavam IGREJA. 

A palavra IGREJA vem do grego e significa ASSEMBLÉIA. Portanto, quando falamos aqui em IGREJA, não estamos nos referindo ao prédio onde os cristãos se reúnem, mas à comunidade das pessoas que querem seguir a Jesus Cristo.

Toda a primeira parte do livro dos Atos dos Apóstolos nos mostra como o Espírito Santo transformou em Igreja viva o pequeno grupo de apóstolos e discípulos que Jesus reunira a seu redor e deixara, na Terra, com uma grande missão. São Lucas nos fala sobre a vida comunitária, a vida de união fraterna que se notava na Igreja nascente.

É próprio da ação do Espírito Santo: UNIR, FAZER COMUNIDADE.

Indício disto, no Antigo Testamento, nós encontramos na conhecida narração da Torre de Babel, Gn 11,1-9. O texto mostra que, em toda Terra, havia uma só língua. Diante do pecado do orgulho dos homens, Deus confundiu-lhes a comunicação. Ninguém se entendia mais. Trata-se de uma narrativa simbólica. Ela quer nos ensinar que o pecado: orgulho, egoísmo… é a causa dos desentendimentos entre os homens. Pensando somente em si mesmos, não se comunicam uns com os outros.

Olhando para o Novo Testamento, Atos 2,5-11, vemos algo totalmente diferente daquilo que é plantado pelo egoísmo humano. Lucas mostra o efeito da ação do Espírito Santo. Quando Ele é dado à jovem Igreja, todos ouvem a sua própria língua. Isto quer dizer que o Espírito une e faz que todos se entendam, porque o Espírito é amor.

No Antigo Testamento há, ainda, outra narrativa interessante. O profeta Ezequiel narra uma visão que teve e na qual se vê que o Espírito de Deus quer dar vida a seu povo e construir essa vida em unidade e liberdade. Nesta passagem (Ez 37,1-14), vemos também que o Espírito do Senhor quer unir e dar vida.

Deus prometeu o Espírito ao povo do Antigo Testamento. Ele o deu ao povo da Nova Aliança, a Igreja. A ação do Espírito Santo tem efeitos profundos e duradouros como diz o livro dos Atos dos Apóstolos 2,22-27 e 4,32-35 e que podem ser resumidos em 4 pontos importantes: a) Estavam unidos na mesma fé, perseveravam na doutrina dos apóstolos; b) Eram solidários, vendiam o que tinham; não havia necessitados entre eles; c) Eles se uniam para a fração do pão – Eucaristia – e para rezar; d) Assim davam testemunho e atraíam muitos.

A grande lição que esta reflexão nos oferece é que: para ser Igreja é preciso que aprendamos a viver em comunidade. Eis a razão pela qual o Senhor nos chamou e fomos batizados. Sozinho, isolado ninguém é capaz de nada; a Igreja não é nada! 

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS




Diocese de Assis

 

          Nada do que fazemos acrescenta algo à glória de Deus. Mas tudo o que somos, sim. Até nossa servidão aparentemente inútil. Inútil diante de Deus, mas extremamente necessária para nosso histórico de vida, nossa própria glorificação. O jogo de palavras complica mais do que explica, mas logo adiante virá a compreensão. É que somos tentados a fazer de nossa existência uma contínua competição com o outro, achando sempre que o que somos ou fazemos é mais perfeito e útil do que a tarefa, profissão ou vida dos que concorrem conosco. Assim, na nossa avaliação pessoal, nunca seremos servos inúteis de Deus. Triste engano!

          Na escala social que ocupamos raramente daremos oportunidade a um empregado de sentar-se à mesa conosco. Entretanto, esse é o primeiro grande convite que Deus nos faz, no banquete do Reino. Esse mesmo banquete já pronto e carinhosamente preparado a nos esperar no definitivo encontro com nossa própria origem e para o qual só nos basta apresentar nossas obras, nosso serviço prestado junto aos semelhantes. Portanto, o que importa a Deus não são nossas conquistas materiais e sucessos empresariais, intelectuais ou alhures, mas somente a grandeza do serviço que prestamos aos nossos semelhantes. Tudo mais não conta pontos, nem nos dignifica. O progresso material, ao contrário, terá sempre um peso maior no processo de nosso julgamento. Assim também o sucesso ou não de um governante, um gestor público ou político.

          Nada do que faz um bom administrador terá méritos dignificantes, se não houver maiores serviços de promoção humana do que simples conchavos de interesses sociais ou político-partidários. Um homem público não trabalha para si, mas para o bem comum. Seu serviço não pode nunca alimentar interesses setoriais e deixar de lado as primárias necessidades do coletivo. Qualquer função político-social e religiosa que se preste ao povo tem que possuir, por primeiro, essa dimensão de serviço. Caso contrário, será sempre um serviço inútil, sem valor algum aos olhos de Deus. Lembrando sempre que toda e qualquer função pública ou autoridade constituída diante do povo, procede de Deus, foi-lhe concedida do alto, com as bênçãos e concessões do povo. Assim, podemos afirmar: o poder emana do povo, mas com o consentimento de Deus.

          Essa visão transcendente da autoridade humana é que dá legitimidade à ação democrática. Sem a aprovação popular e a unção divina, estaríamos sob a ação de um regime ilegal, uma usurpação de direito, um serviço ilegal, inútil aos olhos de Deus e do povo. Por isso a legitimidade democrática tem um quê de religiosidade e merece respeito. Por isso é que dizemos, sem sombra de dúvidas, que todo poder procede de Deus. Não é e não pode ser um serviço inútil diante do povo, que escolhe e acolhe aquele que vai lhe prestar um serviço comunitário legítimo e, oxalá! – abençoado. Por isso é que também dizemos que todo povo tem o governo que merece… Tomara!

          Também no campo pessoal e na administração de nossas próprias vidas devemos ter presente essa consciência da responsabilidade de nossos atos. Somos meros servidores no processo da criação de um mundo em contínua evolução. Nada do que somos ou temos acrescentará algo à grandeza e beleza de tudo que o Senhor criou. Ele não necessita de nossa insignificância, mas aceita nossa gratidão e louvor. No entanto, sem solidariedade e gestos de fraternidade entre nós, sem nosso serviço de promoção aos mais desvalidos na caminhada, seremos mais do que inúteis aos seus olhos, pois sequer o que “devíamos fazer”, o fizemos. Faça sua escolha com esses critérios.

WAGNER PEDRO MENEZES [email protected]




Espaço Espírita

Nem sempre as pessoas que de nós se aproximam usam de gentileza ou de compreensão. Muitas vezes, tomam atitudes agressivas, ferindo-nos com o verbo da maledicência ou da calúnia, e impedindo-nos de alcançar os bons propósitos que buscamos.      

Quando isso nos acontece, é chegada a hora de exercitarmos a caridade da paciência.                                                                                

Quantas vezes também nós nos excedemos em nossos atos ou proferimos palavras menos felizes, e acabamos, inconscientemente ou não, por ferir alguém!                                

Como exigirmos de nossos irmãos atitudes corretas que nem sempre as temos?            

Enxerguemos tais criaturas quais enfermos da alma, necessitados do bálsamo que cura todos esses desajustes interiores: o amor.  

Todos nós, encarnados ou desencarnados, pelas imperfeições que ainda carreamos de outras encarnações, somos eternos necessitados da paciência de Deus para conosco. Quantos erros possamos ter cometido! Quantos atos tenhamos praticado que hoje podem envergonhar a nós mesmos! Quantas palavras ferinas tenhamos dirigido ao nosso próximo, em momentos de intemperança mental! Quantas vezes teríamos chegado ao extremo da calúnia ou da blasfêmia, sem que nos sentíssemos arrependidos por isso!         

Mas Deus, na Sua infinita misericórdia e paciência, sempre nos perdoou e nos proporcionou novas oportunidades de redenção.                

Lembra-te de tudo isso, meu irmão, e não te esqueças jamais de exercitar a caridade da paciência diante das agressões físicas ou morais que vieres a sofrer.

IRMà MARIA  DO  ROSÁRIO

Extraído do livro “Na cura da alma” – Psicografia: Lúcia Cominatto – Editora EME

USE  INTERMUNICIPAL  DE  ASSIS

ÓRGÃO DA UNIÃO  DAS  SOCIEDADES  ESPÍRITAS  DO  ESTADO  DE  SÃO  PAULO




Diocese de Assis

“A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto atual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado.

Ao entregar à Igreja o seu sacrifício, Cristo quis também assumir o sacrifício espiritual da Igreja, chamada por sua vez a oferecer-se a si própria juntamente com o sacrifício de Cristo. Assim no-lo ensina o Concílio Vaticano II: « Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, [os fiéis] oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela” (Carta Encíclica Ecllesia de Eucharistia, nº 12 e 13, p. 17 e 19).

 

“Sem efusão de sangue não há remissão” (Hb 9,22b).

Dom Oscar Arnulfo Romero, assassinato a 24 de março de 1980, com um tiro no peito, por um “esquadrão da morte”, aos 63 anos quando celebrava a missa na capela de um hospital de San Salvador, El Salvador. A guerra civil salvadorenha foi nesse período, de 1980 a 1992.

Seu último sermão, gravado na maior clareza possível, naquele instante da Morte, foi um apelo de justiça e paz. E quando terminou a gravação, ouviram-se também na fita os tiros, que lhe arrebataram a vida terrena.

Ele mesmo, no entanto, profetizara: “Ressuscitarei em meio ao meu povo. Vivo dentro do povo”. Foi um exemplo na luta em defesa dos direitos humanos.

Em seus sermões dominicais, retransmitidos pelo radio, Dom Oscar Romero defendia os pobres, denunciava assassinatos, desmascarava os governantes corruptos e mentirosos. Romero foi indicado pelo parlamento britânico para o Prêmio Nobel da Paz de 1979. Perdeu o prêmio de Estocolmo para Madre Teresa de Calcutá.

Em todos os lugares, as comunidades recordarão as palavras que, poucos dias antes de ser morto, dissera Dom Romero: “Freqüentemente, tenho sido ameaçado. Como cristão, não creio em morte sem ressurreição. Se me matam, ressuscitarei no povo salvadorenho. (…) Como pastor, estou obrigado a dar a vida por aqueles que amo que são todos os salvadorenhos, até pelos que vão me assassinar. Ofereço a Deus o meu sangue pela redenção e pela ressurreição de El Salvador. O martírio é uma graça que não creio merecer. Mas, se Deus aceita o sacrifício da minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e o sinal de que, em breve, a esperança se tornará realidade…”

De fato, o seu sangue, derramado pelas balas assassinas, misturou-se, literalmente, ao vinho do cálice que ele sustentava para celebrar o memorial da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele não queria morrer, nem vivia uma espiritualidade baseada no sacrifício e na dor. Acreditava que o caminho para a intimidade com Deus passa pela solidariedade efetiva aos irmãos e irmãs, especialmente às pessoas mais carentes e oprimidas. Dizia que sem a prática da justiça e o compromisso pelos direitos humanos vividos por todos, a adoração a Deus é fantasia narcisista. Ora, El Salvador, menor país da América Central. tem 50% dos habitantes vivendo com menos de 10 dólares por mês. Desde 1932, militares, preparados pelo governo americano, dominam o país com mão de ferro.

As comunidades e o povo de El Salvador continuam resistindo. A ressurreição da qual falava Dom Romero já se manifesta no próprio milagre de sobreviver. Ele afirmava: “A glória de Deus é a vida dos pobres”.

Quase vinte anos depois, a memória deste profeta, carinhosamente conhecido pelas comunidades como “São Romero das Américas”, torna-se mais importante. 

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS