Arroz branco todo dia aumenta o risco de diabetes? A resposta não é tão simples

 

O arroz branco talvez seja um dos alimentos mais injustamente simplificados da nutrição. Para uns, ele continua sendo apenas a base tradicional da alimentação brasileira. Para outros, virou sinônimo de pico glicêmico, barriga e diabetes. No meio desse duelo entre nostalgia e medo alimentar, o que se perde é justamente o que mais importa: a fisiologia real.

Sim, há evidências associando o consumo regular de arroz branco a um maior risco de diabetes tipo 2, especialmente quando ele aparece em grandes quantidades, com alta frequência, e substitui fontes de carboidrato mais ricas em fibras, como grãos integrais. Mas isso não significa que uma colher de arroz no almoço seja, por si só, um atalho para a doença.

Segundo o médico nutrólogo Dr. Gustavo de Oliveira Lima, o maior erro é discutir o arroz fora do prato real. “O problema raramente está em um alimento isolado. O que pesa de verdade é o padrão alimentar repetido, o estado metabólico da pessoa e o que acompanha esse arroz todos os dias.”

O que a ciência realmente diz

A associação entre arroz branco e diabetes não surgiu do nada. Estudos observacionais de grande porte, incluindo análises de Harvard e meta-análises publicadas em revistas médicas, mostraram que o consumo mais frequente de arroz branco está ligado a maior risco de diabetes tipo 2, enquanto a substituição por arroz integral e outros grãos integrais se associa a risco menor.

A explicação mais aceita passa por três pontos:

  • o arroz branco é um grão refinado, com menos fibras e micronutrientes do que a versão integral;
  • ele costuma ter índice glicêmico mais alto, o que significa que pode elevar a glicose sanguínea mais rapidamente, dependendo da variedade e do preparo;
  • quando entra em uma dieta pobre em vegetais, fibras e proteínas, tende a favorecer picos glicêmicos mais intensos e menor saciedade.

Mas aqui entra o detalhe que muda tudo: associação não é condenação universal.

O arroz branco não age sozinho

Pouca gente come arroz branco puro. E isso importa mais do que parece.

Um prato com arroz branco, feijão, salada, azeite e uma proteína magra se comporta metabolicamente de forma muito diferente de um prato com arroz branco em grande volume, pouca fibra, pouca proteína e excesso calórico total. A presença de fibras, leguminosas e proteínas pode retardar o esvaziamento gástrico, modular a resposta glicêmica e reduzir a velocidade com que a glicose sobe no sangue. A própria American Diabetes Association recomenda reduzir carboidratos refinados e dar preferência a padrões alimentares mais ricos em fibras e grãos integrais.

 

Quem precisa prestar mais atenção

Embora o arroz branco não precise ser excluído da alimentação da maioria das pessoas, alguns grupos merecem mais cautela:

  • pessoas com resistência à insulina
  • indivíduos com pré-diabetes
  • quem já tem diabetes tipo 2
  • pessoas com obesidade visceral
  • pacientes com esteatose hepática
  • indivíduos sedentários com dieta de alta carga glicêmica

Nesses casos, a frequência, a quantidade e a combinação do arroz branco no prato deixam de ser um detalhe e passam a fazer parte da estratégia terapêutica.

“O arroz branco pode continuar existindo, mas ele precisa ser reposicionado. Em quem já tem vulnerabilidade metabólica, a margem de tolerância é menor”, explica Dr. Gustavo de Oliveira Lima.

Arroz branco todo dia é igual para todo mundo?

Essa é uma das partes mais importantes da conversa. O risco não é igual para todos, porque o metabolismo humano não é igual para todos.

Uma pessoa fisicamente ativa, com boa massa muscular, sono adequado, alimentação equilibrada e sem resistência à insulina responde de um jeito. Outra, sedentária, inflamada, com excesso de gordura abdominal e picos glicêmicos frequentes, responde de outro. O mesmo alimento entra em corpos diferentes e produz efeitos diferentes.

Por isso, a pergunta “arroz branco causa diabetes?” é simples demais para um tema que exige nuance.

O que pode ser feito na prática

Em vez de transformar o arroz branco em inimigo, a estratégia mais útil costuma ser:

  • reduzir a quantidade, quando necessário
  • evitar que ele seja a maior parte do prato
  • associá-lo a feijão, vegetais e proteína
  • alternar com arroz integral e outros grãos
  • melhorar o padrão alimentar como um todo
  • olhar para o contexto metabólico individual

Harvard destaca que substituir ao menos parte dos grãos refinados por grãos integrais pode ajudar a reduzir o risco de diabetes tipo 2. Isso não significa abolir tradições alimentares, mas sim reposicioná-las com mais inteligência.

Existe um equívoco comum na nutrição moderna: culpar um alimento específico por um estilo de vida inteiro.

O arroz branco ganhou esse papel em muitos debates, mas ele raramente é o centro do problema. O que mais pesa é a repetição de um padrão: muito refinado, pouca fibra, pouco movimento, muito ultraprocessado, sono ruim, excesso de peso e metabolismo desorganizado. Nesse cenário, o arroz branco pode se tornar um agravante. Mas não costuma ser o autor principal da história.

Arroz branco todo dia pode, sim, aumentar o risco de diabetes em alguns contextos especialmente quando consumido em excesso, em dietas pobres em fibras e em pessoas com maior vulnerabilidade metabólica. Mas tratar o alimento como vilão isolado é simplificar demais uma questão que depende de frequência, quantidade, composição do prato e saúde metabólica de quem o consome.

“O arroz branco não precisa ser demonizado. O que precisa ser revisto é o padrão alimentar em que ele está inserido. A pergunta certa não é se ele pode aparecer no prato, mas como, quanto e para quem”, resume o Dr. Gustavo de Oliveira Lima.

 

Dr. Gustavo de Oliveira Lima

Médico CRM/SP 207.928

 

Com uma formação sólida em nutrologia e endocrinologia, Dr. Gustavo de Oliveira Lima é reconhecido por sua atuação em emagrecimento saudável e longevidade. Focado em oferecer tratamentos modernos e personalizados, ele utiliza abordagens científicas de ponta para promover saúde integral e bem-estar a longo prazo.




Carne em geral faz mal ao coração? Estudos recentes com idosos desafiam crença e apontam efeito positivo no envelhecimento

 

 

Por décadas, a carne foi tratada como uma das vilãs da saúde, especialmente quando o assunto é colesterol e risco cardiovascular. No entanto, novas evidências científicas começam a desafiar essa visão.

Um estudo recente, Heath and Retirement Study, com mais de 42 mil idosos, reforça um contraponto importante: o consumo adequado de proteína animal pode ser um dos principais aliados do envelhecimento saudável.

De acordo com o médico nutrólogo Dr. Marcio Passos, na prática, os dados mostram que dietas com maior ingestão proteica estão diretamente associadas a ganhos relevantes em três frentes essenciais para a longevidade:

Massa muscular e autonomia

Para o médico, a proteína é fundamental no sentido de prevenir a sarcopenia, condição que pode atingir até 1 em cada 3 idosos acima dos 60 anos, impactando diretamente mobilidade e independência;

Saúde mental e cognitiva

Na opinião dele, o consumo adequado está relacionado à redução do risco de demência, condição que já atinge mais de 55 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS);

Metabolismo mais ativo

Dr. Passos afirma que dietas ricas em proteína contribuem para uma maior taxa metabólica, auxiliando no controle de peso e na composição corporal.

“A associação negativa entre carne e saúde precisa ser contextualizada. Durante muito tempo, a carne foi vista como vilã, principalmente pelo impacto no colesterol. Mas, o que a ciência vem mostrando é que, dentro de uma alimentação equilibrada, a proteína animal é essencial, especialmente para preservar massa muscular, função cognitiva e qualidade de vida com o avanço da idade”, explica ele.

O especialista reforça que o foco do risco cardiovascular está, muitas vezes, em outro ponto da dieta.

“O problema não é a proteína animal em si, mas o excesso de alimentos ultraprocessados e carboidratos refinados, que favorecem processos inflamatórios e desregulação metabólica. Quando ajustamos essa base, a proteína passa a atuar como um combustível de alta eficiência para o organismo”, afirma.

Diante do envelhecimento populacional e do aumento de doenças crônicas, a discussão sobre alimentação ganha ainda mais relevância. Para especialistas, o desafio agora é rever conceitos e alinhar recomendações com base em evidências mais recentes.

“A proteína animal não é inimiga, pelo contrário, pode ser uma grande aliada para envelhecer com saúde, autonomia e melhor desempenho físico e mental”, conclui o médico.

Dr. Marcio Passos

Médico nutrólogo com atuação focada em saúde metabólica, longevidade e performance. Ao longo da carreira, tem se dedicado ao estudo da relação entre alimentação, composição corporal e prevenção de doenças crônicas, com abordagem baseada em evidências científicas e prática clínica. Atua no acompanhamento de pacientes com foco em qualidade de vida, emagrecimento saudável e envelhecimento ativo.




Cirurgias estéticas em tendência: o que você precisa saber antes de aderir

 

 

Alguns procedimentos que prometem resultados rápidos e impactantes frequentemente viralizam, impulsionados por influenciadores e celebridades.

Apesar da popularidade, aderir a essas tendências pode representar um risco considerável, especialmente quando as decisões são tomadas sem critérios ou orientação médica adequada.

Ao optar por um procedimento estético, é fundamental entender que ele não é apenas uma solução rápida para uma mudança de aparência.

As tendências estéticas, como lipoaspiração de alta definição, bichectomias e preenchimentos marcantes, podem ser visualmente atraentes, mas nem sempre são a melhor escolha para todos os pacientes: é importante lembrar que cada caso é um caso.

Cada corpo é único e exige uma abordagem personalizada, respeitando proporções naturais e limitações físicas.

Por que os modismos são perigosos?

Modismos podem ser arriscados, porque, muitas vezes, desconsideram a individualidade dos pacientes e os impactos de longo prazo.

Um exemplo é a busca por características faciais extremamente delineadas, que podem não ser adequadas para determinados formatos de rosto, resultando em desarmonia.

Além disso, procedimentos mal realizados, especialmente em locais que não seguem normas de segurança, podem levar a sequelas graves, como infecções ou cicatrizes permanentes.

A importância de uma avaliação detalhada

Antes de qualquer cirurgia é indispensável passar por uma avaliação clínica minuciosa. Um cirurgião qualificado analisará fatores como saúde geral, expectativas e condições específicas do paciente.

Muitas vezes, o procedimento em alta pode não ser o mais indicado para que seja alcançado o resultado desejado, e o médico pode sugerir alternativas mais seguras e eficazes e que irão fazer sentido.

Os impactos psicológicos de seguir tendências

Seguir tendências estéticas pode afetar o psicológico. Resultados que não atendem às expectativas geram frustração e insatisfação, prejudicando a autoestima e resultando em uma experiência negativa (da qual a solução pode levar um bom tempo para ser encontrada).

Por isso, é importante que os pacientes tenham clareza sobre suas motivações e que busquem mudanças por razões próprias, e não para se encaixar em padrões impostos pelas redes sociais.

Como escolher um profissional capacitado?

Um dos maiores riscos está na escolha do profissional. O fato de os procedimentos serem realizados por pessoas não qualificadas ou em locais que não atendem às normas de segurança aumenta significativamente as chances de complicações.

Pensando nisso, é muito importante verificar se o médico é devidamente registrado em órgãos como Conselho Regional de Medicina (CRM) e se possui experiência comprovada no procedimento desejado.

Decisões fundamentadas em informações são essenciais

Cirurgias estéticas podem oferecer resultados incríveis, mas é essencial que a decisão seja baseada em critérios sólidos, não em tendências passageiras.

Fazer uma avaliação cuidadosa com base nas suas necessidades, consultar profissionais qualificados e entender os impactos do procedimento são passos indispensáveis para garantir segurança e satisfação.

Fonte: Dr. Alexandre Kataoka, Cirurgião Plástico. Perito concursado da Secretaria da Justiça de São Paulo – Instituto de Medicina Social e Criminologia do Estado de São Paulo. Membro Efetivo da Câmara Técnica em cirurgia plástica – CFM. Conselheiro Responsável da Câmara Técnica do Cremesp. Coordenador da Comunicação do Cremesp.




Outono: Ipem-SP orienta sobre o uso de aquecedores e ar-condicionado para economizar na conta de luz

 

A estação do outono, marcada por temperaturas mais amenas, traz consigo um aumento no uso de aquecedores e ar-condicionado. Para isso, o Ipem-SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo), autarquia do Governo do Estado, vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania, e órgão delegado do Inmetro, que tem como objetivo promover a confiança nas relações de consumo, orienta os consumidores sobre a utilização correta destes equipamentos, fornecendo dicas e orientações para o uso consciente e uma compra segura, afinal, o equilíbrio entre conforto, qualidade de vida e consumo de energia elétrica é fundamental para evitar surpresas na hora de pagar a conta.

Eficiência energética ajuda na economia

Para ajudar no consumo racional de energia no país, o Inmetro criou o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence), ferramentas que classificam os eletrodomésticos de acordo com o seu desempenho e a sua eficiência energética, permitindo que o consumidor conheça com precisão o verdadeiro consumo de energia dos produtos e auxilie a decisão na hora da compra. Os plugues dos eletrodomésticos também devem ser certificados e exibir o selo do Inmetro. Equipamentos mais eficientes são mais econômicos para o bolso do consumidor e causam menor impacto ao meio ambiente.

A principal informação presente na etiqueta dos eletrodomésticos é a classificação de eficiência energética, geralmente em escalas que vão de A (mais eficiente) a G (menos eficiente). O consumo de energia apresenta uma estimativa de gasto de energia em kWh (quilowatt-hora), geralmente por mês ou ano, ajudando os consumidores a preverem os custos operacionais.

Considerar as informações das etiquetas do Inmetro é fundamental, mas mudanças de hábito no dia a dia também contribuem para evitar desperdícios e reduzir os gastos com energia elétrica.

Confira dicas e orientações sobre equipamentos de aquecimento e refrigeração

– Antes de comprar, calcule o efeito na economia de energia elétrica. Multiplique a energia consumida pelo aparelho em kWh pela tarifa de energia praticada em cada localidade. Por exemplo, na capital paulista, a média da tarifa residencial está em torno de R$ 0,72 por kWh. Assim, se o aquecedor ou ar-condicionado consome, por exemplo, 600 kWh por ano, o gasto anual será 600 x 0,72, resultando em R$ 432 por ano;

– Na dúvida entre dois modelos, compare o consumo de ambos e dê preferência ao que consome menos energia. Eventualmente, se esse produto for um pouco mais caro, pode ser que a diferença de preço se pague ao longo dos meses pela economia na conta de luz;

– Evite o abre e fecha de portas dos ambientes refrigerados;

– Feche as janelas e isole bem o ambiente para que o ar quente não escape;

– Cortinas e toldos diminuem a incidência de correntes de ar no ambiente, o que também contribui para o isolamento térmico.

– A manutenção preventiva e a utilização adequada do aparelho são fatores cruciais para garantir o desempenho ideal e prolongar a vida útil do seu equipamento. Fazer a limpeza dos filtros regularmente e seguir as instruções do fabricante corretamente evita sobrecarga e desgaste prematuro. Ao adotar essas medidas preventivas, você garante o funcionamento eficiente do seu equipamento por muito mais tempo.

– Nunca deixe o aquecedor ligado sem supervisão, principalmente perto de crianças e animais de estimação. Manter a distância de materiais inflamáveis, como cortinas e móveis, também é fundamental para prevenir acidentes.

– O Inmetro recomenda manter a temperatura dos aparelhos em 23ºC, resultando em uma rápida estabilização e economizando energia.




CANSAÇO QUE PEDE CUIDADO: UM ALERTA PARA A VIDA

 

O cansaço faz parte da vida. Ele chega depois de um dia intenso de trabalho, de uma rotina cheia de compromissos ou até mesmo de momentos de alegria vividos com intensidade. Nesse sentido, é natural. O corpo sente, a mente pede pausa, e o descanso se torna necessário. Esse tipo de cansaço, embora desconfortável, é saudável, pois revela que estamos vivos, ativos e em movimento.

Mas existe um outro tipo de cansaço, mais silencioso e profundo, que merece atenção. É o cansaço das lutas que parecem não ter fim, das responsabilidades que se acumulam, das esperas que se prolongam além do suportável. É aquele desgaste que não se resolve apenas com uma boa noite de sono. Ele atinge o coração, enfraquece a esperança e, aos poucos, pode roubar o sentido da vida.

Quando o cansaço deixa de ser apenas físico e passa a ser existencial, algo precisa ser revisto. Não é normal viver constantemente esgotado por dentro, sem ânimo, sem perspectiva, sem força para sonhar. Muitas vezes, seguimos no automático, tentando dar conta de tudo, ignorando os sinais de que algo não vai bem. E é justamente aí que mora o perigo: o de se perder de si mesmo.

Vivemos em uma cultura que valoriza o excesso, a produtividade sem limites e a ideia de que parar é sinônimo de fraqueza. Mas essa lógica cobra um preço alto. O ser humano não foi feito para viver no limite o tempo todo. Há uma necessidade real de equilíbrio, de pausas, de respiro. Cuidar de si não é egoísmo, é responsabilidade.

Aprender a cuidar de si é, antes de tudo, é reconhecer os próprios limites; é saber dizer “não” quando necessário, reorganizar prioridades, buscar ajuda quando o peso se torna grande demais; é reservar tempo para o descanso verdadeiro, para aquilo que alimenta a alma, para os encontros que fazem bem e para os silêncios que restauram.

Mais do que uma escolha, o autocuidado é uma necessidade urgente. Ele preserva a saúde, protege a esperança e mantém vivos os sonhos. Porque quando a pessoa se cuida, ela se fortalece para continuar enfrentando a vida com mais leveza e sentido.

Se o cansaço está roubando sua paz, talvez seja hora de parar e olhar com mais carinho para si mesmo. Nem tudo precisa ser carregado sozinho, nem tudo precisa ser resolvido de uma vez. Às vezes, o primeiro passo para seguir em frente é simplesmente se permitir descansar e recomeçar. Porque mais vale uma parada estratégica para o descanso que refaz as energias, de cada dia, do que persistir sem fôlego e desistir de tudo e até mesmo da própria vida.

 

PE. Edvaldo Pereira dos Santos




Mês do Livro: veja 7 caminhos para formar leitores na era digital

 

 
 

Com a atenção cada vez mais disputada por telas e conteúdos instantâneos, formar leitores tem se tornado um dos principais desafios de pais e educadores. Em abril, mês em que é celebrado o Dia Mundial do Livro (23/04), especialistas apontam que o caminho não está em combater o ambiente digital, mas em criar estratégias que tornem a leitura relevante, prazerosa e presente na rotina de crianças e adolescentes.

Muito além da alfabetização, o contato com os livros desde a infância é determinante para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Em um cenário marcado pelo avanço das tecnologias e pela redução do tempo dedicado à leitura, incentivar o hábito de ler, com equilíbrio entre o físico e o digital, é essencial para formar indivíduos críticos, criativos e preparados para o futuro.

Veja os conselhos de 16 especialistas sobre o tema:

1. Facilite ao máximo o acesso aos livros

O estímulo precoce à leitura não antecipa a alfabetização formal, mas prepara o cérebro para que esse processo aconteça de forma mais natural e eficiente. Segundo Maria Cardoso, diretora da Educação Infantil do Programa Regular na Escola Móbile, o contato com livros desde cedo contribui para o desenvolvimento do vocabulário, da consciência fonológica e sobretudo do interesse espontâneo pela leitura, o “gosto de ler”.

“Uma criança que tem acesso aos livros desde bebê desenvolve um interesse natural pela alfabetização, e essa motivação é um dos maiores preditores de sucesso. Oralmente, ela produz frases mais completas e entende melhor o que escuta, o que facilita bastante o início da leitura”, afirma. Além dos impactos na infância, o hábito se estende para a vida adulta. Crianças leitoras tendem a se tornar indivíduos mais críticos, com maior capacidade de interpretação, argumentação e articulação de ideias.

2. Comece pela identificação

Para despertar o interesse genuíno pela leitura, é fundamental que os livros dialoguem com o universo do leitor. Laís Martins, coordenadora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Fibonacci Sistema de Ensino, destaca que a leitura deve estar conectada às experiências da criança. “Quando os pais demonstram entusiasmo pelos livros, incentivam naturalmente o gosto pela leitura, já que as crianças aprendem principalmente pela observação”, explica a profissional da educação.

A representatividade também tem papel central nesse processo. De acordo com Fabiana Santana, assessora pedagógica do Líder em Mim, histórias com personagens e contextos familiares ajudam a criança a se reconhecer nas narrativas, fortalecendo autoestima e senso de pertencimento. “Quando a literatura reflete a realidade do pequeno leitor, ela valida suas experiências e transforma a leitura em um exercício de reconhecimento e acolhimento”, afirma a especialista.

Luiz Cláudio de Araujo Pinho, professor de Filosofia e Sociologia e autor da Rede Pitágoras, corrobora essa visão. “Para estimular o hábito da leitura entre crianças e jovens, é fundamental criar experiências envolventes, como a leitura de trechos marcantes, a conexão com filmes e temas atuais, além de promover espaços de troca, como podcasts e o contato frequente com autores e ambientes literários”, diz ele.

3. Envolva a família e dê o exemplo 

A formação de leitores críticos depende também de uma atuação conjunta entre família e escola. Para Beatriz Tostes, coordenadora da Biblioteca da Beacon School, o exemplo dentro de casa é determinante. “Quando crianças e jovens observam o consumo literário por prazer, o livro deixa de ser um objeto distante e se torna um mediador de diálogos”, afirma a profissional.

Rosane Cesari, coordenadora de Língua Portuguesa do Colégio Rio Branco, reforça que o desafio atual não é eliminar as telas, mas equilibrar o consumo. “A família é a base afetiva da leitura. Se a criança não vê os pais lendo, dificilmente entenderá o livro como fonte de prazer”, diz ela. Cesari também alerta para a necessidade de diferenciar a leitura superficial — comum nas redes sociais –, da leitura profunda, que exige concentração e desenvolve a capacidade de pensamento crítico.

4. Não elimine o digital, mas o integre 

Especialistas concordam que o ambiente digital pode e deve ser incorporado ao processo de formação de leitores. Jalman Lima, gestor de Negócios Acadêmicos da Casio Educação, explica que o desafio é manter a leitura relevante no contexto atual. “O digital amplia o acesso, facilita a descoberta de obras e multiplica as formas de contato com o texto”, afirma.

Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, destaca que o uso consciente da tecnologia deve ser ensinado. “Começamos com o livro físico para desenvolver o hábito e, depois, introduzimos a leitura no ambiente digital, mostrando que a tecnologia também pode ser ferramenta de aprendizagem”, explica.

Na mesma linha de pensamento, Vinícius Fernandes, assessor pedagógico do programa de educação bilíngue da SOMOS Educação, Eduall, aponta que integrar livros ao universo digital pode aumentar o interesse dos jovens, inclusive em outros idiomas. “O alcance da leitura virtual é enorme, pode-se encontrar livros de diversos assuntos e idiomas. Para prática do bilinguismo, em muitos desses dispositivos é possível utilizar ferramentas que ajudam na definição de palavras e até mesmo na pronúncia”, afirma ele.

Já para Talita Fagundes, gerente pedagógica da plataforma par, a educação midiática amplia o conceito de leitura. “Hoje, ler também significa interpretar imagens, vídeos e narrativas digitais, compreendendo seus contextos e intenções”, destaca.

5. Respeite a faixa etária e escolha livros adequados para cada momento

A escolha adequada das obras é essencial para manter o interesse ao longo do desenvolvimento. Especialistas do grupo editorial Multiverso das Letras explicam que, nos primeiros anos, os livros estimulam conexões neurais e o desenvolvimento da linguagem, enquanto entre os 4 e 6 anos as obras devem equilibrar ludicidade e aprendizado. A partir dos 7 anos, as narrativas mais complexas ajudam a desenvolver autonomia e pensamento crítico. Já na pré-adolescência, temas como identidade, diversidade e questões sociais passam a ganhar relevância.

Alessandra Santos, pedagoga e gerente pedagógica na Amplia Plataforma de Ensino, ressalta que não basta considerar apenas a idade. “É fundamental observar o repertório cultural e as experiências da criança. Um bom livro é aquele que provoca curiosidade e convida à reflexão”, afirma. Thiago Braga, autor de língua portuguesa do Sistema de Ensino pH, complementa que o desalinhamento entre livro e maturidade pode prejudicar o hábito. “Quando o conteúdo está muito além ou aquém da capacidade de compreensão, a leitura pode gerar frustração ou desinteresse”, comenta ele.

6. Incentive: concursos e prêmios de literatura podem motivar futuros escritores 

Estratégias como clubes de leitura, debates e até concursos literários podem estimular o engajamento, desde que não sejam centrados apenas na competição. Para Vinicius de Paula, diretor do Colégio Liceu Paster Start Trilingual School, o foco deve estar no processo. “As iniciativas precisam ser apresentadas como desafios positivos, priorizando o desenvolvimento da leitura e da escrita”, afirma ele.

É nessa lógica que iniciativas do próprio mercado editorial têm buscado ir além da publicação para se aproximar da formação de leitores e escritores. Um exemplo é o Prêmio Multiverso de Literatura, criado pelo grupo editorial Multiverso das Letras como forma de incentivar a produção literária e entender melhor os novos perfis de leitores no país.

Para Nicolau Youssef, diretor-executivo do grupo, oferecer uma premiação dedicada à literatura também é uma forma de reafirmar seu valor cultural. “Não queremos ser entendidos apenas como fazedores de livros; queremos compreender melhor quem são as pessoas que estão consumindo nossos livros, tanto no público geral quanto dentro das escolas. O prêmio Multiverso de Literatura veio também para isso”, afirma.

7. Leitura é prazer, não obrigação

Associar a leitura apenas a demandas escolares pode gerar rejeição ao hábito. Jessica Lindhorst, professora do 1º ano e Líder dos anos iniciais do Ensino Fundamental I na The British College of Brazil, escola internacional em São Paulo, reforça que o incentivo deve vir acompanhado de liberdade de escolha. “Permitir que crianças e adolescentes escolham o que desejam ler é essencial para tornar o hábito consistente”, afirma a educadora.

Eduardo Calbucci, autor do Sistema Anglo de Ensino, destaca que o interesse pela leitura começa pela identificação com o conteúdo e evolui gradualmente. Ele indica que crianças do Ensino Fundamental I, por exemplo, tendem a ser atraídas por obras que as levem ao mundo da fantasia. “A literatura é um dos territórios da ficção, que projeta o leitor a novos mundos e mostra realidades diferentes da cotidiana. A possibilidade de experimentar sensações por meio das obras literárias estimula o hábito de ler”, destaca. “Ninguém começa a ler por meio de grandes clássicos. O leitor se forma aos poucos, aumentando o nível de complexidade ao longo do tempo”, conclui.




Sebrae busca “negócios do futuro” entre estudantes. Saiba como participar do Supernova

 

 

Estudante de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Danilo Kennedy viveu uma experiência transformadora ao conseguir tirar do papel uma ideia de negócio. Ele e sua equipe Emotech criaram um crachá inteligente de comunicação alternativa para estudantes autistas não verbais. Para desenvolver o “Semáforo Emocional”, eles contaram com o apoio do Supernova, programa gratuito do Sebrae.

“Por meio de mentorias e conteúdos, consegui desenvolver uma visão mais voltada para inovação, pesquisa e empreendedorismo, o que contribuiu diretamente para a minha formação e a forma como enxergo as oportunidades e a universidade”, comenta Danilo.

A solução potiguar venceu a etapa estadual e se classificou para a final do Supernova, que impulsiona o desenvolvimento de habilidades e a ideação de negócios inovadores de estudantes do ensino superior de todo o país. A iniciativa segue com as inscrições abertas até 4 de maio, neste link.

“O Supernova nasce com o propósito de juntar ideias inovadoras de alunos de graduação, juntamente com o Sebrae e os professores desses alunos, e criar, possivelmente, negócios portadores do futuro, que buscam soluções para problemas atuais”, afirma Paulo Puppin, coordenador de Projetos para Startups do Sebrae.

Como prêmio, a equipe Emotech participou de uma missão que incluía visitas ao Formô Hub, ao Tecnopuc e ao South Summit, em Porto Alegre (RS). “Acredito que outros jovens devem participar porque o Supernova permite viver, de fato, a inovação que tanto se comenta. É uma oportunidade de sair da teoria e assumir o protagonismo das próprias ideias, desenvolvendo soluções reais e criando conexões importantes”, convida Danilo.

Inscrições

As inscrições para a primeira temporada do Supernova em 2026 terminam em 4 de maio. Os melhores projetos de cada temporada – que será dividida em três neste ano – poderão receber premiações que somam mais de R$ 100 mil. No fim do ano, os melhores terão a chance de participar de viagens nacionais e internacionais com tudo pago, totalizando mais de R$ 1,5 milhão em prêmios.

Como funciona?

O Sebrae Supernova é uma iniciativa proposta pelo Sebrae, realizada no formato híbrido (presencial e a distância), para estudantes da Educação Superior. Os alunos deverão formar equipes de duas a cinco pessoas, preferencialmente com um professor orientador.

Os participantes inscritos passarão por uma trilha de capacitação, com materiais disponibilizados por central de relacionamento e plataforma on-line assíncrona. Os conteúdos englobam desenvolvimento de competências empreendedoras, validação de negócios, marketing, criação de Produto Mínimo Viável, vendas, sustentabilidade financeira, construção e apresentação de pitches.

Além disso, as equipes terão mentorias coletivas e individuais para que possam entregar um modelo de negócio em canvas e um vídeo pitch. A metodologia do Supernova foi concebida para integrar elementos de aprendizagem ativa, educação empreendedora e inovação, conectando teoria e prática na formação dos estudantes.

Em 2025, o Sebrae realizou o Supernova em parceria com o Ministério da Educação (MEC). Foram 3.047 estudantes inscritos, organizados em 1.174 equipes de todo o país. A estratégia é alinhada ao Programa Nacional Educação que Transforma e ao Programa Nacional Impulso Tecnológico, ambos do Sebrae.




Mandíbula travada, estalos e dor ao mastigar: o que esses sinais dizem sobre estresse e excesso de telas

 

Foto Profissional. (Crédito: pexels.com)

Dor ao mastigar, estalos ao abrir a boca, sensação de cansaço na face, travamentos repentinos e desconforto que se espalha para ouvido, cabeça e pescoço costumam ser vistos como incômodos passageiros. Mas esse conjunto de sinais pode indicar algo maior: uma sobrecarga na articulação temporomandibular, a ATM, estrutura responsável por movimentos essenciais como falar, mastigar, bocejar e engolir.

Especialistas observam que esse tipo de queixa tem aparecido cada vez mais associado a uma combinação típica da vida atual: estresse persistente, bruxismo, má postura, excesso de telas e dificuldade real de desacelerar. Quando esses fatores se acumulam, a mandíbula passa a funcionar sob tensão constante e começa a dar sinais que nem sempre recebem a devida atenção.

Para a fisioterapeuta e mestre em Ciências Médicas Dra. Mariana Milazzotto, a ATM está entre as regiões do corpo que mais sentem os efeitos da rotina acelerada. “A mandíbula é muito sensível à forma como a pessoa vive. Estresse, cabeça projetada para frente, noites ruins, apertamento dentário e repetição de hábitos da boca criam um quadro de sobrecarga que o corpo nem sempre consegue compensar sem sintomas”, afirma.

Segundo ela, o processo costuma começar de forma discreta. O primeiro sinal pode ser um clique ao abrir a boca, uma rigidez ao acordar ou um desconforto leve ao mastigar. Com o tempo, porém, esse incômodo pode evoluir para dor persistente, limitação de movimento, alteração na mordida e episódios de travamento.

“Nem todo estalo significa gravidade, mas quando ele se repete e vem acompanhado de dor, cansaço ao mastigar ou sensação de rigidez, a articulação já está mostrando que algo não vai bem”, diz Mariana.

A especialista explica que a ATM não funciona sozinha. Seu desempenho depende do equilíbrio entre face, pescoço, ombros e respiração. Isso ajuda a entender por que hábitos posturais ligados ao uso prolongado de celular e computador podem influenciar tanto no problema. “Quando a cabeça fica muito para frente, a cervical entra em sobrecarga e a musculatura da face também muda de comportamento. Isso favorece tensão, menos estabilidade e mais desgaste na articulação”, afirma.

Outro fator importante é o bruxismo, condição em que a pessoa aperta ou range os dentes, muitas vezes sem perceber. Esse esforço repetitivo pode acontecer durante o sono ou ao longo do dia e costuma estar ligado a ansiedade, estresse acumulado e dificuldade de relaxar. Não por acaso, dor na mandíbula, dor de cabeça, fadiga facial e sensação de cansaço ao despertar costumam aparecer juntas.

Além disso, alguns hábitos do cotidiano contribuem para manter a ATM sob esforço constante, como morder caneta, roer unha, mascar chiclete com frequência, apoiar o queixo com a mão e forçar a abertura da boca em bocejos ou mordidas grandes.

Para a psicóloga clínica Dra. Mirela Borges, especialista em burnout e esgotamento profissional, o pano de fundo desse quadro vai além de episódios isolados de estresse. “O que aparece em muitos casos é um estilo de vida que mantém o corpo em estado de alerta constante. A pessoa passa o dia sendo estimulada por notificações, informação em excesso, cobrança, comparação e velocidade. O cérebro não encontra tempo para processar, desacelerar e realmente descansar”, afirma.

Segundo Mirela, o problema não está só no tempo de tela, mas no padrão de ativação que ele ajuda a sustentar. “O corpo deixa de alternar de forma saudável entre ativação e repouso. Ele continua ligado mesmo quando a pessoa tenta relaxar. E, quando esse padrão se torna crônico, a tensão começa a aparecer fisicamente: ombros contraídos, respiração curta, mandíbula pressionada”, diz.

Na avaliação da psicóloga, esse ciclo é cada vez mais comum e muitas vezes passa despercebido. “A pessoa acorda e já pega o celular, atravessa o dia em atenção fragmentada, emenda tarefas sem pausa real e, quando tenta descansar, continua se estimulando com mensagens, vídeos e redes sociais. Ela até para, mas não desacelera. O organismo permanece em vigilância”, afirma.

Com o tempo, esse padrão pode transformar a dor em um sinal de esgotamento mais amplo. “Dor, tensão e pequenos travamentos não são exagero nem fraqueza. São respostas coerentes de um organismo submetido a ativação constante, sem espaço suficiente de recuperação. Em muitos casos, mais do que tratar o sintoma, é preciso olhar para o ritmo em que a pessoa está vivendo”, diz Mirela.

Para Mariana Milazzotto, um dos principais problemas é a banalização desses sinais. “Há muita gente convivendo com dor ao mastigar, estalos, dor de cabeça e travamentos pequenos como se isso fosse normal. Não é. O corpo pode compensar por algum tempo, mas quando a articulação começa a emitir sinais repetidos, o ideal é investigar antes que o quadro se torne crônico”, afirma.

Os sinais de alerta mais importantes incluem travamento da boca aberta ou fechada, dor aguda que impede mastigar ou falar, mudança súbita na mordida e sensação de desalinhamento. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento especializado e evitar qualquer tentativa caseira de forçar a mandíbula.

“Pedir para alguém ‘colocar no lugar’ ou insistir na abertura da boca pode agravar o problema. A ATM é uma articulação delicada, próxima de músculos, ligamentos e nervos importantes”, diz Mariana.

Até a avaliação profissional, algumas medidas simples podem ajudar a conter a piora do quadro, como evitar mastigação forçada, não insistir na abertura ou no fechamento da boca, relaxar ombros e pescoço, usar compressa morna na lateral do rosto e tentar desacelerar a respiração. O tratamento depende da causa, da intensidade dos sintomas e do tempo de evolução, podendo envolver reorganização de hábitos, fisioterapia e, quando necessário, atuação conjunta com o dentista.

Na fisioterapia, explica Mariana, o objetivo é identificar o que levou a articulação à sobrecarga e o que está mantendo esse padrão. “Nem sempre a origem da dor está na mandíbula. Às vezes, ela está em uma cervical rígida, em um padrão postural repetido, em tensão sustentada ao longo do dia ou em hábitos que o paciente já nem percebe. O tratamento não é apenas aliviar a dor, mas ensinar o corpo a funcionar com mais eficiência e menos compensação”, afirma.

Prevenir novos episódios, segundo a especialista, depende menos da busca por uma postura perfeita e mais da redução de excessos. Dormir melhor, regular o estresse, rever hábitos repetitivos da boca, respeitar os limites da articulação e procurar avaliação ao primeiro sinal de piora são medidas que ajudam a interromper a progressão do quadro.

 

 

Sobre a Dra. Mariana Milazzotto

Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, mestre em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. É referência no Brasil por sua abordagem humanizada e baseada em evidências científicas.

 

Sobre a Dra. Mirela Borges

Psicóloga clínica, especialista em burnout e esgotamento profissional (CRP 01/21968). Atua no acompanhamento de pacientes em processos de sobrecarga emocional, auxiliando na reconstrução de sentido, identidade e qualidade de vida.




Dietas da moda funcionam mesmo? Médica explica o que é mito e o que pode fazer mal

 

Jejum intermitente, low carb e detox continuam entre as dietas mais procuradas por quem quer emagrecer. Populares nas redes sociais, essas estratégias costumam ganhar força pelas promessas de resultado rápido, mas nem sempre são sinônimo de saúde.

Para a Dra. Mariana Wogel, especialista em nutrologia e medicina integrativa, o principal erro é adotar métodos restritivos sem considerar as necessidades do corpo e a possibilidade de manter a estratégia no longo prazo.

“Nem toda dieta que gera perda de peso inicial representa um processo saudável. Muitas vezes, a pessoa até emagrece, mas perde energia, massa muscular e entra em um ciclo de restrição e efeito rebote”, afirma.

Veja abaixo o que é mito e o que é verdade sobre algumas das dietas mais conhecidas do momento.

Jejum intermitente acelera o metabolismo?

Depende.

O jejum intermitente pode ajudar algumas pessoas no controle do apetite e na organização alimentar. Em alguns casos, também pode favorecer a sensibilidade à insulina.

Mas a estratégia não serve para todo mundo. Longos períodos sem comer podem provocar irritabilidade, cansaço, compulsão e queda de rendimento.

Low carb emagrece mais rápido?

Depende.

A redução de carboidratos pode levar a uma perda de peso inicial. No entanto, isso não significa que o resultado será duradouro.

Além disso, cortes exagerados podem causar fadiga, ansiedade, irritabilidade, insônia e piora no desempenho físico. Segundo a especialista, o erro está em transformar o carboidrato em vilão.

Detox elimina toxinas do corpo?

Mito.

O corpo já tem mecanismos naturais para eliminar substâncias, com atuação de órgãos como fígado, rins e intestino.

Segundo a Dra. Mariana, um suco ou uma dieta detox não eliminam toxinas de forma isolada nem produzem esse efeito quase imediato que costuma ser prometido nas redes. “O que uma alimentação equilibrada faz é dar mais suporte nutricional para que o fígado funcione melhor e tenha condições adequadas de exercer seu papel na eliminação de substâncias. Não existe solução mágica em forma de suco ou protocolo rápido”, diz.

Para a médica, o que realmente ajuda é um padrão alimentar mais equilibrado, com menos ultraprocessados e maior presença de alimentos naturais, fibras, hidratação e regularidade na rotina.

Comer de 3 em 3 horas ajuda a emagrecer?

Mito.

Não há uma regra única para todos os casos. O intervalo ideal entre refeições varia de acordo com a rotina, a fome e a adaptação de cada pessoa.

O mais importante, segundo a especialista, é evitar extremos e manter um padrão alimentar possível de sustentar.

Dietas restritivas fazem mal?

Podem fazer, sim.

Planos muito restritivos podem causar cansaço, queda de cabelo, perda de massa muscular, compulsão alimentar, irritabilidade e efeito sanfona.

“O emagrecimento saudável precisa preservar a saúde metabólica, a disposição e a qualidade de vida. Não basta perder peso; é preciso sustentar o resultado com equilíbrio”, afirma a médica.

Como reconhecer um plano alimentar saudável?

Segundo a Dra. Mariana Wogel, alguns sinais ajudam a identificar uma estratégia mais segura:

  • equilíbrio entre proteínas, carboidratos e gorduras saudáveis;
  • maior presença de alimentos naturais;
  • menos radicalismo;
  • possibilidade de manter a rotina no longo prazo;
  • acompanhamento profissional.

“Constância e equilíbrio continuam sendo mais eficientes do que promessas rápidas e restrições extremas”, conclui.

 

Sobre a Dra. Mariana Wogel

Médica nutróloga, especialista em Nutrologia pela ABRAN/AMB, com atuação em saúde feminina, emagrecimento, fertilidade e medicina integrativa. Autora de dois livros e criadora do Programa Ser Livre, atende em Três Rios e Itaipava com foco em cuidado integral, acompanhamento contínuo e saúde da mulher em diferentes fases da vida.

 




Botox a longo prazo causa flacidez? Especialista esclarece mitos sobre o uso contínuo da toxina botulínica

A percepção de flacidez após o uso do botox costuma estar relacionada a outros fatores do envelhecimento. (Imagem: Divulgação)

O uso da toxina botulínica, popularmente conhecida como botox, se consolidou como um dos procedimentos estéticos mais realizados no mundo. Apesar da ampla utilização e dos resultados comprovados na suavização de rugas de expressão, ainda circulam dúvidas sobre seus efeitos a longo prazo, especialmente a ideia de que aplicações frequentes poderiam deixar a pele flácida com o passar do tempo.

Segundo a cirurgiã-dentista pós-graduada em Harmonização Orofacial, Dra. Adriana Fabres, essa associação não tem fundamento científico. “O botox age no músculo, não na pele. Ele bloqueia temporariamente a contração muscular responsável pelas rugas de expressão, como as da testa e ao redor dos olhos. Portanto, não há mecanismo que leve à flacidez cutânea”, explica.

A especialista destaca que a toxina botulínica tem efeito temporário, com duração média de três a seis meses, a depender da pessoa e que, após esse período, a musculatura retoma gradualmente sua atividade normal. “Quando o efeito passa, o rosto volta ao seu funcionamento habitual. Não existe ‘piora’ da pele por causa do botox. O que pode acontecer é o paciente perceber novamente as rugas que estavam suavizadas quando o efeito passar”, afirma.

De onde vem o mito da flacidez?

A percepção de flacidez após o uso do botox costuma estar relacionada a outros fatores do envelhecimento, como perda natural de colágeno, alterações hormonais e redução da sustentação da pele. “Esses processos acontecem independentemente do uso da toxina botulínica. Muitas vezes, o paciente associa a mudança ao procedimento, quando, na verdade, faz parte do envelhecimento natural”, esclarece a Dra. Adriana.

 

Outro ponto importante, segundo a especialista, é a técnica de aplicação. Doses excessivas ou mal indicadas podem gerar resultados artificiais ou sensação de “peso” em determinadas áreas, o que pode ser confundido com flacidez. “Por isso, a avaliação individual e o planejamento são fundamentais. O objetivo é sempre preservar a naturalidade e o equilíbrio facial”, reforça.

Como o botox age e quais são suas indicações

A toxina botulínica atua na comunicação entre o nervo e o músculo, impedindo que o músculo se contraia de forma intensa. Isso reduz a formação das chamadas rugas dinâmicas, que aparecem com movimentos repetitivos, como franzir a testa ou sorrir. “Ele não preenche, não estica a pele e não altera a estrutura do rosto. A ação é exclusivamente muscular”, pontua a Dra. Adriana.

Segundo a especialista, o procedimento é indicado principalmente para suavizar linhas de expressão e também pode ter aplicações terapêuticas, como no tratamento de bruxismo e hiperatividade muscular. Além disso, o uso preventivo tem sido cada vez mais discutido, com o objetivo de evitar que as rugas se tornem mais profundas ao longo do tempo.

Quando bem indicado e aplicado por profissional habilitado, o botox tende a preservar a qualidade da pele justamente por reduzir a repetição dos movimentos que marcam a face. “Ao diminuir a contração muscular ao longo dos anos, conseguimos evitar que a pele seja constantemente ‘dobrada’, o que contribui para um envelhecimento mais suave”, explica a especialista.

Dicas para resultados naturais e progressivos

A especialista reforça ainda que a aplicação da toxina botulínica deve ser sempre orientada por um profissional habilitado, com planejamento individualizado e foco em resultados naturais e progressivos. Para isso, a Dra. Adriana Fabres orienta:

  • Procurar profissional com formação específica e registro ativo no conselho;
  • Respeitar os intervalos entre as aplicações, evitando excessos;
  • Alinhar expectativas e objetivos antes do procedimento;
  • Seguir corretamente as orientações no pós-aplicação;
  • Evitar comparações com resultados de outras pessoas;
  • Associar o botox a cuidados com a pele, como proteção solar e skincare;
  • Realizar avaliações periódicas para ajuste do plano de tratamento.