MEDITAR COM JESUS 

                                                                                 

Filhos, alimentemos a nossa alma com as palavras do Evangelho de Nosso Senhor.

Aquele que lê e medita nos ensinos de Jesus, e faz isso de maneira constante,            fortifica-se espiritualmente, adquirindo sabedoria e resistência moral para transpor quaisquer obstáculos que surjam no caminho.

Esforcemo-nos para o estudo permanente da mensagem evangélica, e, se fizermos isso com amor, humildade e devotamento, lograremos atingir, ainda que de forma rudimentar, os raios emanados do incomensurável psiquismo de Jesus, sorvendo incontáveis bênçãos em nossa caminhada.

Meditar com Jesus é dialogar diretamente com o Divino Amigo de nossas vidas.

E isso está acessível a todos nós, filhos amados.

Jesus está cada vez mais próximo de nós, mais do que supomos.

Mas será que estamos também nos aproximando dele?

BEZERRA DE MENEZES

Do livro “Recados do meu Coração” – Psicografia: José Carlos De Lucca

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ANTES DE JULGAR, OLHE PARA DENTRO

ANTES DE JULGAR, OLHE PARA DENTRO

 

Vivemos tempos de julgamento instantâneo. Basta um vídeo, uma frase fora de contexto ou uma acusação não comprovada para que uma pessoa seja condenada pela opinião pública em minutos. As redes sociais viraram praças de execução simbólica, onde qualquer um pode ser réu, juiz e algoz ao mesmo tempo.

É preciso dizer com clareza: a possibilidade de erro ou pecado, que acompanha toda pessoa humana, não faz de ninguém alguém mau por natureza ou por índole. Errar faz parte da condição humana. Todos nós, sem exceção, já erramos, já pecamos, já fomos fracos diante de alguma escolha. Isso é inegável. E, justamente por isso, cada um é responsável pelas consequências dos próprios atos.

Mas responsabilidade não é sinônimo de linchamento. Ser passível de erro não autoriza ninguém a sofrer execração pública, seja física, seja digital. Antes de qualquer tribunal humano, existe algo mais antigo e mais sagrado: a presunção de inocência. Existe também a possibilidade, sempre presente, de que a acusação seja fruto de mentira, exagero ou calúnia. Quantas reputações já foram destruídas por informações que depois se mostraram falsas? Quantas vidas foram arruinadas por julgamentos precipitados, feitos antes de qualquer apuração séria?

Há uma verdade incômoda que precisamos encarar: qualquer pessoa, um dia, pode estar diante do julgamento de todos. Hoje pode ser aquele nome que circula nas redes, amanhã pode ser o nosso. A pergunta que deveria nos acompanhar antes de compartilhar, comentar ou condenar é simples: e se fosse eu?

Por isso, cuidemos para não colocar lenha na fogueira. Cuidemos para não inflamar o ódio alheio com curtidas, comentários e compartilhamentos irrefletidos. A internet tem memória longa e coração curto: esquece a apuração, mas não esquece a acusação.

Preservar a dignidade e o respeito à pessoa humana não é fraqueza, é justiça verdadeira. A verdadeira justiça não se contenta em punir rápido; ela busca a verdade com paciência, ouve todos os lados e reconhece que todo ser humano, por maior que seja seu erro, continua sendo digno de respeito.

Isso não significa fechar os olhos diante do mal. Significa distinguir entre exigir justiça e praticar vingança disfarçada de indignação. A justiça caminha com a lei; a vingança caminha com a multidão e a pressa.

Que possamos aprender a julgar menos e compreender mais, a apurar antes de acusar, a agir com a mesma misericórdia que gostaríamos de receber caso um dia fôssemos nós os julgados.

 

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS




EU, O OUTRO E O RESPEITO MÚTUO

 

Já reparou como é fácil cair na armadilha de medir o próprio valor pela comparação? Em um mundo veloz e competitivo, muitas vezes surge a tentação silenciosa de buscar validação no erro alheio ou de sentir uma ilusória segurança quando alguém falha. No entanto, quando a nossa satisfação precisa da desaprovação do outro para existir, vale a pena pausar e perguntar com carinho: qual é a real fonte da nossa caminhada?

O que realizamos ganha um significado muito mais bonito e duradouro quando nasce do nosso desejo sincero de servir, construir e evoluir, e não da tentativa de superar, ofuscar ou diminuir quem caminha ao nosso lado.

Quando a afirmação pessoal depende do rebaixamento do próximo, vive-se sob a sombra de uma dependência invisível e cansativa. É o que a filosofia chama de moral reativa: um estado frágil em que a pessoa só se sente forte se houver alguém fragilizado por perto.

Nesse movimento, busca-se uma autoridade que não se sustenta, um papel de modelo sem a devida maturidade e uma liderança que não inspira confiança genuína. Impor-se sobre os outros pode até gerar uma sensação passageira de controle, mas raramente constrói pontes verdadeiras, laços afetivos profundos ou paz interior.

A verdadeira grandeza humana não precisa de palcos erguidos sobre os escombros da dignidade alheia.

Olhar para essa dinâmica com honestidade e sem julgamentos é o primeiro passo para uma transformação profunda e libertadora.

A autoconsciência crítica não serve para nos culpar, mas para nos emancipar de velhos padrões. Ela nos convida a cultivar parâmetros próprios de excelência, pautados pela integridade, pela ética do cuidado e pela busca contínua de sermos melhores do que fomos ontem.

Quando se descobre o próprio valor, o sucesso do outro deixa de ser visto como uma ameaça e passa a ser motivo de celebração conjunta no convívio comunitário.

A verdadeira libertação do ser humano se consolida no respeito profundo ao diferente. Compreender que cada pessoa carrega uma história única, repleta de luzes, aprendizados e dores, amplia de forma generosa a nossa visão de mundo e fortalece o tecido social.

Quem se acolhe e se conhece não sente a necessidade de dominar, apontar dedos ou julgar. Pelo contrário, abre espaço para a empatia, cultiva a escuta atenta e descobre que a autoridade mais bonita, transformadora e duradoura é aquela que nasce do exemplo silencioso, da simplicidade e do respeito irrestrito à jornada de cada um.

 

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS




CORAGEM

 

      Não percas a esperança ante as sombras da estrada.

Provações aparecem? Silencia e trabalha.

Carência de recursos? Deus nos supre de forças.

Inquietações à frente? O amparo vem de Deus.

Pensa na paz dos Céus, sobre a tormenta em fúria.

Coragem!… Serve e segue. Deus nos sustentará.

                                                                EMMANUEL

Do livro “Espera Servindo” – Psicografia: Francisco Cândido Xavier – Editoras FEB e CEU

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Longevidade saudável é a nova tendência na área da estética

 

Imagem: Magnific

A busca por traços perfeitos está dando lugar a um novo momento global: o rejuvenescimento consciente ou a reversão de procedimentos estéticos. O movimento, que começou no exterior impulsionado por celebridades, já chegou ao Brasil e ao Paraná.

É o que garante a biomédica Karla Malachoski, especialista em biomedicina estética e mestre em Biotecnologia. Segundo ela, durante anos ocorreu uma grande valorização de intervenções que modificavam as características individuais, especialmente no rosto. Na atualidade, ela observa uma atitude diferente: o paciente continua procurando o setor, mas quer que o resultado seja cada vez menos perceptível como algo “realizado”.

Na percepção da especialista — que integra as comissões de ética e de estética do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6) -, é cada vez maior a procura pela naturalidade, pela preservação dos traços pessoais e pela qualidade da pele.

“Muitos pacientes desejam corrigir ou reverter excessos feitos anteriormente. A estética está deixando de ser associada à transformação para assumir um papel de cuidado, prevenção e envelhecimento saudável. Naturalidade passou a ser sinônimo de sofisticação”, enfatiza a biomédica.

 

Mudança comportamental  

Karla observa que existe um grande salto conceitual quando se compara a busca pelo rejuvenescimento a qualquer custo e a longevidade saudável.

O rejuvenescimento desenfreado parte da ideia de que envelhecer é algo que precisa ser combatido ou escondido. Já a longevidade saudável entende a maturação como um processo natural e procura fazer com que ela aconteça da melhor maneira possível.

Na saúde estética, argumenta, longevidade significa preservar identidade, função, proporções e qualidade tecidual. “Não precisamos buscar um rosto de 30 anos em uma pessoa de 60. Precisamos olhar para aquele ser humano e pensar em como podemos ajudá-lo a envelhecer bem, respeitando sua anatomia, sua experiência de vida e sua história.”

“É por isso que, atualmente, a biomedicina fala mais em saúde da pele, estímulo de colágeno, regeneração tecidual, prevenção e tratamentos personalizados do que simplesmente em adicionar volume ou apagar as marcas do tempo”, explica.

A personalização no atendimento é um dos pontos-chave no cenário atual, uma vez que duas pessoas com 40 anos podem ter necessidades completamente diferentes.

Assim, argumenta a biomédica esteta, além de todo conhecimento científico e técnico, o profissional precisa saber ouvir e compreender o paciente, auxiliando com orientações na tomada de decisões.

“Não podemos ignorar a influência social. Redes sociais, filtros, inteligência artificial e padrões estéticos digitais criaram uma exposição intensa à própria imagem. Isso pode levar pessoas cada vez mais jovens a procurar intervenções sem uma indicação real”, complementa.

Mercado em expansão

Dados do Sebrae indicam que o setor de estética e cuidados pessoais movimentou R$ 242,3 bilhões no Brasil em 2025, crescendo 11,2% em um ano. Já o segmento de franquias de Saúde, Beleza e Bem-Estar movimentou R$ 74,3 bilhões no mesmo período, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Do ponto de vista da especialista, esse avanço expressivo demonstra que beleza, autocuidado e bem-estar passaram a ocupar um espaço relevante na vida da população, ao mesmo tempo que o setor caminha para um momento de maior maturidade.

“Para os biomédicos, especialmente no Paraná, isso significa ampliação das oportunidades, mas também aumento da responsabilidade. Quanto maior o segmento, maior a necessidade de profissionais tecnicamente preparados, éticos e comprometidos com a segurança”, destaca.

Segundo ela, o diferencial do profissional não está mais em oferecer um serviço isolado, porque tecnologias e produtos estão cada vez mais acessíveis. “O diferencial está na formação, no raciocínio clínico, na capacidade de avaliar corretamente, na personalização do tratamento e na entrega de resultados seguros e naturais. Vejo essa expansão de maneira muito positiva, desde que venha acompanhada de atualização e qualificação profissional”, observa a biomédica.

Atenta às questões éticas que envolvem a área, Karla Malachoski é enfática ao dizer que não basta abrir uma clínica ou oferecer um protocolo que está em alta. “O paciente está mais informado, existe maior concorrência e o mercado começa a selecionar negócios que conseguem unir gestão, segurança, experiência do cliente, qualificação técnica e resultados consistentes”, pontua.

Fortalecimento do setor

Nos dias 11 e 12 de setembro, Foz do Iguaçu receberá simultaneamente o I Congresso Paranaense de Biomedicina Estética e o III Congresso Acadêmico de Biomedicina, no Recanto Cataratas Resort Convention. O evento vai reunir profissionais, acadêmicos, pesquisadores e especialistas. A realização é da Associação dos Biomédicos do Paraná, com apoio do CRBM6 e do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM).

A programação terá mais de 30 horas de conteúdo e envolve atualização científica, novas tecnologias, produção acadêmica e diferentes temas da Biomedicina. Na estética, haverá minicursos práticos, incluindo Perfiloplastia com Live Injection e Toxina Botulínica + Preenchedores, além de palestras e discussões voltadas às tendências e à inovação da área.

O encontro representa um espaço de integração entre ciência, prática profissional, formação acadêmica e valorização da categoria. Cerca de 58 mil biomédicos atuam na área da estética no Brasil. No Paraná, são 3833 profissionais devidamente registrados e fiscalizados pelo CRBM6.




Prevenção ao suicídio exige olhar para sinais que antecedem a crise

 

Foto: FreePik

Setembro volta a colocar a prevenção do suicídio no centro do debate público, mas o desafio ultrapassa a campanha anual. O suicídio é um fenômeno complexo, atravessado por fatores emocionais, sociais, econômicos, familiares, culturais e de saúde. Por isso, a prevenção não se resume a uma mensagem de otimismo: envolve reconhecer sofrimento, ampliar vínculos, reduzir o estigma e garantir acesso rápido a atendimento adequado.

O calendário ganhou status legal no Brasil em 2025. A Lei nº 15.199 instituiu a campanha Setembro Amarelo em todo o país, com ações anuais de prevenção da automutilação e do suicídio. A norma também estabelece 10 de setembro como Dia Nacional de Prevenção do Suicídio e 17 de setembro como Dia Nacional de Prevenção da Automutilação.

Dados oficiais mostram a dimensão do problema. O Ministério da Saúde registrou 15.507 mortes por suicídio no Brasil em 2021, média de uma morte a cada 34 minutos. Do total, 77,8% ocorreram entre homens. O dado é o mais recente consolidado no boletim nacional sobre suicídios e lesões autoprovocadas.

No cenário mundial, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O suicídio está entre as principais causas de morte de pessoas de 15 a 29 anos, faixa em que ocupa a terceira posição globalmente. A OMS destaca que o fenômeno é multifatorial e que a prevenção depende de identificação precoce, acompanhamento, desenvolvimento de habilidades socioemocionais e redução do acesso a meios de alta letalidade em situações de crise

Para a psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa, @psicologaluanda, é importante afastar dois equívocos recorrentes: o de que falar sobre suicídio “incentiva” a prática e o de que uma pessoa em sofrimento sempre dará sinais explícitos.

“Falar sobre prevenção de forma responsável não incentiva o suicídio; ao contrário, pode abrir uma porta para a escuta e para o cuidado. Também não existe um sinal isolado capaz de prever uma crise. O que exige atenção é a combinação de mudanças persistentes, sofrimento intenso, isolamento, desesperança e perda de funcionamento na vida cotidiana”, afirma Luanda Rosa.

Sinais que pedem atenção

Tristeza não é sinônimo de risco suicida, assim como uma alteração pontual de humor não confirma uma crise. Ainda assim, mudanças importantes e duradouras no comportamento, sobretudo quando se acumulam, devem ser levadas a sério.

Entre os sinais que podem indicar necessidade de apoio estão:

  • Falas de desesperança, culpa intensa, sensação de ser um peso ou ausência de perspectiva de futuro.
  • Comentários sobre morrer, desaparecer, não acordar ou “não aguentar mais”.
  • Isolamento incomum, afastamento de amigos, família, escola ou trabalho.
  • Mudanças marcantes de humor, irritabilidade, agitação ou apatia.
  • Perda de interesse por atividades que antes eram significativas.
  • Alterações persistentes no sono, no apetite, na energia ou na capacidade de realizar tarefas habituais.
  • Uso mais frequente de álcool e outras drogas ou comportamentos de risco.
  • Queda abrupta de desempenho, autocuidado ou participação em atividades sociais.
  • Organização de despedidas, entrega de pertences ou resolução incomum de pendências.

A presença de um ou mais desses sinais não permite concluir que alguém pretende se matar. No entanto, quando aparecem juntos, representam uma mudança clara no modo habitual de viver ou estão associados a sofrimento intenso, a recomendação é procurar ajuda. O Ministério da Saúde orienta que os sinais não sejam analisados isoladamente e que pessoas próximas ofereçam escuta, acolhimento e apoio para o acesso aos serviços de saúde.

“Em vez de interpretar o sofrimento como drama, fraqueza ou manipulação, familiares e colegas precisam perguntar com cuidado: ‘Você está em segurança?’, ‘Você tem pensado em se machucar ou em morrer?’, ‘Como posso ajudar você a buscar atendimento?’. Perguntas diretas, feitas com respeito, não colocam a ideia na cabeça de ninguém. Elas podem reduzir a solidão e facilitar o pedido de ajuda”, diz a neuropsicóloga.

Como agir diante de uma suspeita

A reação de quem está próximo pode fazer diferença. O primeiro passo não é tentar resolver a dor da outra pessoa com frases prontas, mas criar condições para que ela seja ouvida e acompanhada.

Luanda Rosa recomenda algumas atitudes práticas:

  • Escolha um momento reservado, sem pressa e sem exposição, para conversar.
  • Demonstre disponibilidade para ouvir, sem minimizar, moralizar, ironizar ou transformar o relato em discussão.
  • Pergunte de forma clara sobre a segurança da pessoa quando houver sinais de risco ou falas sobre morte.
  • Incentive atendimento com psicólogo, psiquiatra, médico de família, UBS ou CAPS e, se possível, ofereça-se para acompanhar a pessoa.
  • Acione familiares, amigos ou pessoas de confiança indicadas por quem está em sofrimento, respeitando a privacidade na medida do possível.
  • Não deixe a pessoa sozinha se houver risco imediato ou indicação de plano, meios disponíveis ou intenção de se ferir.
  • Em uma emergência, procure UPA, pronto-socorro ou hospital, acione o Samu pelo 192 ou busque atendimento de urgência.

O Ministério da Saúde também recomenda, diante de risco imediato, que a pessoa não fique sozinha e que sejam restringidos, de maneira segura, meios que possam ser usados para autoagressão. O Centro de Valorização da Vida – CVV, oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e 24 horas pelo telefone 188; a entidade também mantém atendimento por chat e e-mail.

Escola e trabalho

A prevenção não deve ficar restrita à família ou aos consultórios. Escolas e ambientes de trabalho podem contribuir ao reduzir situações de isolamento, humilhação, discriminação e sobrecarga, além de criar canais claros de acolhimento e encaminhamento.

“Uma instituição não precisa se transformar em serviço de saúde para colaborar com a prevenção. Ela precisa construir uma cultura em que o sofrimento não seja tratado como falha de caráter. Isso inclui acolher mudanças de comportamento, evitar exposição pública, oferecer espaços de conversa e encaminhar para a rede de cuidado quando necessário”, afirma Luanda Rosa.

No ambiente escolar, episódios de bullying, exclusão persistente, mudanças no rendimento, faltas frequentes e afastamento do convívio devem ser observados com seriedade. A resposta mais eficaz não é punir ou constranger o estudante, mas investigar o contexto, ouvir a família e organizar suporte pedagógico e psicológico.

No trabalho, isolamento, exaustão, faltas recorrentes, mudanças abruptas de produtividade ou conflitos podem sinalizar sofrimento, embora não constituam diagnóstico. Empresas devem oferecer canais confidenciais de escuta, práticas de gestão que não naturalizem sobrecarga e encaminhamento para serviços especializados. A OMS recomenda que a prevenção também envolva ambientes que protejam a saúde mental, como casas, escolas, locais de trabalho e comunidades.

Neurodivergência e cuidado individualizado

A campanha também amplia a necessidade de olhar para grupos que podem enfrentar barreiras adicionais para pedir ajuda. Pessoas autistas e outras pessoas neurodivergentes podem vivenciar sobrecarga sensorial, dificuldades de comunicação, exaustão pelo esforço de adaptação social, experiências de rejeição e problemas de saúde mental associados. Nenhuma dessas características determina risco por si só, mas elas exigem escuta qualificada e suporte adaptado às necessidades individuais.

Uma meta-análise publicada em 2024, que reuniu dados de 10,4 milhões de pessoas, estimou risco relativo de morte por suicídio 2,85 vezes maior em pessoas autistas em comparação com pessoas não autistas. Uma revisão de estudos também encontrou associação entre autismo e maior probabilidade de comportamentos autolesivos e suicidalidade; os resultados, porém, variam conforme idade, presença de transtorno intelectual, condições associadas e contexto social.

“Não é o autismo que explica sozinho uma crise. É preciso considerar a história daquela pessoa, possíveis transtornos associados, vivências de bullying e exclusão, demandas sensoriais, comunicação, autonomia, rede de apoio e acesso a profissionais que compreendam seu modo de funcionamento”, afirma Luanda Rosa.

A especialista destaca que sinais de sofrimento em pessoas neurodivergentes podem aparecer de formas menos reconhecidas socialmente: aumento de crises, retraimento, irritabilidade, exaustão intensa, piora do sono, mudança de rotina, abandono de interesses, queda abrupta na autonomia ou redução da comunicação. A comparação deve ser com o funcionamento habitual daquela pessoa, não com um padrão genérico de comportamento.

O que a prevenção exige

A Organização Mundial da Saúde resume a prevenção em medidas individuais, comunitárias e institucionais: identificar precocemente pessoas em sofrimento, garantir avaliação e acompanhamento, promover habilidades socioemocionais entre adolescentes, qualificar a abordagem da mídia e limitar o acesso a meios de alta letalidade durante crises.

No cotidiano, a prevenção começa antes da emergência: relações em que seja possível falar de dor sem julgamento, acesso a atendimento em saúde mental, escolas e empresas atentas à exclusão, além de famílias que saibam pedir ajuda quando não conseguem lidar sozinhas com a situação.

“Não é preciso esperar uma frase explícita ou uma tentativa para levar o sofrimento a sério. Mudanças persistentes, perda de esperança e afastamento da vida cotidiana já justificam o cuidado. Procurar ajuda não é um exagero; é uma medida de proteção”, conclui Luanda Rosa.

Onde buscar ajuda

  • CVV: telefone 188, gratuito e disponível 24 horas; também oferece atendimento por chat e e-mail.
  • SUS: Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são portas de entrada para cuidados em saúde mental.
  • Urgência: em situação de risco imediato, acione o Samu pelo 192 ou procure UPA, pronto-socorro ou hospital.

 

Sobre a Luanda Rosa

Psicóloga e neuropsicóloga (CRP 06/106954), especialista em autismo na adolescência e na vida adulta. Atua há 15 anos com avaliação neuropsicológica de adultos, é coautora do livro Protagonismo Feminino e consultora em inclusão de pessoas autistas para empresas. Também participa de podcasts, palestras e eventos sobre autismo na vida adulta e neurodiversidade.




Sedentarismo: um problema de saúde pública que começa na infância

O sedentarismo já é uma das principais causas de adoecimento e morte no mundo e começa cada vez mais cedo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente um terço da população adulta mundial é fisicamente inativa e cerca de 5 milhões de mortes por ano estão associadas à inatividade física.

Estima-se ainda que, entre 2020 e 2030, quase 500 milhões de pessoas poderão desenvolver doenças cardiovasculares, obesidade ou outras condições relacionadas à inatividade física, caso não haja mudanças estruturais nas políticas públicas globais. No Brasil, o cenário também preocupa: cerca de 47% dos adultos são sedentários e aproximadamente 300 mil mortes anuais estão associadas a doenças relacionadas à inatividade física. “O dado mais alarmante, porém, está entre os jovens: aproximadamente 84% não atingem níveis adequados de atividade física”, revela a pediatra Brizza Valeria Foianini Biassi, membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

 

O problema começa cedo

A recomendação é clara: crianças e adolescentes devem acumular pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Entretanto, análise global publicada no The Lancet Child & Adolescent Health, envolvendo 1,6 milhão de adolescentes de 146 países, demonstrou que 81% dos jovens entre 11 e 17 anos são insuficientemente ativos. Entre meninas, esse percentual chega a 84,7%, sem melhora significativa ao longo dos anos. “Além da baixa prática de atividade física, observa-se aumento progressivo do tempo em comportamento sedentário, especialmente diante de telas”, relata a médica, destacando que comportamento sedentário e atividade física não são opostos absolutos.

A especialista explica que longos períodos sentados representam fator de risco independente para doenças crônicas, mesmo entre pessoas que praticam exercício regularmente. “Ou seja, não basta fazer exercício algumas vezes por semana; é necessário reduzir o tempo total de inatividade ao longo do dia”, afirma, ressaltando que quando se fala em sedentarismo, muitas vezes as pessoas pensam somente nas doenças crônicas da vida adulta. “No entanto, seus efeitos já são observados na infância e adolescência”, esclarece a pediatra, enfatizando que a prática regular de atividade física está associada a melhor aptidão cardiorrespiratória, maior força e resistência muscular, melhor mineralização óssea, melhora do perfil metabólico, redução da pressão arterial, melhor desempenho cognitivo e maior autoestima.

Por outro lado, ela diz que a prática insuficiente de atividade física está relacionada ao aumento do sobrepeso e obesidade, prejuízo funcional musculoesquelético, piora da qualidade do sono, maior vulnerabilidade emocional e redução da competência motora. São impactos que já se manifestam no presente e podem se perpetuar ao longo da vida. “Diante desse cenário, o pediatra ocupa posição estratégica. Assim como avaliamos peso, estatura e pressão arterial, o nível de atividade física deve ser considerado um indicador essencial da saúde pediátrica. Combater o sedentarismo não é apenas prevenir doenças futuras. É proteger o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de uma geração. E o pediatra tem papel fundamental nessa transformação”, conclui Brizza.




Treina, emagrece e a celulite não some: por que culpar a falta de exercício é um erro

 

 

Ela treina cinco vezes por semana. Faz musculação, corre, controla a alimentação, ganhou músculo e perdeu gordura. Mas basta entrar em um provador com aquela luz branca vindo de cima para os furinhos aparecerem.

A conclusão costuma vir rápido: “Preciso treinar mais.”

Só que a ciência da celulite mostra que essa conta não fecha tão facilmente. Ter celulite não significa estar sedentária, acima do peso ou com pouco músculo. E uma mulher pode transformar completamente a composição corporal sem conseguir eliminar determinadas depressões da pele. Não porque o treino falhou.

Porque algumas das estruturas responsáveis pela celulite simplesmente não respondem ao exercício da maneira que imaginamos.

“É muito comum a paciente fisicamente ativa chegar quase se justificando. Ela fala que treina, que se alimenta bem, que emagreceu, mas aquele furinho continua ali. Precisamos começar tirando essa culpa da conversa, celulite não é um atestado de falta de disciplina”, explica Dr. Matheus Azevedo, médico especialista em medicina do contorno corporal, otimização metabólica e estratégias regenerativas.

O agachamento muda o músculo. Não necessariamente o que prende a pele

Abaixo da superfície existem estruturas de tecido conjuntivo chamadas septos fibrosos.

Elas atravessam a gordura subcutânea e ajudam a conectar a pele aos planos mais profundos. Em determinadas regiões, esses septos podem exercer uma tração para baixo enquanto o tecido ao redor se projeta em outra direção. É desse jogo de forças que podem nascer algumas das depressões características da celulite.

Um estudo que comparou, por ressonância magnética, áreas com e sem celulite no glúteo de mulheres encontrou septos fibrosos sob 96,7% das regiões com depressões analisadas. Eles também eram significativamente mais espessos nesses pontos do que nas áreas sem os furinhos.

Agora fica mais fácil entender por que fazer mais agachamentos nem sempre resolve.

O exercício pode desenvolver o glúteo, aumentar massa muscular e diminuir gordura corporal. Mas isso não significa que aquele ponto de tecido conjuntivo que está tracionando a superfície será automaticamente eliminado.

“É preciso separar músculo, gordura, pele e tecido conjuntivo. São estruturas diferentes”, explica Dr. Matheus Azevedo. “Uma paciente pode ter excelente musculatura e continuar apresentando depressões muito marcadas porque aquilo que estamos enxergando na superfície não depende apenas do tamanho do músculo ou da quantidade de gordura.”

E por que isso acontece tanto nas mulheres?

Aqui existe uma particularidade anatômica importante. Durante muito tempo, a explicação foi resumida em um desenho bastante popular, nas mulheres, os septos seriam verticais; nos homens, cruzados, como uma rede. A ciência mostra que a história é mais complexa, mas existe, sim, uma diferença estrutural entre os sexos.

Estudos tridimensionais identificaram nas mulheres com celulite uma proporção maior de septos orientados perpendicularmente à superfície da pele. Ao mesmo tempo, os pesquisadores alertam que essa rede é tortuosa e não pode ser reduzida simplesmente a “linhas verticais nas mulheres e linhas inclinadas nos homens”.

Outra investigação anatômica encontrou mais conexões entre os septos no tecido masculino, além de maior resistência dessas estruturas quando submetidas à ruptura. Os autores concluíram que a combinação entre suporte da pele, arquitetura da gordura e morfologia dos septos ajuda a explicar por que a celulite é muito mais frequente entre mulheres.

Revisões mais recentes reforçam essa visão: o que enxergamos na superfície é resultado de uma arquitetura tridimensional envolvendo pele, gordura, fáscia e tecido conjuntivo e existem diferenças anatômicas importantes entre homens e mulheres.

 

Emagrecer pode ajudar. Mas não existe promessa de pele lisa

Isso significa que gordura não tem importância? Não.

Ganho de peso e aumento do tecido adiposo podem tornar a celulite mais evidente em algumas mulheres. Da mesma maneira, emagrecer e melhorar a composição corporal podem modificar bastante o contorno. O erro está em transformar essa relação em uma regra absoluta.

Uma revisão sobre celulite destaca justamente que dieta, exercício e estilo de vida não parecem explicar sozinhos seu desenvolvimento, embora ganho de peso e obesidade possam acentuar sua aparência. A condição é relatada em aproximadamente 80% a 90% das mulheres após a puberdade.

Ou seja, estamos falando de uma característica extremamente frequente do corpo feminino, não de uma consequência exclusiva do sedentarismo. É aqui que o universo fitness pode criar uma expectativa difícil de cumprir.

Fotos são produzidas com luz favorável, contração muscular, poses, edição e ângulos cuidadosamente escolhidos. Na vida real, o mesmo corpo pode parecer completamente diferente sentado, caminhando, com os músculos relaxados ou sob uma iluminação lateral.

Por isso, encontrar textura ou depressões na pele de um corpo definido não deveria causar surpresa.

Talvez você não precise treinar mais. Precise entender o que está vendo

É também aqui que muda a maneira de pensar o tratamento. Nem toda irregularidade que uma mulher chama de celulite possui exatamente o mesmo mecanismo.

Pode haver depressões marcadas pela tração dos septos. Pode existir flacidez associada. Alterações na qualidade da pele, distribuição de gordura e outros componentes também podem participar.

“Quando a paciente chega apontando uma irregularidade, eu não quero saber apenas se ela treina ou qual é o percentual de gordura dela”, diz Dr. Matheus Azevedo. “Quero entender qual estrutura está predominando naquele ponto. Porque tratar celulite começa em reconhecer o que está causando aquela aparência, e não em colocar todas as pacientes dentro do mesmo protocolo”, acrescenta.

“Não significa que toda mulher com celulite precise de um procedimento. Significa apenas que existe uma diferença enorme entre tratar uma estrutura e tentar compensá-la com mais esforço físico”, ressalva.

 

Dr. Matheus Azevedo é médico com atuação em medicina do contorno corporal, otimização metabólica e estratégias regenerativas. Tem como principal foco de trabalho o tratamento da celulite e das alterações relacionadas ao contorno corporal, com abordagem individualizada, baseada na anatomia, composição corporal e nas características específicas de cada paciente. Seu trabalho integra avaliação clínica, tecnologias e procedimentos voltados à melhora da qualidade da pele e da arquitetura dos tecidos.



Ronco alto pode influenciar a qualidade de vida. Entenda as causas e saiba quando procurar ajuda

 

Entenda como o ronco alto pode impactar na qualidade de vida. Créditos: Magnific.

“Você ronca?” A pergunta costuma surgir em tom de brincadeira entre casais e familiares, mas pode esconder um problema de saúde que vai muito além do barulho durante a noite. No Brasil, cerca de 40% da população adulta ronca, segundo a Associação Brasileira do Sono. Embora seja comum, especialmente com o avanço da idade, o ronco frequente pode ser um sinal da Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), distúrbio que compromete a qualidade do sono e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

Segundo a pneumologista e especialista em Medicina do Sono Dra. Carla Alvarenga, da MedSênior, muitas pessoas convivem com o problema durante anos sem perceber que a qualidade do sono está comprometida.

“Quem tem apneia pode acreditar que dormiu a noite inteira, mas o cérebro desperta diversas vezes para restabelecer a respiração. Esses despertares passam despercebidos, mas impedem que o sono seja realmente reparador”, explica.

Nem todo ronco é sinal de doença

Roncar ocasionalmente pode acontecer durante gripes, crises alérgicas, congestão nasal, após o consumo de bebidas alcoólicas ou ao dormir de barriga para cima. Nessas situações, o sintoma costuma desaparecer quando a causa é resolvida.

O alerta surge quando o ronco é frequente, intenso e acompanhado de pausas respiratórias, engasgos durante o sono, dor de cabeça ao acordar, sonolência excessiva ao longo do dia ou dificuldade de concentração.

“Nem toda pessoa que ronca tem apneia do sono, embora o ronco frequente seja um dos sintomas mais comuns da doença. Na Apneia Obstrutiva do Sono, a respiração pode ser interrompida ou ficar repetidamente reduzida durante o sono, provocando quedas na oxigenação e despertares breves”, descreve.

Muito além do ronco: impactos para a saúde

Na Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), a respiração é interrompida repetidas vezes durante a noite, reduzindo a oxigenação do organismo e aumentando o esforço do sistema cardiovascular.

Ao longo do tempo, a apneia está associada a maior risco e pior controle de hipertensão, arritmias, doenças cardiovasculares, AVC e alterações metabólicas, incluindo diabetes tipo 2. Também favorece alterações de memória, irritabilidade, redução da disposição e maior risco de quedas.

Fatores como obesidade, aumento da circunferência do pescoço, tabagismo, consumo de álcool antes de dormir e alterações anatômicas das vias aéreas aumentam a probabilidade de desenvolver o distúrbio.

“A obesidade é um dos principais fatores de risco para a apneia do sono, mas não é o único. Pessoas magras também podem apresentar o problema. Por isso, é importante avaliar o conjunto de sintomas e não apenas o peso corporal”, destaca.

O sono muda com o envelhecimento, mas isso tem limites

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca que algumas alterações na qualidade e na duração do sono são esperadas com o avanço da idade. O sono tende a ficar mais leve, com despertares mais frequentes e redução do tempo de sono profundo.

No entanto, ronco intenso, pausas respiratórias e sonolência excessiva durante o dia não fazem parte do envelhecimento normal e devem ser investigados.

Dormir bem vai muito além da quantidade de horas passadas na cama. Um sono de qualidade é essencial para a memória, o equilíbrio hormonal, a recuperação muscular e o funcionamento do sistema imunológico. Quando o descanso é interrompido repetidamente, esses processos também são prejudicados.

“É importante diferenciar o que faz parte do envelhecimento das alterações que indicam uma doença. Muitas pessoas acreditam que dormir mal é normal depois dos 60 anos, quando, na verdade, podem estar convivendo com um distúrbio tratável”, alerta.

Melatonina não é indicada para todos os casos

Na tentativa de melhorar o sono, muitas pessoas recorrem à melatonina sem orientação médica. A especialista alerta que o suplemento não trata todos os distúrbios do sono e não deve ser utilizado indiscriminadamente.

“A melatonina pode ter indicação em situações específicas, principalmente relacionadas ao ritmo do sono, mas não trata o ronco nem a apneia do sono. Por isso, quando há ronco persistente, pausas respiratórias, engasgos ou sonolência durante o dia, o mais importante é investigar a causa em vez de utilizar suplementos por conta própria”, diz.

Quando procurar ajuda?

Alguns sinais indicam que é hora de procurar avaliação médica:

  • ronco alto e frequente;
  • pausas na respiração observadas por familiares;
  • engasgos durante o sono;
  • sonolência excessiva durante o dia;
  • dor de cabeça ao acordar;
  • dificuldade de memória e concentração;
  • hipertensão de difícil controle;
  • sensação de acordar cansado mesmo após uma noite inteira de sono.

Para a especialista, dormir bem é um dos pilares do envelhecimento saudável. Além disso, identificar precocemente a causa do ronco permite indicar o tratamento mais adequado para cada paciente, que pode incluir mudanças no estilo de vida, perda de peso, dispositivos específicos ou outras abordagens, conforme cada caso.

“Dormir bem não significa apenas passar muitas horas na cama. É durante o sono que o organismo recupera funções físicas e cognitivas fundamentais. Identificar precocemente alterações como o ronco persistente e a apneia do sono é um passo importante para preservar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida”, conclui.

Sobre a MedSênior

A MedSênior é uma operadora de saúde especializada no atendimento ao público a partir dos 49 anos, com foco em medicina preventiva e no conceito do Bem Envelhecer. Seu modelo de cuidado é baseado na excelência do atendimento humanizado, personalizado e multidisciplinar, tendo como compromissos a promoção da autonomia, qualidade de vida e da longevidade saudável – tudo isso aliado à inovação e ao acompanhamento integrado da jornada do paciente.

Com 16 anos de atuação e com 45 unidades próprias em sete estados e no Distrito Federal, além de uma ampla rede credenciada, a empresa tem a tecnologia como aliada para oferecer serviços que proporcionam qualidade de vida real aos seus mais de 310 mil beneficiários.




Do feed para a cama: psicóloga explica como a busca pelo corpo ideal pode afetar a intimidade

 

O corpo está no quarto em um momento de intimidade, mas a mente parece distante e em frente a um espelho. Em vez de se entregar às sensações, a pessoa começa a se comparar com um modelo de beleza que aprendeu como desejável e que foi reforçado nas experiências por redes sociais. Barriga, estrias, peso, cicatrizes, tudo começa a incomodar e trazer uma espécie de “desaparecimento” durante o sexo: a pessoa está fisicamente presente, mas emocionalmente ocupada pensando em como está sendo vista.

O problema pode não estar no corpo, mas na maneira como ele é percebido. É o que alerta a psicóloga e psicoterapeuta Roberta Ribeiro Pinto, da Hapvida. A discussão ganha espaço neste início de setembro, quando são celebrados o Dia Mundial da Saúde Sexual, em 4 de setembro, e o Dia do Sexo, em 6 de setembro, datas que conversam com a campanha Every Body 2026, que questiona padrões corporais tratados como “normais”. Mas a relação entre imagem corporal, autoestima e sexualidade vai muito além de uma data no calendário.

“A percepção que uma pessoa tem de si mesma interfere diretamente na maneira como ela se relaciona com o próximo, inclusive na intimidade. O como eu me vejo, influencia em como os outros irão me ver. E quebrar esse padrão de enxergar a si mesma de forma negativa faz todo o sentido quando o assunto é voltar a ter uma vida sexual saudável”, explica a psicóloga.

O problema ganha ainda outras dimensões com a exposição frequente a imagens de corpos considerados perfeitos, relações aparentemente impecáveis e performances idealizadas.

“São referências que podem se transformar em uma espécie de régua na avaliação do próprio corpo e até da própria capacidade de ser desejado. O nosso cérebro é muito visual, aprende e tem muito mais facilidade de desempenhar conforme ele enxerga”, afirma Roberta.

Ela explica que a pessoa pode começar a se preocupar menos com o prazer e mais com a própria aparência, evitar determinadas posições, manter o corpo coberto, deixar de experimentar situações novas ou até evitar relações.

“Imagine essa pessoa vendo diversas vezes no feed vídeos de sucesso, de relações, de padronizações, de corpos perfeitos, sem cicatrizes, sem manchas, aquela barriga tanquinho. No momento íntimo, o comportamento tende a mudar e muitas vezes a falhar, e outras até mesmo evitar”, reforça.

Aparência e performance

E a pressão não termina na aparência. Para a psicóloga, a exposição a conteúdos que mostram corpos e relações idealizadas também pode criar expectativas irreais sobre o desempenho sexual.

Impacto esse que a profissional relata, segundo sua experiência clínica, ser mais percebido especialmente entre homens.

“A visualização frequente de conteúdos de desempenho sexual pode criar uma referência de como uma relação “deveria” acontecer e fazer com que a experiência real seja comparada a um padrão difícil de reproduzir. Isso porque o cérebro aprende através das imagens, então, acaba afetando o desempenho pessoal que o homem, especialmente, pode ter quando está com a sua parceira”, afirma Roberta.

A consequência pode ser uma busca por soluções imediatas para corresponder à expectativa criada. A psicóloga, contudo, alerta para o uso inadequado e constante de medicamentos para melhorar o desempenho sexual, que pode trazer impactos para além da própria relação íntima.

Mudanças naturais

Gravidez, pós-parto, menopausa, andropausa, envelhecimento e grandes mudanças de peso são momentos inerentes à vida em que a imagem corporal também pode sofrer transformações importantes. “Para quem construiu durante anos uma referência específica do próprio corpo, olhar-se no espelho e perceber que aquela imagem mudou pode afetar também a maneira de se sentir desejável. Mas não temos como mudar isso, é o ciclo da vida”, pontua Roberta.

Nesse processo, ela ensina que ter referências positivas e espaço para falar sobre as próprias inseguranças é o que pode fazer diferença. “O autoconhecimento também passa pela capacidade de reconhecer que o corpo não é estático”, ressalta a psicóloga.

O elogio ajuda

E toda essa reconstrução da relação entre corpo e mente não precisa acontecer apenas individualmente. O parceiro ou a parceira pode ter um papel importante ao criar um ambiente de segurança, afeto e comunicação.

“Todos nós gostamos de ser elogiados, amados. A pessoa que está junto nessa relação pode não só agir com elogios, mas compartilhar momentos íntimos de bem-estar. Falar sobre o que gosta, o que incomoda, quais são as inseguranças e como cada um está se sentindo pode ajudar a tirar a intimidade do campo da performance e devolvê-la ao campo da conexão”, indica a profissional.

“Isso tem a ver com autoconhecimento e faz toda a diferença, porque a saúde sexual está conectada com a saúde mental”, completa.

Sentir-se desejável

A profissional alerta ainda que o ato de cuidar da aparência ou desejar mudanças no próprio corpo não deve ser visto como um problema. A questão está no significado atribuído a essa mudança: ela nasce de uma escolha pessoal ou da sensação de que é preciso atingir determinado padrão para ser desejado?

Para a especialista, romper com essa lógica passa pelo autoconhecimento e pela aceitação de que o corpo se transforma ao longo da vida.

“O segredo está em reconhecer as mudanças sem deixar que elas determinem o valor ou a capacidade de viver a própria sexualidade. O objetivo maior de tudo isso é estar presente, seja para si ou seja para o outro”, conclui Roberta.

A psicóloga e psicoterapeuta Roberta Ribeiro Pinto, da Hapvida