Cartórios de São Paulo registram recorde de mudanças de sexo da população trans

O movimento da população formada por transgêneros e transexuais tem uma razão a mais para comemorações durante o vigésimo aniversário do Dia Nacional da Visibilidade Trans, que aconteceu domingo (29): um aumento recorde de mais de 40% em 2022 no número de pessoas que mudaram o nome e o gênero diretamente em Cartório de Registro Civil, sem a necessidade de procedimento judicial e nem cirurgia de redesignação sexual.

Dados compilados pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen/SP), entidade que representa os 836 Cartórios de Registro Civil do estado paulista, mostram que no ano passado foram realizados 1.471 procedimentos de alteração de gênero, número 42,7% maior que o verificado em 2021, quando ocorreram 1.031 mudanças. Se comparado ao primeiro ano do procedimento (2018), quando foram 765 atos, o crescimento é de 92,3%.

O número é recorde no Brasil, também, desde que a alteração passou a ser realizada diretamente em Cartório de Registro Civil, em 2018, ano em que uma decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e regulamentada pelo Provimento nº 73 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), permitiu a realização do procedimento pela chamada via extrajudicial, sem a necessidade de processo, advogado ou decisão judicial.

Do total de atos realizados em 2022, 45,3% se referem a pessoas que mudaram seu gênero de feminino para masculino, enquanto 48,7% mudaram o sexo de masculino para feminino, uma proporção que vem se mantendo ao longo dos anos. Já 6,1%, mudaram o gênero, mas não realizaram a mudança do nome, uma vez que é opcional.

“Os Cartórios de Registro Civil estão presente em diversos momentos da vida do cidadão: no nascimento, casamento e óbito. E poder também participar dessa ocasião tão importante para um indivíduo, quando ele consegue inserir no registro civil o sexo com o qual se identifica, é uma oportunidade incrível para todos os oficiais de cartório, traduzindo-se também em uma enorme conquista para a sociedade, principalmente à comunidade LGBTQIAP+”, comentou Daniela Silva Mroz, presidente da Arpen/SP.

Como fazer?

Para orientar os interessados em realizar a alteração, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) editou uma Cartilha Nacional sobre a Mudança de Nome e Gênero em Cartório <https://s2301.publisher-pr.com/link.php?code=bDpodHRwcyUzQSUyRiUyRmFycGVuYnJhc2lsLm9yZy5iciUyRndwLWNvbnRlbnQlMkZ1cGxvYWRzJTJGMjAyMiUyRjA3JTJGVHJhbnNnZW5lcm9zLnBkZjo4NTAwODA2NjE6c2lsby5kaWFyaW9AaG90bWFpbC5jb206ZGM0MjJlOjM4> , onde apresenta o passo a passo para o procedimento e os documentos exigidos pela norma nacional do CNJ. “Trata-se de um documento prático, com instruções detalhadas que podem auxiliar as pessoas a realizarem o procedimento direto em Cartório, sem a necessidade de ação judicial ou gastos adicionais com advogados e custas”, destaca Gustavo Renato Fiscarelli, presidente da Arpen-Brasil.

Para realizar o procedimento de alteração de gênero e nome nos Cartórios de Registro Civil é necessária a apresentação de todos os documentos pessoais, comprovante de endereço e as certidões dos distribuidores cíveis, criminais estaduais e federais do local de residência dos últimos cinco anos, bem como das certidões de execução criminal estadual e federal, dos Tabelionatos de Protesto e da Justiça do Trabalho. Na sequência, o oficial de registro deve realizar uma entrevista com o(a) interessado(a).

Eventuais apontamentos nas certidões não impedem a realização do ato, cabendo ao Cartório de Registro Civil comunicar o órgão competente sobre a mudança de nome e sexo, assim como aos demais órgãos de identificação sobre a alteração realizada no registro de nascimento. A emissão dos demais documentos deve ser solicitada pelo(a) interessado(a) diretamente ao órgão competente por sua emissão. Não há necessidade de apresentação de laudos médicos e nem é preciso passar por avaliação de médico ou psicólogo.

 




Grupo vai ministrar aulas de capoeira para crianças e adolescentes com Síndrome de Down

 

A Comunidade Capoeira receberá neste mês de fevereiro inscrições para aulas gratuitas de capoeira dirigidas a adolescentes e crianças com Síndrome de Down.

Segundo a organização do projeto, as aulas de capoeira estimulam a interação, incentivam o gosto pelas artes (música, canto e dança) e trabalham aspectos importantes para o desenvolvimento da pessoa com síndrome de down, como coordenação motora, equilíbrio e movimentação corporal

As aulas serão aos sábados à partir das 9h30 no Espaço comunidade Capoeira que fica localizado na rua Marechal Deodoro 557.

Para firmar a inscrição basta entrar em contato com instrutor Renato pelo número Whatsapp 99783 4675 ou comparecer à sede do grupo.




Diocese de Assis

 

 

          Que a vida é uma grande aventura não é preciso dizer. Ela sempre nos diz isso, desde seu início até seu derradeiro dia. Vivemos uma grande aventura neste mundo de Deus. Com princípio, meio e fim, mas sem dia, nem hora marcada para se chegar ao ponto final, ao objetivo que nos faz participar dessa maratona de surpresas, descobertas e motivações, eis que ela nos aponta um código de conduta existencialista, cujo nome não importa agora, mas queira ou não, está presente na consciência de todos os que aqui aportam. Ou seja: nesta aventura existem regras para bem-viver.

          Toda e qualquer religião tem lá seus parâmetros existencialistas. Mesmo fora dos princípios religiosos, há também os princípios morais ou sociais, que balizam a existência humana, mostrando ao indivíduo como chegar lá de maneira limpa, honesta, sem ultrapassar as normas básicas duma vida sensata ou ao menos coerente com a ética e seus valores básicos. Cada qual no seu quadrado, a regra tem em comum uma única exigência: respeito aos semelhantes. Eis aqui o mais puro dos valores humanos.

          Mas como seria a orientação cristã para melhor participação nossa nessa aventura? São Paulo, o pregador dos dois lados, pois também foi um excelente doutrinador do paganismo, um dia nos escreveu: “Deus escolheu o que o mundo considera estúpido , para assim confundir os sábios” (1Cor 1,27). Bem o disse aquele que um dia caiu do cavalo com todas as suas teorias e dogmas de vida. O mais estúpido dos códigos de conduta na vida era destinado aos seguidores de Jesus. Segundo Mateus, esse código se resume em nove regrinhas bem contraditórias com os princípios do mundo. Senão vejamos:

          Jesus começa exaltando os pobres, os excluídos e marginalizados que, no pensar e no dizer da sociedade, são os castigados em vida por não possuírem as benesses dos prazeres advindos da riqueza. Esses, sim, são os bem-aventurados, os privilegiados, os primeiros a chegar no Reino dos Céus. Mas além do fator pobreza, que se estende aos desapegados e místicos  capazes de uma vida de simplicidade, há também os que se afligem neste vale de lágrimas e anseiam por transpor seus umbrais na esperança de uma vida diferente. Este é o segundo grupo de bem-aventurados na fé cristã.

          Aos mansos, aqueles que vivem um dia após o outro dando graças e louvores pelo privilégio puro e simples de aqui estar, aos puros de coração e alegres com o pouco ou muito que pensam receber, está confiada a posse da terra, isto é, saberão conduzir suas vidas sem o apego do egoísmo ou da autolatria que sufoca a muitos. Àqueles que clamam e lutam pela igualdade de direitos, pela justiça sem parcialidades, por saciar essa fome e sede tão natural entre os que buscam um mundo novo, está prometida uma saciedade completa. É a quarta categoria dos agraciados pela esperança cristã.

          Porém ao grupo daqueles que olham o mundo com o olhar misericordioso de Deus a promessa é simplesmente recíproca: alcançarão misericórdia. Tal qual os puros de coração, os que se deixam conduzir pelos impulsos de uma alma em sintonia com o coração de Deus. Estes contemplarão o rosto do Pai. Igualmente os benditos promotores da paz no mundo em constante conflito, em luta permanente com interesses e guerras pessoais e contrários ao belicismo das nações que pensam dominar o mundo. Neste grupo se inserem os que são perseguidos por sonharem e lutarem pela justiça não dos homens, mas de Deus.

          Por último, os cristãos perseguidos. Neste grupo estamos todos, se é que nossa fé se enquadra nas oito circunstâncias acima descritas. Se assim o for, seremos perseguidos e injuriados. Se não, desconfie do seu cristianismo.

WAGNER PEDRO MENEZES [email protected]




Espaço Espírita

 

“Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos?” JESUS (Mateus, 16:3)

            A cada dia, parece que há mais gente vivendo solidão no mundo. Quanto mais cresce o número de indivíduos ao redor de outros, a sensação que se tem é a de que se está a sós no meio da multidão.                                                                                           

O que vem acontecendo, afinal? Muitas têm sido as respostas possíveis para essa pergunta, e cada uma delas terá a sua adequação ao caso em observação. Porém, na base de tudo tem estado o egoísmo com todas as suas máscaras e trejeitos.                             

Um gigantesco grupo de pessoas nas paragens terrenas não confia em ninguém. Muitos temem a traição, outros fogem da exploração; há aqueles que detestam cooperar, por entenderem que tudo deve ser de obrigação governamental, enquanto que vários, efetivamente, desejam tirar proveito dos demais sem desenvolver qualquer esforço.            

Desconfiança sobre desconfiança; medo de ser extorquido, abusado, medo de sofrer…                                                                                

Enquanto se apresenta como passarela de exibicionismos ou demonstrações de poder dos mais variados tipos, sem que o Espírito da Luz inspire os pensamentos e os sentimentos, as relações sociais não passarão de ensejo de perturbações e de desconfianças.       

No conjunto de relações sociais de superfície, onde cada um tem oferecido o que armazenou em si: egoísmo, esperteza, medo ou covardia, ao lado de limitada e transparente honestidade, embora as massas sociais cresçam, a tendência será a ampliação do vazio interno.

BENEDITA MARIA

               Extraído do livro “Ações corajosas para viver em paz”                              Psicografia: J. Raul Teixeira – Editora Fráter

USE INTERMUNICIPAL  DE  ASSIS

ÓRGÃO  DA  UNIÃO  DAS  SOCIEDADES  ESPÍRITAS  DO  ESTADO  DE  SÃO  PAULO

 




Testemunhas de Jeová recordam as vítimas esquecidas do terror nazista

Em 27 de janeiro, milhares de pessoas no mundo todo recordarão as vítimas do terror nazista, no Dia Internacional da Memória do Holocausto. Um fato ainda pouco conhecido é que dentre essas vítimas estão milhares de Testemunhas de Jeová que foram executadas ou torturadas em campos de concentração nazistas.

Apesar de o terror nazista ter como alvo milhões de pessoas por razões biológicas, políticas ou de nacionalidade, as Testemunhas de Jeová foram “o único grupo no Terceiro Reich a ser perseguido com base somente em suas crenças religiosas”, declara o Professor Robert Gerwarth.[1]

Por que os Nazistas odiavam esse grupo Cristão?

De acordo com a historiadora e doutora Christine King, O regime nazista taxou as Testemunhas de Jeová como “inimigos do estado”, por causa da “sua recusa pública em aceitar mesmo o menor elemento do [Nazismo], que não estivesse de acordo com sua fé e suas crenças.” [2]

Devido à sua crença nos ensinos de Cristo, as Testemunhas de Jeová adotaram uma posição politicamente neutra. Por causa disso, se recusavam a fazer a saudação “Heil Hitler”, a participar em atos racistas e violentos e a se juntar ao exército alemão. Também é interessante notar que em suas publicações “elas identificaram publicamente as maldades do regime, incluindo o que estava acontecendo com os judeus,” diz a dra. King.[3]

Consequentemente, as Testemunhas de Jeová estavam entre os primeiros a serem enviados aos campos de concentração e receberam um símbolo de uniforme exclusivo: o triângulo roxo. Ao contrário dos outros grupos de vítimas, elas recebiam a chance de fazer uma escolha que poderia salvá-las do terror nazista.

Por que as Testemunhas receberam uma escolha?

Para os nazistas, desviar as Testemunhas de Jeová de suas convicções religiosas era uma vitória maior do que matá-las ou enviá-las aos campos de concentração.  Por isso, os nazistas ofereciam a elas a oportunidade de evitar a execução e de serem libertadas do campo se assinassem um documento, conhecido em alemão como “Erklärung” (criado no começo de 1938) comprometendo-se a renunciar a sua fé, denunciar outras Testemunhas para a polícia, submeter-se completamente ao regime nazista e a defender a “Pátria” com armas. Oficiais de prisões e campos utilizavam frequentemente a tortura e a privação para induzir as Testemunhas de Jeová a assinarem essa declaração.

A esmagadora maioria não renunciou às suas convicções. De acordo com o historiador Detlef Garbe, “uma quantidade muito pequena de Testemunhas renegou a sua fé”. [4] Garbe acrescenta que “a intenção declarada dos governantes nazistas era eliminar completamente os Estudantes da Bíblia da história da Alemanha.” [5]

Tema do Dia de Memória do Holocausto da ONU para 2023: “Lar e Pertencer”

O tema escolhido pela ONU para o Dia de Memória do Holocausto de 2023 é Lar e Pertencer. A ONU explica: “O tema destaca a humanidade das vítimas e sobreviventes do Holocausto, que tiveram sua casa e seu senso de pertencimento arrancados pelos perpetradores do Holocausto.”

Os números –

Quantas Testemunhas de Jeová perderam a sua casa e seu senso de pertencimento:

  • Quase 4.200 foram enviadas a campos de concentração nazistas;
  • Cerca de 1.600 morreram – 548 executadas (fuziladas ou decapitadas, por exemplo), incluindo pelo menos 39 menores[6];
  • Centenas de crianças foram retiradas de suas famílias e levadas a casas de nazistas ou reformatórios.

Geneviève de Gaulle, sobrinha do General e membro da Resistência Francesa Charles de Gaulle, pôde conhecer prisioneiras Testemunhas de Jeová enquanto esteve no campo de concentração de Ravensbrück. Ela relata: “O que eu admiro muito nelas é que elas poderiam ter saído a qualquer momento apenas por assinar a renúncia à sua fé… Por fim, essas mulheres, que aparentavam ser fracas e cansadas, eram mais fortes que a SS, que tinha todo o poder e meios à sua disposição. Elas tinham a sua força, e era a sua força de vontade que ninguém podia vencer.” [7] Essas mulheres fiéis e humildes provaram ser vitoriosas e não meras vítimas. A comunidade das Testemunhas de Jeová sobreviveu ao Holocausto e continua a se desenvolver décadas depois de o regime nazista ter caído.

Museus do Holocausto e memoriais ao redor do mundo mostram artefatos e placas relembrando a perseguição às Testemunhas de Jeová. Relembrar as experiências delas é importante, já que elas são sistematicamente perseguidas, presas, espancadas e torturadas até os dias de hoje, por praticarem pacificamente a sua fé em alguns países, sendo a Rússia o seu maior perseguidor.

Aniversário da liberação Auschwitz-Birkenau | 27 de janeiro

O aniversário da liberação Auschwitz-Birkenau coincide com o Dia de Memória do Holocausto em 27 de janeiro.  De acordo com o site do Auschwitz-Birkenau State Museum, “além de breves menções, a literatura sobre a história do Campo de Concentração de Auschwitz não leva em conta as Testemunhas de Jeová, (referidas nos registros do campo como Estudantes da Bíblia) que foram presas por causa de suas convicções religiosas. Esses presos merecem maior atenção pela forma como conseguiram manter seus princípios morais nas condições do campo”.

  • As Testemunhas de Jeová estão entre os primeiros prisioneiros de Auschwitz, de acordo com os registros do museu, “desde os primeiros meses em que o campo estava em operação.”
  • Pelo menos 387 Testemunhas de Jeová foram enviadas para Auschwitz durante os seus 5 anos de operação.
  • Pelo menos 152 (cerca de 40%) morreram no campo.

Rudolf Hoess, Comandante da SS de Auschwitz, escreveu em sua autobiografia sobre a execução de certas Testemunhas de Jeová por se recusarem a violar a sua neutralidade cristã. Ele disse: “Assim deveria ser o aspecto dos primeiros mártires cristãos, enquanto esperavam no circo que animais selvagens os dilacerassem. Suas faces completamente transformadas, seus olhos erguidos para o céu, de mãos unidas e erguidas em oração, eles enfrentavam a morte. Todos os que os viram morrer ficaram profundamente comovidos, e até mesmo o pelotão de execução foi afetado.”

Perfis dos Prisioneiros

  • Andrzej Szalbot (prisioneiro # 108703) foi preso e levado ao escritório Cieszyn da Gestapo por se recusar a entrar para o exército alemão em 1943. Foi prometida a ele liberdade imediata se ele assinasse um documento renunciando à sua associação com a organização e declarando que seus ensinos eram errados. Andrzej relata: “Eu perdi a consciência algumas vezes; eu não consegui sair de lá sozinho.” Depois de seis semanas de interrogação, com 19 anos de idade, Andrzej foi enviado para Auschwitz.
  • Família Cienciała – Em 1943 a Gestapo prendeu Helena Cienciała e a enviou para Auschwitz (prisioneira #45856). Dois meses depois, o pai dela, Paweł, chegou em Auschwitz e em mais dois meses, a mãe dela, Ewa, que morreu no campo. A razão para prender a família inteira foi simplesmente porque eram Testemunhas de Jeová.

Sobreviventes não Testemunhas falam sobre as Testemunhas de Jeová

  • Anna Pawełczyńska: em seu livro Valores e Violência em Auschwitz, diz: “Este pequeno grupo de prisioneiros era uma sólida força ideológica e eles venceram a sua batalha contra o nazismo. O grupo alemão desta seita era uma pequena ilha de resistência férrea no seio de uma nação dominada pelo terror, e, com este mesmo espírito intrépido, agia no campo de Auschwitz. Todos sabiam que nenhuma Testemunha de Jeová cumpriria uma ordem contrária à sua crença e às suas convicções religiosas.”
  • Tibor Wohl: Em seu livro Arbeit macht tot—Eine Jugend in Auschwitz, (O Trabalho Mata – Juventude em Auschwitz) ele relata uma conversa que ouviu entre dois companheiros de prisão. Um deles, austríaco, afirmava não ser Testemunha de Jeová. Todavia, elogiava os prisioneiros que usavam a insígnia do triângulo roxo — os Estudantes da Bíblia, como eram chamadas as Testemunhas de Jeová no campo de concentração: “Eles não vão à guerra”, disse o austríaco ao seu companheiro. “Preferem ser mortos a matar alguém. Na minha opinião, é assim que os cristãos verdadeiros devem se comportar. Tenho de lhe contar um episódio bem agradável que tive com eles. Estávamos junto com judeus e Estudantes da Bíblia num mesmo bloco do campo de concentração de Stutthof. Naqueles dias os Estudantes da Bíblia tinham de executar trabalhos forçados, ao ar livre e num frio cortante. Era difícil de entender como eles conseguiam sobreviver. Eles diziam que Jeová lhes dava forças. Necessitavam desesperadamente de seu pão, visto que estavam ‘mortos de fome’. Mas o que faziam? Juntavam todo o pão que tinham, pegavam metade e davam a outra metade aos seus irmãos, irmãos espirituais, que chegavam esfomeados de outros campos. E eles os acolhiam e os beijavam. Antes de comer, oravam, e depois o rosto deles irradiava felicidade. Diziam que ninguém estava mais com fome. Assim, sabe, pensei comigo mesmo: ‘Esses são cristãos de verdade.’ Foi assim que sempre imaginei que deviam ser. Como teria sido bom dar tal acolhida aos companheiros que chegavam famintos aqui em Auschwitz!”

[1] Hitler’s Hangman: The Life of Heydrich, pág. 105

[2] Jehovah’s Witnesses Stand Firm Against Nazi Assault, Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania, 1996.

[3] Responses Outside the Mainstream Catholic and Protestant Traditions (yadvashem.org), accessed on Jan. 3, 2022.

[4] Garbe, pp. 287-288.

[5] Garbe, Detlef (2008). Between Resistance and Martyrdom: Jehovah’s Witnesses in the Third Reich. Madison, Wisconsin: University of Wisconsin Press, p. 521. ISBN 978-0-299-20794-6.

[6] “Number of victims persecuted in National Socialist Germany and in occupied countries,” Central Europe PID fact sheet.

[7] Jehovah’s Witnesses Stand Firm Against Nazi Assault (vcf/-E), Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania, 1996.

 




Diocese de Assis

Nós não podemos tudo e não sabemos tudo!

Isso não quer dizer que sejamos inúteis, insignificantes, incapazes e impotentes. Isso não é um reforço para os nossos complexos de inferioridade, ou para os sentimentos de auto-rejeição, de auto-negação e de baixa auto-estima. Isso significa, outrossim, que somos limitados! E, nossa limitação expõe nossa humanidade: a necessidade de complemento, de ajuda, de auxílio, de ‘uma mãozinha’…

Nós não nos bastamos a nós mesmos!  Não somos deuses! Somos humanos! Precisamos uns dos outros! Precisamos de Deus.

Por uma falsa compreensão da vida, procuramos nos estabelecer sobre poderes e forças que são podres e que, no máximo, colaboram para uma auto-imagem distorcida, para vantagens de momento, para a ostentação, para a vaidade e para a mutilação da própria humanidade.

Somos humanos e carregamos, em nós, inúmeras limitações e fraquezas.

Reconhecer as limitações e fraquezas é um ato de humildade, coragem e respeito para consigo mesmo. É uma oportunidade impar de crescer amadurecendo; de viver em harmonia e de estar em paz!

O apóstolo Paulo, nos momentos de maior lucidez, de sua vida, assim se expressa:

“Eu sou humano e fraco” (Rm 7,14). “Estive no meio de vocês cheio de fraqueza, receio e tremor” (1Cor 2,3). “Se é preciso gabar-se, é de minha fraqueza que vou me gabar” (2Cor 11,30). “É na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder. Portanto, com muito gosto, prefiro gabar-me de minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. É por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,9-10).

Deus nos conhece a todos porque foi ele quem nos fez. Ele quem nos chamou para a vida e, também, nos chama para o seu serviço; assim como nós somos! Quem é forte para que Deus o escolha por sua força? Deus nos chama limitados como somos.

Nossa maneira de ver as coisas e a vida é que faz de nós pessoas microscópicas; invisíveis. É o juízo de valor materialista, hedonista, capitalista e mundano que nos torna cegos para os verdadeiros valores, poder e força.

Deus nos quer pelo que somos e, não pelo que temos; como pensa o mundo! “Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. A loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1Cor 1,25.27). Por isso é que o Cristo fez essa oração: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).

Mas, afinal, o que teríamos nós para oferecer a Deus se tudo o que nós temos é Dele? Nossas são as fraquezas, limitações, medo e orgulho. O Senhor não nos chama porque somos dignos ou capazes ou porque sejamos os melhores. O Senhor nos chama porque quer contar conosco. Ele não chama os capacitados, porque esses não existem. Deus capacita os escolhidos!

Quanto a você, portanto, por que se gabar de uma força que você não tem ou de um poder que em você não existe? Admita que você é fraco, limitado e necessitado de ajuda! Mas, fortaleça-se no Senhor! Isso lhe basta para dar os primeiros passos e viver com a tranqüilidade de quem é humano e não Deus.

“Por esse motivo, o convido a reavivar o dom de Deus que está em você pela imposição de minhas mãos. De fato, Deus não nos deu um espírito de medo, mas um espírito de força, de amor e de sabedoria” (2Tm 1,6-7).

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS 




ESPAÇO  ESPÍRITA

 

            Por mais que o mal ameace, persevera servindo ao be

            Desespero ante às situações difíceis não te conduzirá à melhor solução.                           

Se as circunstâncias em que te encontras interferem na tua paz, segue amando e servindo para que a vitória não tarde a chegar.

 

Se as pessoas com as quais convives não te compreendem, aceita-as assim como são, lembrando que também tens pontos de vista que necessitam do entendimento alheio.       

Se o teu grupo familiar apresenta problemas de difícil solução, persevera servindo e amando, para que o amor e o serviço convertam o cadinho de hoje na ventura de amanhã.    

Se a enfermidade bate à tua porta, compreende-a sem revolta, lançando mão dos recursos ao teu alcance para recuperar a saúde física, mas, também, trabalhando no sentido de alcançar mais luz por dentro, com a prova que ora experimentas.                                

Ninguém combate as sombras com escuridão; não se apaga incêndio com gasolina; não se alivia um irmão impondo-lhe a agressão.                                                                        

Por mais que a dificuldade de hoje persista, persevera no bem que já és capaz de fazer.  Assim, mais cedo do que possas imaginar, a solução aparecerá, coroando de bênçãos teu esforço para a elevação de todos.                                                                                         

Em qualquer tempo e em todo o lugar, a paz que desejamos resultará sempre do esforço que fizermos para alcançá-la, compreendendo e amando, esquecendo e servindo, para, enfim, chegarmos à felicidade imperecível, onde o mal não tem acesso.

UM AMIGO

     Extraído do livro “Diretrizes Espíritas”                         Psicografia: Clayton B. Levy – Editora EME

USE  INTERMUNICIPAL  DE  ASSIS

ÓRGÃO DA UNIÃO  DAS  SOCIEDADES  ESPÍRITAS  DO  ESTADO  DE  SÃO  PAULO




Diocese de Assis

 

          Muitos há por aí ansiosos em mudar o mundo. Outros a questionar a obra da Criação, como se o Criador mil erros tivesse cometido. Outros ainda a se por como deuses e traçar outros rumos, mais objetivos, perfeitos, sem os males da convivência humana, sem as agruras do trabalho pela sobrevivência ou das dores e provações de uma existência precária, transitória, fugaz. Por que a morte, doenças e fome? Por que tantas privações a pontear uma vida? Por que isso, por que aquilo? Todos, enfim, teriam seu dedinho de participação num projeto criativo bem mais ditoso e perfeito do que este que nos circunda e do qual bem conhecemos suas mazelas e defeitos tantos.

          Bem nos disse o escritor brasileiro Monteiro Lobato, aquele criador de tantas e tantas aventuras num sítio onde reinava um Narizinho atrevido e uma boneca cheia de ideias novas e fantasias mirabolantes. Onde Pedrinho era tão somente um diminutivo de muitos Pedros, Joões e Marias que povoam as aventuras desse mundo encantado que denominamos casa comum. Nesse sítio morava Américo, que tinha o hábito de por defeito em tudo. Não é que até num pomar paradisíaco percebeu algo errado. Onde já se viu tamanha contradição da natureza, como aquela que observou numa plantação de abóboras e num pé de jabuticabas. Por que uma árvore tão frondosa a produzir frutos tão pequeninos enquanto uma planta rasteira e frágil produzia enormes abóboras, que se misturavam ao pó da terra? Não seria mais lógico abóboras em árvores e jabuticabas à rês do chão? Assim aquele Américo que pensava ter descoberto a América, deitou-se à sombra da frondosa jabuticabeira, sonhando com outras mudanças no curso da Natureza.

          Eis que, de repente, uma pequena jabuticaba lhe cai no rosto. Desperto de seus projetos inovadores, suspirou dizendo: “Ainda bem que não foi uma abóbora. Pois se o mundo fosse arrumado por mim a primeira vítima teria sido eu. Eu, Américo Pisca-Pisca (era esse seu apelido), morto pela abóbora por mim posta no lugar da jabuticaba? Hum! Deixemo-nos de reformas. Fique tudo como está, que está tudo muito bem”.

          A lição lobatiana nos remete aos abusivos projetos de muitos, quando colocados acima e adiante do projeto inicial de Deus. O ato da criação foi perfeito e continua sendo em todos os seus nuances, objetivos e projeções no tempo e no espaço estipulados por Ele. A Perfeição do que é Divino não aceita remendos, nem mudanças, nem implantes. “Deus viu que tudo era bom!” Então, como ficamos? Nossa participação nesse projeto é de continuidade, de aprimoramento para tudo aquilo que nos conduza à vida, aperfeiçoe e aumente nossas expectativas de vida, aumente nossos conhecimentos e definições de sua plenitude, nunca da morte e sua finitude. Projetos de vida ignoram e se contrapõe aos projetos de morte. Vida é graça, dádiva divina. Morte é pecado, cegueira humana. Portanto, se desejarmos a continuidade desta, a perpetuação de nossa história como frutos semeados num Paraíso, cada qual a seu tempo e em seu lugar, não podemos enxertar nossa existência fora do projeto inicial que Deus nos traçou. Cada um com sua história e no seu próprio espaço. Como abóboras ou jabuticabas, grandiosos frutos em rama frágil ou pequenos e saborosos frutos em árvores frondosas. Não importa. Todos aqui estamos para realizar um projeto perfeito, um plano existencial agradável a Deus e aos olhos Dele, nunca dos homens. Faça sua parte. Esqueça as ilusões facciosas daqueles que querem mudar o mundo, mas não se aceitam como realmente são. Não aceite enxertos em sua vida. Siga os Planos de Deus para si. Seja você uma abóbora maravilhosa ou uma jabuticaba tenra e doce.

WAGNER PEDRO MENEZES [email protected]




Diocese de Assis

 

Quem sou eu? Com esta pergunta básica-fundamental nos colocamos diante da existência, como seres únicos e irrepetíveis; nos afirmamos, como pessoa, diante de uma multidão de existentes; nos lançamos para frente, assumindo um caminho e uma caminhada; nos relacionamos com o mundo e descobrimos nossa identidade; nos formamos abraçando nossa vocação e missão.

Os processos da vida, não acontecem sem conflitos, crises e rupturas. Todos nós somos frutos de muitos embates e lutas internas e externas. Assim vamos sendo feitos, na forja da vida. Do nascer à morte, vamos sendo moldados.

Para a fé, isso é um princípio! É uma verdade que nos acompanha e que nos permite ser o que somos. Ninguém nasce pronto e acabado. Pouco-a-pouco, vamos sendo feitos, até a plenitude.

PE. Edvaldo Pereira dos Santos

Porque a vida é um processo de construção, isso não significa que somos uma folha em branco que precisa ser escrita ou preenchida por algo que não temos ou que não somos. Não! Isso não. Trata-se, antes de tudo, de um processo, paulatino, de autoconsciência, auto-aceitação, autoapropriação… combinado com uma gama de traços culturais, sociais, econômicos, familiares, religiosos, teológicos, transcendentais, sexuais, afetivos, emocionais, sentimentais… Na verdade, nós somos um complexo humano ligado por muitos pontos de conexões. Sendo essa a nossa complexidade existencial, temos um devir histórico que ultrapassa todos os modismos, achismos, reducionismos e febre da democracia de gênero e não gênero; dos determinismos de fé e não fé, do dualismo de bem e de mal, do liberalismo da política e da economia e todos os abismos cismáticos desta nossa época de crise de identidades e sentidos.

A Sagrada Escritura nos ajuda a visualizar e pontuar o caminho da ressignificação humana, a partir do senso criativo e missionário de Deus em relação ao ser humano, obra de suas mãos.

No livro do Profeta Amós 7,12-15 encontramos a expressão: “Foi Javé quem me tirou de trás do rebanho, e me ordenou…”, sobre o bonito processo de autoconsciência do profeta que, diante da missão recebida, autocompreende-se e assume sua identidade e vocação.

“Então Amasias disse a Amós: “Vidente, vá embora daqui. Retire-se para a terra de Judá. Vá ganhar a sua vida fazendo lá suas profecias. Não me venha mais fazer profecias em Betel, pois isto aqui é o santuário do rei, e é templo do reino”. Amós respondeu a Amasias: “Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta. Eu sou criador de gado e cultivador de sicômoros. Foi Javé quem me tirou de trás do rebanho, e me ordenou: ‘Vá profetizar ao meu povo Israel’.”

Na carta de São Paulo aos Efésios 1,3-14 encontramos um lindo bendito da graça sem limite, do complexo humano, afirmado sobre o amor de Deus.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo: Ele nos abençoou com toda bênção espiritual, no céu, em Cristo. Ele nos escolheu em Cristo antes de criar o mundo para que sejamos santos e sem defeito diante dele, no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por meio de Jesus Cristo.”

Mas, é o próprio Jesus, no Evangelho de Marcos 6,7-13, quando do envio dos doze, em missão, dá o panorama da vida, vocação e missão: vencer os males do mundo e suas impregnações diabólicas nas pessoas:

“Jesus começou a percorrer as redondezas, ensinando nos povoados. Chamou os doze discípulos, começou a enviá-los dois a dois e dava-lhes poder sobre os espíritos maus. Jesus recomendou que não levassem nada pelo caminho, além de um bastão; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas.’(…) Então os discípulos partiram e pregaram para que as pessoas se convertessem.”

Aquele que nos fez e, nos conhece, nos apresenta a nós mesmos; à nossa vocação e missão!

PE. Edvaldo Pereira dos Santos




Espaço Espírita

 

ESPAÇO  ESPÍRITA

 

 

 

 

       

“Guardai-vos, não façais as vossas boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles.” JESUS (Mateus, 6:1)

            Ampara, socorre, abençoa quantos ao teu lado passem pela vida transtornados pelas próprias aflições.                                                                                                                    

Tens em teu caminhar, filho meu, a cada dia que passa, oportunidades crescentes de auxiliar alguém.                                                                                                                          

Se Deus te fez forte, ampara aqueles que não o são.                                               

Se Deus te proporciona uma vida relativamente feliz, socorre os que se encontrem mergulhados no desespero.                                                                                                                  

Se Deus te concedeu condições de saber e de entender o porquê da vida, abençoa os que permanecem na ignorância espiritual.     

Muitas oportunidades têm sido concedidas a ti. Não as percas, afeiçoando-te ao comodismo ou prendendo-te a sentimentos egoístas, que só enxergam as próprias necessidades.                                                                                                                                   

Caminha confiante no amparo do eterno Pai e prossegue fazendo ao próximo o que desejarias que te fizessem.                                                                                                       

Não permitas, porém, que o orgulho se sobreponha a qualquer sentimento de caridade que possa aflorar em ti. Ampara e socorre sem mostrar-te superior a ninguém.                       

Auxilia sem exibicionismos. Oculta a mão que estenderes, para que não seja vista por mais ninguém.                                                       

Sê humilde na caridade que praticar, a fim de que não anules, pelo orgulho, todo o bem que vieres a fazer. 

IRMà MARIA  DO  ROSÁRIO

Extraído do livro “Na cura da alma” – Psicografia: Lúcia Cominatto – Editora EME                                                                                                                           

USE INTERMUNICIPAL  DE  ASSIS

ÓRGÃO  DA  UNIÃO  DAS  SOCIEDADES  ESPÍRITAS  DO  ESTADO  DE  SÃO  PAULO