Diocese de Assis

 

          Chegamos a uma encruzilhada capaz de moldar nossas opções. Aliás, toda e qualquer encruzilhada sempre nos obriga a uma escolha, seguida do desejo de acertar e seguir o melhor caminho. A opção pelo Cristo, por seu seguimento e obediência a seus ensinamentos, também é uma dessas escolhas que um dia fizemos, faremos ou não. De uma forma ou de outra, essa opção religiosa exige uma atitude de coerência, o chamado testemunho de fé. Sem este, não há porque se dizer cristão. O testemunho é tudo na prática cristã.

          Foi essa a atitude mais marcante na história de vida de João Batista, o primeiro dos cristãos ainda no ventre da mãe, o primo consanguíneo que por primeiro anunciou a novidade cristã: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Isso não era um simples anúncio, um presságio qualquer, mas a mais profunda das certezas semeada e germinada com o vigor do coração profético daquela tênue voz… Aquela “voz que clama no deserto”, como diria Jesus, era portadora da mais pura das verdades ansiada e desejada por gerações milenares, que escreveram suas histórias ao custo de muita dor, sofrimento constante, mas esperança sempre renovada. “Eu vi e dou testemunho”, diria o profeta.

          Esse profetismo e testemunho incondicional, quase um pacto de sangue em prol da verdade messiânica, está se esgotando nos dias atuais. Estamos atravessando tempos nebulosos e de gritante arrefecimento da fé. Muitas cabeças hoje rolam, mas não como rolou a de João, entregue de bandeja aos caprichos e ciúmes de Salomé, a filha da  rainha, corrompida pelo pecado da ambição, do poder, da vaidade sem limites. Salomé, a serpente dos apelos mundanos, tem agora outras facetas, mas a mesma perversão daquela que persuadiu o rei. Continua idêntica em seus sorrateiros ataques à ingenuidade daqueles que a ela se submetem, pois todos os que se deixam enganar pelas seduções das belezas e ilusões mundanas, colocam a própria cabeça a prêmio. Com uma diferença: essa sentença, ao contrário daquela que vitimou o inocente Batista, fazem por merecer. Os palácios dos homens que cultuam a vida e seus prazeres, mas desdenham da dor e sofrimento da grande maioria de semelhantes ao largo dos seus reinados, não podem, não devem, não merecem proteção alguma das forças sobrenaturais que – estas sim – governam o mundo.

          Dia mais, dia menos, daremos conta do prejuízo que a incerteza na fé está propiciando à vida. Reconhecer o “Cordeiro de Deus”, que passa entre nós, é fácil, possível a qualquer vivente possuidor de um mínimo de razão ou consciência. Porém testemunhar sua autenticidade e ação exige comprometimento público. E aqui é que são elas. Nem sempre se é capaz de colocar em risco privilégios, mordomias, status ou mesmo prestígio político-social. Nem sempre a visão da fé é capaz de ampliar os horizontes da triste realidade do ceticismo, hedonismo e secularismo que hoje limita nossas atitudes testemunhais e aumenta nossas preocupações meramente transitórias. Deus é mais. É aquele que passa e tira o pecado do mundo! Purifica com água, mas batiza com fogo!

           Testemunhar é penetrar nessa fogueira, nesses mistérios de amor e fé. Batismo de Fogo é o nome… Quem realmente deseja ver restaurados os valores cristãos e humanos no mundo que hora ocupamos, precisa imergir nessa fogueira que queima sem consumir, que abrasa sem nunca esfriar, que brilha sem deixar sombras… A fé verdadeira, simples como a pomba, cristalina como a mais pura água, só será vencedora se forjada no fogo do Espírito que nos governa. “Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus!” (Jo 1,34).

WAGNER PEDRO MENEZES [email protected]

            




Diocese de Assis

Compreender o mundo é um esforço que passa, não apenas, pelo poder letrado das pessoas porque, não é uma obra de especialistas. Na verdade, antes de ser macro, o mundo é micro. Isso significa, em primeiro lugar, que o mundo tem o tamanho do espaço, do tempo e das relações onde cada um vive e atua. Assim, o mundo deve ser compreendido, antes de tudo, a partir da minha relação com este mundo porque, cada um vê o mundo a partir do lugar em que ele está e, esse lugar não é somente geográfico mas, político, econômico, religioso, cultural, afetivo, ideológico… São vários filtros que nós usamos para “ver” o mundo. Por isso é que se diz: “cada ponto de vista é visto de um ponto”.

Enquanto compreensão, o mundo é micro, antes de ser macro. Mas não são vários mundos: são dimensões diferentes. Portanto, há que se ponderar que nada, neste mundo, é absoluto. Tudo é relativo, a não ser, por exemplo, princípios como o respeito à vida e à dignidade.

O mundo é uma realidade complexa, então, compreender o mundo é, também, uma obra complexa que deve levar em conta a responsabilidade de cada um na verdade sobre o mundo. Quem olha para o mundo o vê a partir de dentro e não de fora. E, não tem como se isentar. Por isso, todos somos responsáveis, por ação, por omissão ou por conivência.

A responsabilidade não é uma régua para medir culpa e nem fazer acusações mas, um fator de correspondência que, deixa claro como cada um está implicado nas relações e acontecimentos, que movem o mundo onde cada um está imerso. Responsabilidade não é uma câmera escondida que exerce vigilância para inibir ou incriminar mas, um luzeiro que deixa em exposição os atos de cada um no exercício de suas crenças, vontades e liberdade.

A responsabilidade é, o tempo todo, uma resposta nossa que nos envolve por inteiro, dos pés à cabeça; é a nossa marca onde passamos e onde agimos; é nossa digital existencial; é nosso carimbo. É pessoal mas, pode ser, também, familiar, comunitária, social…

É de se perguntar: Que noção temos de nossa responsabilidade? Sabemos que a responsabilidade define exigências sobre nós? Temos consciência de que não estamos isentos? Entendemos que a responsabilidade também tem níveis de corresponsabilidade?

As vezes é mais fácil culpar do que responsabilizar porque, a culpa se refere a um ato determinado e, as vezes isolado. A responsabilidade não! A responsabilidade não é, simplesmente, culpa porque, além do ato culpável, olha para as conseqüências do ato que, pode ser individuais e/ou sociais, locais e/ou universais, pequenas e/ou grandes, reparáveis e/ou irreparáveis, imediatas e/ou mediatas, presentes e/ou futuras…

Pensar, na linha da responsabilidade, nos leva a enxergar o universo mais abrangente de todas ações ou omissões humanas e o espectro de suas conseqüências. Por isso, antes de uma sentença de culpa, a responsabilidade chama a cada um para prestar contas de suas responsabilidades e compromissos.

Todos nós somos responsáveis: querendo ou não, sabendo ou não, conscientes ou não, livres ou não, crescidos ou não…

A responsabilidade não é uma escolha, é uma conseqüência! Nesse sentido, quanto mais consciência de nossa responsabilidade, melhor será a nossa resposta.

Sejamos responsáveis porque é assim que todos devemos ser tratados; porque este é o estágio desejável do crescimento e da maturidade humana; porque esta é a nossa razão de ser; porque este é o nosso maior legado!

 

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS




Testemunhas de Jeová retomam assembleias presenciais este ano

 

O ano de 2023 começará com uma novidade para milhões de Testemunhas de Jeová – o retorno presencial das suas assembleias. Devido à pandemia, essas grandes reuniões ficaram suspensas por quase 3 anos. No período mais crítico, os discursos foram gravados e apresentados pela internet. Agora, no mundo todo e inclusive no Brasil, pessoas de diferentes lugares poderão se reunir presencialmente para assistir a um programa de instrução bíblica alegre e motivador.

Em 2023, as assembleias das Testemunhas de Jeová terão como assunto central a paz e a união entre as pessoas. Para o porta-voz das Testemunhas de Jeová, Kleber Barreto, a humanidade nunca precisou tanto de conselhos para conviver em paz, num espírito de tolerância e de respeito. “Ficamos fortalecidos ao ouvir histórias de pessoas que continuam a se empenhar pela paz, apesar dos desafios”, acrescentou. Além de palestras bíblicas, as assembleias contam com entrevistas, encenações, batismos e músicas de louvor.

Deyse Honório, Testemunha de Jeová há anos, aguarda com grande expectativa a volta presencial desses eventos. Para ela, que assiste regularmente essas reuniões há aproximadamente 35 anos, “o retorno das assembleias representa o amor e o cuidado de Deus conosco e a certeza de que ficaremos bem junto com nossos amigos”.

No Brasil, haverá assembleias em diversos idiomas além do português, como língua brasileira de sinais, crioulo haitiano, guarani, espanhol e japonês. Esses eventos são abertos ao público de todas as idades e têm cerca de seis horas de duração, com intervalos. A entrada e participação são totalmente gratuitas.

Para saber o dia, local e horário de uma assembleia em sua região fale com uma Testemunha de Jeová ou acesse a seção Encontre uma reunião no site JW.ORG. Você e sua família serão muito bem-vindos!

 

PORTA-VOZ DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ  Gilberto Santos Contato: [email protected]




Espaço Espírita

 

Todas as vitórias da criatura são frutos substanciosos da perseverança.
Perseverando na edificação do progresso, mentes e corações, sem cessar, renovam os itinerários da própria vida.

O estudante incipiente chega a ser o erudito professor.

O curioso bisonho transforma-se no artífice genial.

A alma inexperiente atinge a angelitude.

Dir-se-ia constituir o triunfo evolutivo um hino perene à constância no aprendizado.
Sem firmeza e tenacidade, a teoria do projeto jamais deixará o sonho do vir-a-ser…
Por esse motivo, compete-nos recordar a necessidade imperiosa da perseverança desde os mínimos cometimentos até às realizações mais expressivas do bem para atingirmos o êxito duradouro.

Sem a chama da perseverança, a educação não pode patrocinar a iluminação das consciências; a edificação assistencial não surge na face planetária qual farol benfazejo asilando os náufragos da viagem terrena, e o “homem de ontem” não alcançará a claridade do “homem de hoje” para maiores conquistas do “homem de amanhã”.

Se almejas superar a ti mesmo, recorda a firme inflexão da voz do Cristo Excelso: – “aquele que perseverar até ao fim será salvo”.

Asila-te na fortaleza da fé viva, lembrando que os transes que te visitam, por mais profundos e desconcertantes, têm limites justos e naturais, e que nos cabe o dever de servir, confiar e esperar, para nossa própria felicidade, aqui e agora, hoje, amanhã e sempre.

EMMANUEL

Extraído do livro “Ideal Espírita” – Editora CEC – Psicografia: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

USE INTERMUNICIPAL DE ASSIS
ÓRGÃO DA UNIÃO DAS SOCIEDADES ESPÍRITAS DO ESTADO DE SÃO PAULO




Diocese de Assis

A Sagrada Escritura, em suas primeiras páginas, nos coloca diante de um drama da humanidade, uma verdadeira tragédia: o medo dos passos de Deus produzido pela queda do pecado! O texto é de Gn 3,1-24.

A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que Javé Deus havia feito. Ela disse para a mulher: “É verdade que Deus disse que vocês não devem comer de nenhuma árvore do jardim?” A mulher respondeu para a serpente: “Nós podemos comer dos frutos das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Vocês não comerão dele, nem o tocarão, do contrário vocês vão morrer’ “. Então a serpente disse para a mulher: “De modo nenhum vocês morrerão. Mas Deus sabe que, no dia em que vocês comerem o fruto, os olhos de vocês vão se abrir, e vocês se tornarão como deuses, conhecedores do bem e do mal”

Então a mulher viu que a árvore tentava o apetite, era uma delícia para os olhos e desejável para adquirir discernimento. Pegou o fruto e o comeu; depois o deu também ao marido que estava com ela, e também ele comeu. Então abriram-se os olhos dos dois, e eles perceberam que estavam nus. Entrelaçaram folhas de figueira e fizeram tangas.

Em seguida, eles ouviram Javé Deus passeando no jardim à brisa do dia. Então o homem e a mulher se esconderam da presença de Javé Deus, entre as árvores do jardim.

Javé Deus chamou o homem: “Onde está você?” O homem respondeu: “Ouvi teus passos no jardim: tive medo, porque estou nu, e me escondi”. Javé Deus continuou: “E quem lhe disse que você estava nu? Por acaso você comeu da árvore da qual eu lhe tinha proibido comer?” O homem respondeu: “A mulher que me deste por companheira deu-me o fruto, e eu comi”. Javé Deus disse para a mulher: “O que foi que você fez?” A mulher respondeu: “A serpente me enganou, e eu comi”.

Então Javé Deus disse para a serpente: “Por ter feito isso, você é maldita entre todos os animais domésticos e entre todas as feras. Você se arrastará sobre o ventre e comerá pó todos os dias de sua vida. Eu porei inimizade entre você e a mulher, entre a descendência de você e os descendentes dela. Estes vão lhe esmagar a cabeça, e você ferirá o calcanhar deles”.

A solução de Deus para o drama do medo-fuga de Adão e Eva, que os levou mais profundamente para o abismo da distância de Deus não é a inimizade entre o tentador e o ser humano. Amizade só com Deus, porque a amizade conquista para a vida e não para a morte. Como lembra são João no evangelho: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça.” (Jo 15,12-16)

Mas a resposta cabal chega com Cristo, cuja vida é penhor de salvação eterna porque, realiza o resgate de todos nós que sucumbimos ao pecado, quando cedemos à amizade com o tentador, como assevera são Pedro em sua primeira carta: “De fato, para isso é que vocês foram chamados, pois Cristo também sofreu por vocês, deixando-lhes exemplo para que sigam os passos dele. Ele não cometeu nenhum pecado e mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. Quando insultado, não revidava; ao sofrer, não ameaçava.Antes, depositava sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. Sobre o madeiro levou os nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que nós, mortos para nossos pecados, vivêssemos para a justiça. Através dos ferimentos dele é que vocês foram curados, pois estavam desgarrados como ovelhas, mas agora retornaram ao seu Pastor e Guardião” (1Pd 2,21-25).

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS




Diocese de Assis

 

 

          Quando o cardeal alemão Joseph Ratzinger, responsável pela área de Doutrina e Propagação da Fé dentro da Igreja Católica, foi proclamado Papa, em 19 de abril de 2005, um clima de preocupação tomou conta de grande parte do clero no mundo.  Estava no auge, especialmente nos países latino-americanos, a corrente doutrinaria conhecida como Teologia da Libertação, da qual o cardeal tornou-se crítico ferrenho, colocando em “silencio obsequioso” vários teólogos da berlinda, dentre os quais seu aluno “dileto”, o brasileiro Leonardo Boff. As trocas de farpas entre ambos eram conhecidas de todos, mas agora ter um papa como oponente nas ideias teológicas era ter um opositor de peso. Levou anos para se serenar esse conflito teológico, porém venceu a genialidade e extraordinária clareza ideológica do velho e bom professor.

           Bento XVI, como escolheu ser chamado, assumiu seu pontificado com a mão forte de alguém que bem conhecia o terreno onde pisava. Comandou por oito anos o rebanho de Cristo, com firmeza e determinação sem precedentes dentro da guerra ideológica que quase dividia a Igreja na época. Dizia em sua clareza pastoral:” Se alguém criticar a Igreja, não silencie… Defenda-a com coragem, pois ela é nossa Mãe”. E assim o fez durante seu pontificado, até que, num gesto de abnegação extremada, renunciou! Como assim? O primado de Pedro não é vitalício? Estaria ou não se contradizendo em seu ministério, se perguntavam seus seguidores e os grandes historiadores da era cristã. Houve já casos similares na história da Igreja, mas isso não seria omissão?

          O tempo nos provou a genialidade desse gesto. Sentindo suas forças se esvaírem e as limitações temporais impedirem maiores audácias em suas ações de líder maior do rebanho de Cristo, nada mais justo que ceder espaço a alguém com maiores vitalidades. Não seria justo continuar ocupando aquela cátedra quando o governo de um rebanho exigia mais lucidez e dedicação integral. Renunciou, sim, mas ficou na retaguarda. Como bem disse recentemente seu sucessor, o Papa Francisco: “O silêncio de Bento XVI é que tem governado a Igreja”. Seu silêncio e suas orações.

          Tão verdade essa afirmativa, que, ao completar seus 95 anos, em 18 de junho de 2022, em Munique, Alemanha, o Papa Bento comentou sobre essa sua “missão” orante pela Igreja, centro de suas preocupações e intercessões junto a Deus. Falava a seu secretário dessa sua constante preocupação, apesar de sentir a proximidade de seu fim terreno e pedir a Deus que abreviasse seus dias. Ansiava por um encontro com seu Senhor. Deixou então escapar uma afirmativa bem pessoal: “Nunca teria acreditado que seria tão longa a última parte do caminho” … Só mesmo uma alma sedenta de um encontro definitivo seria capaz de formular tão estranho, mas suave desejo!

          Esse foi Bento, o Papa que perdemos no limiar desse ano de muitas luzes e trevas, muitas esperanças e decepções, muitas derrotas e conquistas… Bento XVI, o Bentinho para alguns que se sentiam intimo pela sua pureza e simplicidade, mas o Ratzinger temido e respeitado por aqueles que se arvoravam em suas teologias e dogmas doutrinários, o alemão que abriu mão de seus carismas e poderes dentro da Igreja institucionalizada, para ser somente uma voz orante, deixou-nos um testemunho questionador ao escrever recentemente, quase as portas de sua morte: “Em breve me encontrarei diante do juiz supremo. Embora olhando para trás em minha longa vida eu possa ter tantos motivos para tremer e temer, ainda assim estou com o coração feliz porque confio firmemente que o Senhor não é apenas o juiz, mas ao mesmo tempo o amigo e irmão que já sofreu ele mesmo minhas insuficiências e, portanto, como juiz, é ao mesmo tempo meu advogado”.

WAGNER PEDRO MENEZES [email protected]

 

 




Espaço Espírita

 

           No Ano Novo que chega, repleto do amor de Deus, desejamos muitas bênçãos para ti e para os teus.

Que possas manter acesa a chama azul da bonança, semeando a fraternidade, a caridade e a esperança.                           

No ano que chega agora, cheio de oportunidades, que transformes desafetos em felizes amizades.

Estuda firme e trabalha para o bem do mundo, onde estejas, pois só gozarás as bênçãos dos valores que projetas.                                       

Procura passar distante, no tempo que Deus te oferta, das dissipações, dos vícios, na busca da estrada certa.                                                    

Pensa melhor na vivência junto aos teus familiares. Educa, ama e orienta, para te felicitares.

Saúda esse novo tempo com paz no teu coração, envolvendo os teus afetos na mais sentida oração. 

E se plantares, com fé, as sementes de alegria, teu Novo Ano, então, será de belezas, dia-a-dia.

SEBASTIÃO  LASNEAU

Psicografia: J. Raul Teixeira                                                                                                            

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ESPAÇO  ESPÍRITA

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.” JESUS (Lucas, 14:33)

    Enquanto a disputa pela conquista dos valores-sem-valor comanda o desequilíbrio que se generaliza entre os homens; ao tempo em que a criatura se ar­remessa, desvairada, na corrida do prazer a fim de se não sentir marginalizada; não obstante a sofre­guidão com que os indivíduos se vêem a braços de modo a lograrem posição e relevo no cenário social; embora a fascinação pelo brilho dos primeiros luga­res na ribalta das atividades com que se desajustam muitos seres, convém recordarmos a excelência da renúncia como terapêutica de alta urgência para a saúde física e mental dos que aspiram à paz e am­bicionam a perene alegria…

    Renúncia num exame apressado pode parecer covardia ou significar amolentamento de caráter.

    Considerando-se que é muito mais fácil a der­rocada na competição das paixões animalizantes em que apenas predominam as potencialidades do instin­to, a renúncia, que significa requisito moral, dificilmente logra entendimento ou aceitação.

    Todavia, possuidor é aquele que cede.  

    Mordomos transitórios do que nos passam pelo caminho: corpo, bens, objetos, valores, somente per­manecem imanentes os tesouros inapreciáveis que di­manam das fontes geratrizes do espírito: amizade, amor, perdão como títulos de caracterização legíti­ma de cada ser e de todas criaturas.

    Renunciar, todavia, não é abandonar a causa ou ideal, antes contribuir de modo eficiente para o bem geral, sem a ênfase da egolatria.

    Renunciando, Jesus conseguiu modificar o es­tado social da Humanidade, desde a sua hora e o seu dia, facultando ao homem a perfeita identificação entre os valores reais e os transitórios bens a que se dão valor e logo se consomem. 

    Face a qualquer situação ou em qualquer cir­cunstância litigiosa em que as ambições se empenhem, danosas, reflete e renuncia, liberando-te da canga constringente da ambição desvairada, porquanto as conquistas que facultam a paz, como enun­cia o Evangelho, em relação ao Reino de Deus, não vêm com aparência externa.

JOANNA DE ÂNGELIS

Extraído do livro “Convites da Vida”

Psicografia: Divaldo Pereira Franco – Editora Alvorada

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Diocese de Assis

 

          Em tempos de mudanças e expectativas, como em qualquer final de ano, o coração humano se enche de planos e sonhos renovados. Natural e positivo tal comportamento. Como também natural e positiva a renovação espiritual daqueles que acreditam na força interior de suas opções religiosas. Especialmente para aqueles que vivem uma espiritualidade encarnada e conflitante com o mundo. Um mundo cada dia mais agnóstico.

          Posto esse cenário, vem a questão: Como viver a fé em meio à descrença de muitos? Para nós, cristãos, essa é nossa prova dos nove, ou seja, o destemor e a alegria devem ser nossas características primeiras. Desafiar o mundo com espadas ou ironias não são armas apropriadas para quem se diz (ou ao menos tenta ser) um emissário da Paz que vem do alto. As armas do cristão são suas mãos vazias, estendidas na ação de solidariedade com o próximo ou unidas em louvor constante às dádivas que vem dos céus. Mãos que se usam na ação e na oração.  Não nos competem os argumentos da força, da coação, da discórdia, da violência ou do ódio, comuns entre aqueles que ignoram os princípios básicos da fraternidade que sonhamos. Se o mundo rejeita esse caminho, lembra-nos que por primeiro já rejeitou aquele que se fez o Caminho, Verdade e Vida. Mas Ele está voltando…

          Por uma dessas ironias que a realidade aparentemente oposta faz aos princípios da fé cristã, um irmão missionário escreveu-me o seguinte texto, nesta semana: “Já vi jovens usando camisetas com a mensagem ‘Lúcifer está voltando’. Se existir blasfêmia maior contra Deus, essa é uma delas”. Obrigado Adroaldo. O pior não é o anúncio de uma possível e gloriosa volta demoníaca, pois esta acontece deste o princípio da nossa história. Lúcifer sempre esteve conosco, nunca nos deixou. Essa é a verdade. Mas também é verdade que sua ação no mundo se intensifica de quando em vez. Como nos dias atuais. Lúcifer está deitando e rolando entre nós. E, por certo, dando boas e terríveis gargalhadas.

          Todavia, o Advento cristão renova nossas esperanças. Contemplar um Cristo menino numa manjedoura é alimentar as expectativas de um mundo melhor à luz das promessas de Deus. É contemplar a simplicidade e a grandiosidade da Promessa. E essa também é textual em nossas vidas: “Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo… e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 32-33). Não há o que temer diante da solidez dessa promessa. Não só nos dá certezas de vitória, como também enche nossos corações de alegrias e esperanças redobradas. “Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo e me tornareis a ver”. (Jo 16,16). Não podemos limitar esse espaço de espera ao tempo já passado (em especial aqueles três dias de morte e ressurreição), nem à promessa de “um advogado” o paráclito a defender nossas causas, mas também e principalmente à sua volta gloriosa “a julgar os vivos e os mortos”, a fazer a justiça que almejamos com ansiedade…

          Então a injusta perseguição, incompreensão, intolerância e cinismo do mundo contra os princípios cristãos cairá por terra. Porque fomos resgatados ao preço da dor. Porque “outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes” (Ef 5,8). Porque, mesmo diante de uma realidade antagônica ao que imaginamos e sonhamos ou à aparente decepção humana diante da Criação divina, aquela em que Ele só viu perfeição, nossa esperança ainda é maior e mais sólida. O caos nunca existirá para quem espera e confia. Porque Ele voltará triunfante, num novo Natal de luzes. E seu Reino não terá fim.

WAGNER PEDRO MENEZES [email protected]

 

           




Diocese de Assis

O tempo presente é de Festa: há todo um ritual de preparação até chegar para o momento. O Natal não é simplesmente festa, é festa litúrgica, por isso compartilho com todos uma reflexão sobre festa.

Festa é a linguagem mais completa e eloqüente da vida humana. Festa é um patrimônio da humanidade. Uma festa traduz, sempre, de modo grandioso, as verdades, os valores e a beleza existente no nascimento e na morte, nas lutas e nas labutas, nas alegrias e nas tristezas, nas vitórias e nos fracassos, nas perdas e nos ganhos, nas conquistas e nas derrotas, nas dúvidas e na fé de todos nós.

Festa é sempre Celebração da Vida. E sua perpetuação é garantida pelos ritos, símbolos, gestos que ocupam o imaginário das pessoas, ultrapassando a linha do tempo e as fronteiras sócio-culturais.

Festa litúrgica é tudo isso, só que vivido e experimentado dentro de uma perspectiva religiosa porque remete à esfera do Divino e do Sagrado todo o sentido e o valor do que está celebrando. Isso quer dizer que, o enfoque, a razão primeira e o motivo fundamental da Celebração são as obras de Deus na vida humana e, por conseguinte, a atração, o fascínio, o impacto, a emoção, o calor e os sentimentos experimentados em razão destas “obras exemplares”.

Quando olhamos a Sagrada Escritura, nos deparamos com uma enormidade de festas, ligadas, principalmente, ao universo simbólico do mundo agro-pastoril, porque este é o eixo da existência e da sobrevivência do povo da Bíblia. Encontramos a festa das Tendas, do Dia da Expiação, dos Tabernáculos, da Páscoa, do Sábado, de Pentecostes e muitas outras festas. Com isso, a Tradição Bíblica nos ensina que, a razão de ser das festas é manter viva a memória histórica dos grandes feitos de Deus e o senso de valor e pertença a esta história. Na Sagrada, Escritura, portanto, festa é um SINAL de algo primoroso: a relação entre Deus e os homens.

O Cristianismo conservou as festas no bojo de sua concepção teológico-doutrinária garantindo-lhes o sentido místico mas, aprofundando e desenvolvendo seu poder pedagógico para iniciar e inserir as pessoas no mundo do sagrado e da fé, a partir das ricas experiências de Deus feitas pelo Povo de Israel.

O Catolicismo, depositário de uma herança de fé milenar, mantém a mesma tradição bíblico-cristã das festas, como espaço genuíno de celebração da vida e das grandes obras de Deus. E perpetua, através delas, aquele senso de valor e de pertença à História de Salvação que os nossos antepassados viveram e que continua sendo atual e verdadeira para nós.

O Cristianismo, num período importante de auto-afirmação, suplantou os cultos pagãos politeístas e a festa ao Deus sol com a festa do único Deus e Sol verdadeiro: o Cristo. Sendo assim, o dia 25 de dezembro foi consagrado para celebrar a Festa do Natal de Jesus.

O natal como celebração do Nascimento de Jesus é um marco referencial porque, estabeleceu o início de um novo tempo, tanto no calendário como na história da humanidade. O Natal é um divisor de águas entre para a fé, a cultura e para a sociedade.

O Sentido bíblico do natal começa com uma promessa de Deus: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe porá o nome de Emannuel – Deus-conosco” (Is 7,14). Deus cumpre a sua promessa: “quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher” (Gl 4,4).  Assim, “a Palavra de Deus se fez homem e habitou entre nós” (Jo 1,14).

Natal é a festa universal da Encarnação de Deus na vida e na história humana. O nascimento de Jesus confirma e cumpre o propósito de Deus em relação a nós: nos resgatar, nos recuperar do pecado e nos salvar.

A ordem é festejar! Nós somos festa! Vida longa a todos nós para que, depois das festas na terra, alcancemos celebrar a festa no céu! Feliz Natal a todos. Que o menino Jesus seja, de fato, a novidade da festa que celebramos.

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS