Redação do Enem: professor reúne dicas para evitar erros e buscar a nota 1000 na reta final

 

Barueri, 04 de novembro de 2026 – Faltando poucos dias para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece nos próximos domingos, 8 e 15 de novembro, muitos estudantes concentram os esforços na revisão dos conteúdos, mas também precisam estar atentos a uma etapa que pode fazer diferença significativa no resultado final: a redação é um texto dissertativo-argumentativo, em até 30 linhas, focado em um assunto de relevância social, cultural, científica ou política.

A produção textual exige mais do que uma tese bem construída: o estudante precisa mobilizar repertório sociocultural pertinente e apresentar uma proposta de intervenção detalhada, que respeite os direitos humanos. Avaliado em cinco competências e com pontuação máxima de 1.000 pontos, o texto cobra domínio da língua, capacidade argumentativa e compreensão do problema proposto. Na última edição, apenas 10 dos 3,37 milhões de participantes alcançaram a nota máxima.

Segundo o professor de Língua Portuguesa e Redação da Escola Internacional de Alphaville (EIA), Thiago Silvério Barbosa, uma boa redação precisa ser planejada antes mesmo de o estudante começar a escrever. Mais do que tentar adivinhar o tema ou decorar repertórios na última semana, o momento é de reforçar a estrutura do texto, revisar erros recorrentes e treinar a leitura cuidadosa da proposta.

“Na reta final, não é hora de tentar transformar completamente a maneira como o aluno escreve. O mais importante é identificar os pontos que ainda podem comprometer a redação e criar um procedimento seguro para o dia da prova: compreender exatamente o tema, definir uma tese, selecionar argumentos que realmente sustentem esse ponto de vista e revisar o texto antes de entregá-lo”, explica.

Antes de escrever, entenda exatamente o que está sendo pedido

Um dos erros mais prejudiciais é começar a redação imediatamente após ler o tema. Antes de pensar nos argumentos, o candidato deve compreender o recorte proposto e identificar qual é o problema que precisa ser discutido.

“Uma palavra ou expressão do tema pode mudar completamente o direcionamento da redação. Por isso, o estudante precisa ler a proposta com calma, observar os textos motivadores e se perguntar: qual é exatamente o problema apresentado? Qual é o recorte que preciso desenvolver? A partir daí, fica mais fácil construir uma tese que responda à proposta”, orienta Thiago.

O professor recomenda ainda evitar a tentativa de encaixar um texto previamente decorado no tema apresentado. Os textos motivadores devem ser utilizados para compreender a discussão proposta, mas o candidato precisa construir sua própria argumentação.

Defina a tese antes de começar a desenvolver os argumentos

Depois de compreender o tema, o estudante deve estabelecer com clareza qual será o ponto de vista defendido. Essa decisão funciona como um “norte” para o restante do texto e ajuda a evitar que os parágrafos de desenvolvimento apresentem ideias desconectadas.

“A tese não precisa ser uma frase sofisticada. Ela precisa ser clara e permitir que o leitor entenda qual posição será defendida ao longo da redação. Se o aluno não consegue explicar para si mesmo qual é a sua tese, provavelmente ainda não está pronto para começar a argumentação”, afirma o professor.

A partir dela, a recomendação é selecionar dois argumentos capazes de sustentar o ponto de vista. Em vez de acumular muitas referências, o candidato deve priorizar argumentos que consiga explicar e relacionar ao problema apresentado.

O repertório precisa estar relacionado ao argumento

Filósofos, acontecimentos históricos, obras literárias, pesquisas e conceitos de diferentes áreas do conhecimento podem contribuir para a redação, mas apenas quando ajudam efetivamente a desenvolver a discussão.

“Um repertório sociocultural só faz sentido quando estabelece uma relação clara com aquilo que o estudante está defendendo. Citar um filósofo famoso apenas para demonstrar conhecimento não fortalece necessariamente a argumentação. O repertório precisa ser explicado e conectado ao argumento”, destaca Thiago.

Na reta final, portanto, vale mais revisar referências que o estudante realmente domina do que tentar memorizar uma grande quantidade de citações.

Desenvolvimento: explique o argumento, não apenas apresente uma ideia

Outro ponto de atenção está nos parágrafos de desenvolvimento. Segundo o professor, é comum o candidato apresentar uma afirmação e acreditar que ela, por si só, constitui uma argumentação.

“O desenvolvimento precisa mostrar ao leitor por que aquele argumento é válido. O estudante pode pensar em uma sequência simples: qual é a ideia que estou defendendo? Por que ela acontece? Quais são suas consequências? Como ela se relaciona com o problema apresentado? Esse encadeamento transforma uma opinião em uma argumentação mais consistente”, explica.

A relação entre as ideias também deve ser observada. Conectivos como “portanto”, “além disso”, “por outro lado”, “nesse sentido” e “consequentemente” ajudam a explicitar a relação entre os períodos e os parágrafos, mas devem ser utilizados de maneira coerente, sem repetição automática

A proposta de intervenção precisa ser concreta

Na conclusão, um dos principais cuidados é evitar propostas genéricas. A redação do Enem exige que o estudante apresente uma proposta de intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos.

Para o educador, uma boa estratégia é verificar se a proposta responde a perguntas básicas: quem deve agir, o que deve ser feito, como a ação será realizada e com qual finalidade. “Dizer apenas que ‘o governo deve criar políticas públicas’ é muito genérico. O estudante precisa mostrar que compreendeu o problema e consegue propor uma ação relacionada a ele. Quanto mais claramente os elementos da intervenção estiverem apresentados, mais consistente será a conclusão”, afirma.

Reserve alguns minutos para revisar antes de passar a limpo

A revisão final não deve ser tratada como uma etapa opcional. Depois de terminar o texto, o candidato deve reler a redação procurando não apenas erros ortográficos, mas também problemas de sentido e de estrutura.

A sugestão é fazer uma revisão em diferentes etapas: primeiro, verificar se o texto realmente responde ao tema; depois, observar se a tese foi desenvolvida e se os argumentos estão relacionados a ela; por fim, conferir concordância, regência, pontuação, repetição de palavras e possíveis erros de grafia.

“Quando o aluno termina de escrever, ele tende a enxergar aquilo que pretendia dizer, e não necessariamente aquilo que está efetivamente escrito. Por isso, a revisão precisa ser uma leitura crítica do texto. É o momento de perguntar se cada parágrafo cumpre sua função e se existe alguma frase que pode ser melhorada ou corrigida”, explica Thiago.

Checklist para a redação do Enem

Para os últimos dias antes da prova, o professor recomenda que o estudante utilize um checklist simples durante os treinos:

  • Tema: respondi exatamente ao recorte proposto?
  • Tese: meu ponto de vista está claro?
  • Argumentação: meus argumentos sustentam a tese?
  • Repertório: as referências utilizadas estão relacionadas ao que estou defendendo?
  • Coesão: as ideias estão conectadas de maneira lógica?
  • Intervenção: minha proposta enfrenta o problema discutido e apresenta elementos concretos?
  • Linguagem: revisei os principais erros de gramática e pontuação?
  • Revisão: li o texto integralmente antes de passá-lo a limpo?

“Uma redação de alto nível não depende de uma fórmula mágica. Ela é resultado da combinação entre leitura atenta da proposta, planejamento, argumentação consistente, domínio da escrita e revisão. Na semana da prova, o melhor que o estudante pode fazer é transformar esses procedimentos em um hábito para chegar ao exame sabendo exatamente como começar, desenvolver e revisar seu texto”, conclui Silvério.

O ENEM

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi instituído em 1998 e tornou-se a principal porta de entrada para a universidade no Brasil. A prova permite o acesso a programas públicos educacionais como o Prouni (Programa Universidade para Todos), Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e Fies (Fundo de Financiamento Estudantil); além de muitas universidades privadas, inclusive no exterior, usarem os resultados do exame em substituição aos vestibulares tradicionais.

O Enem é aplicado em dois domingos seguidos em locais de aplicação por todos as regiões do território nacional. Em 2026, as provas acontecem em 8 e 15 de novembro. Foram registrados para esta edição 5.055.818 de inscritos, alta de 5,08% em relação a 2025, e maior número de participantes confirmados desde 2020.

No primeiro dia, os candidatos farão as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (45 questões de Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira/Inglês ou Espanhol, Artes e Educação Física), Ciências Humanas e suas Tecnologias (45 questões de História, Geografia, Filosofia e Sociologia) e a Redação. No segundo dia, é a vez das provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias (45 questões de Biologia, Química e Física) e Matemática e suas Tecnologias (45 questões de Matemática).

Podem participar do Enem pessoas que estejam cursando (como “treineiros”), que já concluíram, ou que estejam concluindo o Ensino Médio. É possível ainda usar o resultado do Enem para obter o certificado de conclusão dos estudos, contanto que o participante tenha 18 anos completos na data da primeira prova, e alcançar ao menos 450 pontos em cada área do conhecimento e 500 pontos na redação.

O especialista: Thiago Silvério Barbosa é doutorando e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde atuou como bolsista CAPES, e graduado em Letras pela mesma instituição. Com 16 anos de experiência docente, atualmente leciona Língua Portuguesa e Convivência Ética na Escola Internacional de Alphaville. Sua trajetória é marcada pela versatilidade pedagógica, incluindo passagens por cursos pré-vestibulares e preparatórios para o Enem. No campo da pesquisa, integra o grupo “Psicanálise e Teoria Crítica: Teorias da Subjetivação” (CEBRAP/Núcleo Direito e Democracia). Complementando sua formação interdisciplinar, possui especialização em Psicanálise e Análise do Cotidiano pela PUC-SP, além de formação clínica em Psicanálise.




Black Friday 2026: veja dica para aproveitar as promoções sem se endividar

 

A Black Friday de 2026 acontece na sexta-feira, 27 de novembro. E apesar de a data ainda estar longe, muitas empresas e comércios já estão lançando suas promoções e “esquentas” para a temporada de compras. Segundo o coordenador do curso de Administração da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Roberto Flores Falcão, o consumidor pode e deve aproveitar a ocasião para comprar mais barato, mas deve seguir alguns dicas para não cair em fraudes ou se endividar.

DESCONFIE DAS PROMOÇÕES

O consumidor deve ficar atento ao preço médio do produto que queira comprar, evitando promoções enganosas como as que oferecem desconto em cima de um preço inflacionado (aumentar o preço alguns dias ou semanas antes, para então “dar um desconto”), como costuma acontecer durante o período de Black Friday.

“Se há parcelamento, é preciso prestar atenção nos juros embutidos, as empresas são obrigadas a informar a taxa de juros ao consumidor. Pode acontecer também de algumas organizações já embutirem os juros no preço à vista, ganhando duplamente nas formas de pagamento”, afirma Falcão.

QUANDO VALE A PENA APROVEITAR UMA PROMOÇÃO?

Se a promoção for, de fato, honesta, tanto para o consumidor quanto para o lojista, ela vale a pena. O consumidor deve ficar de olho à data de validade (se for um produto perecível), ou uma referência de quanto as empresas cobravam pelo produto antes da promoção, fazendo buscas em concorrentes confiáveis ou o histórico de preços do item.

“Não adianta comprar, por exemplo várias caixas de leite com bom preço, mas perto da validade, pois é possível que você perca o produto e o valor investido, por não conseguir consumir tudo a tempo. Além disso, tente descobrir se a empresa não aumentou os preços dias ou semanas antes da Black Friday, para dar um falso desconto durante a liquidação.”, diz.

Segundo o professor, toda promoção justa e que ajude o consumidor a adquirir um produto ou serviço com bom valor, vale a pena. Mas, se você for consumista, fique atento a gatilhos usados pelo mercado, como as palavras “promoção” e “oferta”, para assim evitar comprar por impulso produtos que você não precisa, nem vai usar.

Outra dica é em comprar com desconto coisas que têm valores mais elevados. Por exemplo: um iogurte de R$ 10 com desconto de 20% não faz tanta diferença no bolso; mas um produto de R$ 2000, com 20% de desconto tem um impacto muito maior.

Tenha atenção a brindes e promoção exclusivos e colecionáveis, pois se você for muito fã da marca, ou aquela compra tenha um valor emocional, vale a pena aproveitar, pois a oportunidade pode ser única.

VOCÊ PRECISA DO PRODUTO?

O professor da FECAP também afirma que o consumidor deve refletir se realmente precisa do produto que está interessado em comprar. Os varejistas e profissionais de marketing sabem influenciar o consumidor para gerar desejo nas pessoas, mesmo sem elas necessitarem de fato do produto ou serviço. Atualmente, o consumo vai muito além da simples satisfação de necessidades, chegando até a se aproximar do que se chama de ‘ato sagrado’. Isso é evidente quando vemos pessoas acampando na porta de um estádio, dias antes do evento, ou formando filas enormes no dia de lançamento de um celular novo. O produto ou evento é quase um talismã e provoca essa espécie de ‘peregrinação’ do consumidor em busca de sua satisfação.

“Isso ocorre, pois o consumidor, na verdade o ser humano, é facilmente influenciado por estímulos sensoriais como cores, cheiros, temperatura, até pela iluminação das lojas. Os vieses cognitivos e a racionalidade limitada também causam impactos nas decisões de compra, e as empresas fazem o possível para se beneficiar disso. Os gatilhos mentais, por exemplo, costumam funcionar bastante. Um deles é o da escassez ou do imediatismo. Você não precisa, mas ao ser impactado por uma promoção em que você leva três detergentes, e paga dois, por exemplo, você acaba antecipando a compra. Poucas pessoas param para refletir e racionalizam: ‘Será que preciso mesmo? Será uma vantagem para mim?’ Se você parar para pensar quanto tempo vai levar para consumir esses produtos e sobre a antecipação de gasto, talvez perceba que a economia não vale a pena. É uma ilusão.”

GATILHOS MENTAIS

Uma forma de influenciar os consumidores são os gatilhos mentais, muito explorados pelo marketing. São aspectos como a reciprocidade (a empresa dá “algo de graça” ou alguma vantagem), autoridade (provas de quantidade ou qualidade do serviço ou produto) e prova social (consumidor que fala bem da empresa ou do serviço oferecido).

“Quando o consumidor conhece e identifica esses gatilhos, fica evidente como a empresa trabalha aquela venda. Outra coisa a se reparar é o chamado copy, forma específica de se escrever anúncios e chamarizes de forma imperativa, para persuadir o consumidor”.

BRASILEIRO GOSTA DE VANTAGEM

O docente afirma que o brasileiro gostar da ideia de ganhar algo, outro aspecto que costuma ser decisivo para uma compra por impulso. “Se você ganha algum desconto em um produto, provavelmente não vai lembrar no dia seguinte. Mas se o lojista te dá um brinde físico, como uma simples caneta, por exemplo, esse brinde te marca e você ainda sai por aí com esse objeto, como um outdoor gratuito da empresa. Além disso, outro aspecto que tem sido bastante explorado é o cashback, que dá dinheiro de volta ao consumidor”.

JOVEM É MAIS INFLUENCIÁVEL

Segundo o especialista, não há como traçar um perfil do consumidor mais consumista ou compulsivo, visto que as pessoas têm gostos e desejos diferentes. Uma pessoa pode gostar muito de sapatos e gastar mais com esse tipo de produto, por exemplo. Contudo, de modo geral os jovens são o perfil mais “influenciável”. Muitos ainda não têm responsabilidades financeiras de aluguel, contas de água e luz, escola dos filhos e o dinheiro acaba sendo consumido de forma mais supérflua.

“Se pensarmos no ambiente digital, então, os jovens são impactados de forma maior. Até por que o tempo médio que passam em redes sociais é bastante alto, supera uma média diária de 10 horas na frente de uma tela. Além disso, o jovem não tem educação financeira e costuma fazer coisas por impulso institivamente. Já um público mais velho, que tem obrigações e ganha o próprio dinheiro, tende a ser mais comedido. Mas isso não é uma regra absoluta”, observa.

Já quando se trata de comércio físico, a tendência é que tanto jovens quanto idosos comprem coisas sem necessitar delas. E alguns fatores também influenciam a compra por impulso em lojas físicas: as crianças têm papel de influência forte nas decisões de compra; e o cartão de crédito é um grande vilão das famílias, porque o comprador não “vê” essa dívida na hora de comprar e ainda pode parcelar. Além disso, se você estoura um cartão de crédito, facilmente pode aderir a outro, de outra bandeira, banco ou até das próprias lojas varejistas.

“Na maioria das lojas que têm caixas, como as departamento, são cada vez mais comuns as filas únicas, onde são criados corredores com produtos, que acabam influenciando uma compra sem necessidade. São as compras por impulso. Quem nunca acabou comprando algo de última hora, pois foi impactado enquanto estava na fila de uma loja? Com os produtos ali, ao alcance das mãos, você compra sem nem mesmo raciocinar”, argumenta.

CUIDADO COM O ORÇAMENTO

O especialista orienta os “gastadores” a montar uma planilha – seja em uma planilha eletrônica, aplicativo ou papel – para anotar os gastos, ou usar aplicativos para enxergar o quanto está gastando: quanto você ganha, quais as suas receitas, quais os seus gastos, quais variantes de gastos você pode ter (um caso de doença, por exemplo)? Esse controle ajuda o consumidor a não se endividar e definir prioridades de compras, evitando os gastos por impulso que prejudicarão o orçamento.

“A principal dificuldade das pessoas com relação à educação financeira é que elas não sabem onde e como estão gastando. A maior parte do endividamento das pessoas não ocorre por ganharem pouco, mas por gastarem mal. Isso se evidencia quando as pessoas são promovidas e passam a ganhar mais, mas continuam a se endividar”.

Fique atento para não se endividar, pensando que compras parcelas podem, no futuro, competir com despesas e contas fixas, como aluguel, matrícula escolar, água, luz e telefone, para não comprometer o seu orçamento.

ANTECIPE AS COMPRAS DE NATAL

Se o consumidor está pensando em antecipar as compras para o Natal, esse pode sim ser um bom momento para comprar com economia. “A não ser que você não tenha onde guardar o presente para a pessoa que você ama, para não estragar a surpresa” finaliza.

O especialista: Roberto Flores Falcão é doutor e mestre em Administração de Empresas pela FEA/USP, com ênfase em Marketing. Graduado em Administração de Empresas pela USP, pós-graduado em Direito do Trabalho e especialista em Direito Civil e Direito do Consumidor pela EPD. Tem longa experiência em administração de negócios, com destaque para a atuação no varejo e ênfase em Marketing, Marketing de Serviços e Planejamento Estratégico. É coordenador da graduação em Administração da FECAP.




CPP vai à Alesp acompanhar votação do PL 1316/2025

 

Fotos: Johnny

O CPP esteve presente na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nessa terça-feira, 3 de novembro, para participar da discussão e acompanhar a possível votação do PL 1316/2025.

Esse projeto, do governador Tarcísio de Freitas, prevê mudanças nas regras de progressão, remoção e avaliação de professores, coordenadores e diretores de escolas públicas estaduais, e tem sido alvo de debates entre o governo e profissionais da educação.

No entendimento do CPP, apesar de pequenos avanços pontuais, o projeto representa, majoritariamente, um grande retrocesso para o Magistério.

Principais prejuízos:

– Remoção de ofício ampliada: permite remoções compulsórias, fragilizando a estabilidade.

– Fim da garantia de 10 dias de recesso: deixa de ser automático e passa a depender do ato de Secretário.

– Avaliação de desempenho obrigatória, com efeitos punitivos: influencia na evolução, permanência e até remoção dos docentes.

– Regras muito rígidas para faltas: pequenas ausências podem virar falta-dia

– Descontos no ALE: o adicional deixa de ser puramente indenizatório e pode ser cortado com mais facilidade.

– Remoção por desempenho insuficiente: institucionaliza a remoção punitiva

– Promoção condicionada à avaliação subjetiva: dificulta evolução funcional

– Dependência de regulamentos futuros: fragiliza garantias ao permitir mudanças por decretos e portarias

Alessandro do CPP na Alesp

O presidente do CPP, professor Alessandro, junto de membros da diretoria, esteve pessoalmente na Alesp para acompanhar a votação.

“Caso esse projeto avance, a gente vai ingressar com ação judicial para ser declarada a inconstitucionalidade dessa lei. O CPP está atento, vamos ficar firmes até o final. E ver, inclusive, como cada deputado votou, qual deputado votou pela educação” afirmou.

Ao final, a sessão foi suspensa e a votação adiada novamente, ainda sem data definida.

Márcio Calheiros, Alessandro Soares, Eduardo Cattai e Valdir Alves representaram o CPP na Alesp



PEC da Segurança Pública é aprovada no Senado após articulação e trabalho coordenado do Governo Federal

 

Plenário do Senado aprova, em dois turnos, a PEC da Segurança Pública – Foto: Ton Molina/Agência Senado

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3/11), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública (nº 18/2025). A iniciativa, que agora segue para promulgação, representa um avanço estrutural na organização da segurança pública brasileira, ao ampliar a integração entre União, estados, municípios e Distrito Federal e fortalecer a capacidade de coordenação do Estado no enfrentamento ao crime organizado.

A aprovação é resultado de um amplo trabalho de articulação institucional conduzido pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), ao longo de 2026. A Pasta mobilizou suas secretarias e estruturas técnicas, promoveu o diálogo com representantes dos governos estaduais e municipais e manteve interlocução permanente com o Congresso Nacional para avançar na construção de consensos em torno da proposta.

A PEC representa o segundo grande passo legislativo da atual gestão no fortalecimento do enfrentamento ao crime organizado. Anteriormente, a atuação coordenada do governo contribuiu para a aprovação da Lei Antifacção. As duas iniciativas integram uma estratégia complementar: de um lado, o fortalecimento dos instrumentos legais de investigação e repressão às organizações criminosas; de outro, o aprimoramento da estrutura institucional e federativa da segurança pública.

A PEC foi aprovada em dois turnos, com 73 votos favoráveis no primeiro e 75 no segundo, de maneira unânime. A votação ocorreu em regime de tramitação especial, aprovado pelo Plenário em 14 de outubro. Na mesma data, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa havia concluído a análise do texto.

SISTEMA ÚNICO DE SEGURANÇA PÚBLICA – Com a aprovação, o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) será incluído na Constituição Federal. A medida confere maior estabilidade institucional ao modelo de integração entre as forças de segurança e fortalece a capacidade de coordenação da União em políticas públicas do setor.

O texto também estabelece mecanismos de proteção contra o bloqueio e o contingenciamento de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) e do Fundo para o Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol). A previsão busca assegurar maior continuidade e previsibilidade no financiamento de ações de segurança pública e no aparelhamento das instituições responsáveis pelo enfrentamento à criminalidade.

“O crime organizado não contingencia o próprio orçamento. Por isso, o Estado também não pode contingenciar o combate a ele. A PEC aprovada hoje protege os recursos da segurança pública e coloca a Constituição a serviço de quem enfrenta as facções”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

COMBATE AO CRIME ORGANIZADO – A proposta também amplia as atribuições da Polícia Federal (PF) no enfrentamento às organizações criminosas e aos crimes ambientais, além de expandir a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para ferrovias e hidrovias federais.

O texto prevê ainda a possibilidade de criação de polícias municipais civis para atuação no policiamento ostensivo e comunitário, sujeitas ao controle externo do Ministério Público e a critérios de acreditação, financiamento e formação padronizada.

A aprovação da PEC consolida uma agenda de fortalecimento institucional e integração federativa na segurança pública, construída a partir da atuação coordenada do MJSP com os demais entes da Federação e o Poder Legislativo. O resultado amplia as condições para uma resposta mais articulada, estruturada e permanente do Estado brasileiro ao crime organizado.




Alta incidência do câncer de cabeça e pescoço nos homens amplia alerta

 

 

O câncer de próstata é o foco da campanha nacional Novembro Azul, mas os cânceres de cabeça e pescoço, como os de boca, faringe e laringe, também atingem de forma expressiva a população masculina no Brasil. Dados epidemiológicos do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que cerca de 80% dos pacientes diagnosticados com esses tumores são homens.

O câncer de boca (cavidade oral) afeta três vezes mais homens do que mulheres. No Brasil, aproximadamente 7 em cada 10 novos casos da doença ocorrem no público masculino. No caso do câncer de laringe, mais de 8 em cada 10 casos são em homens, e o tumor ocupa a nona posição entre as causas de mortalidade por câncer na população masculina, sendo raro entre mulheres.

A presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) de Santos e médica especialista em cabeça e pescoço, Silvia Picado, orienta sobre os sinais de alerta e as formas de prevenção, no mês dedicado à conscientização sobre a saúde do homem.

“A diferença está relacionada, entre outros fatores, à maior exposição histórica dos homens ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas, dois dos principais fatores de risco, cujo efeito combinado aumenta de forma significativa a chance de desenvolver a doença”, explica Silvia.  A infecção pelo HPV também está associada a determinados tumores, principalmente os de orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua.

Um dos principais desafios é que esses tumores podem apresentar sintomas discretos nas fases iniciais. “Os sinais que merecem atenção são: feridas na boca ou na língua que não cicatrizam em até 15 dias; manchas brancas ou avermelhadas persistentes na mucosa oral; rouquidão ou alteração da voz por mais de duas a três semanas; dificuldade ou dor persistente ao engolir; caroços no pescoço sem causa aparente; e dor de garganta ou de ouvido persistente sem causa identificada”, alerta especialista.

Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer, mas devem ser investigados quando persistem. A avaliação deve ser feita por um médico, como o cirurgião de cabeça e pescoço, especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento de tumores de boca, faringe, laringe, glândulas salivares, tireóide e outras estruturas da região.

Feridas persistentes, alterações da voz, dificuldade para engolir ou nódulos no pescoço devem motivar a busca por atendimento. A especialista ressalta que a procura por um médico não deve ficar restrita a situações de dor ou sintomas intensos, já que muitos tumores se desenvolvem de forma silenciosa.

Entre as medidas de prevenção estão não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, manter boa saúde bucal, adotar alimentação equilibrada e seguir as recomendações de vacinação contra o HPV. O diagnóstico precoce pode permitir tratamentos menos extensos, maior preservação de funções como fala e deglutição e melhores resultados oncológicos.

“Historicamente, muitos homens procuram atendimento médico apenas quando os sintomas começam a comprometer as atividades diárias, e precisamos mudar essa realidade. Muitos tumores se desenvolvem de forma silenciosa, e reconhecer alterações persistentes permite uma investigação mais precoce. Neste Novembro Azul, a mensagem é clara: a prevenção começa com informação, e o cuidado vai muito além da próstata”, afirma Silvia Picado, presidente da APM Santos e médica especialista em cabeça e pescoço.

Sobre Silvia Picado

A Dra. Sílvia Picado é graduada em Ciências Médicas pelo Centro Universitário Lusíada (UNILUS). Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Possui mestrado e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Atualmente, é professora da UNILUS e presidente da Associação Paulista de Medicina de Santos (APM Santos)

CRM 145158 SP | RQE 59483




Gravações íntimas com câmeras escondidas poderão ter pena aumentada em 50%

 

 
 
A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (4), parecer da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) que endurece a punição para registros não autorizados da intimidade sexual.

A proposta também trata da utilização de câmeras escondidas em ambientes privados e da captação clandestina de imagens de partes íntimas do corpo.

Acesse o relatório: https://abre.ai/uWb9

Relatora do Projeto de Lei 4.924/2023, de autoria da deputada Dayany Bittencourt (União-CE), Damares apresentou um substitutivo que altera o Código Penal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a legislação sobre interceptação de comunicações.

O texto aprovado pela Câmara previa a criação de dois novos crimes: violação virtual de domicílio e registro não autorizado de intimidade. Damares optou por modificar dispositivos já existentes, para evitar sobreposição de regras penais.

Uma das principais mudanças está na pena para o crime de registro não autorizado da intimidade sexual. Atualmente, a punição prevista no artigo 216-B do Código Penal é de seis meses a um ano de detenção, além de multa. Pelo substitutivo, passa a ser de um a quatro anos de reclusão e multa.

“Imagine descobrir que alguém colocou uma câmera escondida no quarto de hotel onde você ficou hospedado, ou num banheiro onde você acreditava estar protegido. Isso é uma violência contra a intimidade das pessoas. A tecnologia avançou muito, e a legislação precisa acompanhar essas mudanças. Quem comete esse tipo de crime precisa responder pelo que fez”, explica a relatora.

A pena também poderá ser aumentada pela metade quando o crime for cometido com câmeras ou outros equipamentos ocultos em locais como banheiros, vestiários, provadores, quartos de hotéis e consultórios médicos.

O agravamento também alcança situações em que o autor se aproveita de sua atividade profissional para praticar o delito.

Violação da intimidade

O projeto responde a situações que têm se tornado mais frequentes com a popularização de dispositivos de gravação de pequeno porte.

Em abril deste ano, duas câmeras escondidas foram encontradas em interruptores de um vestiário feminino de um clube em Itabirito, Minas Gerais. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil.

No relatório, Damares chama a atenção para a possibilidade de violação da privacidade sem que o responsável precise entrar fisicamente no ambiente.

A senadora destaca que “a agressão contemporânea pode ocorrer por mediação tecnológica, dispensada a presença do autor no local”.

Outra mudança proposta é a inclusão expressa da prática conhecida como ‘upskirting’, que consiste em fotografar ou filmar, sem autorização, partes íntimas de uma pessoa, inclusive por baixo das roupas.

O substitutivo também reforça a proteção de crianças e adolescentes ao prever uma nova circunstância de agravamento para a produção de material pornográfico envolvendo menores com utilização de equipamentos ocultos em ambientes de especial privacidade.

Além disso, o texto atualiza a Lei 9.296/1996, substituindo a expressão “escuta ambiental” por “captação ambiental”, para abranger diferentes formas de obtenção de sons e imagens.

Próximos passos

Com a aprovação na CCT, o projeto segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, responsável por examinar os aspectos constitucionais e jurídicos da proposta.

Como o texto aprovado pela comissão altera a versão encaminhada pela Câmara dos Deputados, as mudanças ainda dependerão das demais etapas do processo legislativo antes de entrar em vigor.

Foto: Rafael Fogaça / AscomSDA




Provão Paulista: O que não esquecer nos dois dias de avaliação

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) aplica a edição de 2026 do Provão Paulista Seriado para 380 mil estudantes concluintes do Ensino Médio nesta quarta e quinta-feira, dias 4 e 5 de novembro. Desse total, 325 mil estão matriculados na 3ª série das escolas estaduais paulistas. Nos dois dias de prova, os estudantes precisam chegar à escola com documento oficial com foto e com outros ítens obrigatórios para a realização das provas.

Para fazer o Provão Paulista, os alunos devem:

  • Chegar à escola até as 7h45 da manhã, horário de fechamento dos portões. As provas começam às 8h;
  • Levar documento oficial com foto;
  • Utilizar caneta esferográfica azul ou preta, de material transparente;
  • Alunos da rede estadual fazem provas em suas próprias escolas, assim como das Etecs e de algumas redes municipais. Alunos de outras redes, precisam conferir o local de aplicação das provas no site do Provão, em https://provaopaulistaseriado.vunesp.com.br/;
  • Pode levar água e fazer um lanchinho, sem atrapalhar a concentração do colega ao lado;
  • A dica final da equipe do Provão antes da prova, é: tenha uma boa noite de sono e confiança no que você estudou e aprendeu;
  • Aparelhos celulares e outros dispositivos serão mantidos dentro de um envelope até a saída do aluno.

O primeiro dia de provas tem 5 horas de duração  — e permanência mínima de 2h30 —, com questões de língua portuguesa, língua inglesa, física, química e biologia. São 48 questões alternativas. A redação também deve ser feita neste primeiro dia de provas.

Já no segundo dia são 4 horas de duração — e permanência mínima de 2 horas —, com questões de matemática, história, geografia, sociologia e filosofia. No total, são 42 ítens a serem respondidos no segundo dia de prova.

Provão Paulista

O Provão Paulista é o “vestibular” do Governo do Estado de São Paulo que dá acesso exclusivo para alunos das redes públicas à USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo) e Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Neste ano, são mais de 15,8 mil vagas em cursos superiores dessas instituições, parceiras da Educação de SP desde o primeiro ano de provas, em 2023. Em quatro anos, são mais de 60 mil vagas abertas nas universidades e faculdades públicas paulistas.

Para os alunos do Ensino Médio regular, o sistema de avaliação é aplicado ao longo dos três anos do Ensino Médio, com notas acumuladas que definem a classificação final dos estudantes da rede pública para ingresso no ensino superior.




Centro Paula Souza prorroga inscrições para o Vestibular das Fatecs até 16 de novembro

 

Dia 16 de novembro é o novo prazo para se inscrever no Vestibular das Fatecs para o primeiro semestre de 2027. O Centro Paula Souza (CPS) prorrogou as inscrições do processo seletivo, que oferece mais de 13 mil vagas em cursos superiores gratuitos. O cadastro é feito pelo site vestibular.fatec.sp.gov.br.

O processo seletivo reúne mais de 100 opções de cursos em áreas como tecnologia da informação, engenharias, agronegócio, logística e turismo. Para o primeiro semestre de 2027, estão previstas dez novas unidades nas cidades de Arujá, Barueri, Caçapava, Embu das Artes, Guarujá, Limeira, Paraguaçu Paulista, Praia Grande, Socorro e Teodoro Sampaio.

O vestibular também traz 12 novos cursos: Administração, Arquitetura e Urbanismo, Ciência de Dados e Inteligência em Saúde, Engenharia Agronômica, Engenharia de Alimentos, Engenharia Florestal, Engenharia Mecatrônica, Engenharia de Materiais, Engenharia Naval, Engenharia Química, Gastronomia e Gestão Estratégica de Saúde e Hospitais.

As inscrições também foram prorrogadas para as 20 horas do dia 16 de novembro para os candidatos que precisam de atendimento diferenciado e participação na reserva de vagas destinadas às pessoas com deficiência. O resultado será divulgado no dia 18 de novembro, com possibilidade de recurso no dia 19 de novembro. O resultado dos recursos será divulgado em 23 de novembro.

Como se inscrever

Para participar, o candidato deve preencher a ficha de inscrição on-line e responder ao questionário socioeconômico. Durante o cadastro, é necessário indicar duas opções de curso, em qualquer Fatec e período disponíveis. O Manual do Candidato reúne as orientações para realizar o procedimento.

A taxa de inscrição é de R$ 90 e pode ser paga em agências bancárias, por internet banking ou cartão de crédito, pela ferramenta Getnet. A inscrição será confirmada após a compensação do pagamento.

Quem precisar de computador ou acesso à internet pode procurar uma Fatec. Para consultar a disponibilidade e os horários de atendimento, basta entrar em contato diretamente com a unidade.

Calendário do Vestibular das Fatecs – 1º semestre de 2027

  • Até 16 de novembro: inscrições para o Vestibular
  • 9 de dezembro, a partir das 15 horas: divulgação dos locais de prova
  • 13 de dezembro: aplicação do exame
  • 18 de janeiro de 2027, a partir das 15 horas: divulgação da classificação geral, com o desempenho dos candidatos, e convocação da primeira chamada para matrícula



Trecho da rodovia entre Assis e Marília é interditado

 

A Entrevias Concessionária de Rodovias informa que, em razão das fortes chuvas que ocorreram nos últimos dias, foi necessária a interdição no km 379 da SP-333 Rodovia Rachid Rayes, em Echaporã, sentido oeste (Marília–Assis).

O motorista que estiver em Marília e quiser seguir até Assis, deverá realizar o desvio no km 356, com acesso à SP-241 – Rodovia José Bassil Dawer. Nesse ponto, o acesso está liberado exclusivamente para os condutores que têm Echaporã como destino. O tráfego no sentido leste permanece liberado normalmente.

O trecho permanecerá interditado até a conclusão dos trabalhos das equipes operacionais no local e o restabelecimento das condições de segurança para o tráfego.

A concessionária orienta os motoristas a redobrarem a atenção, respeitarem a sinalização e seguirem as orientações das equipes operacionais.




Depois da caneta, vem a segunda conta: por que usuários de GLP-1 estão gastando centenas com suplementos

 

 

A revolução das canetas para emagrecer criou um fenômeno inesperado.

Depois de pagar pelo medicamento, muitos pacientes passaram a gastar novamente, agora tentando corrigir aquilo que aparece durante o emagrecimento.

Proteína em pó, fibras, creatina, colágeno, eletrólitos, vitaminas, probióticos e produtos prometendo combater queda de cabelo, fraqueza e constipação formam uma nova categoria de consumo criada ao redor dos medicamentos GLP-1.

Reportagem publicada pela Reuters nesta semana mostrou que quase metade dos usuários pesquisados passou a tomar novos suplementos depois de iniciar essas medicações. Há pacientes gastando entre US$ 110 e US$ 300 adicionais por mês, enquanto marcas e influenciadores transformam os efeitos e preocupações do tratamento em um novo mercado.

Mas a pergunta médica mais importante talvez não seja qual suplemento comprar. É por que aquele paciente chegou ao ponto de sentir que precisa deles.

“Quando a pessoa perde muito peso e começa a apresentar fraqueza, queda importante na ingestão de alimentos, redução de desempenho ou outros sintomas, simplesmente acrescentar vários suplementos pode mascarar a questão principal. Precisamos avaliar como esse emagrecimento está acontecendo”, explica o Dr. Gustavo de Oliveira Lima, especialista em emagrecimento e performance.

Quando comer menos também significa nutrir menos

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida reduzem o apetite de maneira muito eficaz.

Para quem conviveu durante anos com fome excessiva ou dificuldade para controlar a alimentação, isso pode representar uma mudança enorme.

Mas existe uma consequência bastante lógica: quando a quantidade de comida diminui muito, cai também a oportunidade de ingerir proteínas, fibras, vitaminas e minerais.

Uma orientação conjunta publicada por quatro importantes sociedades médicas e nutricionais colocou justamente esse ponto entre as prioridades do acompanhamento de pacientes em GLP-1. O documento recomenda avaliar alimentação, força, composição corporal, atividade física e possíveis deficiências nutricionais durante o tratamento.

“Não basta o paciente dizer que está comendo pouco e concluir que isso é ótimo porque está emagrecendo”, afirma Dr. Gustavo. “Precisamos perguntar o que ainda está cabendo nesse pouco.”

Um paciente que passa a fazer refeições muito pequenas pode continuar ingerindo alimentos pobres em nutrientes. A balança cai. A qualidade da alimentação nem sempre melhora junto.

 

 

O músculo entra nessa conta

Outra preocupação ganhou destaque conforme os medicamentos passaram a produzir perdas cada vez maiores de peso: o que exatamente está sendo perdido?

Em uma análise de composição corporal do estudo SURMOUNT-1, com tirzepatida, aproximadamente três quartos da redução de peso corresponderam à gordura e cerca de um quarto à massa magra.

Massa magra não significa exclusivamente músculo, inclui também água e outros tecidos, mas o resultado reforçou a necessidade de acompanhar força e composição corporal durante grandes perdas de peso.

O músculo participa do metabolismo da glicose, da capacidade física, da autonomia e da proteção contra fragilidade ao envelhecer.

Por isso, perder peso e ficar progressivamente mais fraco não deveria ser considerado o resultado ideal de um tratamento.

“Se o paciente está 20 quilos mais leve, mas perdeu força, interrompeu exercícios porque se sente cansado e passou a consumir proteína insuficiente, existe um problema que a balança sozinha não consegue mostrar”, diz Dr. Gustavo de Oliveira Lima.

A orientação atual para preservar massa muscular combina alimentação adequada com treinamento de resistência. Apenas aumentar proteína sem estímulo muscular não resolve toda a equação.

Constipação, náusea e fadiga não devem virar uma coleção automática de potes

Náusea, vômitos, constipação, dor abdominal e fadiga estão entre os efeitos adversos descritos para medicamentos como a semaglutida. É justamente nessa área que o mercado de suplementos encontrou espaço.

Fibras para o intestino. Eletrólitos para fraqueza. Magnésio para diferentes sintomas. Colágeno para pele e cabelo. Probióticos para desconfortos digestivos. O problema é transformar todos os pacientes em candidatos ao mesmo pacote.

Constipação, por exemplo, pode exigir ajustes na ingestão de água, fibras, alimentação e atividade física, mas sintomas persistentes ou intensos também podem exigir avaliação médica.

Fadiga pode estar relacionada a ingestão calórica muito baixa, deficiência nutricional, desidratação, redução abrupta da alimentação ou outros problemas que não serão necessariamente resolvidos por uma vitamina comprada nas redes sociais.

“Suplemento deve responder a uma necessidade. Não deveria ser uma taxa obrigatória cobrada de todo mundo que usa GLP-1”, afirma o especialista.

E a queda de cabelo?

Esse é outro sintoma que alimentou uma grande quantidade de produtos direcionados aos usuários das canetas.

Queda de cabelo apareceu em estudos com medicamentos para perda de peso, mas o mecanismo não está totalmente estabelecido.

Uma das explicações possíveis é o chamado eflúvio telógeno, queda temporária que pode acontecer após grandes perdas de peso, dietas muito restritivas, doenças ou outros estresses fisiológicos.

Ou seja, em alguns casos, o problema pode estar menos relacionado a uma ação direta do medicamento sobre o cabelo e mais à velocidade da mudança corporal e à redução da ingestão nutricional. Isso muda a abordagem.

Antes de comprar biotina, colágeno ou qualquer fórmula prometendo recuperar os fios, o paciente pode precisar investigar ferro, alimentação, proteínas, tireoide e outras possíveis causas.

O erro de tratar cada sintoma separadamente

É aqui que a nova indústria dos suplementos revela algo maior sobre o tratamento moderno da obesidade. O paciente emagrece. Surge fraqueza: compra um produto. O intestino trava: compra outro. O cabelo cai: acrescenta outro. A energia diminui: procura uma vitamina.

De repente, o tratamento que começou com uma caneta termina acompanhado por seis potes diferentes.

Para Dr. Gustavo de Oliveira Lima, esse cenário mostra por que a medicina do emagrecimento precisa ir além da prescrição. “O acompanhamento deve perguntar se o paciente está perdendo gordura, preservando músculo, comendo adequadamente, treinando, dormindo bem e mantendo disposição. Quando avaliamos tudo isso em conjunto, conseguimos tratar a causa de muitos problemas antes de criar uma lista enorme de correções.”

 

Dr. Gustavo de Oliveira Lima

Médico CRM/SP 207.928

 

Com uma formação sólida em nutrologia e endocrinologia, Dr. Gustavo de Oliveira Lima é reconhecido por sua atuação em emagrecimento saudável e longevidade. Focado em oferecer tratamentos modernos e personalizados, ele utiliza abordagens científicas de ponta para promover saúde integral e bem-estar a longo prazo.