Maio Cinza: morte de Oscar Schmidt reforça alerta para sintomas silenciosos e a urgência do diagnóstico do câncer cerebral

 

 

No Brasil, mais de 11 mil novos casos de tumores cerebrais são registrados anualmente, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Embora representem apenas entre 1% e 2% de todos os tipos de câncer, esses tumores estão associados a uma elevada taxa de mortalidade, que pode ultrapassar 80%, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

É nesse contexto que a campanha Maio cinza ganha relevância ao reforçar a importância da conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer cerebral, uma condição ainda cercada por dúvidas e que pode apresentar sintomas silenciosos ou persistentes. O tema volta ao centro do debate com a recente morte do ex-jogador Oscar Schmidt, que enfrentava a doença e se tornou um símbolo de resiliência durante o tratamento.

O câncer cerebral engloba diferentes tipos de tumores, que podem se originar no próprio cérebro ou surgir como metástases, quando um câncer de outra parte do corpo se espalha para o sistema nervoso central, sendo esses casos mais frequentes, especialmente a partir de tumores primários de órgãos como pulmão, mama, pele e rim. Os sintomas variam conforme a localização e o tamanho da lesão, podendo incluir dores de cabeça persistentes, crises convulsivas, alterações visuais, dificuldades motoras e mudanças de comportamento.

Segundo o Dr. Normando Guedes, médico neurocirurgião e professor de pós-graduação da Afya Goiânia e Brasília, um dos principais desafios está na identificação precoce da doença. “Muitos sintomas podem ser confundidos com condições mais comuns, como enxaquecas ou estresse. Além disso, alguns tumores têm evolução lenta e se manifestam com alterações de comportamento ou distúrbios hormonais. Por isso, a persistência ou a progressão dos sinais deve sempre ser investigada com atenção, e nenhum sintoma neurológico deve ser ignorado”, explica.

O especialista também destaca que nem todo tumor cerebral exige cirurgia imediata, e que a conduta depende de uma série de fatores clínicos. “A decisão leva em conta o tipo do tumor, se é primário ou uma metástase, sua localização, tamanho, velocidade de crescimento e o estado geral do paciente. Existem casos em que optamos por acompanhamento, radioterapia ou quimioterapia como primeira linha de tratamento”, afirma. O médico ressalta, ainda, que apenas uma avaliação individualizada, feita por um neurocirurgião, pode definir a melhor estratégia em cada situação.

Entretanto, ainda assim, a cirurgia é frequentemente indicada em cenários específicos. “A intervenção cirúrgica é necessária principalmente quando há compressão de estruturas cerebrais, risco de comprometimento neurológico ou quando precisamos obter material para diagnóstico definitivo por meio de biópsia”, detalha. Nesses casos, a abordagem segue o princípio da máxima ressecção segura, ou seja, retirar o máximo possível do tumor preservando funções neurológicas e favorecendo a recuperação. “Além disso, a análise do tecido retirado permite estudos genéticos e moleculares que ajudam a orientar o tratamento mais adequado para cada paciente”, completa.

O médico da Afya Brasília também avalia que os avanços tecnológicos vêm ampliando não apenas a segurança, mas também a precisão e os resultados dos procedimentos cirúrgicos. Hoje, técnicas minimamente invasivas, aliadas à neuronavegação e à monitorização intraoperatória, permitem cirurgias mais seguras e com menor risco de sequelas. Segundo ele, esses recursos têm contribuído para recuperações mais rápidas, maior preservação das funções neurológicas e melhora na qualidade de vida dos pacientes, reforçando um cenário cada vez mais promissor no tratamento dos tumores cerebrais.

De acordo com  o neurocirurgião, a trajetória do Oscar Schmidt também ajuda a ilustrar como esses tumores podem evoluir ao longo do tempo. Considerando apenas informações públicas disponíveis, o médico explica que neoplasias cerebrais desse tipo costumam apresentar sobrevida média em torno de uma década, variando conforme características do tumor e resposta ao tratamento. Nesse contexto, uma evolução próxima de 15 anos é vista como acima do esperado e reforça que o curso da doença pode ser prolongado, ainda que sujeito a complicações indiretas ao longo do tempo.

Para o médico, a conscientização é um dos pilares no enfrentamento da doença, ao lado do diagnóstico precoce e do acompanhamento com profissionais de confiança, fatores que ampliam as chances de tratamento eficaz e melhores desfechos, e afirma que iniciativas como o Maio Cinza cumprem um papel essencial ao ampliar o acesso à informação e reduzir o estigma. “Falar sobre o câncer cerebral é essencial para que as pessoas reconheçam sinais de alerta e busquem ajuda médica no momento certo. A informação salva vidas, e neste contexto em específico, o diagnóstico de um tumor cerebral  não deve ser encarado como uma sentença, mas como uma condição que pode ser enfrentada com acompanhamento adequado e abordagem individualizada “, conclui.




Doenças respiratórias: veja dicas para proteger as crianças com a chegada do frio

 

 

São Paulo, 14 de maio de 2026 – Com a chegada dos dias frios de estações como o outono e o inverno, cresce a preocupação com as doenças respiratórias em crianças. As temperaturas mais baixas e o clima seco favorecem a circulação de vírus e agravam quadros como gripe, resfriado, bronquiolite, rinite, sinusite, asma, bronquite e até pneumonia.

Segundo Roberta Ferreira, enfermeira do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), as crianças são mais vulneráveis às doenças respiratórias porque ainda estão com o sistema imunológico em desenvolvimento, o que facilita a infecção por vírus e bactérias e pode agravar quadros alérgicos e respiratórios já existentes.

“Durante os meses mais frios, é comum observarmos um aumento nos casos de doenças respiratórias entre as crianças. As baixas temperaturas e o ar mais seco podem ressecar as vias aéreas e comprometer as defesas naturais do organismo, facilitando a entrada de vírus e outros agentes infecciosos. Mas com alguns cuidados simples no dia a dia, é possível reduzir bastante os riscos”, explica.

Entre as doenças mais comuns que costumam aparecer nessa época, estão:

Resfriado: infecção viral mais leve, com sintomas como coriza, espirros, tosse e congestão nasal;

Gripe: infecção viral que causa febre, tosse, dor no corpo, coriza e mal-estar. Em crianças, pode evoluir para complicações respiratórias;

Asma: doença inflamatória crônica das vias aéreas que provoca falta de ar, chiado no peito e tosse, podendo ser agravada no frio;

Bronquiolite: inflamação dos bronquíolos, comum em bebês e crianças pequenas, que pode causar chiado no peito, tosse e dificuldade para respirar;

Bronquite: inflamação dos brônquios, geralmente acompanhada de tosse, chiado e produção de secreção;

Rinite alérgica: inflamação da mucosa nasal causada por alergias, com sintomas como espirros, coriza e coceira no nariz;

Sinusite: inflamação dos seios da face, que pode causar nariz entupido, secreção, dor facial e tosse;

Pneumonia: infecção dos pulmões causada por vírus, bactérias ou fungos, com sintomas como febre alta, tosse e dificuldade respiratória.

DICAS PARA PREVENIR DOENÇAS RESPIRATÓRIAS EM CRIANÇAS

A profissional do BIS elenca, abaixo, medidas simples para que pais e responsáveis colaborem para manter longe as doenças oportunistas desse período.

Mantenha a vacinação da criança em dia: a vacina contra a gripe e os imunizantes previstos no calendário vacinal ajudam a prevenir infecções e complicações;

Ensine e incentive a higiene das mãos: oriente a criança a lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel com frequência, evitando a transmissão de vírus e bactérias;

Deixe os ambientes ventilados: mesmo em dias frios, é importante abrir janelas e permitir a circulação de ar;

Evite mudanças bruscas de temperatura: evite expor a criança a ambientes muito quentes, e logo depois a locais frios, isso favorece irritações respiratórias;

Incentive a hidratação: manter a criança hidratada ajuda a manter as vias respiratórias hidratadas e protegidas;

Ofereça alimentação equilibrada: frutas, legumes e alimentos ricos em nutrientes ajudam a fortalecer a imunidade;

Redobre os cuidados com a limpeza da casa: poeira, mofo, ácaros e pêlos de animais podem agravar alergias e doenças respiratórias;

Lave roupas e cobertores guardados: peças armazenadas por muito tempo acumulam poeira e podem causar crises alérgicas

Evite exposição da criança à fumaça e cheiros fortes: cigarro, produtos de limpeza e perfumes intensos irritam as vias respiratórias;

Evite contato da criança com pessoas gripadas: isso reduz o risco de transmissão de vírus respiratórios;

No caso dos bebês, mantenha o aleitamento materno: o leite materno ajuda a proteger contra infecções.

PARCERIA FAMÍLIA E ESCOLA

A prevenção e o cuidado com doenças respiratórias infantis também dependem de uma atuação conjunta entre família e escola. Segundo Roberta, os pais e responsáveis devem estar atentos aos sintomas que exigem avaliação médica e comunicar a instituição de ensino sempre que a criança apresentar sinais de adoecimento.

“Febre persistente, chiado no peito, dificuldade para respirar, respiração acelerada, cansaço excessivo, recusa para comer ou beber e prostração são alguns sinais de alerta. Quando a criança apresenta dificuldade para respirar, a barriga ‘afundando’ ao respirar ou coloração arroxeada nos lábios, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente”, alerta.

No ambiente escolar, medidas preventivas ajudam a reduzir a disseminação dessas doenças, como a higienização frequente dos espaços, orientar as crianças sobre etiqueta respiratória, como cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, e o monitoramento de sintomas ao longo da rotina.

“Escola e família precisam caminhar juntas nesse processo. Enquanto a escola adota práticas de prevenção e acompanha o bem-estar dos alunos, os pais têm um papel essencial ao observar sintomas, buscar orientação médica quando necessário e manter a criança em casa durante a recuperação, evitando a transmissão para colegas e professores”, finaliza a enfermeira do Colégio BIS.

A especialista: Roberta Ferreira é enfermeira e atua há quase 14 anos no Brazilian International School, em São Paulo, com experiência em enfermagem escolar, promoção da saúde e cuidado diário dos alunos.




Santa Casa inicia nova etapa para captação de córneas em parceria com o Banco de Olhos de Marília

A Santa Casa de Assis recebeu sexta-feira passada (8), a visita da médica oftalmologista Fabiana Paris, coordenadora do Banco de Olhos do Hospital das Clínicas da Famema, de Marília, para o início de uma parceria voltada à conscientização e captação de tecidos oculares, especialmente córneas. A iniciativa marca uma nova etapa para a instituição, que se prepara para implantar o serviço a partir do dia 1º de julho.

O encontro também contou com a presença do oftalmologista da instituição assisense, Victor Andrighetti, das enfermeiras coordenadoras da Santa Casa e demais profissionais representantes do Hospital das Clínicas da Famema de Marília.

Durante a reunião, foram alinhadas as primeiras ações do projeto, que incluem treinamentos e orientações às equipes e sensibilização sobre a importância da doação de córneas para devolver a visão a pacientes que aguardam na fila de transplantes.

“Estamos iniciando uma nova etapa de um trabalho envolvendo a Santa Casa para a conscientização da captação de córneas. O intuito é ajudar pessoas a voltarem a enxergar. Vamos passar por treinamentos e, se Deus quiser, no dia 1º de julho daremos o pontapé inicial nesse serviço”, comentou o gerente de Serviços Hospitalares da Santa Casa, Edmar de Oliveira.

“Estamos à disposição da Santa Casa de Assis, em nome do Banco de Olhos de Marília, para auxiliar no que for necessário, treinar as equipes, esclarecer dúvidas e sensibilizar sobre esse serviço tão importante. A Santa Casa tem um grande potencial e pode contribuir muito para o aumento das doações de tecidos oculares, como córneas e escleras, utilizadas em cirurgias. Quem se beneficia diretamente disso é a sociedade, devolvendo a visão a pessoas que necessitam”, afirmou, por sua vez, Fabiana Paris.

Segundo a médica, o Banco de Olhos atuará oferecendo suporte técnico e acompanhamento durante todo o processo de implantação do serviço, fortalecendo o trabalho conjunto em prol da humanização e da ampliação do acesso aos transplantes. A parceria irá beneficiar diretamente pacientes que aguardam por uma nova oportunidade de enxergar.

A implantação do serviço reforça a atenção que a Santa Casa de Assis vem dedicando à saúde oftalmológica. Neste ano, a instituição deu início ao programa de residência médica em Oftalmologia, em parceria com o Instituto de Oftalmologia de Assis – IOA e o Instituto Suel Abujamra – ISA, ampliando a formação de especialistas e fortalecendo a assistência oftalmológica oferecida à população regional.




 Hospital Regional de Assis inaugura Centro de Simulação Realística para qualificação de profissionais da saúde

 

São Paulo, maio de 2026 – O Hospital Regional de Assis (HRA), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), deu um passo decisivo na qualificação da assistência em saúde com a implantação do Centro de Simulação Realística (CSR). Inaugurado no último mês, o espaço é dedicado ao treinamento prático e imersivo de profissionais, em ambientes que reproduzem com fidelidade situações reais do cuidado.

A iniciativa é realizada pelo Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM), organização que gerencia a unidade, em parceria com a Escola de Saúde Pública da SES-SP. O projeto foi idealizado e será operacionalizado pela ASAS (Associação para o Desenvolvimento de Serviços de Saúde).

“Com ações como essa, reafirmamos a importância de aliar inovação ao valor humano, contribuindo diretamente para a excelência do cuidado centrado no paciente e para o desenvolvimento dos colaboradores, consolidando nossa missão de transformar vidas”, afirma João Romano, gerente executivo do CEJAM.

O destaque do CSR está em seu diferencial estratégico: a integração com o Sistema de Gestão de Habilidades em Saúde (SGHS). Uma solução que permite mapear, avaliar e acompanhar continuamente o desenvolvimento das competências dos profissionais da unidade.

Com isso, a ferramenta opera como uma plataforma de gestão do desempenho assistencial. Cada treinamento realizado gera dados e evidências que alimentam o sistema, possibilitando identificar pontos de melhoria, planejar trilhas formativas personalizadas e monitorar a evolução das equipes ao longo do tempo.

O CSR contará, ainda, com ambientes de simulação de diferentes níveis de complexidade, contemplando competências comportamentais, como comunicação, trabalho em equipe e tomada de decisão em cenários críticos.

Integrando educação, tecnologia e gestão, o projeto reforça o compromisso com a segurança do paciente, a qualidade e a padronização de protocolos, além de posicionar o HRA como referência regional em inovação na formação em saúde.

Sobre o CEJAM     

O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.




Unimed Assis realiza Semana da Saúde com atividades voltadas à promoção do bem-estar

A Unimed Assis realizou, no fim de abril, a Semana da Saúde na Academia da Medicina Preventiva, reunindo beneficiários dos programas de promoção e prevenção da saúde em uma programação especial voltada ao bem-estar e à qualidade de vida.

Os programas, cadastrados, informados e monitorados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), são direcionados a beneficiários da cooperativa que possuem comorbidades e têm como objetivo incentivar hábitos mais saudáveis por meio de ações contínuas de cuidado.

Durante três dias, os participantes vivenciaram uma série de atividades conduzidas por profissionais especializados, promovendo integração, movimento e estímulo físico e emocional. A programação contou com danças rítmicas e alongamentos, conduzidos por Bia Trancolin; atividades de equilíbrio e coordenação motora com o psicomotricista Adail Correia Leite; e práticas de Tai Chi associadas a atividades expressivas e música, com Glauco Henrique da Silva.

A iniciativa reforça o compromisso da Unimed Assis com a promoção da saúde e prevenção de doenças, valorizando ações que vão além do cuidado assistencial e incentivam o protagonismo dos beneficiários em sua própria saúde.




Seu intestino não está “nervoso”: os sinais que podem indicar uma doença intestinal grave e muita gente ignora

 

Tem gente que convive anos com diarreia frequente, dor abdominal, urgência para evacuar, fadiga intensa e até sangue nas fezes sem imaginar que isso pode ser sinal de uma doença intestinal inflamatória séria. Em muitos casos, a explicação vem pronta e simplificada: “é estresse”, “é nervoso”, “é o que você comeu”, “seu intestino é sensível”. O problema é que nem sempre é.

O Maio Roxo, campanha de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), joga luz justamente sobre esse erro comum: a banalização de sintomas que deveriam acender alerta. No centro dessa conversa estão duas condições crônicas que afetam o trato gastrointestinal e alteram profundamente a qualidade de vida: a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. No Brasil, o movimento é impulsionado por entidades médicas e de pacientes, e o dia 19 de maio marca a mobilização mundial em torno do tema.

Segundo o médico nutrólogo Dr. Arthur Victor de Carvalho, o maior risco não está apenas na doença em si, mas no tempo que muitos pacientes passam sendo tratados como se tivessem apenas um intestino “difícil”. “Quando o sintoma intestinal vira rotina, muita gente começa a achar que aquilo é normal. O problema é que, em doenças como Crohn e retocolite, esse atraso custa caro. A inflamação continua ativa, o paciente perde qualidade de vida e o diagnóstico chega quando o corpo já está muito desgastado.”

O erro de chamar tudo de estresse

As doenças inflamatórias intestinais não se resumem a uma dor de barriga mais forte ou a um período ruim do intestino. A retocolite ulcerativa, por exemplo, costuma causar diarreia recorrente, muitas vezes com sangue, muco ou pus, dor abdominal, necessidade urgente de evacuar, fadiga, perda de apetite e perda de peso. A Doença de Crohn também pode provocar sintomas intestinais persistentes, além de manifestações mais amplas e evolução variável ao longo do trato digestivo.

O que torna tudo mais traiçoeiro é que parte desses sintomas pode ser inicialmente interpretada como reflexo de ansiedade, alimentação inadequada, síndrome do intestino irritável ou sensibilidade gastrointestinal inespecífica. Quando isso acontece, o paciente entra numa espiral de tentativas pontuais, muda a dieta, corta lactose, evita glúten, toma antiespasmódico, tenta “controlar o nervoso”, enquanto a doença inflamatória continua em atividade.

“O intestino é um órgão que sofre muito com banalização. O paciente sente dor, altera hábito intestinal, tem urgência, perde peso, cansa, e mesmo assim passa meses ou anos ouvindo que é ‘emocional’. Nem tudo que piora com estresse nasce do estresse.”. explica o nutrólogo Arthur Victor de Carvalho.

Quando o sintoma deixa de ser desconforto e vira sinal de alerta

Um ponto importante da pauta do Maio Roxo é justamente ensinar a distinguir desconfortos transitórios de sinais que merecem investigação médica mais cuidadosa.

Entre os principais alertas estão:

  • diarreia recorrente ou prolongada;
  • sangue nas fezes;
  • urgência evacuatória frequente;
  • dor abdominal persistente;
  • perda de peso sem explicação;
  • fadiga intensa;
  • febre recorrente;
  • anemia;
  • sensação de que o intestino nunca volta ao normal.

Esses sintomas não significam automaticamente Doença Inflamatória Intestinal, mas são fortes o suficiente para justificar investigação. O erro é tratá-los como algo pequeno só porque o paciente ainda consegue seguir trabalhando, saindo ou empurrando a rotina.

 

O preço do atraso no diagnóstico

Nos últimos anos, o impacto do atraso diagnóstico nas DII se tornou um tema central na literatura científica. Revisões recentes mostram que demorar para identificar a doença piora sintomas, reduz qualidade de vida e aumenta o risco de desfechos mais graves, inclusive pela permanência da inflamação sem controle.

Em outras palavras: não é apenas uma questão de sofrer mais tempo. É uma questão de permitir que a doença avance sem tratamento adequado.

Esse atraso também afeta a vida fora do consultório. Estudos apontam que pacientes com DII apresentam pior qualidade de vida e prejuízo importante na produtividade e no cotidiano, especialmente quando o quadro está ativo ou recém-diagnosticado.

Uma das partes mais negligenciadas das DII é o efeito que elas têm sobre a vida real. O impacto não para no intestino. Afeta alimentação, sono, trabalho, deslocamento, relações sociais, autoestima e saúde mental.

Não é difícil entender por quê. Quem convive com dor abdominal, evacuação urgente, diarreia recorrente ou sangramento passa a viver em estado de vigilância. Sai menos, se alimenta com medo, evita compromissos longos e, muitas vezes, se sente constrangido de falar sobre o que está vivendo.

Essa carga psicológica também aparece na pesquisa. Pacientes com DII apresentam frequência relevante de ansiedade, depressão e piora global da qualidade de vida, sobretudo em fases de atividade da doença ou logo após o diagnóstico.

O que o Maio Roxo realmente precisa lembrar

Campanhas de saúde costumam cair no risco da repetição vazia. No caso do Maio Roxo, o recado mais importante talvez seja um só: intestino que sofre de forma persistente merece investigação séria.

Não se trata de alarmismo. Trata-se de interromper um hábito perigoso de normalizar sintomas que não deveriam fazer parte da rotina. Nem toda diarreia recorrente é “do nervoso”. Nem todo sangue nas fezes é hemorroida. Nem toda perda de peso acompanhada de dor abdominal é algo que “vai passar”.

O primeiro passo é não romantizar a resistência. Persistir com sintomas intestinais importantes não é ser forte; é correr o risco de adiar um diagnóstico que pode mudar completamente o prognóstico.

O Dr. Arthur Victor de Carvalho conclui: “O caminho correto passa por avaliação especializada, investigação clínica adequada e tratamento contínuo quando necessário. As DII têm controle e opções terapêuticas que podem reduzir inflamação, melhorar sintomas e preservar a qualidade de vida, mas isso depende de diagnóstico e acompanhamento.”

 

Dr. Arthur Victor de Carvalho é médico especialista em menopausa, lipedema e modulação hormonal. Atua com foco na saúde da mulher moderna, unindo ciência, escuta e individualização para devolver às pacientes o que a medicina tradicional muitas vezes ignorou: vitalidade, bem-estar e liberdade para envelhecer com potência.



Astigmatismo atinge cerca de 20 milhões de brasileiros e exige atenção à saúde visual

 

 

Foto: Imagem de benzoix no Magnific

Você conhece alguém que tenha astigmatismo? Sabia que o problema é mais comum do que imagina? Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com essa alteração visual, muitas vezes sem diagnóstico adequado ou acompanhamento regular. Apesar de amplamente conhecido, o quadro ainda é subestimado, principalmente quando comparado à miopia, o que pode atrasar a busca por avaliação especializada e comprometer a qualidade de vida.

“Existe uma percepção equivocada de que o astigmatismo causa apenas leve desconforto, porém a distorção visual pode ser bastante significativa e interferir em diversas atividades do dia a dia”, explica o Dr. Alfredo Pigatin Neto, oftalmologista do H.Olhos.

Caracterizado por uma curvatura irregular da córnea ou do cristalino, o problema impede que os raios luminosos sejam focados corretamente sobre a retina, resultando em imagens borradas ou distorcidas em qualquer distância. Diferente de outros erros refrativos, essa condição não se restringe a perto ou longe, afetando a nitidez de forma global. “O paciente pode enxergar linhas tortas, perceber sombras nas letras ou ter dificuldade em manter foco contínuo durante leitura e uso de telas”, afirma. Esses sinais, muitas vezes ignorados, podem evoluir para quadros de fadiga ocular intensa.

Além da visão embaçada, sintomas como dores de cabeça frequentes, ardência, lacrimejamento e sensação de esforço constante são comuns, especialmente após longos períodos de concentração. Crianças também podem ser impactadas, apresentando queda no rendimento escolar ou desinteresse por atividades que exigem atenção visual. “Quando não identificado precocemente, o astigmatismo pode prejudicar o desenvolvimento, já que a dificuldade para enxergar interfere diretamente na aprendizagem”, ressalta o oftalmologista.

A confirmação ocorre por meio de consulta oftalmológica completa, com exames que analisam refração e estruturas oculares. Esse processo permite identificar o grau da irregularidade e definir a melhor estratégia de correção. Óculos com lentes cilíndricas ou lentes de contato específicas costumam ser indicados para compensar a curvatura desigual. “A escolha do método deve considerar o perfil do paciente, rotina e necessidades visuais, garantindo conforto e eficiência na adaptação”, explica.

Em situações específicas, principalmente quando há graus elevados ou intolerância às opções convencionais, procedimentos cirúrgicos podem ser recomendados. Técnicas modernas possibilitam remodelar a superfície corneana, corrigindo a irregularidade e melhorando a qualidade da visão. “A cirurgia refrativa evoluiu muito nos últimos anos, oferecendo segurança e bons resultados, desde que haja indicação criteriosa e avaliação individualizada”, destaca.

Mesmo sendo comum, o astigmatismo exige atenção contínua. Consultas periódicas são essenciais para monitorar possíveis mudanças e ajustar a correção ao longo do tempo. O cuidado preventivo evita complicações e contribui para o bem-estar visual em todas as fases da vida. “Enxergar bem não deve ser encarado como luxo, mas como parte fundamental da saúde, e qualquer alteração precisa ser investigada com seriedade”, finaliza o Dr. Alfredo Pigatin Neto.

 




São Paulo registra mais de 31 mil óbitos em 2025 por influenza, pneumonia e coronavírus

 

 

São Paulo, maio de 2026 – Pode parecer simples, mas um gesto básico continua sendo uma das formas mais eficazes de salvar vidas dentro das instituições de saúde: lavar as mãos da forma correta.

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram o impacto significativo de doenças associadas à falta de higienização das mãos no Brasil. Em 2025, foram registrados 105.873 óbitos por influenza (gripe) e pneumonia, em todo o país. No mesmo período, as infecções por coronavírus somaram 2.550 mortes.

No estado de São Paulo, os números também chamam atenção. Foram contabilizados 30.643 óbitos por influenza e pneumonia, ao longo de 2025, além de 733 mortes atribuídas a infecções por coronavírus.

A falta de higienização adequada das mãos é um fator importante na transmissão de doenças. Além da influenza e da pneumonia, mãos contaminadas também podem contribuir para disseminação de outras infecções, como conjuntivite, catapora, hepatite A e outras doenças.

“Este simples gesto pode reduzir em até 40% o risco de infecções, como gripe, diarreia e conjuntivite” afirma a infectologista e consultora para ONA – Organização Nacional de Acreditação, Cláudia Vidal.

Infecções hospitalares ainda são um problema global – Apesar de evitáveis, as chamadas infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) continuam sendo um desafio global. Dados da OMS mostram que até 30% dos pacientes em UTIs podem ser afetados. E em países mais pobres, o risco pode ser até 20 vezes maior e, até 2050, há previsão de até 3,5 milhões de mortes por ano. A cada 100 pacientes internados, até 15 podem desenvolver infecções em países de baixa e média renda. A situação é mais crítica em unidades de terapia intensiva.

Brasil avança, mas ainda enfrenta desafios – Últimos dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2024, apontam que há melhoria nos indicadores de incidência de IRAS, mas o risco ainda é alto.

O relatório alerta que a maioria das infecções de corrente sanguínea ocorrem dentro das UTIs. A densidade de incidência chega a 3,5 casos mil por cateter venoso central-dia em UTIs e nas neonatais, esse número sobe para 6,1 casos. Ainda, segundo o levantamento, pneumonia associada à ventilação mecânica segue entre as IRAS mais frequentes. As taxas podem chegar a 9,4 casos por 1 mil ventilação mecânica-dia.

Infecção também pesa no bolso – Além do impacto na saúde, as infecções também têm custo alto. Pacientes com infecção podem gerar custos até 55% maiores no Brasil. Nos Estados Unidos, o impacto passa de US$ 40 bilhões por ano e, na Europa, chega a € 7 bilhões anuais

Resistência a antibióticos – “O uso inadequado de antibióticos pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, ressalta a dra. Cláudia Vidal.

Dados da OMS relatam que até 2050, podem ocorrer 10 milhões de mortes por ano por infecções resistentes.

Uso inadequado de antibióticos ainda é um desafio no Brasil – Dados da Anvisa mostram que uma parte das instituições de saúde já contam com programas estruturados para o uso racional desses medicamentos, mas temos muito o que avançar.

Entre os 153 serviços analisados, cerca de pouco mais da metade (52,7%) têm Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos implantado, o que acende um alerta para as fragilidades dos serviços de saúde quanto ao controle e monitoramento do uso desta classe de medicamentos tão importante.

Por outro lado, o monitoramento dentro das UTIs já é mais frequente. Nas unidades adultas, cerca de 95,6% das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar acompanham o uso de antibióticos, enquanto nas UTIs pediátricas, cerca de 82,8% fazem esse controle de antimicrobianos de forma adequada.

Diante da elevada incidência das IRAS e do avanço da resistência aos antimicrobianos – que podem comprometer a qualidade do cuidado e a segurança do paciente – os desfechos clínicos podem ser cada vez mais desfavoráveis aos pacientes. “Fortalecer as medidas de prevenção de infecções é imprescindível, em especial a higiene das mãos de forma adequada e oportuna, estratégias essas fundamentais para proteger os pacientes e salvar vidas!”, finaliza a infectologista.




Psoríase Brasil estreia temporada 2026 de videocast com debates sobre novos tratamentos, acesso e direitos dos pacientes

 

Gladis Lima, presidentee da Psoríase Brasil

A Psoríase Brasil deu início à temporada 2026 do Saúde da Pele Cast, videocast da ONG voltado à informação qualificada sobre doenças crônicas e autoimunes de pele — psoríase, dermatite atópica, hidradenite supurativa, alopécia areata, vitiligo e urticária crônica espontânea. Com episódios quinzenais, lançados sempre às terças-feiras, às 19h, a nova programação começou com um bate-papo sobre o mais novo tratamento para a doença psoriática aprovado no Brasil: uma terapia oral com ação direcionada no organismo para controle do quadro. Em maio, já estão previstos dois outros temas de grande importância para os pacientes e diretamente ligados ao acesso à saúde no País: a participação da sociedade em consultas públicas da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e os desafios enfrentados por adultos com dermatite atópica para acessar imunobiológicos no SUS.

O primeiro episódio da nova temporada está disponível no canal da entidade no YouTube, e traz como convidado o dermatologista Dr. Diogo Pazzini Bomfim, que aprofunda o debate sobre novas terapias orais para psoríase e explica como medicamentos de ação direcionada vêm ampliando as possibilidades de controle da doença. Durante a conversa, o especialista explica o que mudou no tratamento da psoríase nos últimos anos, quais são as diferenças entre terapias tradicionais e novas alternativas, para quais pacientes esses medicamentos podem ser indicados e o que já está disponível no Brasil.

A escolha do tema de estreia reforça um dos principais objetivos do videocast: traduzir avanços científicos e debates técnicos em informação acessível para pacientes, familiares e sociedade. Embora muitas vezes seja percebida apenas pelas lesões na pele, a psoríase é uma doença inflamatória crônica, sistêmica, que pode impactar a qualidade de vida, a saúde emocional, as relações sociais e a rotina de quem convive com a condição.

A temporada segue com dois episódios voltados a temas estratégicos para o acesso a tratamentos na rede pública. Em 12/05, o videocast recebe Carolina Cohen, da Colabore com o Futuro, organização de advocacy em saúde, para falar sobre a importância da participação da sociedade nas consultas públicas da Conitec e da ANS. O episódio abordará como pacientes, familiares, profissionais da saúde, organizações da sociedade civil e demais interessados têm papel relevante nesses processos, ao contribuir com relatos, dados e experiências reais que podem subsidiar decisões sobre a incorporação de medicamentos no SUS, a construção de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs) — que orientam o diagnóstico e o tratamento de doenças no sistema público — e a definição de coberturas na Saúde Suplementar.

Já em 26/05, o Saúde da Pele Cast recebe a médica alergista e imunologista Dra. Ana Paula Moschione Castro, membro do Conselho Científico da Psoríase Brasil, para discutir o acesso de adultos com dermatite atópica aos imunobiológicos no SUS. A conversa parte de uma preocupação crescente entre pacientes e especialistas: embora a ciência tenha avançado e trazido novas possibilidades terapêuticas para casos moderados a graves da doença, a revisão mais recente do PCDT da Dermatite Atópica incorporou medicamentos imunobiológicos para crianças e adolescentes, mas não para adultos. Na prática, isso cria uma contradição na linha de cuidado: pacientes que têm acesso a essas terapias durante a juventude podem perder o acesso ao tratamento ao chegar à vida adulta — abrindo uma lacuna na continuidade assistencial de uma condição crônica que exige cuidado contínuo e controle ao longo do tempo.

Para a Psoríase Brasil, a nova temporada do Saúde da Pele Cast reforça o papel da comunicação em saúde como ferramenta de orientação, mobilização e participação social. Ao reunir especialistas e vozes ligadas à defesa dos pacientes, o videocast busca qualificar o debate público e contribuir para que decisões sobre tratamentos, políticas públicas e cuidado em saúde considerem também a experiência de quem convive com essas doenças.

12/05: A importância de participar das Consultas Públicas da Conitec e ANS, com Carolina Cohen, da Colabore com o Futuro;

26/05: Adultos com Dermatite Atópica: o desafio do acesso aos imunobiológicos no SUS, com a médica alergista e imunologista Dra. Ana Paula Moschione Castro.

Com mediação da jornalista Ana Paula Dixon, fundadora e head de jornalismo da Dixon Comunicação, o Saúde da Pele Cast reúne especialistas e convidados ligados à saúde, ao advocacy e à defesa dos direitos dos pacientes. A proposta é levar informação clara e acessível a pacientes, familiares, profissionais da saúde e pessoas interessadas em debates sobre diagnóstico, tratamento e políticas públicas para as doenças crônicas de pele.

🔗 O episódio de estreia da temporada 2026 do Saúde da Pele Cast já está disponível no YouTube, pelo link https://youtu.be/jDCtWFz1Oew. Os próximos episódios serão publicados quinzenalmente, sempre às terças-feiras, às 19h, no canal da Psoríase Brasil.

Temas dos próximos episódios:

12/05: A importância de participar das Consultas Públicas da Conitec e ANS, com Carolina Cohen, da Colabore com o Futuro;

26/05: Adultos com Dermatite Atópica: o desafio do acesso aos imunobiológicos no SUS, com a médica alergista e imunologista Dra. Ana Paula Moschione Castro.




Maio Vermelho: hepatites B e C aumentam o risco de câncer de fígado

 

Foto: reprodução / Freepik

O mês de maio, que leva a cor vermelha, traz a importância de um olhar cuidadoso para as hepatites, principalmente B e C, que podem resultar em câncer de fígado. Segundo dados do American Cancer Society, a incidência da neoplasia triplicou desde 1980, dobrando também as taxas de mortalidade pela doença.

Anualmente, mais de 800 mil pessoas são diagnosticadas com câncer de fígado no mundo. No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é estimado para cada ano do triênio 2026-2028 cerca de 12.350 casos – sendo 7.340 em homens e 5.010 em mulheres.

Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento da doença, mundialmente as hepatites virais causadas pelos vírus B ou C são a causa mais comum. Vale lembrar ainda que esse tipo de infecção também pode levar à cirrose hepática, que ocorre quando o tecido hepático normal é substituído pelo cicatricial não funcional, danificando o órgão.

“A hepatite viral causada pelos vírus B e C pode ser transmitida entre pessoas através de relações sexuais sem preservativo, transfusões de sangue, compartilhamento de agulhas contaminadas ou de objetos de higiene pessoal (como lâminas de barbear, depilar, alicates de unha, entre outros) ou durante o parto. Como forma de prevenção, a vacina contra hepatite B é oferecida gratuitamente pelo SUS. Além disso, apesar de não existir uma vacina para a infecção pelo vírus C, os novos tratamentos, também oferecidos de forma gratuita na rede pública, possuem chance de cura em cerca de 90% dos casos”, explica o Artur Rodrigues Ferreira, oncologista da Oncoclínicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, é estimado que 304 milhões de pessoas tenham hepatite B ou C.

Além da hepatite B e C, outros fatores que podem desencadear o câncer de fígado são:

  • Cirrose (inflamação crônica no fígado);
  • Algumas doenças hepáticas hereditárias, como hemocromatose (acúmulo de ferro no organismo) e doença de Wilson (acúmulo de cobre no organismo);
  • Diabetes;
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que causa acúmulo de gordura no fígado;
  • Exposição a aflatoxinas (venenos produzidos por fungos que crescem em determinados alimentos quando não são armazenados corretamente e ficam expostos à umidade, como alguns tipos de grãos e castanhas);
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Tipos de câncer de fígado

Dentre os tipos de câncer de fígado, o carcinoma hepatocelular, que se inicia nos hepatócitos (células localizadas no fígado) é o mais comum. “Vale lembrar ainda que ele é o mais frequente nos pacientes com doenças hepáticas crônicas, como a cirrose, podendo ser proveniente do consumo excessivo do álcool ou de uma hepatite B ou C, por exemplo”, comenta o oncologista. Outros tipos da doença podem incluir:

  • Colangiocarcinoma – proveniente dos ductos biliares do fígado;
  • Hepatoblastoma – neoplasia rara que atinge recém-nascidos e crianças, ocorrendo predominantemente abaixo dos três anos, sendo raro após o quinto ano de idade; e
  • Angiossarcoma – câncer igualmente raro que se origina nos vasos sanguíneos do fígado.

Hepatites B ou C sempre irão resultar em câncer de fígado?

“Felizmente, não. As hepatites B e C, apesar de serem um fator de risco, não necessariamente determinarão o desenvolvimento da neoplasia, ou seja, apenas uma parcela dos pacientes irá evoluir para o câncer de fato. No entanto, adotar medidas de prevenção ao vírus é essencial para frear as estatísticas da doença”, explica Artur Ferreira.

Sintomas e sinais do câncer de fígado

De acordo com o oncologista da Oncoclínicas, grande parte dos pacientes não irá apresentar sintomas nos estágios iniciais do câncer primário de fígado. No entanto, caso se manifestem, é importante ficar de olho em:

  • Emagrecimento sem causa identificável;
  • Perda do apetite;
  • Dor na parte superior do abdômen;
  • Náusea e vômito;
  • Sensação de fraqueza e fadiga;
  • Inchaço abdominal (ascite);
  • Presença de massa abdominal;
  • Surgimento de icterícia, que é caracterizada pela coloração amarelada da pele e no interior dos olhos;
  • Fezes brancas e com coloração esbranquiçada (aparência de giz).

Diagnóstico do câncer de fígado

Justamente por ser uma doença silenciosa, nem sempre é fácil diagnosticar o câncer de fígado precocemente. “Geralmente, não são solicitados exames de rastreamento para o carcinoma hepatocelular na população em geral. Mas, eles podem e devem ser recomendados em casos específicos, como nos pacientes com cirrose hepática, ou ainda infecção crônica por hepatite B”, diz o especialista.

Ao avaliar cada caso, o médico pode solicitar:

  • Exames laboratoriais, como os de sangue, que avaliam a função do fígado e a alfa-fetoproteína (AFP, um marcador tumoral);
  • Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, para visualizar a existência de tumores, sua extensão e se eles se espalharam para outras partes do corpo;
  • Biópsia do fígado, em que uma agulha é colocada dentro da lesão para retirar uma amostra para análise no microscópio que determina se ela é maligna ou benigna; em se tratando do carcinoma hepatocelular, nem sempre a biópsia será necessária, pois achados específicos dos exames de imagem em associação com as informações clínicas do paciente podem estabelecer o diagnóstico;
  • Cirurgia laparoscópica, somente em casos específicos, que permite visualização direta do órgão e realização de biópsia.

Opções de tratamento do Carcinoma hepatocelular

“Dentre as abordagens de tratamento, podem ser realizados a remoção cirúrgica, transplante hepático, ablações e embolizações hepáticas, radioembolização, imunoterapia, terapias-alvo e, menos frequentemente, a quimioterapia. Mas, apenas após discussão multidisciplinar, a melhor modalidade de tratamento deverá ser indicada”, finaliza.