Como as organizações mais resilientes enfrentam a era da disrupção 

 

 
 

Nos últimos anos temos vivido muitas situações desafiadoras que exigem preparo e capacidade de adaptação. As mudanças climáticas, a pandemia, as instabilidades geopolíticas, as novas tecnologias, entre outros acontecimentos que alteram o cenário e configuram uma ruptura de padrão também chamada de “era de disrupção”, ou “age of disruption”, como o termo foi originalmente criado.

Prosperar na era da disrupção não é tarefa fácil e requer movimento, principalmente dos líderes empresariais. No entanto, a maioria dos CEOs considera ser cada vez mais difícil saber por onde começar agir diante de tantas mudanças. Neste caminho, as estratégias de experiência do empregado (EX) possuem um papel bastante importante para a gestão de mudança, atrair e reter talentos.

Uma pesquisa realizada pela WTW na Europa avaliou um grupo de organizações que se destacam em meio à disrupção, o que chamamos de Change Masters. A análise mostrou que grandes líderes desta era se concentram na comunicação. Eles ouvem bem todas as partes interessadas, mostram empatia e demonstram que realmente entendem o que os outros estão pensando e sentindo.

Mais do que nunca, os líderes precisam demonstrar seu lado humano e de fato compreender a individualidade de cada funcionário. Estes gestores também apresentam uma visão clara que inspira os profissionais. Mais de quatro em cada cinco empregados (85%) que trabalham para empresas Change Master relatam que sua liderança lhes ofereceu uma imagem compreensível de seu futuro.

As empresas querem líderes que falem sua língua, promovam ambientes inclusivos e abram oportunidades para o sucesso. Também esperam encontrar na empresa respeito e dignidade que possam proporcionar uma segurança psicológica que estimule um maior compartilhamento de ideias. Organizações resilientes entendem que esse é o caminho para atingir altos patamares de inovação e se diferenciar da concorrência.

Para as organizações que ainda estão em busca de entender como agir, as estratégias de experiência do empregado precisam estar em lugar de prioridade nas ações de planejamento. A partir disso, é preciso priorizar alguns pontos como a escuta do empregados, o bem-estar e as recompensas totais.

O ritmo e o grau de mudança nestes últimos anos ultrapassam os limites do esperado. Resta às empresas correr para agir da forma mais acertada possível valorizando sua equipe de colaboradores e trazendo o equilibrado e estabilidade para o ambiente de trabalho.

 

Erika Graciotto é- líder da área de gestão de talentos e employee experience da WTW Brasil

 



Saúde 5.0: os principais avanços da medicina por meio da tecnologia

 

 

O uso da tecnologia tem se tornado fundamental e eficiente em diversas áreas, e na saúde não poderia ser diferente. A utilização de medicamentos mais tecnológicos e procedimentos avançados são grandes aliados no combate às doenças complexas, que antes demandavam muito tempo para ser descobertas e devidamente tratadas.

Entretanto, a incorporação da tecnologia no setor de saúde, o armazenamento em Big Data e os produtos de Machine Learning possibilitaram a inovação de dispositivos e soluções na medicina. A partir desse momento, surgiram também novas opções de diagnósticos mais eficientes e rápidos com o auxílio da Internet das Coisas (comunicação entre os equipamentos de assistência à saúde).

Neste sentido, podemos dizer que, até há pouco tempo, vivenciávamos a Saúde 4.0, cujo objetivo foi a incorporação da tecnologia nos processos. Dentro desta era, ficou evidente o avanço das tecnologias para fornecer diagnósticos mais precisos e cirurgias com processos menos invasivos, entre outras inovações nos tratamentos. Agora já conseguimos perceber nossa evolução para a Saúde 5.0, que traz benefícios como segurança, qualidade e agilidade, que formam a base para o entendimento e adoção desse conceito.–

A Saúde 5.0 representa muito mais do que a inteligência artificial associada a procedimentos realizados pelos profissionais da área, pois oferece aos pacientes uma nova realidade, que possibilita maior atenção e cuidados com a saúde, modalidade que se estende também aos equipamentos utilizados, como é o caso de dispositivos que permitem a realização de exames de forma remota.

Com a adoção do novo conceito, também há a necessidade de criação de plataformas confiáveis, que otimizem o serviço dos profissionais de saúde com recursos que possibilitem disponibilizar e armazenar informações do paciente em qualquer momento em um sistema responsivo, que se adeque aos diversos aparelhos eletrônicos e sistemas, que são acessados apenas pelos profissionais de saúde e pelo próprio paciente. No entanto, não podemos deixar de enfatizar também a necessidade da adoção de um olhar mais estratégico e desafiador, quando o assunto é automação e inovação na saúde.

Quando falamos de tecnologia atrelada ao uso de dados de pacientes, também é fundamental pensar em como utilizar esses dados, principalmente com relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que, mais do que antes, exige transparência e cuidados com as informações que são disponibilizadas pelos pacientes. Seguir normas e diretrizes é o primeiro passo para o início de um relacionamento claro e seguro com quem fornece os dados.

Por fim, não podemos negar que a pandemia foi um dos principais fatores que aceleraram o surgimento da Saúde 5.0. A partir da necessidade de implementar e buscar novas alternativas para atendimento ao cliente, foi possível a verificação da carência de recursos que preenchessem as lacunas ainda não cobertas pelas tecnologias já existentes. Podemos dizer que a chegada do novo conceito veio para transformar a forma de fazer medicina e cuidar da saúde, mostrando o quanto devemos estar preparados e resilientes a situações adversas. Ainda existem pontos a ser melhorados, afinal, toda nova tecnologia requer adaptações, assim como nós profissionais de saúde, que devemos acompanhar essa evolução para proporcionar melhores experiências aos pacientes, sempre com foco na agilidade e na perfeição.

 

Anna Clara Rabha é diretora médica da Tuinda Care, startup de saúde que tem como objetivo promover acesso médico à população, através de dispositivos e soluções tecnológicas que agreguem valor à telemedicina. Ela é pediatra, alergista e imunologista e mestre em Ciências aplicadas à Pediatria pela Unifesp




Revolução da IA: ChatGPT e o futuro do trabalho

A história da humanidade é marcada por revoluções, momentos em que um evento, uma invenção ou um movimento popular causam uma mudança de rota na sociedade que nos leva a uma nova dinâmica de existência, como a Revolução Industrial.

Atualmente, com o avanço e disseminação da tecnologia do ChatGPT e outras inteligências artificiais (IA) semelhantes, tenho convicção de estarmos passando por um destes momentos revolucionários.

O ChatGPT é uma IA baseada em um modelo avançado de linguagem capaz de entender, aprender e gerar textos em diversos idiomas, produzir trabalhos de alta qualidade em poucos segundos. Esta tecnologia pode desenvolver documentos, escrever artigos, elaborar estruturas de trabalho, checklists de atividades, otimizações de processos e muito mais. As possibilidades de uso são incontáveis e muito de seu potencial ainda é inexplorado.

Na minha opinião, ela é exatamente o tipo de tecnologia que nos dá a oportunidade de mudar a dinâmica de trabalho como conhecemos atualmente. Veja!

Com a Revolução Agrícola, nós, homo sapiens, deixamos de ser caçadores-coletores para nos tornarmos agricultores. Desde então, a correlação entre produção e tempo de trabalho era direta e linearmente proporcional. Ou seja, quanto mais queríamos produzir, mais tempo precisávamos trabalhar. Com a Revolução Industrial e diversas evoluções tecnológicas, ao longo dos anos essa ligação entre produção e tempo de trabalho foi se dissolvendo.

Hoje, com tecnologias de inteligência artificial, a quebra desta correlação nunca esteve tão evidente. Vivemos em um novo mundo no qual os meios de produção se tornaram tão eficientes que pode-se produzir cada vez mais com menos tempo de trabalho humano.

Considerando que entre 50% e 80% do nosso tempo é gasto com comunicação, a criação de uma tecnologia (ChatGPT) que tem a capacidade de otimizar essa comunicação por meio de um modelo de aprendizado e aprimoramento constante tem o potencial de elevar nossa produtividade a patamares nunca antes atingidos.

Algumas empresas já utilizam o ChatGPT em sistemas de atendimento ao cliente, gerenciamento de agendas, processamento de dados e automação de processos, tornando as atividades mais eficientes e ágeis. Isso quer dizer que a IA já é uma realidade e que diversas empresas estão economizando tempo e recursos graças a inteligências artificiais. Isso possibilita que os funcionários se concentrem em atividades mais estratégicas e de maior valor agregado.

Mas, é apenas o início, e as possibilidades a serem exploradas são inúmeras. É por isso que, como disse o especialista em inovação Walter Longo em uma de suas palestras, acredito que “no futuro, as pessoas serão pagas para estudar e aprender, e não para trabalhar”.

Victor de Almeida Moreira é engenheiro de produção,
com MBA em Engenharia de Custos, gestor de projetos da Mineração Rio do Norte (MRN)
e autor do livro (Auto)liderança Antifrágil, publicado pela Editora Gente.

 




Jurídico: vilão ou aliado da área de negócios?

“Está com o meu Jurídico”. “O Jurídico mexeu no documento”. “Meu Jurídico não autorizou seguir” … Certamente você já ouviu (ou falou) essas e outras frases de cunho semelhante, em diversos tipos de situações. Porém, o que passa desapercebido para muitas pessoas é que quando o Jurídico faz suas colocações ou até mesmo dá uma recomendação mais incisiva, na verdade ele está trabalhando junto à área de negócios e não contra ela.

Para entender se o Jurídico é, de fato, um vilão ou um aliado, precisamos conhecer brevemente a trajetória do direito e da advocacia no Brasil. Nossa primeira Constituição Federal vai completar 200 anos em 2024 e muitos de nossos Códigos também tiveram sua primeira versão em séculos passados. Assim, não é exagero dizer que a advocacia existe no país há séculos, tendo enraizada, inevitavelmente, algumas características mais conservadoras. Feita esta breve contextualização, retornemos aos dias atuais.

Hoje em dia, quando um cliente (interno ou externo) demanda o apoio do Jurídico, ele não busca somente se resguardar de eventuais futuros problemas, ele espera mais do que isso. O cliente busca um aconselhamento jurídico, alguém que lhe oriente sobre qual a melhor forma de atingir seu objetivo, dentro da lei, assegurando seus direitos e garantindo que seus deveres sejam exigidos na extensão do necessário.

O advogado do século XXI não pode ser aquele que simplesmente “caneta o contrato” e diz ao seu cliente que não dá para seguir como proposto. Além das recomendações jurídicas, o advogado deve entender o negócio como um todo, possuir visibilidade geral da operação para então poder recomendar seu cliente assertivamente. O Jurídico hoje deve ser visto como um parceiro do negócio e não (mais) como uma área que simplesmente gera custos e atrapalha a concretização de operações.

De alguns anos para cá, as empresas vêm se conscientizando de que o advogado é alguém que aconselha, que caminha lado a lado, e não somente aquele que você aciona quando tem um problema concreto. É certo que em muitas vezes o papel do advogado é, de fato, remediar determinada situação, mas, ainda assim, quando se é parceiro do negócio, é possível orientar o cliente e encontrar a solução mais benéfica, ainda que em um cenário adverso.

A importância do Jurídico enquanto conselheiro – seja na posição de um advogado generalista consultivo ou através da atuação de um advogado contencioso estratégico – tem crescido no Brasil e muitas empresas passaram a abrir headcounts que antes inexistiam para a criação de uma cadeira (quando não uma estrutura) jurídica dentro das corporações.

Isto porque, pouco a pouco – lembre-se que a advocacia existe há praticamente dois séculos no país e o estigma do “juridiquês” e a cultura do aconselhamento jurídico ainda pesam – as empresas têm finalmente entendido que vale investir em um aconselhamento prévio, capaz de enxergar a operação de uma forma macro, do que depois ter que se socorrer a um suporte inevitável (e na maior parte das vezes mais caro) para gerenciar contingências.

Se o Jurídico for visto realmente como um parceiro do negócio, ele será capaz de realizar seu trabalho de forma mais abrangente, de recomendar sem impedir, de aconselhar sem vedar, mas, acima de tudo, de entender o objetivo da empresa em determinada operação e avaliar quanto ela é importante para o seu crescimento, compreendendo as horas de trabalho depositadas para tirar um projeto do papel e a importância de contribuir para sua construção.

Quando o advogado é integrado ao time do negócio, aconselhando-o e fazendo considerações desde o início, o resultado tende a ser mais efetivo. Os possíveis problemas que poderiam surgir lá na frente muitas vezes são mitigados no início, pois pode ser criado um planejamento para o enfrentamento de situações adversas.

Assim, à medida que o Jurídico conquista a posição de uma área estratégica, participando ativamente da tomada de decisões, seu papel acaba por transcender o aconselhamento jurídico, passando a englobar, muitas vezes, temas relacionados à Governança Corporativa e Compliance, proporcionando às empresas uma atuação ainda mais ampla, auxiliando na observância das diretrizes internas, trabalhando em conjunto com outras áreas.

Ao ter reconhecida a sua importância, o Jurídico deixa de ser visto como um vilão e passa a ser um aliado efetivo do negócio, onde todas as áreas saem ganhando.

Priscilla Perez Bastos, da TMB Advogados

Foto: Celso de Me




As controvérsias da cassação de Deltan Dallagnol

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por unanimidade de votos, indeferiu o registro de candidatura do ex-procurador da Lava Jato Deltan Martinazzo Dallagnol ao cargo de deputado federal pelo estado do Paraná nas Eleições 2022.

A Corte entendeu que Dallagnol incorreu na hipótese de inelegibilidade prevista no artigo 1º, I, q, da LC 64/90, uma vez que ele teria antecipado seu pedido de exoneração do cargo de procurador da República para contornar a concreta possibilidade de que 15 procedimentos administrativos de natureza diversa fossem convertidos em processos administrativos disciplinares (PAD), o que o tornaria inelegível para as eleições de 2022.

O artigo 1º, I, q, da LC 64/90 estabelece que são inelegíveis, para qualquer cargo eletivo, pelo período de oito anos, os membros do Ministério Público e do Poder Judiciário que, alternativamente, tenham sido aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória, tenham perdido o cargo por sentença ou, ainda, tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar.

A controvérsia consiste em saber se o pedido de exoneração, durante os procedimentos preparatórios para um processo administrativo disciplinar (PAD), se enquadra na hipótese prevista no artigo 1°, I, q, da LC 64/90.

Há duas situações incontroversas: a) Deltan é ex-integrante dos quadros do Ministério Público, exonerado, a pedido, em 3/11/2021, conforme Portaria PGR/MPF n. 688, de 4 de novembro de 2021; b) quando houve sua exoneração a pedido, tinha contra ele 15 procedimentos diversos em trâmite no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para apurar infrações funcionais.

Os Tribunais Superiores, em inúmeras oportunidades, têm entendido que são inadmissíveis as condutas que importem violação indireta à lei, frustrando sua aplicação. Mas, na hipótese dos autos, a conduta de Dallagnol se enquadra nas causas de inelegibilidade previstas na alínea “q”?

O TSE apontou que “a somatória de cinco elementos, devidamente concatenados e contextualizados, revela de forma cristalina que o recorrido exonerou-se do cargo de procurador da República em 3/11/2021 com propósito de frustrar a incidência da inelegibilidade do art. 1º, I, q, da LC 64/90”.

Para o TSE, os cinco elementos configuradores da fraude à lei podem ser assim resumidos: “(a) a anterior existência de dois processos administrativos disciplinares (PAD), com trânsito em julgado, nos quais o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aplicou ao recorrido as penalidades de censura e advertência, que por sua vez eram aptas a caracterizar maus antecedentes para fins de imposição de sanções mais gravosas em procedimentos posteriores (arts. 239 e 241 da LC 75/93); (b) tramitavam contra o recorrido, no CNMP, 15 procedimentos administrativos de natureza diversa (tais como reclamações), os quais, depois de sua exoneração a pedido, foram arquivados, extintos ou paralisados. Há ainda de se considerar dois fatores: (b.1) conforme disposições constitucionais e legais, esses procedimentos poderiam vir a ser convertidos ou darem azo a processos administrativos disciplinares (PAD); (b.2) os fatos a princípio se enquadram em hipóteses legais de demissão por quebra do dever de sigilo, do decoro e pela prática de improbidade administrativa na Operação Lava Jato; (c) um dos procuradores da República que atuou com o recorrido na Operação Lava Jato sofreu penalidade de demissão em 18/10/2021, em processo administrativo disciplinar instaurado pelo CNMP a partir de anterior reclamação, por contratar e instalar outdoor em homenagem à força-tarefa, contendo fotografia na qual o recorrido também aparece (ato de improbidade administrativa); (d) logo em seguida, apenas 16 dias após esse fato, o candidato recorrido pediu sua exoneração do cargo de procurador da República; (e) a exoneração do recorrido em 3/11/2021, onze meses antes das Eleições 2022, causou espécie tanto pelos fatores acima como também porque, nos termos do art. 1º, II, j, da LC 64/90, os membros do Ministério Público apenas precisam se afastar do cargo faltando seis meses para o pleito, isto é, somente em 2/4/2022”.

Não há dúvida da gravidade dos fatos narrados nos procedimentos preparatórios de PAD instaurados contra Deltan, que foram arquivados por conta do pedido de exoneração.

Dentre eles há que se destacar: a) Reclamação Disciplinar 1.00441.2020-90, instaurada para apurar novas mensagens divulgadas pelo periódico eletrônico The Intercept, que revelariam que Deltan e outros procuradores da Operação Lava Jato teriam atuado de forma ilegal no compartilhamento de informações e em diligências com agências policiais estrangeiras; b) Reclamação Disciplinar 1.00099.2021-08, formulada pelo Presidente do Superior Tribunal de Justiça, para apurar infrações funcionais do recorrido e de outros procuradores da Operação Lava Jato; c) Sindicância 1.00145.2020-16, instaurada pelo Corregedor Nacional do CNMP, para apurar potencial violação ao dever de resguardo de informações e relações protegidas por sigilo profissional pelos coordenadores da Operação Lava Jato; d) Reclamação Disciplinar 1.00232.2021-18, instaurada, para apurar ato de improbidade administrativa e lesão aos cofres públicos, puníveis com demissão (art. 240, V, a e b, da LC 75/93), consistente na celebração, por Deltan, na condição de coordenador da Operação Lava Jato, de acordo de assunção de dívidas com a Petrobrás cuja ilegalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 568.

Para o TSE, esse conjunto de elementos demonstra que Dallagnol estava plenamente ciente de que a instauração de novos processos administrativos disciplinares em seu desfavor, culminando em ulterior e eventual demissão, não era apenas uma hipótese remota, mas uma possibilidade concreta.

E concluiu o ministro relator “Constata-se, assim, que o recorrido agiu para fraudar a lei, uma vez que praticou, de forma capciosa e deliberada, uma série de atos para obstar processos administrativos disciplinares contra si e, portanto, elidir a inelegibilidade. Dito de outro modo, o candidato, para impedir a aplicação da inelegibilidade do art. 1º, I, q, da LC 64/90, antecipou sua exoneração em fraude à lei. É importante reiterar: a inelegibilidade em apreço aplica-se no caso dos autos não com base em hipótese não prevista na LC 64/90, o que não se admite na interpretação de disposições legais restritivas de direitos. Na verdade, o óbice incide porque o recorrido, em fraude à lei, utilizou-se de subterfúgio na tentativa de se esquivar dos termos da alínea q, vindo a se exonerar do cargo de procurador da República antes do início de processos administrativos envolvendo condutas na Operação Lava Jato”.

Embora entenda que as condutas de Deltan sejam deploráveis diante do cargo que ocupava, bem como é inquestionável que ele tinha ciência dos riscos que corria com os procedimentos e por isso pediu exoneração, ouso divergir da decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

A norma estampada na alínea “q” prevê como causa de inelegibilidade exonerar-se na constância de um procedimento administrativo disciplinar. Não há menção expressa em relação aos procedimentos preparatórios. Considerando a natureza sancionatória das causas de inelegibilidade, as regras de hermenêutica estabelecem que as interpretações dos dispositivos legais devem ser restritivas, não comportando, portanto, aplicações extensivas como sugerida pelo relator, que foi acompanhado pelos demais ministros. Dessa forma, penso que o TSE não laborou com o costumeiro acerto ao indeferir o registro do ex-procurador, embora, repita-se, os fatos narrados nas reclamações disciplinares são extremamente graves.

 

Marcelo Aith é advogado, latin legum magister (LL.M) em direito penal econômico pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa), especialista em Blanqueo de Capitales pela Universidade de Salamanca (ESP), mestrando em Direito Penal pela PUC-SP e presidente da Comissão Estadual de Direito Penal Econômico da Abracrim-SP.




Humanização na saúde: a importância do cuidado pautado na empatia

O acesso à saúde pública sempre foi um direito de todo cidadão. Com a chegada da pandemia, em 2020, os serviços de saúde tiveram sua relevância destacada e compuseram um exército no combate à Covid-19, por meio de hospitais, UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).

E com a pandemia também ocorreu o aprimoramento do conceito de acolhimento e humanização. O longo período de crise sanitária mundial fez com que as equipes buscassem caminhos para se ajustar às demandas crescentes, sobretudo diante da própria angústia vivenciada pelos familiares e pacientes durante o momento mais crítico.

Vale aqui destacar que a prática de acolhimento foi adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2003, por meio do programa HumanizaSUS. Por se aplicar desde a recepção do paciente, podemos dizer que o acolhimento é o primeiro passo para a humanização do atendimento em saúde como um todo. Partindo desse princípio, as equipes colocam a necessidade do indivíduo como norteadora de suas ações, aplicando a escuta junto ao usuário

Assim, ele deixa de ser um número ou ficha para ser reconhecido como indivíduo, tendo as preocupações ouvidas e consideradas para dar continuidade ao tratamento. Nesse contexto, os profissionais de saúde têm autonomia para seguir diferentes protocolos, a fim de prestar a melhor assistência possível no momento.

Combinando diretrizes como a defesa dos direitos dos usuários, valorização do trabalhador e gestão participativa, o acolhimento tem o potencial de transformar os serviços de saúde.

Ele promove a aproximação entre funcionários e o público, dispensando processos rígidos para adotar soluções mais flexíveis e humanizadas.

Acolher o usuário também é importante porque aumenta o seu bem-estar, colaborando para uma melhora mais rápida, além de fidelizar pacientes. Afinal, apesar da missão social relevante, as unidades de saúde não deixam de ser um negócio, e pensar em estratégias que o diferenciem da concorrência é fundamental em um mercado cada vez mais competitivo.

Deixando uma impressão positiva, as chances de que o paciente volte a usar seus serviços aumentam de forma considerável. Funcionários e usuários também ficam mais satisfeitos, o que melhora o clima organizacional e, potencialmente, a vida do usuário.

Como gestor de uma Organização Social de Saúde (OSS) que investe em ações de prevenção e promoção à saúde, acredito que o processo de humanização tem início com a conscientização das equipes de saúde, incluindo treinamentos voltado à escuta qualificada.

No âmbito do SUS, ele tem papel essencial na atenção primária, que contempla as UBSs e os serviços de forma geral. São nesses locais que o paciente é cadastrado e recebe os primeiros cuidados. Cabe reforçar que não se trata de uma simples triagem, requerendo por parte dos funcionários um compromisso de manter todos os pacientes informados sobre a classificação e seu propósito.

Outra boa prática se volta à praticidade e comodidade, permitindo diferentes formatos de atendimento. Além do presencial, as unidades de saúde podem oferecer consultas à distância, deixando ao paciente a escolha do formato mais adequado. Aplicativos de mensagens, e-mail e outros canais também auxiliam no acolhimento, conferindo maior agilidade aos serviços.

Enfim, tudo se resume ao acolhimento. E, quando falo em acolher, é o ato de entender o paciente como um todo, com os seus medos, sonhos, dificuldades e condições familiares, para que possamos amenizar a dor e promover um atendimento integral e individualizado.

O tratamento realizado dessa forma, com foco nas reais necessidades do paciente, contribui de forma determinante para acelerar o processo de cura. Percebemos que pacientes atendidos de maneira humanizada têm mais confiança na equipe e nos tratamentos, além de responderem melhor aos recursos clínicos. O acolhimento ainda favorece a participação da família no processo de doença, gerando entendimento e alívio da ansiedade e depressão, com melhora da qualidade de vida.

Por fim e por esse conjunto de benefícios, ressalto aqui a necessidade de continuidade dessas práticas e a concretização da rede de acolhimento para além do momento de pandemia, sendo fundamental a inerência de tais práticas humanizadas para a potencialização do SUS.

Nosso desejo, como instituição de saúde, é fazer a diferença na vida de cada paciente, com um atendimento diferenciado, focado na experiência e na expertise. E assim seguiremos, juntos, enfrentando, da melhor forma possível, todas as adversidades que possam surgir, com respeito à população e focados na humanização como principal agente transformador, em todos os níveis de atenção à saúde: primária, especializada, urgência e emergência e gestão hospitalar.

Como gestor de uma Organização Social de Saúde (OSS) que investe em ações de prevenção e promoção à saúde, acredito que o processo de humanização tem início com a conscientização das equipes de saúde, incluindo treinamentos voltado à escuta qualificada.

*Ademir Medina é CEO do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”)




Maria Auxiliadora, Patrona da Canção Nova

Durante a celebração dos 40 anos da Comunidade Canção Nova, na reunião ordinária da Assembleia Geral, em 24 de abril de 2018, padre Jonas Abib declarou Nossa Senhora Auxiliadora Patrona da Canção Nova, e também Dom Bosco! Ainda acrescentou: “Maria Auxiliadora e Dom Bosco: nesta ordem”, dando relevo a Maria que fez grandes coisas na nossa história.

Dom Bosco sempre rezava a Nossa Senhora Auxiliadora assim: “Maria, Mãe e Rainha, põe tua mão antes da minha!” Com certeza, padre Jonas viveu intensamente essa frase como uma oração em sua vida. É sabido de todos o hábito que ele tinha de colocar medalhas de Nossa Senhora nos terrenos e obras, pois tudo ele consagrava a nossa Senhora.

Foi ajoelhado diante da linda imagem dela, na capela que ele ajudou a construir no “Colégio dos padres”, em Lavrinhas (SP), que Nossa Senhora Auxiliadora falou ao seu coração, que lhe entregaria aquela enorme casa onde hoje é o “Pré-discipulado Canção Nova”. Essa mesma imagem permaneceu intacta após uma bomba cair na capela, durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

Nossa Senhora Auxiliadora marca a vida do padre Jonas, marca a vida de todos que amam a Canção Nova. Padre Jonas proclamou com a vida de oração o que Dom Bosco sempre dizia: “Maria Mãe e Rainha, põe tua mão antes da minha”.

Nasci no dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, em Piquete (SP). Passei minha infância pescando com meu pai no rio Paraíba, rio de Nossa Senhora Aparecida. A influência d’Ela em minha vida é muito grande também!

Quando tinha 12 anos, sofri um acidente muito grave, que mudou totalmente a minha vida. Fui internado em Piquete. Estava morrendo, e resolveram me mandar para o Rio de Janeiro (RJ), Hospital do Servidor do Estado. E lá aconteceu uma coisa muito interessante: às seis horas da tarde, eu ouvi uma música, que nem sabia que era a “Ave-Maria”, que tocava no rádio. Eu chorava muito, não de desespero, mas como quem está no colo de alguém. Sentia muito forte a presença da minha mãe, sentia muito forte uma proteção. Todo dia era isso, e não entendia o porquê.

Naquela madrugada, eu não dormi. Quando o médico me deu alta hospitalar, às 3h da manhã, estava de roupa trocada para ir embora. Passou o desejo no meu coração de fazer uma promessa que iria uma semana à missa, sem faltar nenhum dia. Sai do hospital, não avisei a minha mãe, e cheguei em casa de surpresa. Foi uma festa, uma choradeira, ninguém estava esperando. Quando deu 6h30 da tarde, bateu o sino da igreja de São Miguel Arcanjo de Piquete, e lembrei da promessa.

No sexto dia fui convidado para o grupo de jovens. Fui numa salinha pequena, e tinha uma jovem com um violão que falava: “Maria está sempre conosco, nos momentos de alegria, de dor”. Quando ouvi isso, estremeci, e me lembrei de tudo que passei no hospital. Parecia que a voz daquela moça era a música que tocava, e comecei a entender quem estava comigo no hospital, a força que sentia, era Nossa Senhora!

Eu conheci Nossa Senhora antes de conhecer Jesus. Foi Ela quem me levou até Ele, e pelo sofrimento, na hora mais dura. Quando a gente se abre a Nossa Senhora, Ela nos leva para Jesus!

Diácono Nelsinho Corrêa é membro da comunidade Canção Nova.




Medidas para proteção escolar: uma reflexão sobre ações e responsabilidades

 

 

 

As opiniões sobre as medidas de proteção adotadas ou recomendadas pelo Estado nas escolas podem variar bastante, dependendo das perspectivas e das experiências de cada indivíduo ou grupo. Muitas pessoas acreditam que as decisões sugeridas pelo Estado para as escolas são essenciais para garantir a segurança dos alunos, professores e funcionários sob o argumento de que são ações que podem ajudar a prevenir ataques e minimizar os danos em caso de ocorrência de algum incidente.

Por outro lado, há opiniões alheias que questionam quanto a eficácia dessas medidas de proteção, alegando que podem ser insuficientes ou mesmo inúteis em alguns casos, além de levantarem preocupações em relação ao custo e à logística envolvidos na implementação dessas medidas, bem como aos possíveis impactos na privacidade e na liberdade dos alunos e funcionários. Isso sem contar aqueles que têm dúvidas sobre a instalação de detectores de metal, a presença de policiais armados nas escolas ou a presença de vigilantes sem preparo no acesso das escolas.

As medidas de proteção adotadas pelo Estado podem ser fundamentais para a prevenção e redução dos riscos de ataques em escolas, mas é importante que essas medidas sejam efetivas e bem planejadas para que sejam realmente úteis. É essencial que essas determinações sejam adaptadas às necessidades e características específicas de cada escola, além de levarem em conta fatores como a localização, tamanho e características da comunidade escolar.

Enquanto isso, gestores e diretores de escolas também devem ter uma importante responsabilidade nesse contexto, garantindo a segurança e a proteção da comunidade escolar, além de estarem sempre atentos às necessidades e às preocupações dos alunos, professores, funcionários e pais. O ponto de início para um bom planejamento deve considerar os seguintes aspectos:

  • Conhecer meu risco — Os responsáveis por cada escola e organização precisam conhecer quais são seus pontos fortes e os fracos para tornar as respostas mais assertivas;
  • Meus recursos – Quais são os recursos que a organização tem para mitigar os pontos fracos e onde será necessário maior investimento para a proteção;
  • Minhas pessoas — A equipe de funcionários e alunos faz parte desse processo de proteção e precisam estar preparados e orientados para o que devem fazer no momento de crise

Além disso, as medidas de segurança devem ser implementadas em conjunto com outras ações, como o fortalecimento da educação em valores, o apoio psicológico e social aos alunos, a criação de espaços seguros de diálogo e convivência e o combate ao bullying e à violência nas escolas.

O treinamento envolvendo as ações preventivas e de reação em caso de ataques precisa ser introduzido na rotina da organização, pois nunca sabemos quando será necessário aplicar o protocolo de treinamento “run, hide, fight” (corra, se esconda e lute, na tradução), que deve ser realizado por profissionais qualificados e incluir simulações práticas para que os alunos, professores e funcionários possam aprender a estratégia de forma eficaz.

Além disso, o treinamento precisa ser atualizado regularmente para garantir que todos estejam cientes das melhores práticas e possam agir com segurança em caso de um incidente real. Há outros importantes protocolos que devem ser colocados em prática nos treinamentos, como os casos de incêndio ou mesmo mal súbito.

Treinar e capacitar os funcionários e os alunos é uma das melhores formas de obter um melhor resultado. Porém, é importante ressaltar que a segurança nas escolas é uma responsabilidade compartilhada entre governos, escolas, famílias e comunidades, e todas as partes devem trabalhar juntas para garantir um ambiente seguro e saudável para todos os alunos, professores e funcionários.

Paulo Musa é consultor master em Segurança Empresarial e Residencial da ICTS Security, empresa de origem israelense que atua com consultoria e gerenciamento de operações em segurança.

 




Dados inúteis e resíduos de carbono: o lado insustentável da digitalização

 

À medida que o mundo trabalha em direção a metas vitais de carbono líquido zero, a digitalização se tornou essencial para fornecer estratégias verdes e eficientes. Os dados são essenciais para gerar melhores resultados de negócios e garantir um futuro sustentável. Por outro lado, no entanto, nosso novo mundo orientado por dados apresenta seus próprios desafios de sustentabilidade. Os data centers que abrigam nossas reservas digitais exigem grandes quantidades de energia. Prevê-se que as emissões globais da computação em nuvem, por exemplo, representem mais de 3,5% das emissões de gases de efeito estufa, ainda mais do que voos comerciais.

Na última década, esforços foram feitos para garantir que os data centers sejam mais sustentáveis. No entanto, embora a infraestrutura possa se tornar mais ecológica, a questão do armazenamento desperdiçado dificulta os esforços. O armazenamento contínuo de dados inúteis drena recursos preciosos. De acordo com a pesquisa da Veritas, o poder necessário para armazenar esses dados escuros desperdiça até 6,4 milhões de toneladas de CO2 anualmente. Os analistas preveem que até 2025 haverá cerca de 91ZB de dados obscuros sendo mantidos desnecessariamente – mais de quatro vezes o volume atual.

Dados Obscuros

Em média, nossa pesquisa descobriu que 52% dos dados armazenados pelas organizações são “escuros”; seu conteúdo e valor são desconhecidos e é essencialmente inútil até que seu valor (se houver) seja determinado. Ao mesmo tempo, estima-se que cerca de um terço dos dados organizacionais sejam Redundantes, Obsoletos e Triviais (ROT).

Em suma, faixas de dados estão sendo armazenadas sem motivo. Os dados ROT são os principais contribuintes para altos custos de armazenamento; pesquisas globais recentes sugerem que mais de nove em cada dez organizações excedem seus orçamentos de nuvem, gastando em média 43%, principalmente em armazenamento, backup e recuperação. Muito já foi dito sobre o custo financeiro dos dados obscuros, mas o custo ambiental é frequentemente negligenciado. A eliminação de enormes quantidades de desperdício de dados pode ajudar a reduzir drasticamente a pegada de carbono das organizações, levando a uma maior sustentabilidade e a custos mais baixos. Como tal, as empresas devem controlar suas estratégias de gerenciamento de dados, usar as ferramentas certas para identificar dados valiosos e livrar seus data centers de dados obscuros desnecessários e que consomem energia.

Gerenciamento de dados é crucial

O gerenciamento de dados é um primeiro passo crucial para que as organizações analisem dados em escala com eficiência.

Isso começa com o mapeamento e a descoberta de dados, entendendo como as informações fluem por uma organização. Obter visibilidade e informações sobre onde os dados e informações confidenciais são armazenados, quem tem acesso e por quanto tempo eles são retidos é o primeiro porto de escala ao identificar dados obscuros. No entanto, é importante que as organizações invistam em um programa contínuo de gerenciamento proativo de dados. Isso permite que as organizações obtenham visibilidade de seus dados, armazenamento e infraestrutura de backup e tomem decisões baseadas em insights relacionados à exclusão de dados continuamente. Dados escuros e ROT acumulados drenam todos os recursos.

Além disso, a minimização de dados e a limitação da finalidade podem reduzir a quantidade de dados armazenados e garantir que o que é retido esteja diretamente relacionado à sua finalidade. O uso de classificação, políticas flexíveis de retenção de dados e mecanismos de política compatíveis significa que pode haver exclusão confiável de informações não relevantes. Isso não apenas reduz a quantidade de dados obscuros que alimentam os recursos do data center, mas também pode garantir a conformidade com os regulamentos de proteção de dados, como o GDPR.

Para muitas organizações, a redução de dados escuros e ROT não é uma tarefa simples, especialmente quando manuseada manualmente. O processo pode ser complexo, com muitas soluções de gerenciamento de dados corporativos retendo uma abordagem manual de implantação e manutenção, diminuindo a agilidade operacional.

Com a quantidade de dados criados e armazenados explodindo, essa não é uma tarefa que as empresas possam realizar manualmente. A automação de análises, rastreamento e relatórios de dados obscuros é essencial ao lidar com potencialmente petabytes de dados e bilhões de arquivos. Além disso, a necessidade de estratégias multinuvem exigiu o desenvolvimento de uma nova abordagem para o gerenciamento de dados.

Gerenciamento autônomo de dados

A ferramenta definitiva para as organizações agora é o gerenciamento autônomo de dados. Aqui, as tecnologias de inteligência artificial (IA) e machine learning (ML) permitem a automação dos processos de gerenciamento de dados e minimizam a intervenção e a supervisão humana. Ao automatizar o provisionamento, otimização, recuperação e configuração de tecnologias de gerenciamento de dados em ambientes multinuvem, as empresas podem obter uma imagem muito mais clara e precisa de seus dados em um espaço de tempo muito mais curto, não importa o que seja ou onde esteja. está armazenado.

Por exemplo, as plataformas de gerenciamento de dados corporativos agora podem classificar autonomamente dados baseados em nuvem, desduplicar dados desnecessários e redundantes na nuvem e arquivar ou excluir dados obsoletos e triviais na nuvem. Essa abordagem automatizada de percepção de dados também deve ser integrada a soluções de arquivamento, backup e segurança cibernética para evitar a perda de dados e garantir a retenção de dados baseada em políticas.

A transformação digital contínua torna os requisitos das organizações para conteúdo e contexto de dados uma prioridade, principalmente quando muitos desses projetos transformadores buscam oferecer maior sustentabilidade. A energia usada para armazenar dados inúteis é puro desperdício. Imagine se pudéssemos remover automaticamente 85% desses dados inúteis dos data centers – isso permitiria um grande salto em direção ao zero líquido.

Reduzir o impacto ambiental de nossa pegada de armazenamento de dados será imperativo se quisermos evitar a criação de uma massa ainda maior de dados residuais à medida que a nuvem evolui. As estratégias verdes impulsionadas pela digitalização não podem ser abandonadas pela sombra de dados obscuros que consomem energia em segundo plano, desfazendo silenciosamente um bom trabalho. A jornada para uma nuvem sustentável depende do combate ao desperdício de dados. A melhor solução para gerenciar o desperdício de dados em um ambiente complexo de nuvem híbrida e multinuvem é a operação autônoma, minimizando a dependência de processos manuais ao combinar hiperautomação com inteligência orientada por dados.

 

Gustavo Leite é vice-presidente para América Latina  da Veritas Technologies




Ao infinito e além, mas sem tirar os pés do chão

Em meio a um Universo tão vasto, lá está nossa casa: um planeta cheio de riquezas e oportunidades, em algum lugar da Via Láctea. Somos em 8 bilhões de pessoas com muitos problemas para serem resolvidos ao longo de mais ou menos 80 anos de vida. E, já há algum tempo, temos a tecnologia como companheira, carregamos o mundo no bolso e estamos com o poder nas mãos. Com um simples clique, compramos um carro ou, então, otimizamos os pontos de contato com clientes. Mas, por trás de cada uma dessas soluções, estão milhares de empreendedores pensando na próxima ideia que vai revolucionar o dia a dia de muitos. E os brasileiros são personagens fundamentais na construção desse universo de possibilidades.

O cenário é vibrante e disputado. Nessa longa viagem para conquistar uma galáxia inteira é preciso ter a inovação como oxigênio e a vontade de resolver os problemas como missão. Mais do que ter uma boa ideia, a cabeça deve estar aberta para o novo e, ao mesmo tempo, focada na realidade, buscando alternativas, principalmente, quando o caixa não tem recursos ilimitados. As startups sabem disso e já nascem com o DNA global, desenhadas e estruturadas para explorar o mercado como um todo, seja a partir do primeiro dia de fundação ou de forma gradual, conforme vão amadurecendo. No Brasil, essas companhias representam uma nova cultura do empreendedorismo e estão muito bem posicionadas para além das fronteiras.

Junto ao samba e ao futebol, agora, o que representa o país é a capacidade de criar soluções inovadoras. Para as empresas que têm o crescimento sustentável como estratégia, sempre haverá um espaço garantido para atrair bons investidores. Mas, para alcançar o sucesso, não se pode ter pressa. Algumas startups são como foguetes, tentando chegar à Lua enquanto voam e pegam carona nos bons ventos da mudança. Outras, seguem com toda a calma necessária, mas firmes, rumo ao pico mais alto. O fato é que precisamos parar de nos colocar como inferiores frente aos outros países e usar o complexo de vira-lata como uma oportunidade. Afinal, somos mais resistentes e vividos do que muitos empreendedores dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha.

O Brasil está na elite de países com as melhores startups e muitas delas estão virando unicórnios. Cidades semelhantes a Curitiba, capital do Paraná, que antes não tinham tanta expressão no mundo da inovação, passam a ganhar destaque junto de grandes metrópoles como São Paulo. Mais do que um número bilionário, esses unicórnios representam uma filosofia, um espírito e um processo de construção focado na digitalização. Uma ferramenta que agora faz parte do nosso dia a dia de uma forma muito mais acentuada. Em um Universo que já tem 10 ou 15 bilhões de anos, estamos constantemente esbarrando em surpresas. Olhar para o céu, observar as estrelas e imaginar a vastidão do cosmo faz com que a gente se sinta pequeno, mas, ao mesmo tempo, imenso, porque somos parte desse todo. 

Sim, a cada dia novos desafios nos são apresentados. Com o mercado andando a passos lentos, os investidores bastante criteriosos e os clientes cada vez mais exigentes, o espaço sideral parece estar apenas favorável para startups mais experientes. Se, por acaso, algum empreendedor atravessou os últimos anos sonhando com um cenário pós-pandêmico tranquilo e próspero, o despertar certamente não foi dos melhores. O inverno das startups reduziu a marcha dos possíveis novos unicórnios, fazendo muitos colocarem o pé no freio e repensarem toda a sua estratégia de negócio para se adaptar ao novo momento sem perder a vontade de levar as suas soluções para o maior número de clientes possíveis. 

Não temos tempo a perder. No mundo dos negócios, cada minuto vale ouro. Por isso, precisamos encarar de frente os desafios e fazer das startups uma plataforma forte de inovação para a geração de empregos qualificados, o aumento da renda dos trabalhadores e a impulsão da economia. Claro que tudo isso sem esquecer do crescimento sustentável e da visão para o longo prazo. E, para colher bons frutos, é essencial se juntar a investidores que têm propósitos semelhantes, afinidade com o core da empresa e ambição de crescimento, além de manter o foco em resolver dores reais dos seus clientes.

Ao infinito e além. As startups brasileiras estão rompendo as barreiras nacionais e mostrando que tem lugar para todas brilharem. Essas empresas criam projetos ousados, exploram novos horizontes e deixam sua marca no mundo. A jornada é desafiadora, mas a perseverança, a criatividade e a colaboração são os combustíveis que permitem continuarem a avançar sem tirar os pés do chão. Se olharmos com atenção, vamos entender que somos muito mais do que uma poeira cósmica surfando nas ondas gravitacionais do Universo. Somos pessoas que acreditam em outras pessoas e que querem tornar a vida cada vez mais fácil. Então, apertem os cintos. A viagem das startups brasileiras ao redor do mundo está apenas começando, e mal podemos esperar para ver as descobertas e conquistas que ainda estão por vir. 

Cesar Cantarella, CEO da Dealersites