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OS  REMÉDIOS  DE  JESUS

 

Meu irmão!

O Evangelho é ao mesmo tempo vacina que previne e remédio que cura inúmeras doenças.

Mas não previne e nem cura se a medicação prescrita não for tomada.

Aceitemos, o mais depressa possível, as prescrições do Sublime Amigo Jesus, consubstanciadas nos remédios do perdão, da humildade e do amor.

Esses são os medicamentos preferidos do Senhor, disponíveis na farmácia do nosso coração.

BEZERRA DE MENEZES

Do livro “Recados do meu Coração” – Psicografia: José Carlos De Lucca

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ÓRGÃO  DA  UNIÃO  DAS  SOCIEDADES  ESPÍRITAS  DO  ESTADO  DE  SÃO  PAULO




Brasil, o paraíso do crime organizado

 
 

Em 2024, o Brasil registrou um prejuízo estimado de R$ 500 bilhões devido às atividades ilegais de contrabando, falsificações e pirataria. Essas práticas ilícitas afetam diversos setores da economia, comprometendo a arrecadação de impostos, a geração de empregos e a competitividade da indústria nacional. É como se tivéssemos uma segunda economia funcionando paralelamente.

Percebam os números superlativos, bem superiores aos números apresentados recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), segundo o qual o crime organizado lucra mais com combustíveis e bebidas do que com o tráfico de cocaína. Segundo estudo conduzido pelo FBSP, os grupos criminosos acumularam uma receita acima de R$ 146 bilhões anuais a partir de 2022 com combustíveis, bebidas, cigarro e ouro. Já a droga gerou receita de R$ 15 bilhões.

O setor de vestuário desponta nesse ranking do mercado ilegal, com perdas estimadas de R$ 88 bilhões. O setor de bebidas vem logo em seguida, registrando prejuízos de R$ 85 bilhões. Em terceiro colocado vem os combustíveis, segmento que vem crescendo cada vez mais em importância para o crime organizado. A Aliança Latinoamericana Anticontrabando (ALAC) estima que o mercado ilegal represente 2% do PIB dos países da América Latina. No Brasil, esse índice é de 4,3% do PIB.

O fato é que as atividades ilegais não apenas reduzem a arrecadação tributária, mas também distorcem a concorrência leal, prejudicando empresas que operam dentro da legalidade. Estima-se que, devido ao mercado ilegal, aproximadamente 370 mil postos de trabalho formais deixaram de ser criados em 2022.

Além disso, a presença de produtos falsificados no mercado pode representar riscos à saúde e segurança dos consumidores, uma vez que esses itens não seguem os padrões de qualidade e segurança exigidos. O combate a essas práticas requer uma abordagem multifacetada, incluindo ações repressivas, educativas e econômicas. Precisamos firmar um pacto nacional na formulação de diretrizes para enfrentar a pirataria, a sonegação fiscal e as violações à propriedade intelectual.

Campanhas de conscientização pública também são essenciais para informar os consumidores sobre os impactos negativos da compra de produtos ilegais e incentivar escolhas de consumo mais responsáveis. O combate ao contrabando, às falsificações e à pirataria é fundamental para proteger a economia brasileira, garantir a arrecadação tributária, promover a justiça no mercado e assegurar a segurança dos consumidores. Esforços conjuntos entre governo, indústria e sociedade são necessários para enfrentar esse desafio de forma eficaz. Só assim deixaremos de ser o paraíso do crime organizado, para nos transformarmos numa nação séria e atrativa para empreender e gerar riquezas.

 

Jerônimo Goergen, presidente do Instituto de Liberdade Econômica (ILE)




IVA no Brasil: desafios, impactos e a reforma tributária

O IVA (ou Imposto sobre Valor Agregado) que é a unificação de diversos impostos, recentemente aprovado na reforma tributária, nos traz algumas reflexões sobre os desafios para a sua implementação.

O IVA permite mais transparência e facilidade de tributação, por isso é utilizado por mais de 170 países, dos 193 reconhecidos pela ONU,  segundo dados da Tax Foundation de 2022. À exceção dos Estados Unidos, onde cada estado tem o seu regime próprio de vendas e não há imposto federal de consumo, o IVA é consenso entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento.

Trata-se de um imposto de caráter geral e indireto sobre consumo, que pretende tributar toda a cadeia econômica de produção e distribuição de bens e serviços, e que permite, a cada etapa, a dedução do imposto pago. Ao final, o imposto também deve incidir sobre o “destino”, onde se verifica o consumo, recaindo sobre o consumidor final de bens e serviços.

No Brasil, o valor exato do imposto será conhecido ao final da implementação da reforma tributária, que será feita em etapas entre os anos de 2026 e 2033. A regulamentação sancionada por Lula, no entanto, institui uma trava no aumento do IVA, com teto de 26,5% para a alíquota-padrão. Em 2031, uma avaliação estimará se as alíquotas finais do IVA, que entrarão em vigor em 2033, serão maiores que vinte e seis  e meio por cento (26,5%).

O que desperta a atenção nesse imposto é que, com a recente sanção presidencial do Projeto de Lei Complementar (PLC) 68/2024, que regulamenta os tributos sobre o consumo,  muitos políticos e economistas, defensores da tributação, estão tentando criar um sentimento de nacionalidade em torno do tema. No entanto, vale um alerta: é necessário questionarmos tantas certezas estabelecidas e propagadas.

Importante destacar que a referida reforma em curso já incluiu emenda constitucional, lei complementar e mudanças que alteram os interesses dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. A meu ver, as votações foram pouco discutidas e precipitadas, diante de um tema tão complexo.

Os defensores do imposto alegam que o assunto foi debatido durante quarenta anos e que os atuais resultados envolveram amplos setores da sociedade. Não estou seguro disso.

Sabemos que, no cenário atual brasileiro, o que prevalece como lei é a vontade do grupo de pressão mais forte.

Voltando a refletir sobre o tema, importante lembrar que, afirmam ainda, os defensores da reforma tributária e do IVA, que a partir de agora vamos nos desligar do pior sistema tributário do mundo, que penaliza os pobres, e entrar em uma nova era, com um sistema incomparavelmente mais moderno, que contará com mecanismos para combater as desigualdades sociais. Anunciam que famílias inteiras e, especialmente, as nossas criancinhas, melhorarão de vida; que a economia será fortalecida, haverá aumento da produtividade, geração de empregos e uma distribuição de renda mais justa. Viveremos no melhor dos mundos. Será? Vamos aos fatos concretos.

No Brasil, tributamos mais o consumo do que a renda. Estamos cientes de que o imposto sobre consumo é injusto. E por quê?
Porque atinge todo mundo que compra. Se uma pessoa tem uma renda de cinco mil reais e comprar um determinado objeto, ela paga imposto. Se outra pessoa, com renda de 100 mil reais, comprar o mesmo objeto, paga exatamente o mesmo imposto. Por isso, é injusto. Mas, tudo indica que, mesmo com a reforma tributária, continuaremos cobrando imposto sobre o consumo.

Desde já, temos conhecimento de que, quando chegarmos ao final da reforma, em 2033, poderemos  ter o Imposto de Valor Agregado (IVA) mais elevado do mundo: 28,5%.

Visitei, recentemente, alguns países da Europa. Ao pesquisar sobre o tema verifiquei que o IVA da Eslováquia, por exemplo, subiu para 23%, no dia 1º de janeiro de 2025 (era 20%); o IVA da Hungria é de 27% (o maior do mundo atualmente); o IVA da República Tcheca é 21%; o da Áustria, 20%.

Os outros IVAs mais altos que encontrei são dos países nórdicos (Noruega, Dinamarca, Finlândia), em torno de 25% a 26%.
Contudo, são países com uma economia fortíssima, população pequena e serviços de excelente qualidade prestados à população. Por isso, há, de certo modo, uma justificativa para a tributação mais alta.

Portanto, é certo que, realmente, o Brasil vai se destacar negativamente com relação à carga tributária no tocante ao IVA.
O que nos leva a pensar dessa forma? Fatos concretos. Vejamos apenas alguns, dos inúmeros desafios para a implementação do IVA no Brasil:

1.      Complexidade do sistema atual: o Brasil possui um sistema tributário fragmentado, com impostos sobre consumo em diferentes níveis (federal, estadual e municipal), como ICMS, ISS, PIS e COFINS. Cada estado tem regras próprias para o ICMS.

2.      Conflitos federativos: a arrecadação de impostos sobre o consumo é vital para estados e municípios, que temem perder autonomia fiscal com a centralização do IVA. O IVA exige a redistribuição da arrecadação entre entes federativos, o que pode gerar disputas políticas.

3.      Dimensão e desigualdades regionais: regiões mais desenvolvidas (Sudeste e Sul) geram mais consumo e, portanto, mais arrecadação. Estados menos desenvolvidos (Norte e Nordeste) temem perder receitas com a mudança na base tributária.

4.      Transição complexa: implementar o IVA requer substituir ou integrar vários impostos existentes, o que pode gerar incertezas para empresas e governos. A adaptação tecnológica necessária para empresas e entes arrecadadores é desafiadora, especialmente para micro e pequenas empresas.

5.      Carga tributária elevada: o Brasil já possui uma das mais altas cargas tributárias do mundo, e um IVA mal calibrado pode aumentar os custos para consumidores e empresas, prejudicando o crescimento econômico.

Portanto, ao final dessa reflexão concluímos que, está claro que a implementação do IVA em nosso país, depende de reformas estruturais amplas, muito bem coordenadas e profundamente debatidas com a sociedade. Os desafios políticos, econômicos e técnicos são enormes. E, para a tristeza dos brasileiros, a partir 2033, teremos o maior imposto sobre valor agregado ou adicionado do mundo. É questão de lógica. O tempo confirmará.

Eduardo Berbigier é advogado tributarista, especialista em Agronegócio, membro dos Comitês Juridico e Tributário da Sociedade Rural Brasileira e CEO do Berbigier Sociedade de Advogados.




O futuro dos data centers na era da IA

Ao encerrarmos 2024, celebramos um ano de transformação e inovação, revisando tendências, avanços e acontecimentos que marcaram esse período. Com a inteligência artificial (IA) liderando descobertas revolucionárias, analisamos os aprendizados do ano que passou e preparamos o terreno para o que está por vir em 2025 e adiante.

Até aqui, a expansão da IA remodelou requisitos tecnológicos e impulsionou um crescimento sem precedentes. No centro desse progresso estão os data centers, detentores de infraestrutura avançada e soluções energéticas que continuam evoluindo para atender às crescentes necessidades digitais geradas pelas cargas de trabalho da IA.

Em meio a essa rápida evolução da IA, não é surpresa que a sustentabilidade tenha continuado a ter um grande enfoque no espaço da infraestrutura digital, com data centers adotando cada vez mais fontes de energia renovável e implementando estratégias de gestão de demanda. Esses esforços, aliás, são cruciais para reduzir a pegada de carbono da nossa infraestrutura digital. Desde a adoção de soluções de refrigeração mais eficientes até o estabelecimento de metas ambiciosas de carbono zero líquido, a demanda por operações de data centers ambientalmente responsáveis continua sendo uma prioridade máxima para praticamente todas as empresas e provedores de serviços hyperscale no mundo.

Olhando para 2025, a promessa é de seja mais um ano de inovação e evolução em diversas áreas, com destaque para a IA. Essa tecnologia, estruturada em treinamento e dedução, apresenta abordagens complementares: enquanto o primeiro foca na criação de modelos, a segunda realiza a aplicação deles em funções práticas, como tomadas de decisão, criação de conteúdo e automação de processos. Esse último aspecto tem gerado um interesse emergente, especialmente com a necessidade de processamento em tempo real próximo à origem dos dados, promovendo eficiência operacional.

Embora o esperado fosse a construção de pequenos clusters próximos ao usuário, grandes provedores continuam utilizando estruturas centralizadas para inferência, assim como reaproveitando insumos ociosos destinados ao treinamento. Apesar de superdimensionadas, essas infraestruturas seguem predominantes até que dispositivos menores sejam amplamente adotados. A transição será gradual, acompanhando a adaptação das empresas às demandas em tempo real.

Existe um empenho para alinhar previsões e tendências entre data centers e concessionárias, com a IA desempenhando papel central na integração ao ecossistema energético. Essa colaboração melhora a administração de meios, contribuindo para a estabilidade de fontes renováveis como a solar e a eólica, além de incorporar sistemas de armazenamento em baterias.

A busca por alternativas energéticas, incluindo a nuclear, se intensificará para atender às demandas futuras. Um exemplo disso é que empresas como Google e Amazon investiram em usinas nucleares em 2024. O próximo passo será a adoção de turbinas a gás natural e pequenos reatores modulares (SMRs), considerados soluções promissoras para garantir estabilidade.

Ao avançar em 2025, os operadores estão priorizando capacidade acelerada voltada para provedores de IA e, ao mesmo tempo, reduzindo investimentos em aplicações empresariais ou de nuvem.

Luis Cuevas é diretor de Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider Electric no Brasil




Aspectos teológicos do Ano Santo 

 

Qual é a origem do termo “Jubileu”? Existem tempos favoráveis para a salvação? Quais são os elementos do Ano Santo?
A origem do Jubileu está ligada ao  Antigo Testamento. A lei de Moisés tinha fixado para o povo de Israel um ano especial, que era anunciado ao som da trombeta. A trombeta era um chifre de carneiro, que em hebraico se chama jobhel, daí a palavra Jubileu (Cf. Lv 25,1-13).

A celebração desse ano significava, entre outras coisas, a devolução das terras aos seus antigos proprietários, a remissão das dívidas, a libertação dos escravos e o repouso da terra. No Novo Testamento, Jesus se apresenta como Aquele que veio levar a termo o antigo Jubileu, pois, citando o profeta Isaías (61,1-2), ele chegou para “proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4, 18-21).

O Jubileu é indicado com a expressão “Ano Santo” porque tem como finalidade fortalecer a fé em Cristo, e consequentemente, favorecer a solidariedade seja na Igreja, como na sociedade.

Este Ano Santo é um tempo favorável para a nossa conversão. De fato, Deus nos chama sempre para sermos salvos; mas há momentos nos quais Ele grita (Mt 16,2-3; 2 Cor 6,2; Lc 19,44). Significativa, a esse respeito, é a expressão de Jesus “a minha hora”, que encontramos no Evangelho de João (2,4; 7,30; 17,1). Essa hora de Jesus para a qual se dirige toda a sua vida e a sua missão é aquela da sua morte e ressurreição.

Para nós, esses “momentos” ou “tempos”, particularmente oportunos, podem ser subdivididos por ritmos diários (momentos de oração), semanais (o domingo), anuais (advento e quaresma); por ritmos comunitários litúrgicos ou não (encontros de espiritualidade). Há também os ritmos do Ano Santo ordinário (a cada 25 anos) ou extraordinário, como foi o Ano Santo da Misericórdia, em 2016.

E a eficácia do Ano Santo provém da oração da Igreja. Isso significa que a Igreja, esposa de Cristo, pede, com a certeza de que sua oração vai ser atendida, para que Ele derrame de maneira abundante seus dons para todos os cristãos.

Os elementos do Ano Santo são particularmente três: a conversão, a peregrinação e a indulgência. A conversão acontece através da reconciliação com Deus e com os irmãos. Observe que a reconciliação é uma iniciativa de Deus: Ele mesmo intervém e, estando em paz com Ele, nós nos tornamos criaturas novas, graças à morte de Cristo.

A peregrinação, por sua vez, faz reviver a experiência da história da salvação: a história de Abraão peregrino de Ur dos Caldeus para a terra que Deus lhe teria mostrado (Cf. Gn 12,1); a peregrinação de Israel rumo à Terra Prometida; a peregrinação de Jesus rumo a Jerusalém. E a vida cristã é uma peregrinação até Deus.

Quanto à indulgência, trata-se da promessa de uma particular intercessão da Igreja para que Deus perdoe a pena temporal dos pecados que já foram perdoados, mas cujas consequências continuam. Em outros termos, o pecador arrependido e perdoado inicia um processo de conversão, de mudança de vida radical, que exige tempo e perseverança. Nesse processo, a Igreja acompanha o fiel arrependido com sua oração de intercessão. Sobre isso temos a explicação do Catecismo da Igreja Católica (1471-1473. 1478).

Concluímos com as palavras do Papa Francisco: o “Jubileu há de ser um Ano Santo caracterizado pela esperança que não conhece ocaso, a esperança em Deus. Que nos ajude também a reencontrar a confiança necessária, tanto na Igreja como na sociedade, no relacionamento interpessoal, nas relações internacionais, na promoção da dignidade de cada pessoa e no respeito pela criação.”

 

*Lino Rampazzo é doutor em Teologia pela Pontifícia Università Lateranense (Roma) e professor nos cursos de Filosofia e Teologia da Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista.

 




Por trás da “Batalha dos Bonés”

 

“É hora de pacificar o País”, disse Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao ser eleito presidente da República em 2022. Uma frase de efeito, que teria sentido se fosse levada a sério pelo próprio autor. Mas, não! Em pouco mais de dois anos de governo, o petista, aparentemente, se esqueceu do que falou; voltou a jogar gasolina na fogueira da polarização; e convocou a militância para confrontar Jair Bolsonaro (PL) e a Direita brasileira.

O motivo é claro: Lula está de olho na reeleição, no pleito de 2026. Para isso, precisa tirar o foco da fraca e confusa gestão que está fazendo à frente, pela terceira vez, do Brasil: “Como o povo vai falar bem do governo (federal), se a gente não está entregando?”, admitiu o presidente, dias atrás, numa espécie de confissão atrapalhada.

O sincericídio de Lula levou o marqueteiro do PT e, agora também ministro das Comunicações, Sidônio Palmeira, ao desespero, uma vez que escancarou e legitimou o que todo brasileiro percebe quando fecha as contas no fim do mês.

Não de hoje, o governo petista está sem rumo e com poucas chances de colocar o País em ordem econômica até a eleição do ano que vem. Apesar da propaganda negacionista (e otimista) do PT, a inflação escapou do controle. A picanha não chegou à mesa do brasileiro mais barata, como se prometeu em campanha. Muito pelo contrário: da farmácia ao combustível, nos supermercados e nas feiras, o custo de vida da população está mais alto.

E não é só isso: a gastança inconsequente e a falta de comprometimento da União com as contas públicas trazem à tona a falta de credibilidade financeira do Brasil – aqui e no exterior. Isto significa juros e dólar nas alturas.

Se não bastasse tudo isso, o governo petista é um oceano de ideias confusas: se comunica mal com as massas e com o mercado, e apanha da oposição e da opinião pública nas redes sociais. Foi assim, por exemplo, com o PIX, por força de um eventual monitoramento; e na recomendação para os planos de saúde incentivarem a mamografia só após os 50 anos (protocolei, inclusive, um projeto de lei, a fim de evitar este retrocesso médico); e na insistência em aparelhar as estatais com “companheiros” que nada entendem da matéria. Veja os Correios: após anos de superávit, em 2024 a empresa registrou um rombo financeiro de R$ 3,2 bilhões.

A Venezuela, do ditador Nicolás Maduro (Partido Socialista Unido da Venezuela), continua do lado esquerdo do peito de Lula, assim como a deslumbrada primeira-dama do Brasil, Janja da Silva, que, sem voto ou cargo, emprega um séquito de assessores bem remunerados. E tudo isso sob o sigilo de cem anos – que, até pouco tempo atrás, a Esquerda brasileira rechaçava.

Recente pesquisa Genial / Quaest mostra que a popularidade e a aceitação do presidente estão caindo, inclusive no Norte-Nordeste – território eleitoral caro para o PT. A luz amarela se acendeu e o Partido dos Trabalhadores, então, lançou mão, novamente, do “nós contra eles”. E isso preocupa!

A dura e cruel disputa pelo poder de comandar o destino do Brasil já começou! Muito em breve, o País será palco de mais uma competição política fraticida. A “Batalha dos Bonés” nos corredores do Congresso Nacional, a qual assistimos dias atrás – “O Brasil é dos Brasileiros” X “Comida Barata Novamente – Bolsonaro 2026” — é o lado jocoso do que ainda vem por aí.

 

Rosana Valle é deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo, jornalista há mais de 30 anos e autora do livro “Rota do Sol”

 

 




Espaço Espírita

 

Somos companheiros otimistas no campo da fraternidade.

Se Jesus espera no homem, com que direito deveríamos desesperar

Aguardemos o futuro triunfante, no caminho da luz.

A Terra é uma embarcação cósmica de vastas proporções e não podemos olvidar que o Senhor permanece vigilante no leme.

CHICO XAVIER

Do livro “Palavras de Chico Xavier” – Editora IDE (Araras)

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OS  GOLPES  DA  INGRATIDÃO

 

            Quando os golpes da ingratidão abrirem imensa chaga em teu coração, não te detenhas acalentando propósitos de revanche ou de vingança.

Recorda que a ostra quando ferida em sua intimidade envolve o agressor em substância balsamizante e, à custa de muito esforço e persistência, enriquece o agressor, transformando-o em preciosa pérola.

ALBINO DA SANTA CRUZ

Extraído do livro “Respostas ao Coração” – Psicografia: José Maria de Medeiros Souza – Editora EBM

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O produtor rural e o pedido de recuperação judicial

 

 

Ao fazermos uma retrospectiva do ano de 2024, constatamos um número recorde de pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Segundo a Serasa Experian, os pedidos de recuperação judicial, entre produtores rurais como pessoa física, aumentaram 523%. Um número preocupantemente elevado.

O ano de 2024 não foi favorável para o agronegócio, com problemas que já se manifestavam desde 2023. Duas safras consecutivas ficaram abaixo do ideal, por causa de questões climáticas, de preço, além de conjecturas externas (guerras e oscilação política). Contudo, esses fatores isoladamente não justificariam um aumento tão expressivo nos pedidos de recuperação judicial. É inegável que alguns escritórios de advocacia também atuaram para convencer produtores rurais em dificuldades (ou não) de que esse processo seria uma alternativa viável a ser considerada.

Vale ressaltar também que o instituto da recuperação judicial nas mãos erradas pode ser sinônimo de planejamento financeiro equivocado. Conhecemos casos de empresas que usam a recuperação judicial de modo antiético e temerário, ou seja, conseguem descontos à força, a qualquer preço, porque os credores são obrigados a conceder o desconto por conta da ordem judicial. Agem assim como um planejamento financeiro. Renovam a frota, compram produtos dos fornecedores, substituem o maquinário e, em seguida, pedem recuperação judicial. Há muita gente usando a recuperação judicial nesse sentido.

Muitos produtores, sem experiência em todas essas situações, sem contato prévio com esse tipo de assessoria, optaram pela recuperação judicial.

Basicamente, o que é a recuperação judicial? A Lei nº 14.112/2020 alterou a Lei de Falências e de Recuperação Judicial (Lei nº 11.101/2005), trouxe a possibilidade do produtor rural pessoa física requerer um plano de recuperação judicial similar àquele destinado aos microempresários individuais. Permitindo, desta forma, que produtores rurais pessoa física solicitassem recuperação judicial. Antes disso, apenas produtores rurais com registro na Junta Comercial por pelo menos dois anos podiam solicitar o benefício. De forma simplificada, recuperação judicial é o que antigamente se conhecia como concordata. Trata-se de um mecanismo utilizado quando uma pessoa ou empresa não consegue mais cumprir seus compromissos financeiros da maneira tradicional. É um processo judicial que busca a reestruturação da empresa em dificuldades econômicas, permitindo a renegociação de suas dívidas por meio da apresentação de um plano, que deverá ser seguido para o pagamento dos credores. Mas o que leva uma pessoa ou empresa a recorrer a esse recurso?

Antes que a empresa quebre ou venha a falir, existe a possibilidade de solicitar a recuperação judicial. A legislação atual é mais avançada do que a antiga concordata, tendo como principal objetivo permitir que a empresa se reestruture. Contudo, em muitos casos no setor agropecuário, essa medida não era realmente necessária, especialmente porque esse processo abala a credibilidade da empresa e, até mesmo, do nicho de mercado como um todo.

A recuperação judicial permite a organização de todos os débitos, com exceção dos débitos tributários e daqueles garantidos por alienação fiduciária. Por isso, atualmente, os bancos utilizam amplamente esse instituto. Antes, era comum a hipoteca de terras; hoje, adota-se a alienação fiduciária. Esse mecanismo transfere, praticamente, a propriedade ao banco, que só exerce seus direitos sobre ela em caso de inadimplência.

Se o juiz deferir o pedido, o solicitante, em regra, dispõe de seis meses para obter a aprovação do plano, prazo que, em alguns casos, pode ser prorrogado. A aprovação depende de votação dos credores em assembleia, quando podem ser negociados descontos e períodos mais longos.

Muitas vezes, os advogados trabalham para que os agricultores consigam uma redução de 80% de um débito, com prazos de até 20 anos para pagamento.

Analisamos vários pedidos, conhecemos produtores e empresas envolvidos como credores e concluímos que, em diversos casos, ainda não havia necessidade desse recurso.

Quem se beneficia com a recuperação judicial? Normalmente, é o devedor, quando bem feita. E, em casos extremos, os credores acabam sendo beneficiados também, porque o processo organiza as dívidas e permite que todos recebam um pouco; ou seja, a vantagem é evitar a falência, como o próprio nome indica: recuperação.

Em outras situações, os credores assumem parte da operação do devedor, o que nem sempre pode ser a opção cogitada para aqueles que usam desse mecanismo.

Imaginemos uma situação: o devedor pede recuperação, faz uma negociação com um banco que não tinha alienação fiduciária e esse banco entra no rol de credores. Ele obtém uma redução de 50% do valor dos débitos e parcela isso em 10 anos. Com esse banco, dificilmente a empresa ou o produtor rural conseguirá operar futuramente.

Se o empresário ou o produtor rural incluírem nesse processo praticamente todos os seus financiadores, como trabalharão no curto prazo depois? Quais serão suas fontes de financiamento? Dificilmente um produtor ou uma empresa que entrou em recuperação tem lastro ou caixa para isso.

Todas as etapas, tanto a gestão do processo quanto a manutenção da atividade posterior, com fontes de financiamento e caixa, são essenciais. A empresa pode sair até mais forte, mas esse mecanismo não pode ser utilizado de forma precipitada, como vimos em casos recentes, nos quais, empresas e produtores, inviabilizaram suas atividades futuras.

Há outras soluções antes de se chegar à recuperação judicial, como parcerias de negócio. Em algumas localidades, o produtor pode ter um parceiro local para adquirir sua produção ou fornecer insumos. Se ele tiver opções e estiver bem ciente do que está fazendo, essa é uma alternativa viável e menos onerosa.

 

Eduardo Berbigier é advogado tributarista, especialista em Agronegócio, membro dos Comitês Juridico e Tributário da Sociedade Rural Brasileira e CEO do Berbigier Sociedade de Advogados.




Dom Bosco, o santo do Amor

Dom Bosco é reconhecido e estimado por ter sido um exímio pedagogo e educador de todos os tempos. Ele como ninguém inaugurou um apostolado inovador para os jovens: o método preventivo e repressivo em vista da santidade dos jovens. Seu jeito humilde e sereno de conduzir as coisas ganhou o coração dos jovens. Um homem de bondade e de muitas virtudes, fazia rapazes de todas as partes, em grande multidões, serem atraídos para uma vida santa.

Sua capacidade de comunicação impressionava a todos, prova disso era o modo que ele tratava a cada um, de forma pessoal. Com o estudante era o [homem] letrado, com o aprendiz era o mestre, para o jovem carpinteiro, era o artesão, para o pedreiro, o mestre de obras. Dom Bosco, com essa peculiaridade, faz juz ao seu propósito de vida: “ao tornar-se tudo para todos”, ele ganhou-os todos para Jesus Cristo.

Este jeito inovador de ser na Igreja faz de Dom Bosco um santo cativante, acolhedor, misericordioso, atencioso, bondoso, características e virtudes que seduziram os jovens de sua época, por seu modo gentil de ser, por suas conversas úteis e edificantes. O grande questionamento que se faz é como Dom Bosco poderia orientar esses jovens de mentes tão dispersas, que gostavam tanto de comer, beber e divertir-se? Como esses jovens viveriam para a piedade e para a Igreja?

Dom Bosco ensina seus jovens, a partir de Filipe Néri, que encontrou a chave para tudo isso: imitando a mansidão e a bondade do Salvador, tratou-os com paciência e com amor. Seu desejo por alcançar almas para Deus estava na sua reta intenção de não apenas pregar coisas teóricas, mas de agir e estar por inteiro em tudo o que fazia, e por isso, Dom Bosco pedia para que eles observassem seu modo de agir e pudessem fazer o mesmo. Seu anseio de não perder ninguém, seguindo o exemplo das sagradas escrituras: “que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Timóteo 2,4).

Em sua primeira viagem a Roma, em 1858, num colóquio com o Cardeal Tosti, ele apresenta ao prelado que era essencial conquistar a confiança e o amor das crianças. E o mesmo perguntava: “Como se consegue isso?” A resposta foi imediata: “fazendo tudo o que estiver ao seu alcance para pôr as crianças em contato consigo próprias, quebrando todos os obstáculos que as mantêm à distância”. E Dom Bosco para pôr em prática o que explicava, acompanhou o cardeal até a Piazza del Popolo, dirigiu-se a um grupo de crianças, deu-lhes uns presentes, uma ou duas medalhas, perguntou-lhes de suas famílias e depois arregaçou as mangas da batina e participou do seu jogo. De vez em quando, ele perguntava-lhes delicadamente se costumavam rezar ou confessar-se. No final, ele estabeleceu uma tal relação com eles, que os meninos não queriam que ele fosse embora e, quando se foi, a multidão o acompanhou em aplausos.

É importante salientar que o espírito de intimidade, amor e alegria era característico de Dom Bosco, e isso  contagiava os jovens e criava uma atmosfera permanente de alegria. Seu objetivo era, com alegria, expandir a alma, banir o tédio, infundir emoção à vida, e sobretudo, encher os corações de um sentimento de confiança e abandono em Deus. Esse desejo de salvar almas para Deus e em constante alegria é constatado no comentário de um grande assistente social de Turim: “há, no número 32 da Rua Cottolengo, algo que não se encontra em nenhum outro lugar, mesmo nas comunidades religiosas. O menino ou jovem que entra nesse aposento, com o coração cheio de cansaço ou amargura, sai de lá radiante de alegria. É a casa de Dom Bosco”. Por fim, a alegria e o amor são inseparáveis, e podemos resumir a vida de Dom Bosco em uma única palavra: o santo do amor.

Padre
 Ricardo Rodolfo Silva é missionário da Comunidade Canção Nova e Vice-reitor do Santuário Pai das Misericórdias, em Cachoeira Paulista (SP).