Diocese de Assis

ESTRADAS E CAMINHOS

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É preciso endireitar as veredas, arrumar a estrada. O asfalto solidifica nossos caminhos, garante o ir e vir mais tranquilo, seguro e rápido. Mas também faz vítimas, constrói armadilhas, ceifa vidas. É preciso sinalizar os perigos, aplainar, aterrar, construir pontes, limitar velocidades ou mesmo acelerar. Isso todos nós conhecemos nos dias atuais, o valor, a importância, a segurança de uma estrada bem planejada!

Mas quando essa estrada tem como destino a Cidade de Deus, aquela mesma que nos liga à realidade espiritual humana, como agimos? A proposta é exatamente essa: arrumar os caminhos que nos levam a Deus. Isaías, o profeta, foi suscinto nesse desafio: “A voz que clama no deserto nos diz: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas de Deus”. Essa é a única função que dignifica e justifica o existir cristão. Temos que fazer nossa parte nessa história, se quisermos um mundo melhor para todos.

O que vemos, no entanto, é contrário ao desafio acima. Há um desencantamento generalizado, capaz de esfriar os ânimos do mais ferrenho “homem de boa-vontade” dos dias atuais. Esse descrédito passa por muitas decepções entre iguais, que cruzam seus braços no cansaço das frustrações acumuladas. O mais assustador é toparmos com esses “apóstolos cansados” na fila que ocupamos, como se de repente todos lavássemos as mãos numa única praia, onde o cansaço de um era o mesmo de todos. Esse período de inercia não pode continuar. Temos que chacoalhar o arvoredo, soprar a poeira, selecionar os frutos, semear novamente. É isso o que a Igreja espera de cada um de nós. Afastar de suas fileiras esse desânimo generalizado que só corrói e destrói

Por isso é que o Tempo do Advento é o princípio de um novo tempo. Não só liturgicamente, mas também na vida daqueles que se predispõem a renovar a estrada da própria fé. Quem disse que isso seria fácil? Nem Cristo escondeu as dificuldades desse trabalho. Mas nos ensinou sua eficácia, o resultado compensador dos esforços baseados na confiança de suas promessas. Esse é o segredo do sucesso. Essa é a visão que nos falta quando avaliamos negativamente os frutos do trabalho da Igreja no mundo. Não estamos nos desgastando em vão. Não pavimentamos uma estrada de utopias e sonhos. Não vivemos numa ilha de ilusões, num deserto infértil… pois que a Igreja é a única construtora de pontes entre os céus e a terra, o homem e Deus.

Se há pontos de desilusões, momentos de cansaço, é compreensível. A condição humana não esconde nossas limitações. Por outro lado, a consciência cristã nos fortalece e nos leva a acreditar numa força transformadora capaz de superar qualquer desafio. Medito isso tudo num hiato de descanso que Deus me permitiu experimentar hoje, numa praia badalada desse nosso país, Camburiú- SC. O mar e a especulação imobiliária haviam estreitados o caminho de areia dessa maravilhosa praia. Mas a inteligência e a capacidade humana foram capazes de “endireitar suas veredas, aplainar as montanhas” e hoje descanso numa faixa litorânea três a quatro vezes maior do que a original. Milhões de metros cúbicos de areia removidos do fundo do mar, há quinze quilômetros da praia, e assentados numa nova praia. Isso é acreditar no quão capazes somos. Não só no aspecto de realizar obras suntuosas e inimagináveis, como as que aqui contemplo, mas também obras miraculosas que transformem nosso espírito. Endireite em sua vida os caminhos de Deus, aplaine as montanhas de suas desilusões, acredite em sua força interior…

WAGNER PEDRO MENEZES [email protected]

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