Diocese de Assis

EIS O CORDEIRO DE DEUS!

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Todo ponto de vista é, sempre, visto de um ponto e isso é determinado pelo lugar onde estamos. O nosso olhar, também determina a nossa visão. O que isso significa? Significa que, nossa visão tende a melhorar quando mudamos o nosso olhar! Visão aqui, tem o sentido de compreensão, de entendimento, de universo simbólico. Isso vale para tudo o que a gente olha, com a possibilidade de ser uma verdadeira revolução ou um verdadeiro desastre.

Vamos aos exemplos práticos: quem olha com malícia cria um universo simbólico de segundas intenções; o que olha com compaixão criará um universo de misericórdia. Quem olha com ódio cria o universo simbólico da violência; para quem olha com carinho o universo será o do amor…

Se o olhar determina a visão, os dois juntos determinam as convicções e a opção.

O que é o olhar?

O olhar é a porta de entrada; é o ponto de acesso. O olhar é o princípio de construção da visão, da mentalidade, da interioridade, da espiritualidade… Segundo o evangelho de Mateus 6,22-23: “A lâmpada do corpo é o olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro fica iluminado. Se o olho está doente, o corpo inteiro fica na escuridão. Assim, se a luz que existe em você é escuridão, como será grande a escuridão!” Aqui temos a noção basilar sobre as consequências do olhar para a saúde e integridade pessoal e, portanto, religiosa, social, política, econômica, moral, cultural etc.

Nesse ponto podemos nos voltar para o título desse artigo. O olhar de João Batista para Jesus é tremendamente revolucionário. Enquanto o Messias é esperado como um revolucionário político que vai “restaurar” o Reino de Israel, João Batista o apresenta como o “cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo1,29-34). Mais do que um revolucionário político, Jesus é o anunciador do Reino de Deus e o próprio Reino de Deus. A nota de rodapé para este texto diz o seguinte: “No idioma dos judeus, a mesma palavra pode significar servo e cordeiro. Jesus é o Servo de Deus, anunciado pelos profetas, aquele que devia sacrificar-se pelos seus irmãos. Também é o verdadeiro Cordeiro, que substitui o cordeiro pascal. João Batista, chamando Jesus de Cordeiro, mostra que ele é o Messias que vem tirar a humanidade da escravidão em que se encontra e conduzi-la a uma vida na liberdade”

Para chamar Jesus de ‘Cordeiro de Deus’, precisamos entender que o olhar de João Batista é do profeta, daquele que tem a intimidade com a Palavra de Deus; de quem clama no deserto: “preparai os caminhos do Senhor”. O olhar de João é para o autor da vida e não para si mesmo e nem para os imperativos sócio-econômicos-religiosos da sociedade.

Eis o texto de João 1,29-34: “João viu Jesus aproximar-se dele e disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel’. E João deu testemunho, dizendo: ‘Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!’” Atenção para o verbo “ver”, na narração do evangelho: João “viu”

João nos ensina a olhar e ver Jesus de uma maneira nova e radicada na verdade sobre ele mesmo, desvestindo-nos dos pré-conceitos e das elaborações de interesse meramente individual-egoístico. Jesus não é o que nós pintamos de acordo com o que mais nos convém; ele é a síntese do que é o Reino de Deus: a justiça-amor do Pai no mundo.

 

PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS

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