Ipem/SP alerta: febre dos squishies exige atenção de pais e responsáveis
Brinquedos de apertar podem oferecer riscos quando aquecidos, modificados ou comercializados sem certificação

Com a popularização dos chamados squishies, brinquedos macios e coloridos que se tornaram febre entre crianças, o Ipem/SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo), autarquia do Governo do Estado, vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania, e órgão delegado do Inmetro, que tem como objetivo promover a confiança nas relações de consumo, alerta pais e responsáveis sobre os cuidados necessários na hora da compra e do uso desses produtos.
A repercussão de acidentes envolvendo squishies nas últimas semanas acendeu o alerta para os riscos associados ao uso inadequado do brinquedo. No Rio de Janeiro, duas crianças sofreram queimaduras após acidentes com o produto, sendo que, em um dos casos, a família teria sido orientada a colocar o brinquedo no micro-ondas para deixá-lo mais macio. Casos semelhantes também foram registrados no exterior.
“Na hora de comprar um brinquedo, pais e responsáveis devem observar se o produto possui o Selo de Identificação da Conformidade do Inmetro e se a embalagem apresenta as informações obrigatórias, como a indicação da faixa etária. Também é importante seguir as orientações do fabricante e nunca submeter o brinquedo a procedimentos não previstos, como aquecimento, cortes ou perfurações”, alerta o presidente do Ipem/SP, Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior.
Os squishies são brinquedos de apertar encontrados em diferentes cores, formatos e materiais. Embora existam produtos regularmente certificados pelo Inmetro, modelos comercializados sem a devida certificação podem não ter passado pelos requisitos de segurança exigidos para brinquedos. Registros recentes do Inmetro mostram a certificação de diferentes modelos de squishies, reforçando a importância do consumidor verificar a regularidade do produto antes da compra.
Além do risco de queimaduras decorrentes do aquecimento inadequado, outros modelos de squishies já foram alvo de alertas e recolhimentos no exterior por apresentarem componentes que podem oferecer riscos às crianças, como pequenas esferas que se expandem quando entram em contato com a água. Também houve casos de produtos retirados do mercado após a identificação de substâncias químicas acima dos limites permitidos.
Outro ponto de atenção é o conteúdo divulgado nas redes sociais. Vídeos que mostram pessoas aquecendo, cortando, perfurando ou realizando outras alterações nos squishies podem estimular práticas que não fazem parte da utilização prevista pelo fabricante e aumentar o risco de acidentes. Por isso, pais e responsáveis devem orientar as crianças a utilizar o brinquedo somente da maneira indicada na embalagem.
Na hora da compra
O consumidor deve verificar se o brinquedo possui o Selo de Identificação da Conformidade do Inmetro, conferir se o produto é certificado e registrado, observar a faixa etária indicada na embalagem e seguir as informações e orientações fornecidas pelo fabricante. Brinquedos destinados a crianças de até 3 anos, por exemplo, não podem apresentar partes pequenas que possam ser engolidas.
Também é importante adquirir brinquedos no mercado formal e evitar produtos que não apresentem a identificação da certificação. O consumidor nunca deve aquecer, modificar ou alterar o brinquedo de qualquer forma que não esteja prevista nas instruções do fabricante. A regulamentação do Inmetro para brinquedos tem como objetivo reduzir riscos à saúde e à segurança das crianças e prevenir acidentes de consumo.
Certificação
A certificação de brinquedos é compulsória no Brasil desde 1992. O selo, que contém a marca do Inmetro e a do organismo acreditado responsável pelo processo de certificação, é a evidência de que o produto foi submetido a ensaios e aprovado em avaliações de aspectos como impacto e queda (pontas cortantes e agudas); mordida (partes pequenas que podem ser levadas à boca); química (metais nocivos à saúde); inflamabilidade (risco de combustão em contato com o fogo); elétricos (risco de temperatura excessiva, choque e emissão de chamas) e ruído (níveis acima dos limites estabelecidos pela legislação).
Por meio da Portaria Inmetro nº 302/2021, a medida regulatória de brinquedos foi aperfeiçoada. Entre outros aspectos, passou a incluir, por exemplo, ensaios para extração e quantificação de formamida, solvente utilizado em aplicações industriais como a produção de tapetes de EVA, os populares tatames de borracha para crianças. Para evitar danos à saúde, o limite permitido de formamida é de 0,5% em massa de polímero.
Além disso, foram reincorporados ensaios de mordida e fervura para brinquedos da primeira infância, como chocalhos e mordedores. Eles devem ser confeccionados com materiais que resistam aos atos de morder, de mastigar e de sugar e à quebra em pedaços ou fragmentos de tamanho pequeno. Também devem ser resistentes à fervura em água durante cinco minutos. A medida prevê, ainda, que todo brinquedo passe a conter a identificação da data de fabricação em sua embalagem, o que poderá estar disponível por código, data ou marcação.
Em caso de dúvida, desconfiança ou identificação de irregularidades, o consumidor pode entrar em contato com a Ouvidoria do Ipem/SP pelo telefone 0800 013 05 22, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo e-mail [email protected] ou acessar o site www.ipem.sp.gov.br.




