Junho Violeta: Ação nacional chama atenção aos fatores de risco e prevenção do ceratocone

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O quadro pode ter origem genética ou ser desenvolvido por trauma contínuo, geralmente associado ao hábito de coçar os olhos. É mais recorrente na população de 10 a 35 anos. O tratamento é cirúrgico

A ceratocone é uma doença oftalmológica causada pela deformação da córnea. O problema é mais frequente na população de 10 a 35 anos, podendo progredir ao longo da terceira década de vida. A alteração prejudica a qualidade da visão, diminuindo a nitidez e tornando as imagens distorcidas e borradas. A campanha Junho Violeta alerta sobre os fatores de risco da doença, além da importância do diagnóstico precoce e da prevenção, especialmente evitando o hábito de coçar os olhos.

A doença ocular ocorre quando a córnea muda de formato, passando de uma superfície lisa para uma cônica e irregular. A alteração está associada a condições genéticas e mecânicas relacionadas ao trauma contínuo, como o ato de coçar os olhos. Os sintomas iniciais da ceratocone envolvem dores de cabeça frequentes, coceira nos olhos, forte sensibilidade à luz e uma perda da nitidez visual. Os sinais são comuns a outras doenças oculares; por isso, a avaliação com um especialista é essencial.

O oftalmologista Victor Antunes, médico na rede Iamspe e com atuação no Instituto de Oftalmologia de Assis (IOA), explica que exames específicos, como a topografia e a paquimetria, conferem a curvatura e a espessura da córnea, fechando o diagnóstico. “Existem riscos ao coçar, apertar ou esfregar os olhos com frequência, principalmente em pessoas alérgicas. Esses fatores externos e mecânicos aceleram a evolução da doença”, comenta.

Antunes explica também que o diagnóstico precoce é determinante para impedir a progressão do ceratocone. “Existem procedimentos que podem reabilitar a visão ou estacionar o ceratocone. Em casos iniciais, o tratamento com óculos e lentes de contato especiais pode corrigir satisfatoriamente a visão, mas em outros mais avançados, a indicação, normalmente, é de intervenção cirúrgica”, esclarece o médico.

A ceratocone é tratada com intervenção cirúrgica. Em casos iniciais, o procedimento indicado é o crosslinking, que fortalece as ligações das fibras de colágeno da córnea, conseguindo estacionar a progressão da doença. Para os quadros moderados, a opção é o implante do Anel de Ferrara, que regulariza a superfície do órgão. Em condições de intolerância severa a esses recursos, restam as cirurgias de alta complexidade, como o transplante para substituir toda a espessura do tecido deformado.

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