Lúpus – importância da informação, diagnóstico precoce e cuidado contínuo
O Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ) ocorre quando o sistema imunológico, responsável por defender o organismo contra infecções, passa a atacar os próprios tecidos saudáveis. Esse processo pode atingir diferentes órgãos, como pele, articulações, rins, sangue e sistema nervoso.
Conforme explica a reumatologista pediátrica Annelyse de Araújo Pereira, secretária do Departamento de Reumatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), embora seja mais comum em adultos, cerca de 15% a 20% dos casos começam na infância e adolescência. “Nessa faixa etária, a doença pode se manifestar de forma mais intensa e, muitas vezes, mais abrupta”, informa a médica. Ela diz que os sinais e sintomas podem variar bastante e, por vezes, se confundem com outras doenças, o que pode dificultar o reconhecimento precoce.
Entre os principais sinais de alerta, segundo a especialista, estão febre sem causa aparente, cansaço excessivo, dores e inchaço nas articulações, manchas na pele – especialmente no rosto, em formato de “asa de borboleta” –, queda de cabelo, aftas na boca, inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos, além de alterações no exame de urina, como presença de sangue ou proteína. “Na infância, a doença pode apresentar maior comprometimento de órgãos, como os rins (nefrite lúpica), o sangue e o sistema nervoso, e se instala de forma mais aguda que nos adultos”, esclarece.
A pediatra afirma que o diagnóstico é realizado a partir da combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. “Não existe um único exame que confirme a doença, mas testes como o fator antinuclear (FAN), além de exames de sangue e urina, ajudam na investigação. Por isso, a avaliação por um reumatologista pediátrico é fundamental”, pontua a reumatologista, ressaltando que, apesar de não ter cura, o lúpus tem tratamento e o acompanhamento adequado permite controlar a doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.
De acordo com a médica, o tratamento é individualizado e depende dos sintomas apresentados, podendo incluir medicamentos para controlar a inflamação e modular o sistema imunológico, além de medidas importantes, como proteção solar, alimentação equilibrada e acompanhamento regular. “Outro ponto essencial é o suporte emocional e o envolvimento da família, já que o diagnóstico pode impactar a rotina escolar, social e o bem-estar da criança ou adolescente”, observa, salientando que a conscientização sobre o lúpus é fundamental para reduzir atrasos no diagnóstico e evitar complicações. “A conscientização sobre a doença é essencial para que crianças e adolescentes possam ter uma vida ativa, saudável e com qualidade”, conclui Annelyse.