Médica alerta quanto ao uso responsável de telas e tecnologias por crianças e adolescentes

O uso de tecnologias por crianças e adolescentes cresce de forma rápida e descontrolada. É fascinante esse mundo imediato que oferece milhares de possibilidades na busca de informações, comunicação, conexão com o mundo e diversão. Bem-vindo a esse universo, conhecido como ambiente digital: o “on-line”, das interações virtuais, que teima em superar o “off-line”, das interações reais.
Na opinião da pediatra Betina Lahterman, presidente do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), as crianças e adolescentes têm o direito de “passear” pelo ambiente digital. “Entretanto, na qualidade de pais, adultos responsáveis e como sociedade, temos o dever de promover e garantir o acesso saudável e seguro, com proximidade, supervisão e muito diálogo”, aponta a médica.
Conforme explica Betina, recomenda-se que crianças menores de 12 anos não possuam smartphone próprio. “Um assunto um tanto polêmico, mas é necessária a abordagem entre as famílias. Reforçando que cada família tem um papel importante, como modelo, na convivência on-line”, afirma, ressaltando que os acordos sobre tempo de telas precisam ser claros e o adulto precisa participar ativamente do que foi definido como momentos “on-line” e momentos “off-line”. “Nos momentos “on-line”, o uso criativo e compartilhado de conteúdos, jogos e séries aproxima diferentes gerações e os olhares se complementam.
O perigo da exposição nas mídias sociais
Um tema recorrente e atual reacende a discussão sobre a exposição de crianças e adolescentes nas mídias sociais. Na maioria das vezes, despretensiosa e inocente. Pais e/ou filhos postam sobre o dia a dia, passeios e viagens; entram em trends (dancinhas para se divertirem). Esses vídeos e imagens são entregues, pelos algoritmos das plataformas, indiscriminadamente, e podem ser deturpados por quem consome. “A Inteligência Artificial colabora com essa nova realidade”, observa a médica.
“A partir da IA, geram-se conteúdos impróprios através da distorção de imagens reais. O que se torna atraente para quem só tem um objetivo: monetização e lucro, alimentando uma rede de crimes contra crianças e adolescentes”, avalia a pediatra. Por isso, ela diz que é fundamental promover diálogo e reflexão com as crianças e adolescentes sobre os riscos e benefícios do uso das telas. “Esse comportamento previne riscos, estimula o autoconhecimento e fortalece as relações”, afirma a especialista.
Para ela, é necessário monitorar sempre o uso dos dispositivos móveis e verificar com frequência a utilização de todas as plataformas consumidas por crianças e adolescentes. “Como proteção e não punição. O estabelecimento de regras claras, limites e conversas sistemáticas são ações que garantirão o direito a uma navegação segura no ambiente digital saudável. Fiquemos atentos com quem e onde estão sendo compartilhados vídeos e imagens pessoais. Eles merecem todo esse cuidado”, conclui Betina.








