Menopausa e osteoporose: como proteger os ossos
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Entre 2013 e 2023, o SUS registrou 45,4 mil internações de idosos por fratura de fêmur no Paraná e 25 mil em Santa Catarina. Em ambos os estados, cerca de sete em cada dez pacientes eram mulheres, segundo levantamento publicado em 2025 com dados do DATASUS. A fratura é, muitas vezes, a primeira manifestação da osteoporose, doença silenciosa que se constrói ao longo de décadas e ganha velocidade na menopausa. O tema ganha duas datas durante este mês: o Dia Mundial da Menopausa, lembrado no dia 18/10, e o Dia Mundial da Osteoporose, 20/10. Ambas fazem parte do calendário da saúde onde também está o Outubro Rosa, que se concentra no câncer de mama mas abre espaço para cuidados que dependem de prevenção de longo prazo, como a saúde dos ossos. Segundo o ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, marca da Dasa no Paraná, a ligação entre menopausa e osteoporose está na queda do estrogênio, hormônio que ajuda a regular a renovação dos ossos. Sem ele, o organismo passa a reabsorver mais osso do que consegue formar, e a massa óssea diminui. “A menopausa não causa a osteoporose sozinha, mas acelera um processo que já está em curso. Os primeiros anos depois da última menstruação são a fase na qual mais se perde massa óssea e é quando a prevenção precisa se intensificar”, afirma Kulak. Um estudo internacional publicado em junho de 2025 na revista científica Calcified Tissue International, conduzido na Universidade Deakin, na Austrália, analisou dados de 287 mulheres que relataram menopausa recente. Os pesquisadores observaram que a perda óssea na coluna lombar e no antebraço foi maior nos primeiros cinco anos após a menopausa. A proporção de mulheres com osteopenia e osteoporose também cresceu a cada faixa de tempo desde a última menstruação (menos de cinco anos, de cinco a dez e mais de dez). Entre as usuárias de terapia hormonal, o grupo não mostrou diferença entre os períodos, mas a indicação desse tratamento é uma decisão individual, tomada com o médico. Alimentação, vitamina D e musculação são essenciais A base é a alimentação. As diretrizes costumam indicar entre 1.000 e 1.200 miligramas de cálcio por dia para mulheres na pós-menopausa, de preferência obtidos pela dieta: leite e derivados, sardinha e outros peixes consumidos com a espinha, vegetais verde-escuros como couve e brócolis, tofu e oleaginosas. O suplemento só deve entrar com orientação médica, porque o excesso também traz riscos. Proteína em quantidade adequada, menos sal, consumo moderado de bebidas alcoólicas e abandono do cigarro completam o cuidado. A endocrinologista, Cristina Khawali, gerente médica do Laboratório Santa Luzia, magra da Dasa em Santa Catarina, explica que a vitamina D é a que permite ao organismo absorver o cálcio. A principal fonte é a exposição solar regular e moderada, nos horários e com os cuidados indicados por profissionais de saúde; a alimentação contribui pouco, com peixes gordos e ovos. “A deficiência é frequente, inclusive em países ensolarados como o Brasil, e só o exame de sangue mostra se os níveis estão adequados. Quando a reposição é necessária, deve ser prescrita”. Os ossos também respondem ao estímulo mecânico. Exercícios de força, como a musculação, e de impacto moderado, como caminhada, dança e subida de escadas, ajudam a preservar a massa óssea. Treinos de equilíbrio e de coordenação reduzem o risco de quedas, uma das principais causas de fratura em idosos. A prática deve ser adaptada a cada pessoa e orientada por profissional. “Não existe atalho. Cálcio na alimentação, vitamina D em nível adequado e exercício com carga são a base. O medicamento entra quando o risco de fratura justifica, e não substitui esses hábitos”, diz Kulak. Quais exames acompanhar A densitometria óssea (DXA) é o exame que confirma o diagnóstico de osteoporose. Costuma ser indicada a partir dos 65 anos ou, antes disso, para mulheres na pós-menopausa com fatores de risco, como menopausa precoce (antes dos 40 anos) ou antecipada (entre 40 e 45 anos), baixo peso, tabagismo, uso prolongado de corticoide e histórico de fratura de quadril em pai ou mãe. Nesse caso, contam as fraturas por fragilidade óssea, que acontecem com pouco impacto, como uma queda da própria altura, e não as causadas por acidentes ou traumas fortes. Os exames de sangue ajudam a verificar se o organismo dispõe do que o osso precisa e a investigar causas secundárias de perda óssea. O painel básico inclui cálcio, fósforo, vitamina D (25-hidroxivitamina D) e paratormônio (PTH). Conforme a avaliação clínica, entram também creatinina, que avalia a função dos rins, fosfatase alcalina, TSH, que avalia a tireoide; e cálcio na urina de 24 horas. Os marcadores de remodelação óssea, como CTX e P1NP, mostram o ritmo em que o osso é destruído e reconstruído e servem, sobretudo, para acompanhar a resposta ao tratamento. “O exame de sangue não faz o diagnóstico de osteoporose, que depende da densitometria, mas mostra se há uma causa por trás da perda óssea, como alteração de paratireoide ou de tireoide e deficiência de vitamina D”, explica Cristina Khawali. No Paraná, o SUS registrou 45.448 internações de idosos por fratura de fêmur entre 2013 e 2023. Do total, 67,6% dos pacientes eram mulheres e 47,5% tinham 80 anos ou mais. O valor médio por internação foi de R$ 3.186, o mais alto da região Sul, segundo estudo publicado em 2025 na revista Varia Scientia com dados do DATASUS. Os números não medem a osteoporose em si, mas a sua consequência mais grave. Em Maringá, pesquisa com 654 idosos atendidos na atenção primária mostrou que 15,6% relataram ter osteoporose, e as mulheres tiveram chance 4,45 vezes maior de apresentar a doença. Em Santa Catarina, foram 25.055 internações pelo SUS por fratura de fêmur em idosos no mesmo período: 70,8% dos pacientes eram mulheres e 47,3% tinham 80 anos ou mais. O valor médio por internação foi de R$ 3.079, com permanência média de 7,2 dias. Em Chapecó, estudo com 186 mulheres acima de 60 anos, com dados coletados em 2007, encontrou fraturas vertebrais assintomáticas em 48,9% delas. A prevalência foi 1,44 vez maior entre as sedentárias, e nenhuma participante relatou consumo diário de cálcio acima de 600 miligramas, metade da referência de 1.200 miligramas. “Quem tem fatores de risco deve conversar com o ginecologista ou com o médico de referência sobre o momento de fazer os exames e de montar um plano de prevenção”, orienta Cristina. Créditos: Magnific |