NEM PRIVILÉGIO E NEM EXCLUSIVIDADE: O ESPÍRITO SANTO É DOM
Diocese de Assis
Tem gente que acha que o Espírito Santo é coisa de grupo especial. Que só chega em quem fala em línguas, em quem entra em êxtase, em quem frequenta determinado movimento ou comunidade. Tem gente que acha o contrário: que Ele é tão íntimo, tão pessoal, que não precisa de Igreja, de sacramento, de ninguém — basta a relação individual com Deus. Nos dois casos, o Espírito Santo acaba sendo sequestrado: ou vira propriedade de poucos, ou vira refém do individualismo de cada um.
Mas o Espírito Santo não pertence a ninguém. Ele é dom.
Dom que vem de cima — e pousa em todos
Na festa de Pentecostes, o Espírito não desceu sobre um só. Desceu sobre todos: homens e mulheres, jovens e velhos, os de fé forte e os que ainda duvidavam (cf. At 2,1-4). Não havia triagem na porta. Havia apenas um coração aberto e uma espera em comum.
O profeta Joel já anunciara séculos antes: “Derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 3,1). Toda a carne. Não os perfeitos. Não os doutores. A carne cansada, ferida, simples do povo que trabalha, sofre e ainda assim crê.
Dom que transforma por dentro
O Espírito Santo não é um sentimento bonito que passa. É a presença viva de Deus no coração humano. É Ele quem faz a gente chorar diante de um pecado que nem sabia que carregava. Quem coloca o desejo de perdoar quando a cabeça ainda resiste. Quem dá coragem para testemunhar quando o ambiente ao redor zomba.
São Paulo é direto: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Não emprestado. Dado. E o que Deus dá, Ele não retira.
Dom que une, não que divide
O maior sinal de que o Espírito age numa comunidade não é a intensidade das manifestações. É a unidade na diversidade: gente diferente — de idades, histórias, temperamentos — construindo, servindo e rezando juntos. O Espírito distribui dons variados, mas todos para o bem de todos (cf. 1Cor 12,7). Nenhum dom é para exibição. Todo dom é para o serviço.
Quando o Espírito vira motivo de disputa, algo saiu errado. O Espírito não compete. Ele comunga.
E você, o recebeu?
No batismo, o Espírito Santo entrou na sua vida. Na Crisma, esse dom foi confirmado. Não importa se você se lembra ou não sentiu nada naquele dia. O dom foi dado. A questão não é recebê-lo de novo — é deixá-lo agir. Parar de sufocá-lo com o medo, a pressa, o ruído do dia a dia.
O Espírito Santo não grita. Ele sopra. E quem aprende a fazer silêncio, escuta.
PE. EDVALDO PEREIRA DOS SANTOS









