O QUE VOCÊ CHAMA DE OBSTÁCULO?
Diocese de Assis
Você também sente esse desejo, quase inquieto, de coisas novas e de mudanças na vida? Pois saiba que não está sozinho. Mas talvez você já tenha percebido algo curioso: assim que essa vontade de mudar aparece, surgem também os obstáculos — a falta de tempo, o medo do que os outros vão pensar, a insegurança sobre o próprio caminho. E se, justamente aquilo que você chama de obstáculo, não for exatamente um obstáculo?
Pare um instante e pense: será que aquele “não agora” não é, na verdade, um convite ao amadurecimento? Será que aquela porta fechada não está apenas te protegendo de um caminho que ainda não é o seu? Muitas vezes, o que interpretamos como pedra no caminho é, na realidade, um chamado a olhar mais devagar, com mais atenção, para dentro de nós mesmos.
É possível que o universo inteiro de possibilidades de mudança esteja, hoje, tentando encontrar espaço dentro do território estreito das nossas próprias ideias. Nós, humanos, temos a mania de já saber como as coisas devem acontecer, quando talvez devêssemos apenas abrir espaço para que aconteçam do jeito certo, no tempo certo.
E como se abre esse espaço? Silenciando a palavra, por exemplo. Você já experimentou ficar em silêncio, sem preencher todo vazio com respostas prontas, sem a pressa de justificar cada decisão? Pedir alguma direção — a Deus, a alguém de confiança, à própria consciência que, no fundo, já sabe muita coisa que insistimos em não escutar. Escutar conselhos, mesmo aqueles que não gostaríamos de ouvir, mas que carregam verdades incômodas e necessárias. Discernir o movimento das coisas, sem pressa de decidir tudo hoje. Sondar novas possibilidades, com a coragem de quem não tem medo de errar o caminho, sabendo que até o erro pode ensinar.
Tudo isso é possível — e aqui vai um convite direto a você, leitor: tudo é possível, mas não num passe de mágica. Nenhuma mudança verdadeira acontece de um dia para o outro. Ela pede tempo, pede processo, pede que você contemple tanto o ontem quanto o amanhã, sem pressa de resolver tudo de uma vez, sem a ansiedade de já chegar lá.
Da próxima vez que você tropeçar em algo que parece um obstáculo em sua vida, talvez valha a pena parar e perguntar: será mesmo um obstáculo, ou é o próprio espaço se abrindo, aos poucos, para a mudança que você tanto deseja? Caminhe com leveza. E, sobretudo, caminhe com esperança — porque toda mudança verdadeira precisa de tempo para amadurecer.
PE. EDIVADLO PEREIRA DOS SANTOS





