Obesidade cresce entre adultos, mesmo na era das “canetas emagrecedoras”
Dados da Omint Saúde mostram aumento da prevalência da obesidade entre adultos nos últimos cinco anos, com salto de diagnósticos entre 2023 e 2024

| São Paulo, abril de 2025 – Mesmo em um cenário de avanços no tratamento da obesidade, o índice da doença continua progredindo entre adultos. Dados da Omint Saúde, colhidos na base de beneficiários, mostram que a obesidade nesse grupo registrou crescimento de 9% nos últimos cinco anos, com salto de 5% entre 2023 e 2024, mesmo durante a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, os análogos de GLP-1, medicamentos que imitam o hormônio intestinal, aumentando a saciedade e retardando o esvaziamento gástrico.
Para o Dr. Marcos Loreto, diretor médico da Omint Saúde, a maior visibilidade dos novos tratamentos para obesidade estimulou mais pessoas a procurarem avaliação médica e, com isso, houve também um aumento nos diagnósticos registrados. “Em muitos casos, trata-se de pacientes que já conviviam com obesidade, mas que passaram a buscar acompanhamento especializado diante das novas possibilidades terapêuticas”. Nos últimos anos, medicamentos originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2 passaram a ganhar protagonismo também no combate ao excesso de peso. Fármacos à base de substâncias como semaglutida e tirzepatida demonstram resultados clínicos importantes na redução de peso e no tratamento de comorbidades associadas e passaram a integrar as estratégias terapêuticas indicadas por especialistas. “A queda da patente da semaglutida deve ampliar de forma relevante o acesso ao tratamento da obesidade no Brasil, o que é positivo do ponto de vista assistencial. Mas é importante reforçar que não estamos falando de um produto de uso estético ou trivial. Trata-se de um medicamento indicado para uma doença crônica que precisa ser prescrito e acompanhado por um médico.” Para o médico endocrinologista credenciado Omint, Dr. Renato Zilli, o crescimento da obesidade está relacionado a fatores estruturais do estilo de vida contemporâneo. “A obesidade é resultado de um ambiente que a favorece. Hoje temos mais acesso a comida ultraprocessada, barata e hiperpalatável, menos sono, mais estresse, mais sedentarismo e mais telas. Tudo isso desregula fome, saciedade e recompensa cerebral. E ainda existe um ponto importante: mesmo com tratamentos melhores, a maioria das pessoas não tem acesso estruturado e contínuo ao cuidado, e a obesidade exige acompanhamento de longo prazo”, explica o endocrinologista. Como a obesidade acontece Segundo o endocrinologista, a obesidade é um processo biológico. “Quando o tecido adiposo aumenta, há mudanças hormonais e neurológicas que alteram a fome, a saciedade e o gasto energético. O cérebro passa a defender um “novo ponto” de peso, e o corpo se adapta para recuperá-lo caso haja perda de peso.” Para o especialista, o tratamento da obesidade exige mudanças consistentes e perenes no estilo de vida, além de acompanhamento multidisciplinar, como ajuste na alimentação, inclusão de atividade física, melhora no sono e manejo do estresse. “Na prática, o melhor resultado é a combinação de medicamento associada à mudança de estilo de vida, com suporte comportamental”, enfatiza Dr. Renato Zilli. Programas de saúde nas empresas No Brasil, a prevalência da obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, alcançando 25,7% da população adulta, segundo dados da pesquisa Vigitel, conduzida pelo Ministério da Saúde. Quando considerado o sobrepeso, a alta foi de 46,9% no mesmo período, e hoje 62,6% dos brasileiros adultos vivem acima do peso. Nesse contexto, programas estruturados de promoção à saúde dentro das empresas podem desempenhar um papel estratégico na identificação precoce de fatores de risco e no incentivo a mudanças de hábitos entre os colaboradores. Entre as empresas clientes da Omint Saúde, iniciativas de acompanhamento e promoção da saúde ajudam a mapear o perfil da população atendida e a orientar estratégias de prevenção. Um exemplo é o Screening de Saúde, programa que analisa o perfil clínico dos colaboradores para identificar as condições de saúde mais prevalentes na empresa. A partir da coleta de dados, é possível estruturar planos de ação voltados à prevenção e ao cuidado contínuo. Outro programa é o Leve na Boa, cujo foco é incentivar novos hábitos alimentares por meio de atendimento personalizado, apoiando os participantes na construção de rotinas mais saudáveis e sustentáveis ao longo do tempo. Todos eles são conduzidos pela Omint Saúde por meio do Núcleo de Saúde e Prevenção (NUSP). “A Omint atua para além da assistência tradicional ao oferecer soluções corporativas que apoiam grandes empresas na gestão integrada de saúde, bem-estar e produtividade. Programas estruturados de promoção e prevenção levam esse cuidado diretamente aos colaboradores, facilitando o acesso à orientação no próprio ambiente de trabalho. Isso otimiza o tempo das equipes, fortalece a cultura de prevenção e gera ganhos de valor tanto para as empresas quanto para os profissionais”, explica Dr. Loreto. Planos de saúde empresariais Para ter uma dimensão da importância de iniciativas de prevenção e gestão da saúde no ambiente corporativo, em 2025 o Brasil ultrapassou 53 milhões de beneficiários em planos de assistência médica, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Já os planos empresariais concentram 73% dos vínculos, segundo levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). |







