Orientações para prevenção e controle do colesterol alto na população pediátrica

Prevenir e controlar os níveis de colesterol no organismo é fundamental, pois essa medida reduz os riscos de doenças cardiovasculares. Você sabia que crianças e adolescentes também podem ter colesterol alto? Não pense que esse assunto merece atenção só entre os adultos, a população pediátrica também está no grupo de alerta desse problema. E quando a elevação ocorre precocemente na infância, há maior risco de haver adultos jovens doentes no futuro.
Conforme explica a pediatra Adriana Monteiro de Barros Pires, membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o colesterol é um tipo de gordura importante para o funcionamento do nosso corpo, pois participa da formação da parede das células de todo o organismo, além da formação de hormônios e vitaminas, como a vitamina D. “O colesterol presente em nosso sangue vem dos alimentos que ingerimos e também da produção do nosso corpo, principalmente no fígado e intestino”, afirma a médica.
Ela esclarece que o colesterol total avalia a quantidade total de colesterol no sangue, incluindo o LDL (colesterol ruim) e o HDL (colesterol bom). Valores elevados podem indicar risco cardiovascular. Um outro tipo de gordura presente no sangue chama-se triglicerídeo. “Os triglicerídeos são gorduras essenciais armazenadas nas células de gordura do corpo, que servem como reserva de energia”, revela a especialista, enfatizando que o corpo converte calorias não utilizadas imediatamente em triglicerídeos durante a digestão, e vai liberando essas calorias para fornecer energia para as células do corpo durante o dia. “Níveis elevados de triglicerídeos podem aumentar o risco de doenças cardíacas”, completa.
De acordo com a pediatra, as principais causas de colesterol alto na criança são: a alimentação rica em gorduras, o excesso de peso e o sedentarismo (rotina corrida, excesso de alimentos industrializados). “Entretanto, algumas crianças e adolescentes terão colesterol alto mesmo seguindo uma dieta e vida saudável e apresentando peso adequado. Isso acontece nos casos de dislipidemia familiar, uma doença genética que vem da família”, observa Adriana. Ela diz que o colesterol alto em crianças geralmente não causa sintomas visíveis no início, por isso ele é considerado uma condição silenciosa.
Então, quando se preocupar? “Devemos nos preocupar sempre que exista histórico familiar de colesterol alto, infarto ou AVC precoce (antes dos 55 anos em homens e 65 anos em mulheres) e na criança se houver obesidade ou sobrepeso, alimentação rica em gorduras saturadas e processadas e sedentarismo”, informa a especialista, ressaltando que é preciso dosar o colesterol em crianças saudáveis – teste de triagem entre 9 e 11 anos (antes da puberdade) e depois, na adolescência, entre 17 e 21 anos -, e crianças com risco aumentado (obesidade, diabetes, hipertensão, histórico familiar), que podem ser testadas a partir dos 2 anos de idade.
Segundo a pediatra, na grande maioria das vezes é possível controlar o colesterol e prevenir seu aumento com mudanças simples no estilo de vida e na alimentação. “Poucas crianças serão medicadas, principalmente na hipercolesterolemia familiar, dependendo do nível de alteração do colesterol e triglicerídeos. Resumindo, o aumento de colesterol e triglicerídeos também é um problema na faixa etária pediátrica, mas geralmente pode ser prevenido e controlado com uma alimentação balanceada e com a prática regular de atividade física”, finaliza Adriana.








