Por que sentimos medo ao assistir a filmes de terror?

 

 

São Paulo, outubro de 2026 – Coração acelerado, respiração ofegante e aquela vontade tampar os olhos depois de uma cena assustadora. Quem gosta de filmes de terror conhece bem essas sensações. Mas por que nosso corpo reage dessa maneira mesmo quando sabemos que estamos diante de uma ficção?

A resposta pode variar de acordo com diferentes formas de despertar o desconforto e a sensação de ameaça nas telonas: criaturas desconhecidas, ambientes sombrios e corpos que fogem da anatomia humana habitual são alguns dos recursos utilizados pelo gênero. Isso acontece porque o cérebro está constantemente identificando possíveis perigos e tende a reagir a estímulos inesperados ou que fogem dos padrões que reconhecemos como familiares.

No chamado horror corporal (body horror), por exemplo, as transformações físicas e as alterações na aparência provocam estranhamento ao desafiar nossa percepção do corpo humano. É o que acontece em “Cara-de-Barro”, da DC Studios, em que o protagonista passa por mudanças extremas após um procedimento experimental, colocando em evidência o desconforto provocado pela transformação da própria anatomia.

Um dos recursos explorados pelos filmes de terror é a chamada cegueira por desatenção, fenômeno cognitivo em que uma pessoa deixa de perceber algo que está em seu campo de visão por estar concentrada em outro estímulo. A visão periférica também participa desse processo, permitindo identificar movimentos ao redor sem direcionar o olhar diretamente para eles.

Segundo a psiquiatra Dra. Claudia Ketter, professora da Afya Educação Médica São Paulo, esses mecanismos ajudam a compreender por que determinadas cenas conseguem provocar reações tão intensas no público. “A nossa atenção é seletiva. Quando estamos concentrados em determinado estímulo, podemos deixar de perceber outros elementos que estão bem diante dos nossos olhos”, explica.

Além disso, sombras, ruídos inesperados e mudanças repentinas de cena são outros elementos utilizados para surpreender o espectador e criar uma sensação de ameaça: “No cinema de terror, esse recurso pode ser explorado para criar surpresa e antecipação. O cérebro também pode interpretar determinados estímulos como ameaçadores e ativar mecanismos de alerta. É por isso que sentimos o coração acelerar, ficamos tensos e podemos até apresentar sintomas físicos. Trata-se de uma resposta natural do organismo diante do medo”, comenta.

A história de Matt Hagen também permite discutir outro aspecto: os impactos emocionais de transformações corporais. Embora o Halloween seja marcado por fantasias e maquiagens assustadoras, mudanças na aparência são uma realidade para pessoas que enfrentam doenças crônicas, acidentes ou deformidades adquiridas. Essas experiências podem afetar a autoestima, a identidade e a convivência social, tornando o acompanhamento psicológico e psiquiátrico importante para a adaptação e a qualidade de vida.

“Quando uma pessoa passa por uma transformação física significativa, os impactos não são apenas estéticos. A mudança pode afetar a maneira como ela se reconhece, se relaciona e se sente pertencente aos ambientes que frequenta. Por isso, o cuidado com a saúde mental precisa fazer parte do acompanhamento, especialmente quando há sofrimento emocional e isolamento social.”, comenta a especialista

Com a chegada do Halloween, a expectativa é aproveitar a data, reunir amigos, participar de festas e se divertir. Para isso, a especialista ressalta que o mais importante é respeitar os próprios limites, sentir-se confortável consigo mesmo e aproveitar as experiências sem deixar que inseguranças ou cobranças externas impeçam a participação nos momentos de convivência social.

Veja o que seu corpo está tentando dizer neste Halloween:

  • Coração acelerado: O sistema nervoso simpático estimula o aumento dos batimentos cardíacos para bombear sangue mais rapidamente e levar oxigênio aos músculos, preparando o corpo para fugir ou enfrentar uma ameaça.
  • Mãos suadas: O suor ajuda a regular a temperatura corporal, especialmente quando o organismo entra em estado de alerta. Nas mãos, a transpiração também está relacionada a respostas emocionais e pode influenciar a aderência dos movimentos.
  • Respiração acelerada: O aumento da frequência respiratória favorece a entrada de oxigênio no organismo e ajuda a preparar os músculos para uma possível reação física.
  • Frio na barriga: Em situações de alerta, o organismo pode redirecionar parte do fluxo sanguíneo e alterar a atividade digestiva, priorizando funções mais importantes para uma possível reação de emergência.
  • Vontade de fechar os olhos: Diante de uma imagem ameaçadora ou perturbadora, fechar os olhos pode funcionar como uma forma de proteção contra estímulos visuais desconfortáveis. Ao reduzir temporariamente o contato com a cena, o cérebro diminui a exposição àquilo que está provocando medo e desconforto.