| Algoritmos criam bolhas perigosas
Se o tempo excessivo é o combustível, o conteúdo tóxico é a faísca. Os algoritmos das redes sociais são programados para manter o engajamento, direcionando o usuário a conteúdos que podem distorcer a realidade corporal, reforçar padrões de comparação ou intensificar discursos extremistas.
“O indivíduo compara sua vida real, com altos e baixos, às versões idealizadas e aparentemente perfeitas exibidas online. Esse processo gera distorções cognitivas, fragiliza a autoestima e aumenta a probabilidade de respostas de autocrítica e insatisfação, reduzindo o bem-estar psicológico”, comenta Alexia.
Outro aspecto que ajuda a entender a dificuldade de “largar o celular” é o chamado reforço rápido. “Nas redes sociais, o reforço vem de forma imediata, uma curtida, um comentário, uma notificação ou um novo vídeo a cada deslizar da tela. Esse padrão mantém o comportamento de permanecer online, porque o cérebro aprende que sempre existe uma recompensa possível.”
Segundo a professor, esse processo é semelhante ao funcionamento de uma máquina caça-níqueis: nem sempre há um ganho, mas a expectativa do próximo reforço mantém a pessoa engajada. “O problema é que essa dinâmica aumenta o tempo de consumo digital, reduz o interesse por atividades offline e favorece sintomas de ansiedade, irritabilidade e insatisfação constante”, destaca a psicóloga.
Os efeitos mais comuns do uso desmedido das redes incluem alterações no sono, prejuízos na autoestima e elevação nos níveis de ansiedade.
· Sono: a luz azul das telas inibe a produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do sono. Além disso, o fear of missing out (medo de perder algo) e as interações online mantêm o organismo em estado de alerta.
“Esse padrão dificulta a extinção das atividades ao final do dia e prejudica o ciclo natural de sono e a regulação emocional”, aponta a professora.
· Autoestima: a busca por validação por meio de curtidas e comentários torna a autoconfiança instável.
“Quando o engajamento é baixo, o indivíduo pode interpretar a situação como punição social. Nesse contexto, a autoestima fica condicionada a reforços externos, tornando-se frágil e dependente”, explica.
· Ansiedade: a pressão por estar sempre disponível, responder mensagens rapidamente e manter-se atualizado gera um estado de hipervigilância.
“Trata-se de um ambiente de reforçamento aversivo, que mantém comportamentos de checagem constante e aumenta a probabilidade de respostas ansiosas”, acrescenta Alexia.
Sinais de alerta: quando buscar ajuda
A professora do curso de Psicologia do UniCuritiba diz que é importante diferenciar o uso eventualmente excessivo de um padrão de uso patológico das redes sociais.
“Pergunte-se: ‘Como me sinto depois de 20 minutos no TikTok ou no Instagram? Melhor, pior ou igual?’. Se a resposta for ‘pior’, é um sinal claro de que aquele conteúdo não é saudável para você”, alerta a psicóloga.
Para avaliar se o uso das redes sociais está comprometendo a saúde mental, Alexia lista alguns pontos de alerta. “Fique atento a esses sinais e, se for o seu caso, procure ajuda especializada.”
1. Ansiedade ou irritabilidade quando não é possível acessar as redes.
2. Privação de sono ou abandono de atividades importantes para permanecer online.
3. Sensação de mal-estar após o uso.
4. Isolamento das relações presenciais.
5. Busca recorrente por validação online acompanhada de sofrimento diante da baixa interação.
“As redes sociais não são, em si, boas ou más. São ferramentas. O problema surge quando o uso deixa de ser intencional e se torna compulsivo. A Análise do Comportamento nos mostra que a chave está no automonitoramento: observar como seu comportamento é controlado pelo ambiente digital, estabelecer limites de tempo e escolher conscientemente os estímulos aos quais deseja se expor”, finaliza a professora e psicóloga Alexia Lopes.
O UniCuritiba oferece suporte na área de Psicologia. A clínica escola fica no Campus Milton Vianna, rua Chile, 1.678, bairro Rebouças. Os atendimentos são realizados de segunda-feira a sexta-feira, das 8h30 às 21h, mediante agendamento pelo forms Agendamentos Psicologia.
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