SEM DOR, SEM AVISO, SEM ACOMPANHAMENTO: POR QUE A HIPERTENSÃO SEGUE FORA DE CONTROLE NO BRASIL
No mês marcado pelo Dia Mundial da Hipertensão, levantamento clínico com 80 mil pacientes mostra que acompanhamento médico contínuo muda o desfecho da doença mais silenciosa do país

|
São Paulo, 27 de maio de 2026 — A hipertensão arterial afeta 55,7 milhões de brasileiros, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). É a principal causa de infarto e AVC no país, responde por parcela significativa das internações evitáveis e mortes prematuras por doenças cardiovasculares, e tem tratamento efetivo, disponível e bem estabelecido. Ainda assim, apenas 38% dos hipertensos brasileiros têm o quadro sob controle, segundo a mesma fonte. Estudos apontam que a distância entre diagnóstico e controle efetivo está na ausência de acompanhamento longitudinal. Dados publicados em levantamento clínico com quase 80 mil pacientes acompanhados ao longo de 2025 mostram o que muda quando esse monitoramento existe de fato. Entre os hipertensos da base estudada pela Alice, plano de saúde para empresas, 69% apresentaram pressão arterial controlada durante o período, contra 54% na média nacional segundo o Vigitel 2025 do Ministério da Saúde. A taxa de reinternação hospitalar em 30 dias por complicações da doença foi de 0%. Nos Estados Unidos, que tem uma das melhores referências nessa matéria, esse índice é de 11%. O relatório da Alice, publicado pela primeira vez por uma operadora de saúde brasileira com comparação a benchmarks internacionais, monitora mais de 160 desfechos clínicos. O modelo assistencial que sustenta esses resultados tem como centro o médico de família e comunidade, profissional responsável por coordenar o cuidado de cada paciente ao longo do tempo e acionar especialistas quando necessário. Na prática, funciona assim: o paciente tem um médico de referência que acompanha o controle da pressão regularmente em todas as consultas, revisa a medicação, identifica quando a adesão ao tratamento está caindo e age antes que o quadro se agrave. Quando a pressão sobe de forma persistente ou surgem sinais de complicação, o médico de família aciona outros especialistas, conforme o quadro do paciente, dentro do mesmo sistema, com acesso ao histórico completo. Não há lacuna entre uma consulta e outra, nem perda de informação entre profissionais. É esse vínculo contínuo, segundo os pesquisadores do estudo, que explica a diferença nos números. “Hipertensão tem tratamento eficaz, mas o que falta na maioria dos casos é a continuidade. O paciente abandona o acompanhamento, adia a consulta e quando o quadro se manifesta já é um infarto ou um AVC. O que os dados do nosso estudo mostram é que quando existe alguém responsável por aquela pessoa ao longo do tempo, o desfecho muda”, afirma Daniel Knupp, líder médico na Alice. A lógica é a mesma que explica por que países com atenção primária estruturada controlam melhor doenças crônicas em escala. No Reino Unido, na Espanha e nos países nórdicos, o médico de família é o eixo do sistema de saúde. No Brasil, esse profissional ainda é pouco conhecido no setor privado, onde a consulta especializada costuma ser o primeiro recurso. O relatório da Alice cobre ainda oito jornadas clínicas, de gestação a saúde mental. Os mesmos mecanismos explicam por que, em diabetes, 60% dos pacientes acompanhados tiveram glicemia controlada, contra 47% nos Estados Unidos, e a taxa de internação pela doença foi de 37 casos por 100 mil pacientes, cerca de um terço da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Um sistema de saúde melhora quando os resultados deixam de ser invisíveis. Publicar esses dados é um compromisso com a transparência e uma aposta de que, quando o mercado vê o que é possível, o padrão sobe para todo mundo”, conclui Knupp. O relatório completo está disponível em alice.com.br/health-report |







