SUS Brasil 360 fortalece a saúde pública na região de Assis
Por Humberto Tobé e Isabella Werneck Zanon

Na região de Assis, onde as lavouras descem até a margem do Paranapanema e os municípios, quase todos de pequeno e médio porte, funcionam como uma rede de vizinhanças, o Ministério da Saúde implanta uma engenharia de cuidado que depende menos de grandes gestos e mais de precisão. Chama-se Brasil360, o novo modelo de cofinanciamento federal da atenção primária, e sua lógica é simples de enunciar e sofisticada de executar: o repasse passa a refletir o quanto cada equipe conhece, acompanha e cuida da população que lhe cabe.
Para um território de vocação agroindustrial, com gente distribuída entre núcleos urbanos compactos e áreas rurais extensas, isso tem valor particular. O modelo se apoia em três componentes: um repasse fixo ancorado no critério de equidade, um componente de vínculo e acompanhamento territorial e outro de qualidade, medido por indicadores. Nos municípios menores, o parâmetro de cadastro por equipe de Saúde da Família gira em torno de 2 mil pessoas, o que permite à equipe conhecer nome, endereço e história clínica de quem atende. É a medicina de proximidade convertida em política nacional.
A escala do esforço federal é objetiva. O país conta com mais de 103 mil equipes cofinanciadas em quase 45 mil unidades básicas, e o orçamento da atenção primária chegou a R$ 60,4 bilhões em 2025, alta de 71,1% sobre 2022. Parte desse fôlego chega ao território pelo Novo PAC Saúde, que financia a construção de unidades com sala de amamentação, Sala Lilás para o acolhimento de mulheres em situação de violência, consultórios odontológicos e espaços para equipes multiprofissionais.
Há ainda o combo de equipamentos, com eletrocardiógrafo digital, ultrassom portátil de bolso, retinógrafo e dermatoscópio. Em uma região em que o deslocamento até um centro de referência pode consumir uma manhã inteira, resolver o exame na própria unidade é um ganho concreto de tempo, de renda e de desfecho clínico. O mesmo raciocínio orienta a articulação com o programa Agora Tem Especialistas: a atenção primária coordena o caminho, e o paciente deixa de percorrê-lo sozinho.
Por baixo da infraestrutura opera uma mudança de cultura. Experiências municipais que adotaram reuniões mensais entre todas as categorias profissionais mostraram que indicadores deixam de ser cobrança e viram bússola: melhoram os registros, cresce o acompanhamento de quem mais precisa, e gestão e assistência passam a falar a mesma língua. O Ministério oferece a moldura, e as equipes da região dão a ela conteúdo local.
O resultado esperado é uma rede em que o agente comunitário, o enfermeiro, o dentista e o médico do Mais Médicos trabalham sobre o mesmo mapa e a mesma meta. Ao fim de cada ciclo, o repasse premia quem acompanhou melhor, e o morador da região d percebe a diferença em algo prosaico: alguém da unidade sabe quando ele precisa voltar.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
Humberto Tobé é pós-graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).




