Teatro Municipal exibe peça que recorda a trajetória de Helenira Rezende Barbosa
Espetáculo de dança Flores de Chumbo, do Coletivo 220, revisita a saga de Helenira Rezende, transformando memória e arquivo em gesto, silêncio em presença.
Foto: Piola Studio & CO
Entre o gesto e o arquivo, entre o corpo e a história, Flores de Chumbo instaura um espaço de evocação e insurgência. Criado pelo Coletivo 220, o espetáculo parte da trajetória de Helenira Rezende Barbosa — jovem originária de Assis, militante, professora, atleta, vice-presidenta da UNE e guerrilheira do Araguaia, assassinada pelo regime militar brasileiro em 1972 — para elaborar uma coreografia que recusa a celebração vazia e convoca a presença política da memória.
Sob a direção e coreografia de Julia Daniel, e com dramaturgia de Cléber Tasquin, a cena se estrutura como um tecido em fricção: múltiplas camadas se entrelaçam para reconfigurar a narrativa de Helenira, convocando não apenas sua história individual, mas os ecos coletivos de uma geração que ousou sonhar com outro país possível. A orientação cênica de Vanessa Macedo amplia o gesto para além do corpo, operando cruzamentos entre paisagem, silêncio e fabulação.
No elenco, seis intérpretes — Julia Daniel, Laura Montagner, Nathalia Proença, Rafael Karnakis, Rogério Black e Taynara Rafaela — atravessam o tempo e os traumas da história brasileira recente, deslocando a biografia para uma zona de partilha simbólica e crítica. A trilha original, composta por Gabriel Guerra Pires, opera como eixo atmosférico e dramatúrgico, em diálogo com a cenografia de Beatriz Xavier Ribeiro, que ativa os vazios, os vestígios e os campos de apagamento que atravessam a cena.
Montado em Assis, com realização do Governo de Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas e apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Assis, cidade onde Helenira passou sua infância e juventude, Flores de Chumbo propõe uma revisão da história oficial a partir do território. A escolha de encenar esta memória no interior profundo não é aleatória: é um gesto político que reivindica o direito à memória e à justiça histórica como prerrogativas fundamentais da democracia. Mais do que revisitar uma biografia, trata-se de escavar um silêncio coletivo, abrindo fissuras por onde possa emergir uma escuta sensível, crítica e transformadora.
Em 2025, o espetáculo cumpre circulação pelo litoral e interior do estado de São Paulo e realiza sessão única no Teatro Municipal de Assis, no dia 18 de outubro, às 20h. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados via Sympla.
Sobre o Coletivo 220
Fundado em Assis (SP), o Coletivo 220 é um núcleo de criação artística que opera na fricção entre linguagens e territórios. O nome faz referência à voltagem elétrica e anuncia sua natureza energética, híbrida e pulsante. Atuando a partir do interior profundo, o coletivo desafia as hierarquias culturais, reafirmando a centralidade da arte como potência crítica, estética e comunitária.
Seu trabalho transita entre a dança, o teatro, a performance e as dramaturgias expandidas, assumindo o hibridismo como ética e estética de resistência. Para além da criação, o Coletivo 220 atua na formação de públicos, na experimentação de novas formas de produção e na escuta dos territórios onde habita, abrindo espaços para o exercício de uma arte comprometida com as urgências de seu tempo.
Ficha Técnica
Direção e coreografia: Júlia Daniel
Dramaturgia: Cléber Tasquin
Orientação cênica: Vanessa Macedo
Elenco: Júlia Daniel, Laura Montagner, Nathalia Proença, Rafael Karnakis, Rogério Black e Taynara Rafaela
Ensaiador: Caio Nespolo
Direção de Produção: Cléber Tasquin
Produção Executiva: Benedito Inácio e Caio Nespolo
Direção Musical: Gabriel Guerra Pires
Sonoplastia e Técnica Audiovisual: Ana Paula Bonafé
Desenho de Luz: Cléber Tasquin e Ricardo Chocolate
Técnico de Luz: Ricardo Chocolate
Cenografia: Beatriz Xavier Ribeiro
Cenotecnia: Taye Ritsuka
Figurino e Visagismo: Coletivo 220
Costureira: Alessandra Teixeira Mariano
Comunicação: Lucas Tasquin
Design Gráfico: Lais Oliveira
Fotografia e vídeo: Piola Studio & CO
Intérprete de Libras: Camila Viccioli Mafra
Residência em Criação Cênica: Laura Tombolato Montagner
Residência em Produção Cultural: Taye Ritsuka
Apoio: Secretaria Municipal de Cultura de Assis
Realização: Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas.
Serviço
Flores de Chumbo
Data: 18 de Outubro de 2025, às 20h.
Local: Teatro Municipal de Assis, localizado à Rua Floriano Peixoto, 757.
Ingressos: gratuitos via Sympla
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Instagram: @220coletivo