TESTEMUNHO: A FÉ QUE GERA VIDA
Nesta semana da nossa jornada quaresmal, o foco se volta para o impacto e a irradiação do nosso testemunho no mundo.
A conversão diária que buscamos não pode ficar encerrada dentro das paredes das igrejas ou limitada às nossas orações particulares; ela deve transbordar naturalmente para todas as esferas da vida pública.
Ser discípulo de Jesus Cristo é ser, de fato, um “evangelho vivo” escrito com as cores das nossas ações. O ideal cristão de manter os olhos fixos em Cristo nos dá a firmeza interior necessária para não nos deixarmos levar pelas “ondas” passageiras de opiniões ou pela pressão social que muitas vezes tenta silenciar a nossa fé.
O verdadeiro testemunho é aquele que fala muito mais alto através das atitudes silenciosas do que de discursos eloquentes.
O testemunho cristão exige a coragem de ser diferente, de remar contra a correnteza. Em um mundo marcado pela busca desenfreada pelo sucesso a qualquer preço, pelo poder que esmaga e pelo prazer egoísta, o discípulo testemunha a alegria do serviço desinteressado, a força da humildade e a beleza da sobriedade.
A nossa conversão deve atingir o modo como tratamos os subordinados, como cuidamos da Casa Comum e como reagimos diante das injustiças cotidianas.
O plano de amor de Deus se realiza plenamente quando a nossa presença emite a luz de Cristo, levando esperança onde há desespero e paz onde há conflito.
O testemunho não se impõe pela força ou pelo grito, mas se propõe pela coerência de vida. Se pertencemos a Cristo, o nosso estilo de vida deve revelar a Sua presença misericordiosa.
A plenitude da vida cristã é alcançada quando não há mais uma divisão dolorosa entre o que acreditamos e o que efetivamente vivemos. Esse é o grande desafio de cada novo dia: ajustar a nossa bússola moral para que ela aponte sempre para o alto, para o que é nobre e eterno.
Quando vivemos em constante processo de conversão, o nosso testemunho se torna irresistível, pois as pessoas não veem apenas a nossa fragilidade humana, mas veem Aquele que nos move e nos sustenta.
A Quaresma nos prepara para a grande Páscoa, lembrando-nos que o testemunho supremo de Jesus foi dar a própria vida por amor. Somos chamados ao “martírio cotidiano” de renunciar ao nosso orgulho ferido para que a vontade de Deus seja feita.
Que a nossa vida seja uma seta que aponte sempre e exclusivamente para o Cristo Vivo entre nós.
PE. EDVALDO PEREIRA DOS SANTOS