ANTES DE JULGAR, OLHE PARA DENTRO
Diocese de Assis
ANTES DE JULGAR, OLHE PARA DENTRO
Vivemos tempos de julgamento instantâneo. Basta um vídeo, uma frase fora de contexto ou uma acusação não comprovada para que uma pessoa seja condenada pela opinião pública em minutos. As redes sociais viraram praças de execução simbólica, onde qualquer um pode ser réu, juiz e algoz ao mesmo tempo.
É preciso dizer com clareza: a possibilidade de erro ou pecado, que acompanha toda pessoa humana, não faz de ninguém alguém mau por natureza ou por índole. Errar faz parte da condição humana. Todos nós, sem exceção, já erramos, já pecamos, já fomos fracos diante de alguma escolha. Isso é inegável. E, justamente por isso, cada um é responsável pelas consequências dos próprios atos.
Mas responsabilidade não é sinônimo de linchamento. Ser passível de erro não autoriza ninguém a sofrer execração pública, seja física, seja digital. Antes de qualquer tribunal humano, existe algo mais antigo e mais sagrado: a presunção de inocência. Existe também a possibilidade, sempre presente, de que a acusação seja fruto de mentira, exagero ou calúnia. Quantas reputações já foram destruídas por informações que depois se mostraram falsas? Quantas vidas foram arruinadas por julgamentos precipitados, feitos antes de qualquer apuração séria?
Há uma verdade incômoda que precisamos encarar: qualquer pessoa, um dia, pode estar diante do julgamento de todos. Hoje pode ser aquele nome que circula nas redes, amanhã pode ser o nosso. A pergunta que deveria nos acompanhar antes de compartilhar, comentar ou condenar é simples: e se fosse eu?
Por isso, cuidemos para não colocar lenha na fogueira. Cuidemos para não inflamar o ódio alheio com curtidas, comentários e compartilhamentos irrefletidos. A internet tem memória longa e coração curto: esquece a apuração, mas não esquece a acusação.
Preservar a dignidade e o respeito à pessoa humana não é fraqueza, é justiça verdadeira. A verdadeira justiça não se contenta em punir rápido; ela busca a verdade com paciência, ouve todos os lados e reconhece que todo ser humano, por maior que seja seu erro, continua sendo digno de respeito.
Isso não significa fechar os olhos diante do mal. Significa distinguir entre exigir justiça e praticar vingança disfarçada de indignação. A justiça caminha com a lei; a vingança caminha com a multidão e a pressa.
Que possamos aprender a julgar menos e compreender mais, a apurar antes de acusar, a agir com a mesma misericórdia que gostaríamos de receber caso um dia fôssemos nós os julgados.
PE. EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS





