Câncer de intestino: por que um dos tumores mais evitáveis ainda é descoberto tarde no Brasil
Médico lista cinco atitudes de prevenção e explica por que o desafio do rastreamento não é a falta de exame

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São Paulo, 28 de agosto de 2026 – Mais de 60% dos diagnósticos de câncer de intestino no Brasil acontecem quando a doença já está em estágio avançado — III ou IV, quando o tumor invadiu estruturas profundas ou gerou metástases. O dado é de estudo da Fundação do Câncer publicado em novembro de 2025, que analisou mais de cem mil casos registrados em hospitais públicos e privados e chama atenção justamente pelo tipo de tumor de que se trata: o câncer de intestino é um dos poucos que dão anos de aviso. A maioria dos brasileiros, porém, descobre a doença na fase em que ela é mais difícil de tratar, e não na fase em que ela é quase totalmente evitável. Neste mês, o Ministério da Saúde incluiu o teste imunoquímico fecal (FIT) na tabela de procedimentos do SUS para o rastreamento do câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, com repetição a cada dois anos. A pesquisa de sangue oculto nas fezes já é uma prática estabelecida de rastreamento no país. O que a medida faz é incorporar formalmente um método de análise mais sensível e de leitura automatizada, que já vinha sendo o mais usado na rotina dos laboratórios. Os métodos anteriores, baseados em guaiaco, tem acurácia um pouco menor e hoje são oferecidos por poucos serviços. “Vale dizer o que essa medida é e o que ela não é. Não se trata de um exame novo nem de uma mudança na recomendação sobre quem deve se rastrear. É a atualização de um método de análise das fezes que a maior parte dos laboratórios já utilizava, e que pode agregar valor aos métodos já em uso. Para quem vai fazer o exame, na prática, muda pouco”, explica Daniel Knupp, líder médico na Alice. “O ponto mais útil talvez seja recolocar o rastreamento do câncer colorretal na conversa. Esse, sim, é o assunto que precisa de atenção.” A urgência tem tamanho. O câncer colorretal é um dos tipos mais frequentes no país, com estimativa de 53,8 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028, segundo o INCA. Para Knupp, o rastreamento ajuda a inverter a lógica de como muitas pessoas se relacionam com a própria saúde. “Todo mundo entende ir ao médico quando algo dói. Rastreamento é o contrário disso: é fazer um exame justamente porque nada está acontecendo. É contra intuitivo, e por isso depende de alguém explicando, lembrando e acompanhando”, afirma. Cinco atitudes que aumentam a chance de encontrar o câncer de intestino a tempo:
Knupp destaca que o gargalo do rastreamento não está na disponibilidade do exame. “O exame já existe e já é feito. O desafio é fazer com que as pessoas saibam para quem ele é indicado, entendam por que faz sentido examinar quando nada dói e tenham acompanhamento adequado quando o resultado indicar uma investigação complementar, em geral uma colonoscopia. Esse é um trabalho de time, não de campanha. Na Alice, por exemplo, esse acompanhamento é organizado a partir da Atenção Primária: cada membro tem um médico de referência, especialista em Medicina de Família e Comunidade, que acompanha sua saúde ao longo do tempo e coordena o cuidado, apoiado por um time multidisciplinar com enfermeiros e outros profissionais”, complementa. |








