Dia Internacional da Língua de Sinais: conheça iniciativas que trabalham por um mundo mais acessível

Entre elas, estão o curso gratuito do Instituto Guga Kuerten e projetos que traduzem assuntos da saúde para Libras

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Aula do Curso Básico de Libras do Instituto Guga Kuerten, em parceria com a Bla Bla Bla Libras. (Foto: Marcelo Pedrozo)

Hoje é dia de ao menos 161 idiomas ao redor do mundo: desde 2018, a Organização das Nações Unidas (ONU) celebra 23 de setembro como o Dia Internacional da Língua de Sinais, uma data que busca “reconhecer os progressos realizados e os desafios que permanecem para garantir a igualdade para todos”.

No Brasil, apesar de a Língua Brasileira de Sinais (Libras) ser reconhecida como “meio legal de comunicação e expressão”, segundo a Lei nº 10.436/2002, ela não é considerada língua oficial no país — essa honra continua apenas com o português.

Os dados sobre falantes de Libras são escassos e pouco conclusivos. As estatísticas mais completas vêm da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de 2019. Eles indicam que, entre as pessoas de 5 a 40 anos de idade com deficiência auditiva (ou seja, pessoas com muita dificuldade ou que não conseguem de modo algum ouvir), apenas 22,4% sabiam falar Libras; o número sobe para 61,3% quando consideradas somente as pessoas que não podem ouvir de forma alguma.

Além disso, diversos termos ou documentos importantes não possuem tradução em Libras, prejudicando o acesso dos surdos sinalizantes a direitos básicos como saúde e educação.

A partir disso, algumas iniciativas buscam difundir conhecimento e informação na busca por mais acessibilidade. Conheça algumas delas abaixo:

Curso de Libras do IGK

Em parceria com a Bla Bla Bla Libras, o Instituto Guga Kuerten oferece três cursos gratuitos de Libras, nas modalidades básico, intermediário e avançado. As aulas são ministradas por um professor surdo, Alexsandro Luiz, acompanhado por intérprete.

Alguns alunos são das áreas da saúde ou educação e se matricularam para melhor atenderem alunos e pacientes surdos e/ou não-verbais. Há quem não veio motivado por alguma demanda específica, apenas pela vontade de aprender. Na turma do curso básico, dois agregados compõem o grupo: filhos de alunas que acompanham as mães nas aulas.

Entre os alunos, há funcionários do Centro Educacional Menino Jesus (CEMJ), local onde são ministradas as aulas de duas das turmas, e do próprio IGK. Um deles é Guilherme Oliveira, educador do Instituto, que considera o aprendizado essencial em seu trabalho. Hoje, ele não atende nenhum educando surdo, mas se prepara para conseguir se comunicar, caso venha a atender no futuro. “Querendo ou não, em algum momento a gente vai ter um contato ou outro, então é importante estar minimamente preparado para conseguir ter essa troca”, diz.

Libras no parto

O projeto Libras no Parto, organizado pelas intérpretes Aline Iolanda, Fabiana Albuquerque, Juliana Sousa Pereira e Vanessa Rizzotto, oferece interpretação gratuita de Libras para gestantes surdas na hora do parto.

Como muitas vezes os partos acontecem fora do horário comercial, as gestantes podem ficar sem o atendimento fornecido pelo Estado; o sistema de revezamento organizado pelas intérpretes mitiga essa carência, garantindo que as grávidas consigam entender o que está acontecendo durante um momento tão delicado. Em agosto, o projeto foi homenageado pelo Instituto Guga Kuerten no Prêmio IGK.

Libras e Saúde

Projeto da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Libras e Saúde produz vídeos traduzindo assuntos da saúde e realiza palestras educacionais, com o objetivo de promover a acessibilidade comunicacional de conteúdos da saúde para a população surda sinalizante.

Segundo o estudante de Medicina Gabriel Amin, integrante do projeto, existe uma carência de informações da saúde para pessoas surdas, tanto na falta de traduções de termos específicos para Libras quanto na escassez de materiais informativos. “Não há materiais de pré-natal, por exemplo, em Libras, deixando pacientes surdas gestando sem acesso pleno a serviços gratuitos na rede do SUS”, afirma.

O estudante, que pesquisa sobre atendimento médico à comunidade surda, criou um site reunindo algumas dessas informações, incluindo uma lista de cursos gratuitos, como o do IGK, e orientações para atendimento a pacientes surdos. Para Gabriel, “projetos como esses são importantes para garantir a universalização do acesso à saúde para um grupo demográfico que utiliza uma língua e possui uma cultura distinta da normalmente vinculada aos materiais da saúde”.

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